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segunda-feira, 1 de setembro de 2025

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS


 Continua a não haver uma Festa como esta!

sexta-feira, 2 de junho de 2023

BLOGUEANDO POR AÍ

Desde que começou a invasão da Ucrânia pela Rússia, a SIC mantém um programa, a que chama Guerra Fria, onde Nuno Rogeiro e José Milhazes dissertam sobre os acontecimentos que por ali se vivem.

São critérios editoriais, o direito à informação o que lhe quiserem chamar.

Andando por alguns blogues que visito, encontrei no Abril/Abril este texto que fala por si:

«Esta terça-feira, com um cartaz da Festa do «Avante!» como fundo, ouvimos, no Jornal da Noite da SIC, o Milhazes exigir «a explicação da participação de determinados artistas na Festa do "Avante!"» e, à boa maneira da PIDE, citar os nomes de Jorge Palma, Rui Reininho, Paulo de Carvalho, Tim, Mísia, Carolina Deslandes e Rodrigo Leão. Não se dando conta que estamos em 2023, e não nos anos 60, Milhazes não aceita que os artistas que vão participar na Festa do «Avante!» digam, por exemplo, «que se trata de uma mera festa cultural» ou «que estão ali para darem um espectáculo».

Não, não, ele quer proibi-los de ir à Festa e, com esta sua acção pidesca, procura acossá-los e colocar-lhes um rótulo, à boa maneira comportamental dos fascistas alemães com os judeus. Aliás, este tal Milhazes, falando da acusação que lhe fizeram o ano passado de «querer proibir a Festa do “Avante!”», acabou a dizer «não sei se algum dia vou ter poderes para tal coisa». Percebem?

O grupo Impresa tem como compromisso contribuir «diariamente para uma sociedade livre, esclarecida e independente», mas os seus fundadores e responsáveis, nomeadamente o seu director-geral de informação, não se podem esconder atrás destes slogans. Muito menos dar guarida a inimputáveis que, como Milhazes no Jornal da Noite desta terça-feira, afirmam que o "regime de Putin" é «de extrema-esquerda». Todos nos lembramos que nos tempos de Salazar e Caetano os que se lhe opunham e reivindicavam melhores condições de vida e de trabalho eram apelidados de comunistas e, em muitos casos, presos e torturados.

Depois, não digam que ninguém avisou!»

sexta-feira, 22 de julho de 2022

JOSÉ MILHAZES DEU INÍCIO À FESTA DO AVANTE!


É a maior festa de sempre.

Em que sentido? No sentido da sua duração. A Festa do Avante! tem duas partes: uma que acontece durante três dias na Quinta da Atalaia, no Seixal, e a da luta no espaço público que a antecede. São as duas boas, mas, sem desfazer da primeira, a da luta que precede a festa propriamente dita é extraordinária.

Este ano foi José Milhazes que, na SIC-Notícias, abriu a pista. Afirmou-se surpreendido por existirem artistas dispostos a atuar nos palcos de um evento que, recordou, é político. Mostrou o cartaz do evento, onde se podem ver nomes como Carminho, Paulo Bragança, Paula Oliveira e Ricardo Ribeiro.

Recordemos que já atuaram no Avante! Camané, Carlos do Carmo, Bernardo Sassetti, Blind Zero, Capicua, Ana Moura, Carlos Paredes, Zeca Afonso, Da Weasel, GNR, Jorge Palma, Madredeus, Trovante, Sérgio Godinho, Xutos e Pontapés e tantos outros. Difícil é encontrar grandes nomes da música em Portugal que não tenham atuado na festa.

O que mudou agora?

 Para Milhazes, e não está isolado nessa posição, a festa de um partido com mais de cem anos deve ser cancelada em razão das posições que tem assumido relativamente à invasão da Ucrânia. Os artistas deveriam, na sua ótica, alinhar neste cancelamento ou boicote.

