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quarta-feira, 29 de novembro de 2017

COISAS EXTINTAS OU EM VIAS DE...


Em conversa com um livreiro, fiquei a saber que a colecção Resumo: a poesia em…, edição conjunta da FNAC e Assírio e Alvim, acabou em 2014 com a antologia de poemas referente ao ano de 2013.

Acabou quando a Assírio & Alvim foi comprada pela Porto Editora.

No 1º volume referente ao ano de 2009, e publicado em 2010, podia ler-se, numa breve nota, assinada pelos antologiadores: José Alberto Oliveira, José Tolentino Mendonça, Luís Miguel Queirós, Manuel de Freitas:

«O presente volume, a que desejavelmente se dará seguimento nos próximos anos, pretende ser uma antologia dos melhores poemas publicados em Portugal ao longo de 2009.»

Publicaram-se 5 volumes.

Alguém na Porto Editora acabou por concluir que iniciativas destas não dão para fazer tilintar as caixas registadoras, que também já foram extintas, são aqui mencionadas para que perceba a ideia.

O mais estranho é que um dos responsáveis editoriais da Porto Editora é Manuel Alberto Valente que nos anos 70, juntamente com Egito Gonçalves, organizou e publicou Poesia70 que só conheceu dois volumes, referentes aos anos de 1970 e 1971.

No que à FNAC diz respeito, nem sei bem como alinhou nesta iniciativa, está mais interessada em outras áreas de negócio do que de livros.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

OLHAR AS CAPAS



21 Ensaios Sobre Eugénio de Andrade
Seguidos de Antologia

Vários autores (Alexandre Pinheiro Torres, António Ramos Rosa, Eduardo Lourenço, Gastão Cruz, Jorge de Sena, José Fernandes Fafe, José Pacheco Pereira, Mário Sacramento, Óscar Lopes, Vergílio Ferreira, entre outros.
Prefácio: Manuel Alberto Valente
Capa: Armando Alves
Colecção Civilização Portuguesa nº 10
Editorial Inova, Porto s/d

Contra el silencio y el bulício invento
La Palabra, libertad que se inventa y me inventa cada dia.
Octavio Paz

Apetecia-me escrever que, após Fernando Pessoa, era Eugénio de Andrade o maior poeta português do século presente. Apetecia-me escrever, mas não escrevo. E no entanto, passado o magnífico rebanho do portentoso guardador, a poesia nacional – alicerçada, sem dúvida, num índice de qualidade bastante saliente – poucos nomes teve e tem que brilhem tanto com o dele. Poucos? Três ou quatro apenas! Os suficientes, justo é confessá-lo, para que a mão me trema e o coração se sobressalte no momento de arriscar a parada suprema…

(Do prefácio de Manuel Alberto Valente)

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

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O  Caso daQuinta Avenida é o nº 13 da nova série da clássica Colecção Vampiro, de novo publicada por Livros do Brasil, mas agora englobada no grupo editorial da Porto Editora.

Tem tradução de Fernando Pessoa, completada por Catarina Rocha Lima. 

A páginas 134 desta edição pode ler-se:

«Aqui termina a parte traduzida por Fernando Pessoa, mas os seus critérios e opções, tanto quanto possível, continuarão a ser respeitados até ao fim do romance, embora não seja pretensão da tradutora imitar o grande escritor. Assim, notará o leitor, por certo, mudança de estilo que, a partir deste ponto, será, não o de Fernando Pessoa, mas tão-só, o próprio da tradutora que recebeu o pesado encargo de completar a obra por ele iniciada.»

Segundo informação prestada pelo editor, no final desta desta edição, a tradução de Fernando Pessoa apareceu, sob a forma de folhetim, no jornal diário O Sol, cujo director era Celestino Soares, tendo sido publicados apenas trinta e três números, entre 30 de Outubro de 1926 e 1 de Dezembro do mesmo ano. O curto período de vida de O Sol apenas permitiu a publicação de cerca de um terço do livro e o fim do jornal levou, por sua vez, ao fim da tarefa de tradução de Fernando Pessoa.

