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quarta-feira, 10 de junho de 2026

OLHAR AS CAPAS


 Caparica Doutros Tempos

Serafim Félix Martins

Edição de Autor, 2004

Os pescadores, têm na rede a alma do seu traço, de trigueiros e sentimentais. Amam a família e a sua terra, são religiosos, aventureiros e trabalhadores. Gostam de conviver em grupo, costumam falar alto, ciosos dos seus próprios costumes.

Vestem camisa aos quadrados, calças cinzentas ou azuis, usam boné ao alto, e tamancos ou chinelos nos pés. Na praia, costumam andar descalços. Logo pela manhã, muito cedo, vão matar o bicho, a ver o mar. Cantam o fado nas tabernas ou nas tascas. O fado, está ligado ao mar e às suas ondas de solidão. Nasce a música, como eco distante da luta dos pescadores, durante a faina da pesca.

À noite, lá pelas tantas da madrugada, era vê-los na taberna do Capote a beber um copo com os Setentas sempre a dar o mote. Comem o gordo carapau assado e a famosa sardinha, também assada, a pingar no pão, acabada de tirar do fogareiro de barro, o carvão a atear junto à porta da rua. Não abdicam da sopa de pexe, petingas de alhada, massa no caldo, pexe de azeite e vinagre, caldeirada *à pescador. Só eles conhecem o segredo na preparação desta comida deliciosa.

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

JÁ CHEIRA A INVERNO


Primeiro de Agosto, primeiro de Inverno, dizia a minha avó, diziam todos os velhos.

Num 1 de Agosto, anos 60, último barco de Belém para a Trafaria, o mestre da embarcação para seu tripulante:

«Já cheira a Inverno!»

Ninguém foge ao seu destino e recorda-se um poema de António Gedeão:

- Minha mãe, haverá mundo

para além da Trafaria?

 

- Não sei, meu filho. Não sei.

Tudo aquilo que sabia

já no meu sangue te dei.

 

- Que serras são estas, mãe,

que não nos deixam ver nada?

 

- São rugas que a Terra tem.

Não maces a tua mãe.

Deixa-me estar descansada.

 

- Ó mãe, que rio é aquele?

Onde nasce e onde morre?

 

- Ó filho, é Deus que o impele.

Entretém-te a olhar para ele.

É um rio. Tem água. Corre.

 

- Quando eu for crescido, mãe,

quero saber e entender.

 

- Ó filho, o supremo bem

é cada qual, com o que tem,

resignar-se e agradecer.

 

Deus faz tudo pelo melhor.

Não se engana nem se esquece.

De todo o mal, o maior,

seria sempre pior

se Deus assim o quisesse.

Ninguém foge ao seu destino.

Está tudo determinado.

Não penses com desatino.

Dorme, dorme, meu menino.

um soninho descansado.

sábado, 1 de abril de 2017

POSTAIS SEM SELO


Vez por outra, o meu pai levava-me até à Trafaria. Atravessar o rio era uma aventura sem parágrafos. Colocava-me na amurada do vapor e seguia o doce movimento das ondas, perdidas em outras ondas e em espuma e em salpicos. As gaivotas soltavam gritos estridentes e poisavam levemente nas águas, procurando comida, ou seguiam em bando a uns metros da popa do barco. O barco deixava um sulco borbulhante nas águas. Os meus pensamentos voavam, iam para longe, e eu era um capitão nos Mares da China, um bandeirante na selva, um aviador destemido, um caçador de leões.

Baptista-Bastos em A Bolsa da Avó Palhaça

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

OLHARES


Trafaria.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

O QU'É QUE VAI NO PIOLHO?


Estou naquele capítulo do Reduto Final a que Dinis Machado chamou Os rapazes dos livros, das fitas e da bola.

Futeboladas aos domingos na praia da Caparica

Dinis Machado menciona os nomes dos barcos que do Cais do Sodré iam para a Trafaria: o Flecha, o Zagaia, o Norte-Expresso.

Na Trafaria, apanhavam a camioneta para a Caparica.


Antes, já Dinis Machado perguntara:

A propósito: quem é que tem a bola? Estive a ver as marés, temos terreno duro no domingo, na praia, da parte da manhã. Podemos estar a dar uns toques umas seis horas seguidas, mas é preciso apanhar o barco aí pelas oito horas. E com isto fecho a secção de informações. Quem é que tem a bola? Quem é que a levou para casa no domingo?

A Costa da Caparica, naqueles tempos, tinha dunas que se estendiam da Cova do Vapor, frente ao Bico da Areia, até às rochas já a caminho do Cabo Espichel.

