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sexta-feira, 7 de setembro de 2018

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS


É sempre bom repetir: NÃO HÁ FESTA COMO ESTA!
O programa da Festa.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

SARAMAGUEANDO


Se o leitor é comunista, leia. Se é socialista (convicto ou desiludido), leia. Se está em qualquer lado da esquerda, nessa pulverização que só nos faz mal a todos, por que não lerá? E se é da direita (ou da fraude chamada centro, que direita é) também nenhum mal lhe fará passar os olhos por esta prosa. Não por ser minha (Não sou homem de vaidades assim, mesmo que não me faltem outras), mas porque tudo quanto for dito sobre a matéria de hoje ainda será pouco, e eu só ajudo. Claro que a ressalva se dirige igualmente a quantos leitores pela esquerda se arrumem e tenham olhos para ver, entendimento para julgar e boa-fé para não cair na injustiça.
Falo da festa, assim escrevendo a palavra simplesmente, sem a retórica da maiúscula, porque foi uma grande vitória e das grandes vitórias só se deve falar com simplicidade. Falo do verdadeiro plebiscito que representou o ajuntamento de meio milhão de pessoas numa terra que há dois meses era mato, lixeira e desolação. Falo da alegria, da fraternidade, da gentileza, falo SOS sorrisos maravilhados e maravilhosos que as pessoas mostravam umas às outras e talvez a si próprias. Falo de um povo tantas vezes acusado de grosseiro, de mal educado, de inculto ( pois claro), de analfabeto (ora essa), e que durante três longos breves dias comemorou no Vale do Jamor a grande festa da amizade, do respeito mútuo e da sensibilidade. Falo de uma gente que é costume do Governo insultar agora de preguiçosa, de relapsa ao trabalho, e que ali demonstrou, com o esforço de todos os músculos do corpo e do espírito (o espírito tem músculos, sim senhor, ai dele se não os tivesse), uma capacidade de trabalho e de imaginação que irremediavelmente faltam às cansada comemorações oficiais ou oficiosas de qualquer coisa, sela ela vaga, onda ou bochecho. Falo de pessoas que trabalham se acreditam no que fazem, mas que com legitimidade se interrogam sobre o destino da riqueza que produzem e que não querem continuar a ser os provedores da bolsa de capitalistas e latifundiários. No que, digo eu, fazem muito bem.

José Saramago, início de uma crónica publicada no semanário Extra de 15 de Setembro de 1977.

domingo, 28 de agosto de 2016

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

NÃO HÁ FESTA COMO ESTA!


Abre hoje mais uma Festa do Avante.
Já vão 39!
O tempo feliz dos inícios de Setembro.
Não haver FESTA COMO ESTA é uma verdade insofismável.
Logo, já lá vamos jantar e ficaremos a ouvir a Sinfonieta de Lisboa que, este ano, se debruça sobre o Cinema.

O Cinema pertence, claramente, às formas de Arte cujos vários componentes e dispositivos, criativos e técnicos, de forma mais intensa, ágil e surpreendente agem dialeticamente entre si.
Não por acaso, o Cinema encontra-se também no número daquelas artes que, de modo significante e privilegiado, mais intervêm e influem sobre a produção, a representação e o movimento das ideias, fazendo-o com graus de profundidade que vão do puro entretenimento ao ensaio mais elaborado.
Mas será que isto acontece independentemente do nosso saber, vontade e consciência? E como funcionarão, neste fascinante processo de fruição e percepção, no que concerne à sua importância e peso relativos, dois dos nossos sentidos essenciais — a visão e o ouvido ou, se quisermos, o ouvido e a visão?
No tradicional Concerto que já se tornou um hábito na abertura da Festa do «Avante!», a nossa proposta este ano é a de que prestemos particular atenção à Música no (ou para) o Cinema. Quer dizer: à Música dos grandes mestres de todos os tempos que o Cinema aproveitou para jogar com as histórias, as imagens, os bonecos, os diálogos, os ruídos ou mesmo outras músicas; ou à Música que os grandes compositores de bandas sonoras inventaram para contrastar emoções, reforçar pensamentos ou fazer ouvir-se nos próprios locais da paixão, da intriga ou da luta.
Que o mesmo é dizer: propomos que procuremos “escutar” aquilo que porventura não “vemos” quando vamos ao Cinema. Com olhos de ouvir!

