Mostrar mensagens com a etiqueta Vértice. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Vértice. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 16 de julho de 2026

O OUTRO LADO DAS CAPAS


A Biblioteca da Casa possui, devidamente encadernados, os números da Seara Nova desde o nº 1400 (Junho de 1962 até ao nº 1597 (Novembro 1979), um total de 8 volumes.

Os primeiros dois volumes foram encadernados com o amadorismo do meu avô, os restantes foram encadernados por um grupo de reformados da Companhia Nacional de Navegação, que assim ocupavam os seus tempos livres, e completavam, com uns escudos, as baixas reformas.

Dados tirados da Wikipédia:

«A Seara Nova é uma revista fundada em Lisboa, no ano de 1921, (15 de Outubro de 1921) por iniciativa de Raul Proença e de um grupo de intelectuais portugueses da época.

Na sua origem era uma publicação essencialmente doutrinária e crítica, assumidamente com fins pedagógicos e políticos.

O grupo de intelectuais reunidos em torno do projeto editorial definiram-na como "de doutrina e crítica", tendo como objetivo, como se lê no editorial do N.º 1, datado de 15 de outubro de 1921, ser de poetas militantes, críticos militantes, economistas e pedagogos militantes.

Com a publicação pretendiam contribuir para quebrar o isolamento da elite intelectual portuguesa, aproximando-a da realidade social.

Depois da implantação da Ditadura Nacional surgida da Revolução Nacional de 28 de Maio de 1926, o grupo da Seara Nova, a que atualmente se usa atribuir a designação de seareiros, não obstante a censura e as dificuldades financeiras, assumiu-se como um dos grupos mais ativos no combate ideológico contra o salazarismo.

Nos seus anos iniciais o projeto reuniu alguns dos principais nomes da intelectualidade do tempo, com destaque para Jaime Cortesão, Raul Proença e António Sérgio, mas também, entre outros, Raul Brandão, Aquilino Ribeiro, Câmara Reis, António Ferreira de Macedo, Cabral do Nascimento e Augusto Casimiro. Após estas vicissitudes e múltiplas entradas e saídas de colaboradores, a revista perdeu o prestígio de outrora e já pouco significa enquanto movimento social atuante.

Desde 2015, o seu nome está consagrado na toponímia de Lisboa através da Rua Seara Nova, que foi inaugurada em maio de 2017 na Urbanização Nova Amoreiras (antiga Quinta do Mineiro), na freguesia de Santo António.

A revista prosseguiu com a sua publicação, embora nem sempre regularmente, até ao ano de 1979, atingindo então o número 1598/1599. A partir daquele ano, passou a publicar apenas um exemplar anual para assegurar que, face à lei portuguesa, o título não caducasse, assim se mantendo até ao ano de 1985, quando reapareceu com uma nova série. Agora como revista trimestral, a partir da edição do Verão de 2004 a publicação retomou a anterior numeração, incorporando posteriormente todas as edições entretanto feitas.»

Nem sempre a encontro, mas quando isso acontece, compro.

Três revistas completaram o curso cultural e político da casa: a Seara Nova, a Vértice e O Tempo e o Modo (esta apenas esporadicamente).

segunda-feira, 21 de julho de 2025

OLHAR AS CAPAS


Vértice

Nº 473-475  Julho- Dezembro  1986

Homenagem a José Gomes Ferreira após a sua morte.

Colaboração.

António Ramos Rosa, Fernando Piteira Santos, Maria Velho da Costa, Fernando Lopes Graça, Artur Ramos, Baptista-Bastos, José Cardoso Pires, José Manuel Mendes, Mário Dionísio, Urbano Tavares Rodrigues

Capa: Armando Alves

Preço deste número: 500 escudos

Sonho, morte, frio, terra, pedras, árvores, nuvens, estrelas, astros – eis algumas das palavras que se nos deparam com mais frequência nos poemas de José Gomes ferreira. O sonho não é mais que um momento, um ímpeto que se realiza no movimento do poema e só nele, dado que o sonho é impossível total. Assim, o sonho ou o desejo, só na linguagem encontra a totalidade que o revela como possibilidade poética ou seja, como palavra que, opondo-se à negação, se afirma independentemente da lógica negativa que muitas vezes domina este discurso poético.