Outra vez o Dinis Machado:

- O pebre não tem nada que ir buscar a bola às dunas. A areia queima e aqui não há criados.

- Fica assim: quem rematar é que vai buscar a bola às dunas.

Mas, hoje, não venho aqui, com o Dinis Machado, por causa da bola.

Venho pelo nimas.

A páginas 49 escreve:

- Então ninguém sabe qual é a fita?
- É pá, já temos ido uma data de vezes ao cinema sem sabermos qual é a fita. Só sabemos quando lá chegamos.

Era assim.

As vezes que a malta do bairro, arrancava para o «piolho» sem saber quais eram as fitas.

Sim, eram sempre exibidas duas fitas.

Tantos filmes que vimos mais de uma vez.

Pouco interessava.

O importante era o cinema.

A propósito:

Quem é que tem a bola?

Legenda: cartaz de Veneno de Cobra, um delicioso filme de Michael Curtiz com Humphrey Bogart, Peter Ustinov e Aldo Ray. Lembro-me que o vi pela primeira vez no Cine-Oriente, para aí no findar dos anos 50.

domingo, 27 de setembro de 2015

PORQUE HOJE É DOMINGO


O Verão já lá vai.
Colocar aqui uma boa parte dos discos que estavam na Juke Box da Esplanada do Marques na Trafaria é algo que levaria muitos domingos.
Este é o último domingo de Setembro e Cachito do Nat King Cole é a canção que vos trago.
No próximo Verão, voltaremos às grandes canções da Esplanada do Marques.
Bom domingo!

domingo, 20 de setembro de 2015

PORQUE HOJE É DOMINGO


Na Juke Box da Esplanada do Marques na Trafaria, havia mais que um disco dos Conchas.
Lembro-me da versão que eles arranjaram para Adão e Eva do Paul Anka.
Que arrepio.
Bom domingo!

domingo, 13 de setembro de 2015

PORQUE HOJE É DOMINGO


Desta lembro-me muito bem que fazia parte da Juke Box da Esplanada do  Marques na Trafaria.
Que grandes músicas, que grandes tempos.
Bom domingo!

domingo, 6 de setembro de 2015

PORQUE HOJE É DOMINGO


A Juke Box da Esplanada do Marques na Trafaria tinha por lá mais que um pasodoble
Mas este é o que era mais tocado. Não estou bem recordada mas a interpretação era do Luís Alberto del Paraná e seu Trio Los Paraguayos. Andei à procura no You Tube mas não a encontrei. Entre muitas outras apareceu esta interpretação de Los Churumbeles que serve para terem uma ideia de mais uma música dos tempos da Maria Cachucha: Se fores a Calatayud pergunta por La Dolores.
Bom domingo!

domingo, 30 de agosto de 2015

PORQUE HOJE É DOMINGO


Alguém poderia pensar que o Oh Carol poderia não estar na juke box da Esplanada do Marqyes na Trafaria?
Claro que não!
Bom domingo!

domingo, 23 de agosto de 2015

PORQUE HOJE É DOMINGO


No início da década de 60, Kanimambo de João Maria Tudela foi um grande sucesso e não poderia deixar de marcar presença na Juke Box na esplanada do Marques na Trafaria.
Bom domingo!

domingo, 16 de agosto de 2015

PORQUE HOJE É DOMINGO


Esperanza era uma das músicas mais tocadas na Juke Box da Esplanada do Marques na Trafaria.
Não era esta a interpretação. A interpretação era por um conjunto de que se  me varreu completamente o nome.
Mas fica a música e numa excelente interpretação do Antonio Machin.
Bom Domingo!

domingo, 9 de agosto de 2015

PORQUE HOJE É DOMINGO


A Andorinha Preta pelo Nat King Cole também fazia parte da Juke Box da Esplanada do Marques na Trafaria
Bom domingo!

domingo, 2 de agosto de 2015

PORQUE HOJE É DOMINGO


O Querido mês de Agosto não fazia parte da Juke Boxe da Esplanada do Marques na Trafaria.
Interrompo a lembrança dessas canções para colocar este clássico que todos os anos coloco por aqui quando começa Agosto.
Não que aprecie a canção, mas porque ela me faz lembrar todos esses emigrantes que, por um mês, regressam às suas terras de origem.
São aos milhares os carros que passam Vilar Formoso.
Por vezes, a ânsia de chegarem, leva-os a cometer imprudências que lhes custam a vida.
Para muitos, o não mais haverá um querido mês de Agosto.

domingo, 26 de julho de 2015

PORQUE HOJE É DOMINGO


Mais um domingo.
Continuo a meter moedas na Juke Box da Esplanada do Marques na Trafaria.
A escolha de hoje recaíu em A Lenda da Conchinha da Celly Campelo.
Bom domingo!