Toda a programação da Festa pode ser vista aqui.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

APROXIMA-SE A FESTA


Um bonito cartaz para uma Festa inigualável.

domingo, 21 de junho de 2015

ADEUS POR UM CASACO



É tempo de dizer, agora que o Verão chegou e está um calor de ananases, que o meu velho casaco de lã, fez o seu último Inverno.
Pela Primavera agora finda, ainda o vesti porque o sol andou por ela dentro com uns farrapos meio parvos e à noite apetecia uma lãzinha.
Comprei-o na primeira Festa do Avante realizada, em 1990, na Quinta da Atalaia, no pavilhão de Vila do Conde e sempre me cheirou a mar.
Quando senti que andava a dar as últimas, tentei, por diversas vezes, encontrar um outro semelhante, mas nunca consegui.
Olhava-os mas sentia logo que não correspondiam à imagem e cheiro do meu velho casaco.
Nos últimos invernos, a Clementina, minha sogra, foi-o gatando com uns pedaços de lã e linha, disfarçava, mas não vai dar mais.
A minha neta Maria, já no passado ano, dissera que o avô anda tão mal vestido.
Tentei explicar-lhe que me sentia maravilhosamente bem dentro daquele casaco mas ela mandou-me um tá bem abelha!
O próximo Inverno já não me encontrará com ele vestido.
Não sou de lágrima fácil, mas senti necessidade de lhe deixar, como profundo agradecimento, um adeus e acrescentar-lhe esta velha canção da Dolly Parton.
Também a esperança que um dia encontre um substituto à altura do seu conforto.
Pelo andar da carruagem, débil esperança…
Ou por outra: resta-me a desesperança de não mais entrar num casaco assim.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

NÃO HÁ FESTA COMO ESTA!


Para além de tudo o que  faz da Festa do Avante um acontecimento único, acresce que este ano a involvência é lembrar, sempre, os 40 anos do 25 de Abril.

Como, de há unas anos a esta parte, a Festa, musicalmente, abrirá com Música Clássica e poderá ouvir-se a Sinfonietta de Lisboa dirigida pelo maestro Vasco Pearce de Azevedo, interpretando peças de Chopin e Schumann..
Destaque particular para a mostra de 40 fotos nos 40 anos do 25 de Abril, com fotografias de Eduardo Gageiro.
O programa completo poderá ser consultado do site da FESTA.
Uma boa e grande Festa do Avante!

domingo, 8 de setembro de 2013

À LUPA


A Festa é o lado solar do PCP. É aquilo que o comunismo poderia ser se durasse apenas três dias. É, entre muitas outras, o que de bom guardo nas minhas memórias de jovem comunista. As minhas convicções serão hoje diferentes. Mas essa ética do colectivo, da camaradagem igualitária, do dever de fazer parte de uma obra que me transcenda, ficou. Correspondendo-lhe pior ou melhor, espero, apenas nisto, nunca deixar de ser comunista.

Daniel Oliveira, Expresso Online

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

NÃO HÁ FESTA COMO ESTA!


Sexta-feira já podem ir jantar à Atalaia.

E, como tradição dos últimos anos, a Festa abre com música clássica.

O maestro Vasco Azevedo dirigirá a Orquestra Sinfonieta de Lisboa, tendo Pedro Burmester como pianista.

Interpretarão:

João Domingos Bomtempo: sinfonia n.º 1 em Mi Bemol, Opus 11, 1.º Andamento

Ludwig van Beethoven: Concerto n.º 5 (imperador) em Mi Bemol Maior para piano e orquestra, Opus 73,1.º andamento

Igor Stravinsky: Sagração da Primavera - 100 anos da estreia, a 29 de Maio de 1913 no Théatre des Champs Elisées.

A gente vê-se por lá.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

NÃO HÁ FESTA COMO ESTA!


Noites quentes de Verão.
Amanhã, às 19,00 horas, abre, na Quinta da Atalaia, frente à Baía do Seixal, a Festa do Avante.
Já lá pode ir jantar e assistir à grande abertura musical da Festa.
Com tem acontecido nos últimos anos haverá música clássica.
Este ano o mote são os Concertos Promenade, os velhos Proms, tal como ficaram conhecidos os concertos que anualmente a BBC organiza no Royal Albert Hall de Londres.
Chamados de Promenade porque evocando os eventos musicais realizados ao ar livre, desde meados do século XVIII, nos grandes recintos públicos e parques citadinos, estes Concertos tornaram-se um acontecimento maior da programação da BBC a partir de 1927 e, depois de uma interrupção provocada pelos primeiros anos da II Grande Guerra, novamente a partir de 1942, agora no interior de amplas salas de concerto mas ainda e sempre proporcionando ao público um ambiente muito descontraído, quantas vezes sublinhando este com a sua espontaneidade e intervenção colectiva certas passagens de peças famosas e de conhecimento geral.
Orquestra Sinfonieta de Lisboa
Artistas Convidados:
Maestro | Vasco Pearce de Azevedo
Solista | Ana Cristina Fernandes Pereira
Solista | Inês Andrade
Solista | Sérgio Pacheco