Na primeira série da colecção O Caso da Quinta Avenida tinha o nº 562.

A nova série da Colecção Vampiro começou com Os Crimes do Bispo de S.S. Van Dine, cuja primeira publicação já aqui foi apresentada com capa de Cândido Costa Pinto.


A velha Colecção Vampiro, que começou em 1947, abre com Agatha Christie e o seu Poirot Desvenda o Passado, teve o seu epílogo em 2007 com o número de colecção 703 que corresponde a Do Álbum de Um Detective da autoria de Headon Hill.

Apetece dizer que, casa que se preze, guarda no seu interior um qualquer livro da Colecção Vampiro.

São fantásticas as capas de Cândido da Costa Pinto, algumas verdadeiras obras de arte, interessantes também as de Lima de Freitas mas, verdadeiramente, a cereja no topo do bolo são as capas de Cândido Costa Pinto que as desenha até ao número 104 da colecção, enquanto que as de Lima de Freitas vão do número 105 até ao número 325.

A partir daqui as capas perdem qualidade, alguns volumes mencionam que as capas são de autoria de A. Pedro e grande parte são de um péssimo gosto, muitas a resvalar para a pornografia pura e dura, com o mero propósito de chamar a atenção com vista à fácil compra. 

Diga-se também que as traduções não primavam pela qualidade. A maior parte seguia a edição brasileira, revistas, em cima do joelho, para português.

A Vampiro seguia o lema que tudo o que viesse à rede era peixe e daí encontramos, na colecção, autores da segunda, terceira e quarta divisão do Romance Policial.

Mas, no fundo dos fundos, o balanço final é positivo.

Manuel Alberto Valente, responsável editorial da nova série da Vampiro, revelou  ao Diário de Notícias que «as capas tendem a assumir o estilo retro e vintage da coleção inicial mesmo que executadas por um designer actual».

Quanto às traduções, a maioria das novas edições irão recuperar as antigas versões, mas alerta para alterações muito significativas: «Serão fortemente revistas e o texto será integral, situação que nem sempre se verificava pois eram feitos cortes em certas partes para caber na paginação. Desta vez, serão publicados os textos originais.»

Legenda: contracapa de O Caso da Quinta Avenida

sábado, 30 de setembro de 2017

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Em tempo de ditadura, apesar de tudo, faziam-se coisas muito interessantes.

Estes dois volumes, Poesia 70 e Poesia 71, reflectem esse interesse.

Iniciativa do poeta e editor Egito Gonçalves que, para o primeiro volume teve a colaboração de Manuel Alberto Valente, e para o segundo a colaboração de Fiama Hasse Pais Brandão.

No primeiro volume publica-se uma espécie de prefácio a que os autores chamaram «Alguma palavras para dar uma ideia…» e em que dizem ao que vêm e falam  sobretudo de uma «amostragem» da poesia publicada em língua portuguesa, na Metrópole, no ano a que se refere.

Não foi planeada exclusivamente como uma antologia de poemas, mas sim como uma panorâmica.

Os poemas foram procurados em livros que se publicaram durante esses anos, em suplementos literários e juvenis de jornais que se publicavam nas cidades e na província.

Um trabalho interessante mas repleto de dificuldades, problemas diversos e algumas rasteiras, próprias deste país de poetas, ou como diziam algumas más-línguas, de escrevinhadores de versos.

Não tenho conhecimento que tivessem sido editados volumes referentes a anos seguintes.

Alguns antologiados, de que foram retirados poemas aparecidos em suplementos juvenis, alinham ao lado de nomes consagrados e alguns desses novos autores vieram a realizar outros voos no panorama da poesia, e não só, portuguesa.

Anos mais tarde, a editora Assírio &Alvim, editou alguns volumes, a que chamou Resumo, também amostragens, do que se publicou durante os anos de 2009 a 2013.

Desconheço se esses volumes tiveram posterior continuação.