Milhazes lançou os artistas, que figuram no cartaz deste ano, num escrutínio popular que, sabemos, é feroz e intolerante. Estes artistas viram-se assim envolvidos numa discussão na qual provavelmente nunca participaram nem desejaram fazê-lo. Conseguiu o que queria. Muitas pessoas alinharam nessa crítica e na destilação de ódio ao partido e à Festa do Avante!. Outros, em menor número, escolheram defender a festa e a liberdade de ir ou de participar. É oficial: a festa começou.

Atuar na Festa do Avante!, ou ir lá, não implica necessariamente ser comunista. É certo que, quem lá vai, não sentirá pelo PCP o repúdio que José Milhazes sente. Não é caso único. Mais jornalistas, supostamente isentos porque o fazem no exercício desta profissão, continuam a vir a público premir o gatilho contra o partido ou incitar a que outros o façam.

As posições que o PCP defende relativamente à guerra são diferentes das que lhe são atribuídas. Mas adiante – já não é assunto. Sobretudo, não são merecedoras de um apagamento de cem anos de História e de luta ao lado dos trabalhadores portugueses. Disse um amigo que não é comunista: “Portugal não é grande coisa, mas seria muito pior sem o PCP.”

Não gostaria de viver num país onde os artistas se recusassem atuar no Avante!. Seria sinal de tristes tempos. Tenho a convicção que parte dos artistas que aceitou atuar na festa não o fez por concordar com as posições do partido relativamente à guerra na Ucrânia ou tão pouco para marcar presença em prol do fim da precariedade laboral. Ter-se-ão limitado a reconhecer naquele evento um momento de divertimento, convívio e democracia que faz parte do calendário das festividades dos portugueses.

Retirar consequências políticas da presença no cartaz, e num tema tão polarizador como a guerra, não é sério e não é justo. Milhazes quer rebaixar o PCP à categoria de partido repulsivo e faz campanha pública nesse sentido. Sucede que, se fosse bem sucedido nessa demanda, não era a Rússia ou Putin que ficariam a perder; seriam os trabalhadores portugueses, a esquerda de um modo geral e a própria democracia.

Não se deve levar a mal porque estes episódios já são a festa. Aconteceu também no ano passado, mas com a pandemia. Houve o terrível escândalo de se atreverem a realizar o evento e de terem autorização para o efeito. Muita tinta correu. Recorde-se que fizeram tudo de forma organizada e exemplar. E que não houve notícia de qualquer surto. Recorde-se também que havia pessoas de grupos de risco a participar. Ou seja: recorde-se que, no fim, deram uma lição de como fazer as coisas bem feitas.

Alguém deveria informar Milhazes, e seus congéneres, que esta forma de combater o Partido Comunista Português não resulta. Sá Carneiro ao menos sabia qual era – e é – a empreitada do PCP

Já no mês passado, em Tomar, na apresentação do seu livro, respondendo à provocação de poder vir a enriquecer com a venda, Milhazes anunciou que compraria a Quinta da Atalaia. Já queria festa. Nem o Natal se prepara com tanta antecedência.

Alguém deveria informar Milhazes, e seus congéneres, que esta forma de combater o Partido Comunista Português não resulta. Estão a radicalizar quem tiver uma mera simpatia, a chamar para as trincheiras quem só estava a apanhar sol. Sá  aqui não resisto: “A melhor maneira de combater o comunismo é melhorar as condições dos trabalhadores.” Sá Carneiro ao menos sabia qual era – e é – a empreitada do PCP.

Carmo Afonso no Público de hoje

terça-feira, 17 de agosto de 2021

ADEUS POR UM CASACO


É tempo de dizer, agora que o Verão chegou e está um calor de ananases, que o meu velho casaco de lã, fez o seu último Inverno.

Pela Primavera agora finda, ainda o vesti porque o sol andou por ela dentro com uns farrapos meio parvos e à noite apetecia uma lãzinha.

Comprei-o na primeira Festa do Avante na Quinta da Atalaia, em 1990, no pavilhão de Vila do Conde e sempre me cheirou a mar.