Nas dobrinhas de uma concha
Nosso amor eu escondia
E a conchinha cor de rosa
Meu segredinho sabia
Nela eu guardava os beijos e
O calor do nosso amor
A conchinha caiu n'água
Mergulhei para buscar
Mas o amor que estava dentro
Escapuliu, ficou no mar
E dois peixinhos que passavam
Então levaram nosso amor
E agora o mar
Tem mais peixinhos a nadar.

domingo, 19 de julho de 2015

PORQUE HOJE É DOMINGO



Um Verão com passagens pela juke-box da Esplanada do Marques na Trafaria.
Un Dia de Sol pelo Alberto Cortez.
Para além de mim, ainda há alguém que se lembre deste rapaz.
Bom Domingo!

domingo, 12 de julho de 2015

PORQUE HOJE É DOMINGO


Até aos meus 17 anos os domingos eram passados na Trafaria,
Apenas domingos porque ao sábado trabalhava-se, tal e qual outro qualquer dia.
Mais de duas horas para chegar até à outra banda, outras tantas, e mais, para regressar.
As longas filas no pontão a aguardar os quatro barquitos que faziam a travessia Belém/Trafaria.
Na esplanada do Marques, que ficava na terceira praia a partir do pontão, havia uma juke-box.
Tenho na lembrança quase todas as canções, canções que eram sempre as mesmas durante todo o Verão.
Por estes domingos vou lembrar algumas dessas canções.
Vou começar pelo «Moliendo Café» do Lucho Gatica, com capa e tudo, que foi uma cortesia do meu amigo guedelhudo-grisalho Luís Pinheiro de Almeida.
Bom domingo!



quinta-feira, 23 de abril de 2015

DO BAÚ DE POSTAIS


Algés, Cruz Quebrada, Trafaria foram as praias da minha infância e adolescência. 
Toldos e barracas de pano às riscas de diversas cores. 
Os papagaios de papel voando nos ares e ficava a olhá-los. Surpresa feliz.
Hoje, vêem-se nas praias outros papagaios, mas sofisticados representando diversas figuras. 
Os do meu tempo eram feitos de papel de seda colorido, pedaços de canas cruzados, um longo rolo de corda.
O conselho de quem sabia: os papagaios de papel sobem contra o vento e não a favor dele.

domingo, 12 de abril de 2015

PORQUE HOJE É DOMINGO


Trago.vos hoje uma velha canção da Angela Maria que durante muito tempo esteve no top do Quando o Telefone Tocar, do célebre posso pedir um disco, posso dizer a frase.
Também rodou muito no tempo de Verão, na Trafaria, na juke box da Esplanada do Marques.
O rôr de tempo que lá vai!...
Bom domingo!

Eu conheci na Espanha
O Arlequim de Toledo
Uma figura estranha
Sua vida um segredo

Dos seus amores fatais
Falavam todas com medo

Dizem que os seus beijos são tentadores
Dizem já conquistaram muitos amores
Dizem que seus carinhos eram ternuras
Mas que se transformavam numa loucura

Eu conheci na Espanha...

Em cada canto,um amor
Em cada amor um enredo

E numa noite cheia de encantamento
Eu também conheci para meu tormento
Aquele louco amor que guardo em segredo
O louco Arlequim,Arlequim de Toledo.

domingo, 20 de julho de 2014

PORQUE HOJE É DOMINGO


                         

Tem sido um verdadeiro Verão da treta.
Porque hoje é domingo,volto à Trafaria, aos anos 60, à esplanada do Marques na Praia da Lurdes.
Bom domingo!

Quando eu morrer,
Não quero choro nem vela,
Quero uma fita amarela
Gravada com o nome dela

Não quero flores
Nem coroa com espinho
Só quero choro de flauta
Violão e cavaquinho

Quando eu morrer,
Não quero choro nem vela,
Quero uma fita amarela
Gravada com o nome dela

Se existe alma
Se há outra encarnação
Eu queria que a mulata
Sapateasse no meu caixão

Quando eu morrer,
Não quero choro nem vela,
Quero uma fita amarela
Gravada com o nome dela

Os inimigos
Que hoje falam mal de mim
vão dizer que nunca viram
uma pessoa tão boa assim


Quando eu morrer,
Não quero choro nem vela,
Quero uma fita amarela
Gravada com o nome dela.