Os poemas foram escolhidos por José Alberto Oliveira, José Tolentino Mendonça, Luís Miguel Queiroz, Manuel de Freitas (anos 2009, 2010 e 2013) e Armando Silva Carvalho, José Alberto Oliveira, Luís Miguel Queirós, Manuel de Freitas (anos 2011 e 2012.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

OLHAR AS CAPAS


Poesia 70

Selecção de Egito Gonçalves e Manuel Alberto Valente
Capa: Armando Alves
Editorial Inova, Porto, Junho de 1971

Devolvem-me os canais em que circulo
os cartazes do pranto as unhas tensas
cruzando sobre a fronte o desengano
uma chuva de fogo para a noite

Dizendo noite a própria noite vela
para imitar o dia destruí-lo
uma lata vazia um grito gasto
onde a sopa arrefece

Nada mais tenho Escrevo na palavra
outra palavra

Dizendo dia crio a melhor forma
de revender a noite insinuá-la
fio de raiz roendo-me os tecidos
uma estátua crescendo

Nada mais tenho Escrevo na palavra
outra palavra.

Vasco da Costa Marques do livro Um Beco no Espaço

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

OLHAR AS CAPAS


Os Olhos de Passagem

Manuel Alberto Valente
Colecção Horizonte de Poesia nº 4
Livros Horizonte, Lisboa, Dezembro de 1976

Carta de Novembro a Uma Criança de Lisboa

                                                                  À Alexandra

Dir-te-ão que era o ódio    sobre a paz dir-te-ão
algumas  palavras    sobre a pátria. Inventarão heróis
porque de heróis necessita quem teme o canto anónimo
de iguais.  Exigirão  que  apaguesaos olhos da memória
o grito onde vivemos saudosos do futuro.

Tu saberás porém do coração maior que o sonho.
Dirás dos erros o seu nome de história
onde nada estava feito. Colherás com as mãos
que o sol tocou porque eram l9impas e pequenas

essa flor desfolhada às portas de Dezembro.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

SARAMAGUEANDO


Quando os herdeiros de José Saramago entenderam cessar o seu trabalho de edição com a Leya aceitei de bom grado a decisão. A Caminho, juntamente com outras editoras, foi engolida por esse saco de gatos que é a Leya, cujos proprietários estão mais interessados em ouvir – se ainda as houvesse -, as caixas registadoras a tilintar, do que ter o gosto e amor pelos livros e os seus autores.

A Caminho sempre foi a editora de José Saramago, se perdeu a sua identidade, não havia justificação para continuar a ligação.

A passagem da edição dos livros de Saramago para a Porto Editora, se bem que seja, também um grupo em que existem contornos semelhantes aos da Leya, possui a vantagem de, à frente da parte editorial, ter um homem que gosta de livros e respeita os autores – o poeta Manuel Alberto Valente.

Agora soube-se que os herdeiros de José Saramago, prescindiram dos serviços da Agência Literária Merlin que, durante 28 anos, foi representante dos direitos internacionais da obra de José Saramago, e entregaram a representação a uma outra agência. 

Nicole Witt, em comunicado enviado à Lusa diz que muito antes da sua consagração com o prémio Nobel da Literatura, em 1998, já a agência tinha conseguido uma lista significativa de traduções da obra de Saramago, primeiro, sob a direcção de Ray-Güde Mertin, que durante muitos anos também foi a tradutora para alemão da obra do autor.

Com a equipa da agência, descreveu Nicole Witt, sempre nos entregámos com dedicação, atenção pessoal, convicção, profissionalismo, ética e integridade moral à nossa tarefa de divulgação da obra de José Saramago pelo mundo fora. Não tenho dúvidas de que esta postura foi especialmente apreciada pelo autor. Quando me despedi de José Saramago, em Junho de 2010, em Lanzarote, pouco antes do seu falecimento, senti que ele confiava no nosso trabalho e que estava satisfeito com os resultados obtidos: uma divulgação da sua obra em mais de 60 países, em editoras excelentes, fazendo parte da melhor literatura mundial.

