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sábado, 4 de agosto de 2018

O QU'É QUE VAI NO PIOLHO?


Stromboli é o primeiro de seis filmes que Roberto Rossellini realizou com Ingrid Bergman,  «a história de uma pecadora tocada pela graça, do dizer de Eric Rohmer:

«Deus! Oh! Meu Deus! Ajuda-me! Dá-me força, a compreensão e a coragem».

Conta-se que fez o filme sem ter um guião e apenas um bloco-notas com algumas ideias. Aconteceu um dos mais extraordinários filmes da história do cinema.

Robert Altman também era avesso a guiões. Quando lhe perguntaram para que é que serve um guião ele respondeu: «para saber se há cavalos ou não».

Em Novembro de 1973 a Fundação Calouste Gulbenkian organizou uma retrospectiva da obra de Roberto Rossellini. A ditadura marcelista estava já no seu estertor e o acontecimento faz parte da memória de cinéfilos e anti-fascistas.

O ciclo começou no Grande Auditório, às 21,30 Horas, com «Roma Cidade Aberta».
Diz quem viu que foi das manifestações mais extraordinárias que por aqui aconteceram.


Estou neste momento a olhar para a página de publicidade paga da retrospectiva, publicada em «O Cinéfilo» de 15 de Novembro de 1973 o onde se pode ler, para além dos filmes a exibir, indicações como programas sujeitos a alteração, o calendário da Bilheteira: Assinantes dia 13, Início da venda avulso dia 15, assinaturas para os 27 espectáculos 200$00, bilhetes para cada espectáculo 10$00» e ainda a classificação determinada pela censura: Grupo D (Maiores de 18 anos).

Os bilhetes, as assinaturas, tudo, voaram em escassas horas.

Antes de cada sessão, à porta da Gulbenkian, aglomeravam-se dezenas e dezenas de espectadores na vã esperança de um qualquer milagre de alguém que aparecesse a vender um bilhete.

Foi depois de ter visto dois filmes de Rossellini, que Ingrid se determinou que tinha de fazer um filme com o realizador, e escreveu-lhe:

«Vi os seus filmes “Roma Cittá Aperta” e “Paisá”, de que gostei muito. Caso precise de uma actriz sueca que fala muito bem inglês, que não esqueceu a língua alemã, que não é fluente em francês e que em italiano só sabe dizer “Ti amo” estou pronta a fazer um filme consigo.»

Rossellini nunca tinha ouvido falar de Ingrid Bergman mas escreveu-lhe a dizer que quando entendesse poderia aparecer por Itália.

A actriz logo que ficou livre dos compromissos que tinha entre mãos, voou para Itália e apalavraram fazer um filme em tempo oportuno.

Na altura Roberto Rossellini vivia com Anna Magnani.

Conta a lenda que quando Magnani soube, num restaurante, que Ingrid iria chegar para fazer um filme com Rossellini, perguntou-lhe como era. Rossellini começou a entaramelar a língua e Anna Magnani não pensou duas vezes e espetou-lhe com uma travessa de esparguete na cara.
O cinema tem alguns casos de paixões entre realizadores e actrizes, entre actores e actrizes e que deram momentos inolvidáveis e únicos de grande cinema. São os chamados estados de graça. Para além deste que tenho vindo a falar, lembro-me de Vincente Minnelli e Judy Garland em «Meet me  in St. Louis» e Lauren Bacall e Humphrey Bogart em «Ter e Não Ter», quando Bacall aparece a Bogart e lhe diz, «se quiser alguma coisa, basta assobiar», explicando-lhe depois como o fazer e deixando, para a posteridade uma das sequências mais sensuais da história do cinema.

Também os casos de Antonioni e Minica Vitti, Jean-Luc Godard e Anna Karina, Ingmar Bergamnn e Liv Ulmann ou Bibi Anderson.

Com outros contornos e fora da esfera do cinema, em português temos algo parecido.

Depois de ler «Memorial do Convento» e «O Ano da Morte de Ricardo Reis», a jornalista espanhola Maria del Pilar ficou como que encantada.

«Senti que tinha de agradecer ao autor os livros que me tinha dado a ler. E sobretudo dizer que tinha tratado os seus leitores como seres inteligentes. Tinha-me sentido respeitada como leitora e quis agradecer-lhe.»

Tal como na sinfonia de Beethoven, Pilar terá sentido o destino a bater-lhe à porta.

Veio até Lisboa e conseguiu uma conversa com Saramago.