Quando senti que andava a dar as últimas, tentei, por diversas vezes, encontrar um outro semelhante, mas nunca consegui.

Olhava-os mas sentia logo que não correspondiam à imagem e cheiro do meu velho casaco.

Nos últimos invernos, a Clementina, minha sogra, foi-o gatando com uns pedaços de lã e linha, disfarçava, mas não vai dar mais.

A minha neta Maria, já no passado ano, dissera: o avô anda tão mal vestido.

Tentei explicar-lhe que me sentia maravilhosamente bem dentro daquele casaco mas ela mandou-me um tá bem abelha!

O próximo Inverno já não me encontrará com ele vestido.

Não sou de lágrima fácil, mas senti necessidade de lhe deixar, como profundo agradecimento, um adeus e acrescentar-lhe esta velha canção da Dolly Parton.

Também a esperança que um dia encontre um substituto à altura do seu conforto.

Pelo andar da carruagem, débil esperança…

Ou por outra: resta-me a desesperança de não mais entrar num casaco assim.


quarta-feira, 2 de setembro de 2020

CONVERSANDO


Na próxima sexta-feira os portões da Quinta da Atalaia no Seixa, irão abrir para que aconteça mais uma edição da Festa do Avante.

Contra ventos e marés.

E nunca os jornais, as televisões, deram tanto espaço ao Partido Comunista como agora.
O objectivo é clarinho como água.

Não há bicho careta que não desenvolva opinião sobre a realização da Festa.

Ao ponto de afirmarem que o governo de António Costa mandou facilitar (?) a realização da Festa para que o Partido Comunista o ajude a construir o próximo orçamento de estado.
Quando a família me perguntou se concordava com a realização da Festa, respondi que não. Não perguntaram as razões, deduziram quais seriam.

Se bem que não mude  de opinião por dá cá aquela palha, gosto, sempre,  de ficar aberto a outros horizontes.

Como o de Henrique Fialho, com lugar cativo no blogue«Antologia do Esquecimento»:

Ou como disse o deputado António Filipe:

«A Festa do Avante é o único evento político/cultural do país para o qual o Presidente da República exige a divulgação antecipada de um parecer técnico da Direção Geral da Saúde. Assim se comprova que NÃO HA FESTA COMO ESTA!»

Ou como escreveu, ontem, no Público Ana Sá Lopes:


«Fazer da realização da Festa do Avante! um drama nacional é desproporcionado e, vá lá, um bocadinho ridículo.»

sábado, 14 de março de 2020

ANTOLOGIA DO CAIS

 Para assinalar os 10 anos do CAIS DO OLHAR, os fins-de-semana estão guardados para lembrar alguns textos que por aqui foram publicados.

ADEUS POR UM CASACO

É tempo de dizer, agora que o Verão chegou e está um calor de ananases, que o meu velho casaco de lã, fez o seu último Inverno.
Pela Primavera agora finda, ainda o vesti porque o sol andou por ela dentro com uns farrapos meio parvos e à noite apetecia uma lãzinha.
Comprei-o na primeira Festa do Avante realizada, em 1990, na Quinta da Atalaia, no pavilhão de Vila do Conde e sempre me cheirou a mar.
Quando senti que andava a dar as últimas, tentei, por diversas vezes, encontrar um outro semelhante, mas nunca consegui.
Olhava-os mas sentia logo que não correspondiam à imagem e cheiro do meu velho casaco.
Nos últimos invernos, a Clementina, minha sogra, foi-o gatando com uns pedaços de lã e linha, disfarçava, mas não vai dar mais.
A minha neta Maria, já no passado ano, dissera: o avô anda tão mal vestido.
Tentei explicar-lhe que me sentia maravilhosamente bem dentro daquele casaco mas ela mandou-me um tá bem abelha!
O próximo Inverno já não me encontrará com ele vestido.
Não sou de lágrima fácil, mas senti necessidade de lhe deixar, como profundo agradecimento, um adeus e acrescentar-lhe esta velha canção da Dolly Parton.
Também a esperança que um dia encontre um substituto à altura do seu conforto.
Pelo andar da carruagem, débil esperança…
Ou por outra: resta-me a desesperança de não mais entrar num casaco assim.