Alinhamento do espectáculo:

1 Elgar  Marcha de Pompa e Circunstância op. 39 – nº. 1 em Ré Maior
2 Khatchaturian  Dança do Sabre 
3 Mozart  Eine kleine Nachtmusik - 1º and. 
4 Mendelssohn  Concerto para Violino e Orquestra, op. 64 em Mi menor - 1º and. 
5 Chabrier  España 
6 Bernstein  Symphonic dances from West Side Story - Prologue 
7 Franz von Suppé  Abertura Cavalaria Ligeira 
8 Haydn  Concerto para Trompete e Orquestra, em Ré Maior - 3º and. 
9 Prokofiev  Romeu e Julieta - Montagues and Capulets (Dance of the Knights) 
10 Offenbach  Infernal Galop (de Orphée aux Enfers) 
11 Borodin  Polovtsian Dance nº. 17: Dance of the Maidens (Príncipe Igor) 
12 Bizet  Suite L’ Arlésienne nº 2 - Farandole 
13 Grieg  Concerto para Piano op. 16, em Lá menor - 1º and 
14 Schubert  Marcha Militar D 733 nº. 1, op. 51 
15 Johann Strauss Jr.  Valsa - O Danúbio Azul 
16 Johann Strauss Sr.  Radetzky March op. 228 

A FESTA


Fotografia publicada no Expresso s/d, a ilustrar uma reportagem sobre uma Festa do Avante, possivelmente das primeiras que se realizaram na Quinta da Atalaia.

Ao fundo vê-se a enseada do Seixal e em primeiro plano um grupo sorridente petisca.

Porque a comida, a bebida são um outro lado do encontro, do convívio, da Festa.

Tinto para os homens, sumo para as senhoras. Talvez o casqueiro seja alentejano.

Sentem-se bem, porque não há Festa como esta.

Di-lo, por exemplo, Rogério Rodrigues, neste recorte de uma crónica publicada no Diário de Notícias de 6 de Setembro de 2000:



(Para uma leitura mais fácil, clique sobre a imagem do texto).

terça-feira, 29 de maio de 2012

SARAMAGUEANDO




Lanzarote, 7 de Fevereiro de 2003

Meu caro Urbano,

Com não sei quantos de atraso vais receber o Prémio “Vida Literária”, com atraso também te há-de ser entregue o “Camões”. Parte da justiça que se te deve será feita no dia 11, a outra confio eu que não tarde. É-me impossível estar em Lisboa nessa altura, por isso não poderei dar-te o abraço de parabéns que seria igualmente o abraço da amizade que me une a ti, que nos une a ambos. Uma amizade que não se traiu nunca, que a distância não diminuiu e que é dos melhores sentimentos que ainda me ajudam a crer que o respeito, a estima e a admiração são possíveis entre escritores, sem hipocrisias nem segundas intenções, sem rasteiras nem navalhadas pelas costas. Tu não és desses, eu também não sou, por isso a nossa amizade não se limitou a sobreviver “tant bien que mal”, é firme e digna como o teu carácter e, se me permites a vaidade, como o meu todos os dias se esforça por ser. Partilho contigo a alegria desse Prémio, partilharei contigo todo o bem de que és merecedor.
A Pilar pede-me que te felicite e te envie um abraço. Eu abraço-te e felicito-te como a um irmão.

Com admiração e afecto,

José Saramago.

Legenda: José Saramago e Urbano Tavares Rodrigues na Festa do Avante de 2000.
Fotografia tirada de Urbano Tavares Rodrigues 50 Anos de Vida Literária Edições ASA, Porto Junho 2003

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

CHÃO NOSSO


A imagem reproduz a actuação do grupo “Trovante” na Festa do Avante de 1977, a primeira que se realizou no Vale do Jamor.

Se os Trovante são um marco na música portuguesa devem-no, essencialmente, ao seu primeiro disco “Chão Nosso” e às actuações que ao longo dos anos tiveram na “Festa do Avante”.
Ao que parece, num virar de uma qualquer esquina, mudaram de carreiro e fizeram por ir esquecendo esses primeiros quão importantes passos. O problema não está no facto de as pessoas mudarem de ideias, o problema mergulha na circunstância de que para se mudar de ideias é necessário que elas existam, como não basta dizer que se pensa por cabeça própria, porque o busílis da questão é que para que isso aconteça  é preciso ter cabeça.