 

                Se eu ao menos construísse

                a casa num terreno de cristal

                que o meu olhar atravessasse

                lâmpada de água que sobe à superfície

                para a luz ter face.

terça-feira, 9 de janeiro de 2024


Vértice

Nov-Dez 1960

Vol. XX Nº 206-207

Director: Raul Gomes

Editor Mário Braga

Número comemorativo do centenário da morte de Leão Tolstoi

«Não faças o mal e o mal não existirá.»

Tolstoi

Visado pela Comissão de Censura

Número duplo. 15$00

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

O OUTRO LADO DAS CAPAS

Eram duras e variadas as dificuldades com que as revistas de cultura, como a Seara Nova, a VérticeO Tempo e o Modo, viviam em tempos da ditadura.

A maior parte dos livros editados por essas revistas não chegavam às livrarias.

Com medo da actuação da PIDE, muitas recusavam-se a recebê-los.

Era através dos seus assinantes que os livros eram divulgados e vendidos.

Mas os problemas e os custos continuaram mesmo depois do 25 de Abril.

Este aviso pedido encontra-se dentro do Livro de Poesia Moderna Alemã que está em Olhar as Capas.

quinta-feira, 4 de março de 2021

O IMPORTANTE É A OBRA


O poeta e editor Manuel Alberto Valente, conta em crónica no Expresso, que estando em Coimbra, nos anos 60, a estudar Direito Administrativo, sem grandes resultados, ainda a colaborar na revista Vértice, resolveu transferir-se para Lisboa, dando conhecimento da decisão ao director da revista, o poeta Joaquim Namorado.

- Vais para Lisboa, porquê?

A resposta saiu-lhe típica do fim da adolescência:

- Lisboa é uma cidade grande. E, além disso, lá podem conhecer-se os escritores.

O poeta deu-lhe um valente calduço:

«- Os escritores são para se ler, e não para se conhecer!

Esta frase tem-me acompanhado toda a vida. E se é verdade que a minha atividade editorial desmentiu as mais das vezes, também é verdade que algumas vezes a confirmou.

O importante é a obra. Por trás dela, esconde-se muitas vezes um ser humano que é preferível não conhecer.

Mas nessa época eu ainda não o sabia.»

Acabada a leitura da crónica, lembrando escritores escritores que, para além da obra, é preferível não conhecer, lembrei-me de António Lobo Antunes.


Legenda: capa da revista Vértice nº 248/249, Maio/Junho de 1964, com um desenho de Malangatana

terça-feira, 26 de março de 2019

OLHAR AS CAPAS


Número Especial de Homenagem a Alves Redol

Vértice nº322-23/Novembro-Dezembro de 1970
Coimbra, Dezembro de 1970

Londres, domingo 30

Esta manhã chegou-me o telegrama da Edite. Morreu o Redol. Fiquei diante da janela do quarto, a olhar, ou a não olhar, sei lá, o pátio coberto de neve - e tudo branco, tudo puro, o nada, e a notícia ali na minha mão a dizer-me que tínhamos' perdido o nosso velho António, o nosso querido e paciente amigo.
Não adianta, bem sei, desabafar-se assim. Mas na morte de qualquer escritor português digno há sempre um remorso do tempo, sempre. Há um outro cancro que vem detrás e que é a injustiça e o suportar em silêncio. E esse mal, quando não vence uma verdade interior, mata primeiro do que o vírus decretado pelas certidões de óbito.
As vezes que falámos nisto, eu e o Redol. Ainda há pouco, numa carta em que se despedia de mim para sempre, lá vinha esta verificação magoada e terrivelmente simples: «Sou um dos que vai morrer na incomunicabilidade com o seu tempo».

José Cardoso Pires, «Carta aos Amigos Comuns».

domingo, 12 de outubro de 2014

COISAS EXTINTAS OU EM VIAS DE...


Contracapa da revista Vértice, cortada pela censura em 18 de Novembro de 1966.
Será que a censura foi mesmo extinta?

Legenda: reprodução tirada do nº 364, Maio de 1974 da Vértice.