Texto publicado em 21 de Junho de 2015.

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

POSTAIS SEM SELO


As festas do Avante, por muito que custe aos anticomunistas, são magnificas.

Miguel Esteves Cardoso, na Sábado, 13 de Setembro de 2007

Legenda: imagem do Expresso.

NÃO HÁ FESTA COMO ESTA!


Abre hoje a 43ª Festa do Avante.

Ruben de Carvalho deixou-nos no passado dia 11 de Junho.

Pela primeira vez não teremos a sua presença física de Ruben de Carvalho.

A Festa é um trabalho colectivo, mas desde o primeiro instante teve a talentosa e sábia intervenção do Ruben.

Relembro, naquele ano de 1976, o tempo que demorei até entrar no apinhadíssimo  pavilhão da velha FIL na Junqueira.

A Festa que Portugal nunca tinha visto!

O Mário-Henrique Leiria, então director do semanário Aqui, recorte no topo do texto, escreveu que apanhou pinhão de criar bicho, que estiveram lá 100.000 pessoas, ou mais, e que pró ano vai arranjar-se espaço para que caibam 500.000, diz o Álvaro.

E assim foi

No ano seguinte a Festa estava no Vale do Jamor.

Um estrondoso êxito, mas no segundo ano, trataram de dizer que ali não podia ser mais. Necessitavam do terreno para a construção de um campo de treino que nunca chegou a ser concretizado

A Festa viajou, então, para o Alto da Ajuda.

Melhor ainda.


Na Ajuda, a Festa esteve de 1979 a 1986, o tempo em que o então presidente da Câmara, Abecassis de seu apelido, disse que precisava do terreno para a construção da Faculdade de Arquitectura cujo início de obras só veio a acontecer passados 5 anos.

Em 1987, problemas logísticos não permitiram a sua realização.

Em 1888 a Festa mudou-se para a Quinta do Infantado em Loures..

Perdeu brilho.

Esteve lá só mais um ano  e o Partido entendeu que não mais se poderia andar com a Festa às costas.

Uma aguerrida angariação de fundos permitiu a compra da Quinta da Atalia na Amora, Seixal.
Tudo feito de raiz e se a Festa já era o que era, melhora de ano para ano.

Logo, ao cair da tarde, sempre que se ouvir a «Carvalhesa», sentiremos o Ruben  ao nosso lado.

Num tempo em que Portugal não vivia os grandes concertos que se faziam pelo mundo, o que nos dias de hoje se tornaram banalidade, a Festa do Avante era o único espaço para ver o que de melhor Rubem de Carvalho conseguia trazer até Lisboa.

Para ajudar um velhote a compor a sua parca reforma, dei-lhe uma série de revistas para que fossem encadernadas, casos da Seara Nova, de O Cinéfilo, e os primeiros programas da Festa do Avante.


Baseado nesse volume, consigo ter uma ideia dos artistas que passaram pela festa.

Raro será o artista português que não tenha passado por um dos palcos da festa, seria longa essa lista, pelo que apenas deixo, e só até 1985,  alguns dos artistas estrangeiros que por lá actuaram:

1976: Pi de la Serra, Area, Archie Shepp. Luigi Nono

1977: Soledad Bravo. Miriam Makeba, Fairport Convention

1978:  Charlie haden, Colette Magny

1979: Mercedes Soza, Max Roach, Richie Havens

1980: Tom Paxton, Chico Buarque de Holanda, Edu Lobo, Simone, MPB4

1981: Ivan Lins, Lúcia Lins, Dexys Midnight Runners

1982: Baden Powell, Odetta, Josh White, Manu Dibango, Buffy Saintt-Marie

1983:  Judy Collins, Elba Ramalho, Luís Gonzaga

1984: Alceu Valença, Waldemar Bastos

1985: The Band, Holly Near .

