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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

TRUMPALHADAS


 Cada dia que passa nos vamos apercebendo melhor do grau de loucura a que Donald Trump está a chegar.

A diabólica vaidade que o inunda, leva-o a considerar que o governo norueguês contribuiu para o comité não ter atribuído o Nobel da Paz à sua ilustre figura.

O ridículo já acontecia quando, há dias na Casa Branca, Corina ofereceu o diploma que lhe foi atribuído.

Sorridente, Trump disse: «Um gesto maravilhoso».

Esta é a carta de Trump em que declara ao mundo que «já não se sente obrigado a pensar apenas na paz.»

Caro Jonas:

Dado que o seu país decidiu não me atribuir o Prémio Nobel da Paz por ter impedido oito guerras, e mais, já não me sinto obrigado a pensar apenas na paz, embora esta seja sempre predominante, mas agora posso pensar no que é bom e apropriado para os Estados Unidos».

Também este domingo, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, reafirmou a posição de Washington, afirmando numa entrevista ao canal NBC que os EUA querem mesmo adquirir o território. E foi mai longe, deixando mesmo no ar a possibilidade de os EUA deixarem de apoiar a Ucrânia caso os aliados da NATO se oponham.



terça-feira, 13 de janeiro de 2026

VENEZUELA: OS DIAS SEGUINTES


 1.

Após os Estados Unidos lançarem ataques aéreos e uma operação na Venezuela que resultou na prisão de Maduro, Corina Machado disse à Fox News que queria partilhar o prémio com Trump em nome do povo venezuelano:

«O que ele fez é histórico. É um passo enorme rumo a uma transição democrática.»

Questionado se aceitaria partilhar o Prémio Nobel da Paz com Corina Machado, Trump, disse: «Seria uma grande honra».

O Instituto Nobel da Noruega esclareceu entretanto que María Corina Machado não pode doar o Nobel da Paz ao presidente dos Estados Unidos, como afirmou ser sua intenção, nem a qualquer outra pessoa.

«Uma vez anunciado, o Prémio Nobel da Paz não pode ser revogado, transferido ou partilhado com terceiros», afirmou o instituto.

«A decisão é final e irrevogável», acrescentou.

2.

Donald Trump instou este domingo Cuba a "fazer um acordo" ou enfrentar as consequências, alertando que o fluxo de petróleo e dinheiro venezuelanos será interrompido.

O presidente dos Estados Unidos tem voltado a sua atenção para Cuba desde que as forças americanas prenderam o líder venezuelano Nicolás Maduro.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos recomendou este sábado aos cidadãos norte-americanos para não viajarem para a Venezuela e aos que já se encontram no país que "o abandonem imediatamente", devido a uma situação de segurança considerada "instável".

"Há informações de que grupos de milícias armadas, conhecidos como coletivos, estão a montar bloqueios nas estradas e a revistar veículos em busca de provas de cidadania norte-americana ou de apoio aos Estados Unidos"
, escreveu o Departamento de Estado.

3.

Com Donald Trump e os seus acólitos, preocupados com o que farão com a Gronelândia e um provável ataque militar norte-americano a Teerão para evitar o clima de terror, violência e morte que assola o país, o que se passa na Venezuela vai caindo num preocupante silêncio.

4.

«Donald Trump, apelou nesta terça-feira aos iranianos para que continuem a Público protestar e afirmou, sem fornecer pormenores, que a ajuda está a caminho, uma indicação de que poderá ter posto de parte a pressão diplomática e optado por uma acção militar contra o regime de Teerão.

Numa altura em que o número de mortes causado pela repressão aos protestos, os maiores registados no país em três anos, poderá ascender aos milhares, Trump utilizou a sua plataforma favorita, a Truth Social, para dizer que cancelou todas as reuniões com o Governo iraniano até que acabe a “matança sem sentido” de manifestantes.»

Público

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

VENEZUELA: OS DIAS SEGUINTES


Após o ataque militar norte-americano para raptar Nicolás Maduro, os dias vão passando sem que verifiquem notórias alterações ao quotidianos dos venezuelanos.

 Ainda não são suficientes – alguma vez o serão? – para tentarmos presenciar grandes alterações.

Acima de tudo, do lado de Donald Trump, está claro que a prioridade não é uma transição democrática, apenas petróleo.

1.

