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quarta-feira, 6 de novembro de 2019

O GATO E A LUA


O gato passeava aqui, ali
E a lua girava como um pião,
E, parente próximo da lua,
O furtivo gato, contemplava o céu.

O negro Minnaloushe admirava fixamente a lua,
Pois, embora miasse, vagueando,
A pura e fria luz no céu
Conturbava o seu sangue animal.
Minnaloushe corre pela erva
Erguendo as delicadas patas.
Danças, Minnaloushe, danças?
Quando dois parentes se encontram
Haverá coisa melhor do que dançar?
Talvez a lua possa aprender,
Cansada dessa moda cortesã,
Um novo passo de dança.
Minnaloushe desliza pela erva
De um lugar enluarado a outro,
E a sagrada lua nas alturas
Entrou agora numa nova fase.
Saberá Minnaloushe que as suas pupilas
Passarão de mudança em mudança,
E que da lua cheia à minguante,
Da minguante à cheia elas irão mudar?
Minnaloushe desliza pela erva
Sozinho, importante e sábio,
E ergue até a lua em transição
Os olhos em mudança.

W. B. Yeats, tradução de Ana Luísa Amaral em Assinar a Pele

Legenda: imagem Pinterest

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

NOTÍCIAS DO CIRCO


Esperei por Setembro.
Mas não para enfrentar temperaturas de 27º.
Tenho dificuldades várias face a estas temperaturas.
Dizem que vão aumentar mais.
Vou aproveitando proveitei para colocar alguma ordem nas papeladas.
Encontrei o recorte que encima o texto.
Pertence ao Público de 23 de Agosto.
O calor não me facilita qualquer comentário.
Seria necessário?

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

ACERCA DE GATOS


Contigo chegam os gatos: à frente
o mais antigo, eu tinha
dez anos ou nem isso,
um pequeno tigre que nunca se habituou
às areias do caixote, mas foi quem
primeiro me tomou o coração de assalto.
Veio depois, já em Coimbra, uma gata
que não parava em casa: fornicava
e paria no pinhal, não lhe tive
afeição que durasse, nem ela a merecia,
de tão puta. Só muitos anos
depois entrou em casa, para ser
senhor dela, o pequeno persa
azul. A beleza vira-nos a alma
do avesso e vai-se embora.
Por isso, quem me lambe a ferida
aberta que me deixou a sua morte
é agora uma gatita rafeira e negra
com três ou quatro borradelas de cal
na barriga. É ao sol dos seus olhos
que talvez aqueça as mãos, e partilhe
a leitura do Público ao domingo.

Eugénio de Andrade em Assinar a Pele

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

O GATO


Um gato, em casa sozinho, sobe
à janela para que, da rua, o
vejam.

O sol bate nos vidros e
aquece o gato que, imóvel
parece um objecto.

Fica assim para que o 
invejem - indiferente
mesmo que o chamem.

Por não sei que privilégio,
os gatos conhecem
a eternidade.

Nuno Júdice em Assinar a Pele

Legenda: pintura de Charles Van den Eycken

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

OLHAR AS CAPAS


Assinar a Pele
Antologia de Poesia Contemporânea Sobre Gatos

Organização João Luís Barreto Guimarães
Assírio &Alvim, Lisboa, Novembro de 2001

Zoologia: O Gato

Um gato, em casa sozinho, sobe
à janela para que, da rua, o
vejam.

O sol bate nos vidros e
aquece o gato que, imóvel,
parece um objecto.

Fica assim para que o
invejem — indiferente
mesmo que o chamem.

Por não sei que privilégio,
os gatos conhecem
a eternidade.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

QUEM HÁ-DE ABRIR A PORTA AO GATO?



CristinaCarvalho diz que seu pai, António Gedeão, em idade adulta, não teve gatos.
Menciona que, enquanto viveu na casa na Calçada do Monte, os gatos apareciam pelos jardins das traseiras.
Gato apenas no papel tal como consta dos Novos Poemas Póstumos, por sinal, um lindíssimo poema ou, como escreve Cristina Carvalho, e no chão, ao lado esquerdo da secretária e em cima do tapete, o grande gato de porcelana branca que eu um dia lhe ofereci.

POEMA DO GATO

Quem há-de abrir a porta ao gato
quando eu morrer?