Em 1976 a EP custava cem escudos (100$00), em 1985 trezentos e cinquenta escudos (250$00. 

No ano de 2001 o preço cifrava-se em dois mil e cem escudos.

Este ano, a EP custa vinte e seis euros.

Legenda: recorte do semanário Aqui de 5 de Outubro de 1976, páginas dos programas da Festa para os dias em que actuaram Tom Paxton. Chico Buarque de Holanda e Juddy Collins.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS


É sempre bom repetir: NÃO HÁ FESTA COMO ESTA!
O programa da Festa.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

SARAMAGUEANDO


Se o leitor é comunista, leia. Se é socialista (convicto ou desiludido), leia. Se está em qualquer lado da esquerda, nessa pulverização que só nos faz mal a todos, por que não lerá? E se é da direita (ou da fraude chamada centro, que direita é) também nenhum mal lhe fará passar os olhos por esta prosa. Não por ser minha (Não sou homem de vaidades assim, mesmo que não me faltem outras), mas porque tudo quanto for dito sobre a matéria de hoje ainda será pouco, e eu só ajudo. Claro que a ressalva se dirige igualmente a quantos leitores pela esquerda se arrumem e tenham olhos para ver, entendimento para julgar e boa-fé para não cair na injustiça.
Falo da festa, assim escrevendo a palavra simplesmente, sem a retórica da maiúscula, porque foi uma grande vitória e das grandes vitórias só se deve falar com simplicidade. Falo do verdadeiro plebiscito que representou o ajuntamento de meio milhão de pessoas numa terra que há dois meses era mato, lixeira e desolação. Falo da alegria, da fraternidade, da gentileza, falo SOS sorrisos maravilhados e maravilhosos que as pessoas mostravam umas às outras e talvez a si próprias. Falo de um povo tantas vezes acusado de grosseiro, de mal educado, de inculto ( pois claro), de analfabeto (ora essa), e que durante três longos breves dias comemorou no Vale do Jamor a grande festa da amizade, do respeito mútuo e da sensibilidade. Falo de uma gente que é costume do Governo insultar agora de preguiçosa, de relapsa ao trabalho, e que ali demonstrou, com o esforço de todos os músculos do corpo e do espírito (o espírito tem músculos, sim senhor, ai dele se não os tivesse), uma capacidade de trabalho e de imaginação que irremediavelmente faltam às cansada comemorações oficiais ou oficiosas de qualquer coisa, sela ela vaga, onda ou bochecho. Falo de pessoas que trabalham se acreditam no que fazem, mas que com legitimidade se interrogam sobre o destino da riqueza que produzem e que não querem continuar a ser os provedores da bolsa de capitalistas e latifundiários. No que, digo eu, fazem muito bem.

José Saramago, início de uma crónica publicada no semanário Extra de 15 de Setembro de 1977.

domingo, 28 de agosto de 2016

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

NÃO HÁ FESTA COMO ESTA!


Abre hoje mais uma Festa do Avante.
Já vão 39!
O tempo feliz dos inícios de Setembro.
Não haver FESTA COMO ESTA é uma verdade insofismável.
Logo, já lá vamos jantar e ficaremos a ouvir a Sinfonieta de Lisboa que, este ano, se debruça sobre o Cinema.