Ontem, num artigo de Ana Brito no Público fica a saber-se que os Estados Unidos  têm a fama de não pensar  no “dia seguinte”

«Do Irão ao Afeganistão, Iraque e Líbia, a história mostra que as intervenções norte-americanas são pouco cuidadosas com o que deixam para trás.
Intervir, destruir, sair: os EUA têm a fama de não pensar no “dia seguinte”
Embora seja debatível, em certas circunstâncias, quais poderiam ser as consequências da inacção dos EUA, é incontornável que boa parte da instabilidade que hoje se vive nessas regiões resulta de vazios de poder criados por intervenções norte-americanas, que têm cimentado, entre muitas nações árabes ou de maioria muçulmana, a reputação dos Estados Unidos como um parceiro em que não se pode confiar.
Em 2016, ainda na Casa Branca, Barack Obama reconheceu, em entrevista à Fox News, que o seu pior erro foi “não planear o dia seguinte” da intervenção na Líbia.»

2.


«Na manhã de 3 de Janeiro passado, o presidente Donald Trump descreveu, num telefonema para a Fox News, a forma como uma força especial dos Estados Unidos da América raptou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e a mulher, Cília Flores. Todo contente com o êxito, a eficácia e a rapidez da intervenção, contou: “Assisti como se estivesse a ver um programa de televisão.”

Isto impressionou-me: durante o rapto, as tropas norte-americanas mataram cerca de 40 pessoas, algumas delas civis. E esta resposta de Trump, se por um lado tenta descrever o ambiente da sala montada com ecrãs, onde ele, assessores e generais supervisionaram a operação militar, por outro lado revela também - pela forma efusiva como narrou a situação - a indiferença com que foi assistindo, nesses monitores, a uma sequência de assassinatos… Será que, durante aquelas 2 horas e 28 minutos, Trump celebrava cada vez que via cair um venezuelano?…

Esta desumanização do inimigo é particularmente contraditória quando é supostamente em nome dos Direitos Humanos que os Estados Unidos e a União Europeia perseguem, há anos, o regime de Maduro. E essa hipocrisia foi particularmente notável na reação da União Europeia e de Portugal à operação militar desencadeada por Trump (ao menos, este fugiu a essa hipocrisia e disse claramente que o que quer é controlar o petróleo do país).

(…)

Uma política externa adulta começaria pelo óbvio: o direito internacional ou vale para todos, ou deixa de valer para qualquer um. Se Bruxelas e Lisboa conseguem falar “sem hesitações” quando o infrator é um adversário, também devem conseguir fazê-lo quando o infrator é um aliado. Caso contrário, não é prudência: é dependência - e, no fim, é também vulnerabilidade, como se verá se, receio bem, depois de fazerem voz grossa, acabarem por entregar a Gronelândia a Trump.»

Pedro Tadeu no Diário de Notícias

3.

O governo norte-americano está a considerar oferecer pagamentos diretos aos habitantes da Gronelândia como parte de um plano para incentivar a ilha a separar-se da Dinamarca e a tornar-se território dos Estados Unidos, avança esta quinta-feira, 8 de janeiro, a Reuters.

Segundo fontes da Reuters os valores  discutidos variam entre os 10 mil e os 100 mil dólares (entre cerca de 8500 e 85 mil euros, aproximadamente) por pessoa.

A proposta é vista como uma forma de "comprar" a ilha, que tem cerca de 57 mil habitantes, face à intransigência da Gronelândia e da Dinamarca em negociar o território.

Essa ideia é apenas uma das opções em cima da mesa para a administração Trump, que também está a avaliar a possibilidade de intervenção militar, embora prefira alternativas diplomáticas como a aquisição da ilha ou acordos estratégicos.

"Não queremos a Rússia ou a China como nossos vizinhos. Vamos fazer alguma coisa em relação à Gronelândia quer eles gostem ou não» 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

VENEZUELA: OS DIAS SEGUINTES

1.

A imagem mantém-se em alguns pontos da capital venezuelana — como no Este, um reduto da oposição —, mas a razão é outra. Foram criados checkpoints, pontos de controlo, em várias zonas da cidade. De acordo com alguns relatos que chegam da Venezuela, as autoridades — algumas fardadas, outras à civil — param quem passa para revistar carros. Pedem acesso aos telemóveis para rever contactos, mensagens e publicações nas redes sociais.

De democracia pouco ou nada se fala.
Muitas pessoas evitam sair de casa por causa disto. Outras avisam amigos e conhecidos para deixarem os telemóveis em casa.

Apesar de não serem oficialmente uma autoridade no país, os colectivos operam, tal como a polícia, em coordenação com o ministro do Interior, Diodado Cabello, um membro do regime de Maduro — que, tal como o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, já garantiu que iriam proteger a todo o custo Delcy Rodríguez, depois de ela ter assumido a presidência interina da Venezuela.