Sabe-se o que veio a acontecer.

Desde então os livros de José Saramago deixaram de ser dedicados à Isabel para passarem a ser dedicados a Pilar.

Como se lê em «As Pequenas Memórias»:

 «A Pilar, que ainda não havia nascido e tanto tardou a chegar.»

domingo, 14 de janeiro de 2018

FOI HÁ 61 ANOS!


Não temos razões para ter pena dele, mas sim de nós, porque o perdemos.

John Huston, durante o serviço fúnebre.

domingo, 1 de outubro de 2017

RELACIONADOS


A publicação da capa de O Falcão de Malta, serve para reproduzir uma ida ao piolho já aqui publicada:

Não vi Relíquia Macabra no piolho.

Penso que a primeira vez que o vi, das muitas que já levo, terá sido num dos muitos cinemas de “reprisse” lá do bairro, não lembro qual.

O filme, realizado por John Huston em 1941, encontra-se catalogado nos chamados “film noir”.

A expressão “fim noir” é usada para descrever os filmes americanos da década de 40 e começo da de 50, produzidos em Hollywood, nos quais era retratado o sub mundo escuro e sombrio do crime e da corrupção. Filmes cujos heróis, bem como os maus, eram cínicos, desiludidos e, frequentemente, solitários e inseguros, fortemente ligados ao passado e a borrifarem-se para o futuro. Passam-se quase sempre de noite e são filmados a preto e branco. Também há “films noir” a cores mas isso é uma outra história.

Esta designação de “film noir” apanhei-a já em tempos recentes, porque nos meus tempos do “Cine-Oriente”, para a malta da rua os filmes eram policiais ou de gangsters, de índios e cowboys, e tudo o resto, musicais incluídos, eram filmes de manteiga que víamos sem qualquer brilhozinho nos olhos.

Claro que o cinema não seria aquilo que hoje é, se não houvesse “film noir”. 
Grande parte dos filmes do meu panteão encontram-se aqui. 

Uma das características destes filmes são os seus personagens. Gente que entra, gente que sai, uns regressam outros não. Perco-me sistematicamente nos enredos e isso é um enorme gozo. Mesmo já tendo visto o filme, e avisado que estou, perco-me, e de caminho descubro, um prazer dentro de outros prazeres, coisas que me tinham escapado.

O Falcão de Malta é uma estatueta negra, perseguida por um bando de malfeitores, de “valor incalculável”, na expressão de Mr. Gutman.


Um tesouro pelo qual vale a pena matar. Sam Spade, um detective privado já curtido pelo tempo, com o seu solitário código de ética. Um bizarro ladrão chamado Joel Cairo, um homem gordo que dá pelo nome de Gutman e Brigid O'Shaughnessy, uma bela e traiçoeira mulher cuja lealdade muda com um tilintar de moedas.


O filme é a adaptação de um livro de Dashiel Hammett, O Falcão de Malta,cuja tradução portuguesa, de Baptista de Carvalho, é o número 34 da Colecção Vampiro. Por aqui existe também uma edição de “A Regra do Jogo”, traduzida por Helena Domingos, número 2  da Série Negra.

O livro começa assim:

O rosto de Samuel Spade era longo e ossudo e o seu queixo formava um pronunciado V, sob o V mais suave da boca. As narinas abriam-se, também sob a forma de um V mais pequeno. Os seus olhos verdes claros rasgavam-se horizontalmente, em forma de amêndoa. Sobranceiras a um nariz aquilino, viam-se duas rugas paralelas donde emergiam espessas sobrancelhas cuja configuração era, uma vez mais, a de um V bem vincado caprichosamente invertido. O cabelo castanho claro tinha como fronteira uma testa alta a despida de rugas sobre a qual avançara, como um istmo original, uma porção de cabelo que formava assim, no centro, um “bico de viúva”. À primeira vista, Spade tinha o aspecto agradável de um demónio saxão. Naquele momento, inquiria de Effie Perine.

- Que se passa, meu amor?

The Times Lierary Suplement considerou que O Falcão de Malta não é apenas a melhor história de detectives que alguma vez lemos; é um romance extraordinariamente bem escrito, enquanto que o The Boston Globe considerava que Dashiel Hammett é um mestre das histórias de detectives, sim, mas também um escritor dos diabo  e o The New York Times que a prosa de Hammett é limpa e totalmente excepcional. As suas personagens são as mais perspicazes e concisamente definidas da ficção americana.