O Cinema pertence, claramente, às formas de Arte cujos vários componentes e dispositivos, criativos e técnicos, de forma mais intensa, ágil e surpreendente agem dialeticamente entre si.
Não por acaso, o Cinema encontra-se também no número daquelas artes que, de modo significante e privilegiado, mais intervêm e influem sobre a produção, a representação e o movimento das ideias, fazendo-o com graus de profundidade que vão do puro entretenimento ao ensaio mais elaborado.
Mas será que isto acontece independentemente do nosso saber, vontade e consciência? E como funcionarão, neste fascinante processo de fruição e percepção, no que concerne à sua importância e peso relativos, dois dos nossos sentidos essenciais — a visão e o ouvido ou, se quisermos, o ouvido e a visão?
No tradicional Concerto que já se tornou um hábito na abertura da Festa do «Avante!», a nossa proposta este ano é a de que prestemos particular atenção à Música no (ou para) o Cinema. Quer dizer: à Música dos grandes mestres de todos os tempos que o Cinema aproveitou para jogar com as histórias, as imagens, os bonecos, os diálogos, os ruídos ou mesmo outras músicas; ou à Música que os grandes compositores de bandas sonoras inventaram para contrastar emoções, reforçar pensamentos ou fazer ouvir-se nos próprios locais da paixão, da intriga ou da luta.
Que o mesmo é dizer: propomos que procuremos “escutar” aquilo que porventura não “vemos” quando vamos ao Cinema. Com olhos de ouvir!

Toda a programação da Festa pode ser vista aqui.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

APROXIMA-SE A FESTA


Um bonito cartaz para uma Festa inigualável.

domingo, 21 de junho de 2015

ADEUS POR UM CASACO



É tempo de dizer, agora que o Verão chegou e está um calor de ananases, que o meu velho casaco de lã, fez o seu último Inverno.
Pela Primavera agora finda, ainda o vesti porque o sol andou por ela dentro com uns farrapos meio parvos e à noite apetecia uma lãzinha.
Comprei-o na primeira Festa do Avante realizada, em 1990, na Quinta da Atalaia, no pavilhão de Vila do Conde e sempre me cheirou a mar.
Quando senti que andava a dar as últimas, tentei, por diversas vezes, encontrar um outro semelhante, mas nunca consegui.
Olhava-os mas sentia logo que não correspondiam à imagem e cheiro do meu velho casaco.
Nos últimos invernos, a Clementina, minha sogra, foi-o gatando com uns pedaços de lã e linha, disfarçava, mas não vai dar mais.
A minha neta Maria, já no passado ano, dissera que o avô anda tão mal vestido.
Tentei explicar-lhe que me sentia maravilhosamente bem dentro daquele casaco mas ela mandou-me um tá bem abelha!
O próximo Inverno já não me encontrará com ele vestido.
Não sou de lágrima fácil, mas senti necessidade de lhe deixar, como profundo agradecimento, um adeus e acrescentar-lhe esta velha canção da Dolly Parton.
Também a esperança que um dia encontre um substituto à altura do seu conforto.
Pelo andar da carruagem, débil esperança…
Ou por outra: resta-me a desesperança de não mais entrar num casaco assim.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

NÃO HÁ FESTA COMO ESTA!


Para além de tudo o que  faz da Festa do Avante um acontecimento único, acresce que este ano a involvência é lembrar, sempre, os 40 anos do 25 de Abril.

Como, de há unas anos a esta parte, a Festa, musicalmente, abrirá com Música Clássica e poderá ouvir-se a Sinfonietta de Lisboa dirigida pelo maestro Vasco Pearce de Azevedo, interpretando peças de Chopin e Schumann..
Destaque particular para a mostra de 40 fotos nos 40 anos do 25 de Abril, com fotografias de Eduardo Gageiro.
O programa completo poderá ser consultado do site da FESTA.
Uma boa e grande Festa do Avante!

domingo, 8 de setembro de 2013

À LUPA


A Festa é o lado solar do PCP. É aquilo que o comunismo poderia ser se durasse apenas três dias. É, entre muitas outras, o que de bom guardo nas minhas memórias de jovem comunista. As minhas convicções serão hoje diferentes. Mas essa ética do colectivo, da camaradagem igualitária, do dever de fazer parte de uma obra que me transcenda, ficou. Correspondendo-lhe pior ou melhor, espero, apenas nisto, nunca deixar de ser comunista.

Daniel Oliveira, Expresso Online