Sempre que pode
foge prá rua,
cheira o passeio
e volta para trás,
mas ao defrontar-se com a porta fechada
(pobre do gato!)
mia com raiva
desesperada.
Deixo-o sofrer
que o sofrimento tem sua paga,
e ele bem sabe.

Quando abro a porta corre para mim
como acorre a mulher aos braços do amante.
Pego-lhe ao colo e acaricio-o
num gesto lento,
vagarosamente,
do alto da cabeça até ao fim da cauda.
Ele olha-me e sorri, com os bigodes eróticos,
olhos semi-cerrados, em êxtase,
ronronando.

Repito a festa,
vagarosamente.
do alto da cabeça até ao fim da cauda.
Ele aperta as maxilas,
cerra os olhos,
abre as narinas.
e rosna.
Rosna, deliquescente,
abraça-me
e adormece.

Eu não tenho gato, mas se o tivesse
quem lhe abriria a porta quando eu morresse?

Legenda: foto grafia de Édoaurd Boubat

sexta-feira, 24 de maio de 2013

QUOTIDIANOS

Entristeço-me muito quando deparo com apelos, como este, colocados nas paredes das ruas, nas montras das lojas do bairro.
Só quem algum dia teve gatos sabe bem da tristeza com que ficamos quando os perdermos.
Uma gata é a grande companhia da minha mãe, que já conta com 90 primaveras.
Pula para o parapeito da janela, passeia-se pelo quintal, afia as unhas nos sofás e acontece entre as duas uma enorme cumplicidade.
Diz a minha mãe que só lhe falta falar.
Antevejo a tristeza desta criança que perdeu a sua gatinha.
Tenho escassas palavras para dizer o que sinto.
Terá voltado a casa?

sábado, 23 de fevereiro de 2013

GATO NUM APARTAMENTO VAZIO


Morrer não é coisa que se faça a um gato.
Que há-de um gato fazer
num apartamento vazio?
Subir às paredes?
Roçar-se nos móveis?
Aparentemente não mudou nada
e no entanto está tudo mudado.
Continua tudo no seu lugar
e no entanto está tudo fora do sítio.
E à noite a lâmpada já não está acesa.

Ouvem-se passos nas escadas,
mas não são os mesmos.
A mão que põe o peixe no prato
também já não é a que o punha.

Há aqui qualquer coisa que já não começa
à hora do costume,
qualquer coisa que não se passa
como deveria passar-se.
Havia aqui alguém que há muito estava e estava
e que de repente desapareceu
e agora insistentemente não está.

Procurou-se em todos os armários,
revistaram-se as estantes,
espreitou-se para debaixo do tapete.
Violou-se até a proibição
de desarrumar os papéis.
Que mais se pode fazer?
Dormir e esperar.

Quando regressar, ele vai ver,
ele vai ver quando chegar.
Vai ficar a saber
que isto não é coisa que se faça a um gato.
Caminhar-se-á em direcção a ele
como que contrariado,
devagarinho,
com patas amuadas.
E nada de saltos ou mios. Pelo menos ao princípio.

Poema traduzido por Manuel António Pina, publicado no Público de 11 de Fevereiro de 2012, que mostra a morte de um amigo vista pelo seu gato.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS


Anúncio publicado no Público de 26 de Junho de 1982

sábado, 3 de dezembro de 2011

POSTAIS SEM SELO


Logo que a manhã nasce, os gatos sobem aos telhados e põem-se a pescar os sonhos de quem passa.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

POSTAIS SEM SELO



Há dias, sabes, em que gostava de ser como o gato e que me tocasses sem desejar encontrar quaisquer sentimentos a não ser o que se exprime num espreguiçar muito lento - um vago agradecimento? - e que depois me deixasses deitado no sofá sem que nada pudesses levar da minha alma, pois nem saberias o que dela roubar.

Pedro Paixão em Assinar a Pele, Antologia de Poesia Contemporânea Sobre Gatos, organizada por João Luís Barreto Guimarâes, “Assírio &Alvim”, Lisboa, Novembro 2001.

Legenda: fotografia de Avelino Vieira

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

OLHARES



Taneca em telhado de zinco quente.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

UM GATO À JANELA A OLHAR O VERÃO

Que querem?
Achei um piadão a esta imagem. Emcontrei-a aqui.