Segundo o Programa da Festa desse ano, o grupo “Trovante” actuou, no domingo pelas 17,00 Horas, no “Palco 2” e apresenta o grupo nestes termos:

 “Estreou-se há um ano, numa jornada política e de convívio em que foi realizado um sorteio das EP para a primeira festa do Avante, onde participou com êxito assinalável.

Tem como objectivo fundamental o tratamento da música popular, trabalho a que se tem dedicado, com todas as energias e espírito criador, desde a sua fundação.
Já ganhou alguma experiência artística, adquirida em mais de sessenta actuações em espectáculos, sessões de canto livre e outras iniciativas culturais promovidas por organizações populares democráticas.



Participou em várias jornadas organizadas pela FEPU durante a campanha eleitoral para as autarquias locais.

É um grupo jovem, cheio de vontade em lutar pelo desenvolvimento da cultura e da música portuguesa populares do nosso país. O grupo é constituído pelo Luis Reprezas, Manuel faria, João Gil e Artur Costa. As idades vão dos 19 aos 22 anos. Tocam piano, viola, flauta, bandolim, reco-reco, maracas entre outros instrumentos. E realizam um interessante trabalho no âmbito da música popular, que procuram enriquecer e divulgar.
O grupo “Trovante” prepara-se para apresentar uma surpresa na Festa: vai pôr à venda o seu primeiro disco um LP com o título genérico “Chão Nosso”. Trata-se de um álbum com dez canções, que abordam temas da resistência, luta e esperança do Povo Português.
O poeta Francisco Viana, colaborador permanente do grupo é o autor de todos os poemas do álbum, que surge como uma nova fase, um grande passo de qualitativo, na vida do “Trovante”

SARAMAGUEANDO


José Saramago no Vol. IV dos “Cadernos de Lanzarote”:

7 de Setembro de 1996

Festa do “Avante”, depois de três anos de ausência. A Quinta da Atalaia, no Seixal, está mais acolhedora, cuidadíssima, com grandes espaços arrelvados e, até, imagine-se o luxo, um pequeno lago artificial, ao lado do rio. Estive cinco horas a assinar livros, sem um momento para descansar, ao ponto de chegar a sentir, embora levemente, a ameaça da epicondilite de que sofri no tempo em que jogava ténis… Fazendo esquecer, porém, a incomodidade do assento e a fadiga da postura, estavam ali aqueles olhares, aquelas palavras, aqueles votos de saúde e de felicidade, aqueles pedidos que eram como carinhosas ordens: “Continue a escrever, precisamos de si,” (os camaradas diziam familiarmente “precisamos de ti”), motivos e razões para que algumas vezes o escritor sentimental, coitado, sentisse que se lhe desmanchava a fisionomia, que a comoção lhe deitava abaixo as defesas, e dentro de si ouvia repetir-se a pergunta que já conhece, essa para que nunca há-de encontrar resposta: “Merecerás realmente isto?

O QUE FOI NÃO VOLTA A SER

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Costumo achar piada a estes encontros, desta vez fiquei com uma sensação de desilusão, O Trovante foi responsável por algumas das melhores músicas portuguesas, um projecto inovador que misturou música tradicional com pop, poderá dizer-se que fizeram história, e asseguraram lugar de destaque na mesma. No sábado passado voltaram ao mítico palco da Festa! aquele onde muitas bandas se transcendem, por onde passou a grande maioria da boa música que se tocou em Portugal nos últimos 35 anos, um palco que marca quem por lá passa, segundo testemunhos variados. O Trovante está intimamente ligado a esse palco e a essa Festa! mesmo que durante alguns anos um dos protagonistas o tenha renegado, até que no passado fim de semana se lembrou que afinal estiveram presentes desde a FIL, crescendo de mão dada com a Festa! e com o Partido que lhe dá alma.

Não há regras nestas coisas, há grupos que se reúnem ao fim de décadas, e aquilo parece que funciona como então, há outros que não, como foi o caso, na minha opinião. As músicas estão lá todas, e é verdade que a actuação foi em crescendo,  entraram com o “caravela” mal amanhado, mas depois lá se recompuseram, e tecnicamente até estão bem, mas notou-se perfeitamente que o fio condutor, a centelha que faz a diferença, perdeu-se entre eles. Aquilo é mais Represas e velhos amigos, do que Trovante. Nem sei se foi boa ideia ter assistido ao concerto, eu que os vi várias vezes quando eles eram a novidade e faziam sentido, mas agora já está, e como cantam os Xutos, o que foi não volta a ser…e no fim a Carvalhesa salvou a noite. Não há Festa! como esta.