No filme de Huston, são soberbas as interpretações de Humphrey Bogart e Mary Astor,  mas é justo salientar o desempenho de Peter Lorre na pele de um amaricado Joel Cairo.

O filme tem excelentes diálogos, Na lista do American Film Institute para as cem melhores linhas de diálogo da história do cinema, há uma citação para Relíquia Macabra, quando no final o idiota inspector de polícia, depois de prender Brigid, pega na estatueta negra, vira-se para Sam e pergunta:

“É pesada. O que é?”
Sam Spade responde-lhe:
- É aquilo de que são feitos os sonhos.
Fiquemos com dois deliciosos diálogos do filme. O primeiro entre Sam Spade e Mr. Gutman, o outro entre o mesmo Sam e Brigid, quando ele lhe diz que sabe que ela matou o seu sócio e a vai denunciar à polícia:

Gutman – É um homem reservado?
Sam – Não, gosto de falar.
Gutman – Desconfio dos homens reservados. Normalmente escolhem mal a altura para falarem e dizem disparates. Falar é uma coisa que não se faz judiciosamente a não ser que se pratique muito. Se quiser podemos falar. Digo-lhe desde já que sou um homem que gosta de falar com um homem que gosta de falar.
Sam – Óptimo. Vamos falar do pássaro negro?
Gutman – É o homem certo para mim. Nada de rodeios: direito ao assunto. Falemos do pássaro negro. Pois, como sabe, no auge da acção os homens tendem a esquecer o que é melhor para eles e deixam-se levar pelas emoções.”

 “Sam – Se tiveres sorte, daqui a vinte anos sais da prisão, e nessa altura volta para mim. Espero que não te enforquem por esse pescoço lindo.
Brigid – Não vais
Sam – Vou pois, meu anjo. Deves apanhar prisão perpétua e se portares bem, sais daqui a vinte anos. Estarei à tua espera. Se te enforcarem, hei-de sempre lembrar-me de ti.
Brigid – Sam, não digas isso nem a brincar. Por um momento assustei-me. Pensei que ias mesmo… Fazes coisas tão estranhas e imprevisíveis!
Sam – Não sejas tola. Vais mesmo dentro. Mataste o MIles e vais pagar por isso.
Brigid – Como podes fazer-me isso. De certeza que o Archer não significava tanto para ti como…

Sam – Ouve, não vale a pena. Nunca vais compreender-me, mas vou tentar uma vez. Quando o colega de alguém é morto, esse alguém tem de fazer alguma coisa. Não interessa o que se pensava dele. Era colega, e há que fazer qualquer coisa e acontece que estamos na actividade de detectives. Quando alguém da organização é morto é mau deixar-se o criminoso fugir. É mau para toda agente. É mau para todos os detectives. Se tudo isto não significa nada para ti, então esquece tudo e ficamos assim; não faço o que queres, porque eu o quero também apesar das consequências, e porque estás a contar que eu o faça, tal como contaste com os outros também.

Brigid – Terias feito isso se o falcão fosse verdadeiro e tivesses recebido o dinheiro que esperavas?

Sam – Não penses que sou tão malandro como se pensa. Esse tipo de fama talvez fosse bom negócio, chamando trabalhos que pagassem bem e tornando mais fácil lidar com o inimigo mas muito dinheiro teria sido mais peso do teu lado da balança.
Brigid – Não esperas que o que estás a dizer seja razão suficiente para me mandares prender.

Sam – Deixa-me acabar, depois falas. Não tenho razão nenhuma para acreditar em ti e se eu te deixasse escapar terias sempre algo de que me  acusar sempre que quisesses como tenho agora contra ti, não sei se um dia não me darias um tiro. Tudo isso pesa de um lado. Nem todos estes factores são importantes. Não discuto isso. Mas vê quantos são. E do outro lado, o que é que temos? Que tu talvez gostes de mim e que eu talvez goste de ti.

Brigid – Sabes se gostas de mim ou não?

Sam – Talvez. Vou ter noites horríveis depois de te mandar prender mas isso passa.

Brigid – Se gostasses de mim, não precisavas de mais pesos desse lado”.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

POSTAIS SEM SELO


«Faço um filme só com uma ruga de Bogart» - citou John Huston.

Dinis Machado  em O Lugar das Fitas.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

O QU'É QUE VAI NO PIOLHO?


Estou naquele capítulo do Reduto Final a que Dinis Machado chamou Os rapazes dos livros, das fitas e da bola.