2.

«A Gronelândia não está à venda.
O que está em causa, portanto, não é segurança: é poder. A Gronelândia surge na imaginação estratégica de Trump como símbolo e como atalho: símbolo de uma América que volta a impor a sua vontade pela lei do mais forte; atalho para contornar alianças, regras e equilíbrios que considera constrangedores. A retórica lembra perigosamente a doutrina de esferas de influência do século XIX, aplicada agora a um mundo que deveria ter aprendido, a muito alto custo, aonde esse caminho nos leva.
A Gronelândia é europeia. Não está à venda. Não é negociável. E não é um detalhe periférico no mapa. Hoje, é o ponto onde se cruza o futuro do Árctico, a credibilidade da NATO e a capacidade da Europa de se fazer respeitar. Se este teste falhar, os próximos não tardarão.»


Tiago Luz Pedro, editorial Público

3.

Cabe aos 57.000 habitantes da ilha decidir o seu futuro. Uma sondagem realizada em Janeiro de 2025 revelou que 85% não queriam que a sua terra natal se tornasse parte dos EUA, com apenas 6% a favor.

Começaram as negociações entre os Estados Unidos e a Gronelândia com vista à aquisição da ilha pelos norte-americanos.

4.

Em entrevista publicada pelo The New York Times, Donald Trump, afirmou que "só o tempo dirá" por quanto tempo os Estados Unidos vão manter a supervisão sobre a Venezuela.

Ao ser questionado se seriam três meses, seis meses, um ano ou mais, Trump respondeu: "Eu diria que muito mais tempo."

 Mas Donald Trump já afirmou  que a Venezuela "apenas" comprará produtos americanos com os rendimentos do petróleo, no âmbito do seu novo acordo sobre o crude, e adiantou que as compras incluirão produtos agrícolas, medicamentos, dispositivos médicos e equipamentos "para melhorar" a rede elétrica e as instalações energéticas do país latino-americano. Vamos reconstruir a Venezuela de uma forma muito lucrativa".

5.

O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez​, anunciou nesta quinta-feira a libertação de “um número significativo” de prisioneiros, tanto venezuelanos como estrangeiros, nas próximas horas.
A libertação de prisioneiros, uma reivindicação da oposição no país, é um “gesto de paz”, sem distinção de ideologia ou religião, disse Rodríguez numa conferência de imprensa em Caracas, acrescentando que foi uma decisão unilateral e não concertada com qualquer outra parte.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

VENEZUELA: OS DIAS SEGUINTES

Marco Rubio, Secretário de Estado da presidência de Donald Trump, nasceu em Miami, filho de cubanos que, depois da chegada de Fidel de Castro, refugiaram-se em Miami.

Anticomunista primário, há longo tempo que tem em marcha a ideia, o sonho, em que toda a América Latina preste vassalagem a Trump, o velho regresso ao enorme quintal dos Estados  Unidos.

A Venezuela foi o primeiro passo, mas já foram deixados avisos à Colômbia, ao México, a Cuba, ao Brasil.

1.

Donald Trump assumiu que os Estados Unidos estão "preparados" para um segundo ataque à Venezuela, caso a presidente interina do país, Delcy Rodríguez, deixe de colaborar com as autoridades norte-americanas.

2.

Um jornal de Hong Kong referiu esta terça-feira, 6 de janeiro, que a tomada do controlo político da Venezuela pelos Estado Unidos poderá comprometer infraestruturas sensíveis da China no país sul-americano, incluindo estações de rastreio de satélites e ativos no sector petrolífero.

No entanto, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou no domingo que Washington não permitirá que “inimigos dos EUA controlem esses recursos”, numa referência direta à China e à Rússia.

A China é também o maior investidor estrangeiro na Venezuela e um dos principais compradores do seu petróleo, de acordo com o jornal. 

3.

A líder da oposição da Venezuela, María Corina Machado, agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelas "acções valentes" que levaram à captura do líder venezuelano, Nicolás Maduro. São "um enorme passo para a humanidade, para a liberdade e para a dignidade humana".

Jornais norte-americanos alimentam a ideia de que Corina caiu em trumpalhada desgraça  no dia em que não recusou o Nobel da Paz e não declarou que o prémio deveria ter sido atribuído a Donald Trump.

Talvez um dia se saiba das verdadeiras razões que levaram o Comité norueguês a atribuir a Maria Corina Machado o Nobel da Paz.