Nicole Witt não entende a decisão dos herdeiros de José Saramago.

Se alguma razão existe, não a conheço.

José Saramago, que pautou os seus dias pela lealdade nas relações comerciais, - e não só! – provavelmente, não apoiaria.

Tendo por estes dias, a remexer em papéis e livros do Luiz Pacheco, encontrei este pedaço de uma entrevista dada, em Julho de 1996, a Paula Moura Pinheiro:

Eu nunca aguentaria uma situação idêntica à do Saramago, por exemplo. A Pilar controla tudo, de manhã à noite. O homem não pode ter aventuras nem com homens nem com mulheres. Nada. Está ali com o mirone sempre a pau. O que é que há-de fazer? Faz boletins do gabinete do senhor escritor José Saramago. Tanto dá que tenha sido escrito por ele, pela mulher-a-dias, pela Pilar, pela Desidéria. Ele no fim assina e pronto. Vai aqui, vai ali, recebe prémio, não recebe prémio. Ele é um computador. Mesmo que tivesse vivido ao longo destes anos uma aventura qualquer não pode escrevê-la Está impedido.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

UM LENÇO PARA CATARINA


Chamavas-te Catarina? Ou foi a sina
De nomear o mito e dar um rosto à História
Que fez nascer em nós teu nome de menina
Como barco sulcando as águas da memória?

E será que morreste? Ou por termos medo
Da nossa própria morte mais à frente certa
Criámos em surdina as balas do segredo
Que foi bordado a fogo na tua saia aberta?

Mas o nome qu’importa? A hora? O mês?
Em cada morte nossa morres outra vez
E colam outro nome à pedra em que te fito.

E mesmo a morte passa. A nossa e a tua.
Quando chegam as aves apenas flutua
Um lenço onde se acende o teu perfil de grito.

Manuel Alberto Valente em 10 Poemas para Catarina, O Oiro do Dia, Porto, Maio de 1981.

Legenda: número do Avante de Abril-Maio de 1954 referindo a morte, pela GNR, de Catarina Eufémia no dia 19 de Maio de 1954.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

CONCENTRAÇÃO EDITORIAL


Em artigo de opinião, publicado na Notícias Magazine de 25 de Maio 2008, Manuel Alberto Valente mostrava o seu  entendimento sobre o fenómeno da concentração editorial..

SARAMAGUEANDO


Ontem ficou a saber-se que será a Porto Editora irá editar a obra de José Saramago, e que o romance inédito de José Saramago Alabardas, Alabardas, Espingardas, Espingardas será já editado pela Porto Editora.

A Porto Editora, a exemplo da Leya, é um dos grupos que, nos últimos anos, t~em vindo a adquirir outras editoras.

Existe, porém, uma grande diferença.

A Porto Editora que, entre editoras,engloba a Assírio &Alvim tem à frente da parte editorial o escritor Manuel Alberto Valente que há muitos anos manuseia livros, que lhes conhece as cores, os cheiros, o miolo, e que aos livros dedica aquilo que mais os torna importantes e diferentes: o amor.

Manuel Alberto Valente, ver post seguinte, reconhece, nos dias de hoje, a inevitabilidade da concentração editorial, mas avisa que à frente desses novos pequenos impérios, deve esta gente que não seja alheia ao mundo do livro.

Manuel Alberto Valente está nesse número. Para além de não ter, por hobby, carros de corrida, sabe da importância dos livros.

Um pão vale mais que um livro?

Aí está uma interminável discussão.

Outra editora que concorria para a publicação das obras de José Saramago era a Relógio d’Água do escritor de Fernando Vale, que se tivesse sido esta a escolha de quem teve de decidir, se saberia que os livros de José Saramago estariam, também, em muito boas

Tanto Manuel AlbertoValente como Fernando Vale de modo algum desdenham aquele bonito sentir de Manuel Hermínio Monteiro:

Gosto de pensar que edito livros como quem trata de uma vinha.

Legenda: fotografai da Cornerstone Books Shop