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sábado, 3 de agosto de 2024

OLHAR AS CAPAS


Trópico de Capricórnio

Henry Miller

Tradução: Fernando Pinto Rodrigues

Capa: Carlos Bravo

Biblioteca Visão nº 19

Abril/Controljornal, Lisboa, Junho de 2000

Tudo acima do horizonte é claro para mim. É como Domingo de Páscoa. A morte está atrás de mim e o nascimento também. Agora vou viver entre as doenças da vida. Vou viver a vida espiritual do pigmeu, a vida secreta do homenzinho no ermo do mato. Interior e exterior trocaram os lugares. O equilíbrio já não é o objectivo – a balança tem de ser destruída. Deixa-me ouvir-te prometer de novo todas as soalheiras coisas que trazes dentro de ti. Deixa-me acreditar só por um dia, enquanto descanso ao ar livre, que o Sol traz boas novas. Deixa-me apodrecer em esplendor enquanto oSol rebenta no teu útero. Acredito implicitamente em todas as tuas mentiras. Tomo-te como personificação do mal, como a destruidora da alma, como a maharani da noite. Prega o teu útero na minha parede, para que possa lembrar-me de ti. Temos de ir andando. Amanhã, amanhã…

sábado, 11 de novembro de 2023

NOTÍCIAS DO CIRCO

Tristes e dramáticas as Notícias do Circo que vão saindo do espectáculo que há dias começou.

Reparem nesta, apanhada no Diário de Notícias:

«O advogado do arguido Vítor Escária realçou que o facto de o antigo chefe de gabinete de António Costa ter mais de 75 mil euros no gabinete, em São Bento. "Não se trata de uma substância ilícita. A circunstância de termos dinheiro em casa depende das circunstâncias", disse Tiago Rodrigues Bastos, realçando que se tratava do local de trabalho do arguido.

Por essa quantia ter sido encontrada em São Bento, disse. "Admito que seja criticável, que o primeiro-ministro tenha ficado agastado. Mas não e nada ilícito".

Questionado se Vítor Escária irá dar eclarecimentos sobre a origem do dinheiro, o advogado garantiu que este "explicará quando tiver de explicar".

"Não tem relação com o que estamos a discutir neste processo", reafirmou.

Tiago Rodrigues Bastos lamentou ainda as "conversas de café" à volta do caso e disse acreditar que Vítor Escáia "prestará esclarecimentos cabais, suficientes, que afastarão a sua incriminação.”»

 

Não vou continuar a ler - por hoje,  até 10 de Março data das eleições?  - o que quer seja sobre a «Operação Influencer».

Melhor ficar com o Hnry Miller, sorrindo aos pés da escada:

«Todas as noites, ao aplicar o maquillage, Augusto discutia com os seus botões. As focas, não importa o que fossem obrigadas a fazer, permaneciam sempre focas. O cavalo, um cavalo; a mesa, uma mesa. Augusto, embora permanecendo um homem, era obrigado a tornar-se em algo mais: tinha de assumir os poderes de um ser excepcional dotado de um excepcional talento. Tinha de fazer rir as pessoas. Não era difícil fazê-las chorar, tão-pouco fazê-las rir; descobrira isso há muito tempo, antes mesmo de sequer ter entrado para o circo. Mais altas, porém, eram as suas ambições – queria dotar os espectadores de uma alegria que se revelasse imperecível. Foi esta obsessão que primeiramente o levou a sentar-se aos pés da da escada e simular o êxtase. Caindo, por mero acaso, na imitação de um transe – esquecera-se do que iria fazer a seguir. Quando voltou a si, um tanto confuso e em extremo apreensivo, encontrou-se a ser aplaudido freneticamente.» 

sábado, 4 de novembro de 2023

OLHAR AS CAPAS


 Dias Tranquilos em Clichy

Henry Miller

Tradução: Jorge Freire

Capa: Vera Espinha

Editorial Presença, Lisboa, Junho 2009

Numa das esquinas da Place Clichy fica o Café Wepler, que foi, durante muito tempo, o meu poiso habitual. Estive lá sentado dentro ou na esplanada a todas as horas do dia e por todos os tipos de tempo.. Conheço-o como a palma da mão. Os rostos dos empregados de mesa, dos gerentes, dos caixas, das pegas, da clientela e até dos criados dos lavabos estão-me gravados na memória como se fossem ilustrações de um livro que li todos os dias.

Nos dias cinzentos em que estava frio em todo o lado excepto nos cafés grandes, era um prazer passar uma ou duas horas no Café Wepler, antes de ir jantar.

terça-feira, 27 de março de 2018

OLHAR AS CAPAS


O Sorriso Aos Pés Da Escada

Henry Miller
Prefácio: Vitor Silva Tavares
Tradução: Célia Henriques e Vitor Silva Tavares
Capa: Tocha de Sousa
Editora Ulisseia, Lisboa, Dezembro de 1966

Todas as noites, ao aplicar o maquillage, Augusto discutia com os seus botões. As focas, não importa o que fossem obrigadas a fazer, permaneciam sempre focas. O cavalo, um cavalo; a mesa, uma mesa. Augusto, embora permanecendo um homem, era obrigado a tornar-se em algo mais: tinha de assumir os poderes de um ser excepcional dotado de um excepcional talento. Tinha de fazer rir as pessoas. Não era difícil fazê-las chorar, tão-pouco fazê-las rir; descobrira isso há muito tempo, antes mesmo de sequer ter entrado para o circo. Mais altas, porém, eram as suas ambições – queria dotar os espectadores de uma alegria que se revelasse imperecível. Foi esta obsessão que primeiramente o levou a sentar-se aos pés da da escada e simular o êxtase. Caindo, por mero acaso, na imitação de um transe – esquecera-se do que iria fazer a seguir. Quando voltou a si, um tanto confuso e em extremo apreensivo, encontrou-se a ser aplaudido freneticamente.