4.

"Cerca de 200 dos nossos melhores norte-americanos entraram no centro de Caracas, onde aparentemente os sistemas de defesa aérea russos não funcionaram muito bem, capturaram um indivíduo procurado pelas autoridades norte-americanas com apoio das nossas agências de segurança, sem que nenhuma morte tenha ocorrido" entre os militares dos EUA, disse Hegseth, citado pela agência de notícias Europa Press.

Donald Trump garante que controla a Venezuela, mas, em Caracas, ontem tomou posse um novo Parlamento alinhado quase a 100% com Maduro e a antiga vice do agora prisioneiro dos EUA prestou juramento enquanto presidente interina. Com esta indefinição, e Delcy Rodríguez aos comandos do país, a diáspora venezuelana que celebrou a queda de Nicolás Maduro aguarda agora um sinal para saber se pode regressar a casa.

5.

Nas ruas de Caracas vive-se uma enorme indefinição.

"Nestas circunstâncias, ninguém vai correr para casa", explicou à agência AFP Ligia Bolivar, socióloga venezuelana e ativista de direitos humanos que vive na Colômbia desde 2019."Não houve mudança de regime na Venezuela, não há transição", disse, contrariando a tese de um diplomata norte-americano, que descreveu "um novo amanhecer".

Para alguns dos oito milhões de venezuelanos que fugiram do país ao longo da última década de ruína económica e repressão, a alegria de ver Maduro ser levado a um tribunal de Nova Iorque foi temperada pelo conhecimento de que o regime aguentou o choque de perder o líder.

6.

A escalada militar dos EUA contra o regime chavista, que culminou na captura de Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores, na madrugada de sábado, levou Caracas, nos últimos meses, a adotar uma série de medidas para reforçar a segurança pessoal do então chefe de Estado. A mais emblemática delas foi a ampliação do papel de guarda-costas cubanos em sua equipe mais próxima, em meio ao temor de que pudesse ser traído pelos seus compatriotas. Além de ter designado mais oficiais de contra-espionagem de Havana para as forças armadas venezuelanas. Agora, de acordo com os governos da Venezuela e de Cuba, 32 militares cubanos foram mortos durante a operação americana. Os mortos registados eram membros das forças armadas e serviços secretos. 

Quanto a uma intervenção em Cuba, Donald Trump referiu que não seria necessário, pois "o país cairá por conta própria".

No entanto, não descarta uma intervenção na Colômbia e descreve o Presidente, Gustavo Petro, como um "homem doente" e narcotraficante. Petro negou as acusações, alertando Trump para não o difamar.

7.

Antes da invasão da Venezuela o consumo de pizzas no Pentágono deu o sinal que algo iria aconrecer.

 A "Pentagon Pizza Index" é uma teoria que sugere que um aumento nas encomendas de pizza pode indicar o lançamento de operações militares de grandes proporções nos EUA. Embora não tenha fundamento científico, é baseada na lógica de que os funcionários do Pentágono trabalham até mais tarde nessas situações e, por isso, fazem mais encomendas.

8.

As Nações Unidas manifestaram, nesta terça-feira, uma profunda preocupação com a dramática operação dos Estados Unidos na Venezuela, alertando para o facto de esta ter claramente "minado um princípio fundamental do direito internacional".

"Os Estados não devem ameaçar ou usar a força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado", disse Ravina Shamdasani, porta-voz do gabinete dos direitos da ONU, aos jornalistas em Genebra.

9.

Donald Trump avisa que a Gronelândia é fundamental para a segurança dos Estados Unidos.

«Trump quer comprar a Gronelândia e a Dinamarca já vendeu território aos EUA no passado
Como se lê esta quarta-feira no Live Blog do jornal Sermitsiaq, um dos dois jornais da Gronelândia, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está a discutir as opções para anexar a Gronelândia, “um importante objectivo de política externa” dos EUA e uma “prioridade de segurança nacional”. A hipótese da intervenção militar não está posta de parte, mas a preferência parece ser, de acordo com uma fonte da Administração norte-americana, a aquisição do território que se fosse um país independente seria o 12.º maior em área do mundo. E 50 vezes o tamanho da Dinamarca.

O primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, garantiu, citado pelo Guardian, no fim-de-semana, que “não há qualquer razão para entrar em pânico ou para ficar preocupado”. A Gronelândia “não está para venda e o nosso futuro não se decide por publicações nas redes sociais”.

António Rodrigues no Público

10

«Quando tudo se desmorona à nossa frente e teimamos em fazer de conta que não vemos, há sempre Martin Niemöller* para recordar onde tudo acaba quando julgamos que nunca chegará a nossa vez. Adaptando o que ele disse, depois de libertado, ao que Trump está a fazer com o mundo: primeiro bombardeou o Irão, achámos muito bem, porque podiam ter um projeto nuclear. Depois, bombardeou a Nigéria para proteger os cristãos, não protestámos, porque somos cristãos. Quando invadiu a Venezuela, reagimos com cautelas, porque o regime era uma ditadura. E depois, quando se voltar de novo para a Gronelândia, vamos entregar a ilha, porque não podemos ficar sem aliado. E, se ele um dia quiser os Açores, podemos protestar à vontade, porque já não haverá ninguém para nos ouvir.»

Paulo Baldaia no Expresso.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

À LUPA


 A invasão da Venezuela pelas tropas dos Estados Unidos não é um acto isolado.

A loucura trumpista leva-o para outras fronteiras, e não apenas na América Latina.

É o que nos lembra Pedro Guerreiro, hoje no Público:

«Precisamos da Gronelândia, absolutamente.” Ataque à Venezuela anima expansionismo de Trump
O sucesso do ataque fulminante dos Estados Unidos à Venezuela, na madrugada de sábado, com a captura de Nicolás Maduro e o anúncio de uma tutela norte-americana interina, intensificou as ameaças expressas ao mais alto nível em Washington em relação à Gronelândia, território autónomo dinamarquês no Árctico. “Precisamos da Gronelândia, absolutamente”, declarou Donald Trump, este domingo, em entrevista à revista The Atlantic ao ser questionado se o ataque a Caracas poderia sinalizar que os EUA estão dispostos a agir militarmente também a norte.»

domingo, 4 de janeiro de 2026

DISTO, DAQUILO E DAQUELOUTRO


 Requisitámos trabalho para o Mourad e a Aishe  limparem a casa para a festa de Ano Novo que vamos dar.

A festa inclui duas pessoas a comer salada de batata e umas salsichas saborosas.

Não tenho a certeza se as duas pessoas vão aguentar ficar acordadas até à meia-noite, mas vamos ver o que acontece.

Porque comemoramos a passagem de ano em frente à televisão.

Se sobrevivermos até à meia-noite, talvez bebamos uma taça de champanhe ou talvez tenhamos começado a dormir mais cedo, então, sem champanhe.

1.


Lisboa perdeu mais 12 ecrãs de cinema com o encerramento, no final de 2025, do complexo Alvaláxia, explorado pela Nos Cinemas. É uma dúzia de salas perdidas que se junta aos 37 outros ecrãs apagados em várias cidades do país no ano passado, entre os quais cinco em Portimão, e aos nove que estão a caminho de encerrar em Vila Nova de Gaia.

2.

O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, manifestou na passada quarta-feira repúdio pelas recentes notícias de exonerações de administrações hospitalares, acusando o Governo de actuar por razões "estritamente de natureza política".
O governo vai afastar a administração da Unidade Local de Saúde (ULS) de São José em Lisboa e vai escolher um militante do PSD para o cargo. O mesmo vai suceder com a ULS de Coimbra.

3.

«Segundo a ONU, até novembro de 2025 mais de 69 mil palestinianos foram mortos e cerca de 170 mil feridos pelos bombardeamentos em Gaza ocorridos depois de um ataque terrorista perpetrado pelo Hamas a 7 de outubro de 2023, que matou 726 civis bem como 379 militares e polícias israelitas.

A resposta desproporcional de Israel ao terrorismo, assim quantificada, foi objetivamente uma carnificina, um autêntico genocídio, como muitos o classificam.

A entrada em vigor do acordo de paz entre Israel e o Hamas negociado em outubro deste ano por Donald Trump retirou do foco mediático a situação humanitária no território palestiniano, mas a ONU voltou a fazer soar o alarme, perante a indiferença ocidental.»

Pedro Tadeu no Diário de Notícias

4.

Os Estados Unidos invadiram a Venezuela para prender o ditador Nicolás Maduro e fazer o seu julgamento nos Estados Unidos.

Donald Trump disse que com este acto militar apenas pretende o petróleo venezuelano e instalar companhias norte-americanas para renovar o parque de extracção de petróleo que se encontra praticamente degradado.

Não se sabe o que seguirá mais: a Colômbia, Cuba...ah! sim, a Gronelândia?

Dizer ainda que este nosso mundo não só está mais perigoso como caminha precipitadamente para o abismo!