Futeboladas aos domingos na praia da Caparica

Dinis Machado menciona os nomes dos barcos que do Cais do Sodré iam para a Trafaria: o Flecha, o Zagaia, o Norte-Expresso.

Na Trafaria, apanhavam a camioneta para a Caparica.


Antes, já Dinis Machado perguntara:

A propósito: quem é que tem a bola? Estive a ver as marés, temos terreno duro no domingo, na praia, da parte da manhã. Podemos estar a dar uns toques umas seis horas seguidas, mas é preciso apanhar o barco aí pelas oito horas. E com isto fecho a secção de informações. Quem é que tem a bola? Quem é que a levou para casa no domingo?

A Costa da Caparica, naqueles tempos, tinha dunas que se estendiam da Cova do Vapor, frente ao Bico da Areia, até às rochas já a caminho do Cabo Espichel.

Outra vez o Dinis Machado:

- O pebre não tem nada que ir buscar a bola às dunas. A areia queima e aqui não há criados.

- Fica assim: quem rematar é que vai buscar a bola às dunas.

Mas, hoje, não venho aqui, com o Dinis Machado, por causa da bola.

Venho pelo nimas.

A páginas 49 escreve:

- Então ninguém sabe qual é a fita?
- É pá, já temos ido uma data de vezes ao cinema sem sabermos qual é a fita. Só sabemos quando lá chegamos.

Era assim.

As vezes que a malta do bairro, arrancava para o «piolho» sem saber quais eram as fitas.

Sim, eram sempre exibidas duas fitas.

Tantos filmes que vimos mais de uma vez.

Pouco interessava.

O importante era o cinema.

A propósito:

Quem é que tem a bola?

Legenda: cartaz de Veneno de Cobra, um delicioso filme de Michael Curtiz com Humphrey Bogart, Peter Ustinov e Aldo Ray. Lembro-me que o vi pela primeira vez no Cine-Oriente, para aí no findar dos anos 50.

sábado, 12 de dezembro de 2015

FRANK E BACALL


Frank Sinatra tinha uma profunda admiração por Humphrey Bogart.

Bogart era tudo o que Frank gostava de ter sido: culto, sofisticado, respeitado.

Muitos anos depois da morte de Bogart, Lauren Bacall contou que o marido tinha ciúmes de Frank.

«Em parte porque sabia que eu gostava de estar com ele, em parte porque pensava que Frank estava apaixonado por mim.»

Foi o mais perto que Bacall esteve de admitir a sua paixão por Frank, enquanto o marido estava a morrer.

 «Para nós não era segredo», disse o escritor Ketti Frings, «Toda a gente sabia do casso de Betty com Frank. Só esperávamos que o boggie não descobrisse. Isso matava-o mais depressa que o cancro.»

Durante o ano de 1957, Frank começou a ser visto com Lauren Bacall que, ardentemente queria o casamento. Frank colocava água na fervura.

Finalmente no dia 11 de Março de 1958, catorze meses depois da morte de Hunphrey Bogart, Frank pediu Bacall em casamento.

A actriz nem 30 segundos demorou a dizer que sim.

Sinatra pediu segredo mas era coisa que Bacall não sabia guardar.

Um dia os jornais colocaram em título:

«Sinatra vai casar com Bacall.»

Frank teve uma das suas fúrias e, ao fim de uma série de dias sem falar com Bacall telefonou-lhe e disse:

«Porque é que fizeste isto?»

Bacall não tornou a ver Sinatra.

Quando os jornalistas perguntavam se ele ia casar, Frank respondia:

«Para quê? Para ter que vir para casa todas as noites? Só se eu fosse doido!»

Ava Gardner telefonou a Sinatra:

«Ouvi dizer que já não há casamento.»

«Que casamento?», perguntou Frank.

«Com a Betty Bacall.»

«Deus me livre de casar com essa mandona.»

Lauren Bacall escreverá nas suas memórias o quanto ficou destroçada pelo abandono de Sinatra:

«Ser abandonada é duro, uma coisa difícil de se esquecer, mas ser abandonada publicamente dá cabo de uma pessoa. Mas a verdade é que ele se comportou como um pulha. Foi demasiado cobarde para dizer a verdade – que a ideia do casamento era demasiado perturbadora para ele, que não sabia como enfrentá-la.»

Sinatra não gostou do que leu.

Limitou-se a comentar:

«Acho que é injusto porque há outra maneira de ver o problema. Mas eu não vou falar nisso. Acho que há coisasa que se devem deixar esquecer.»

terça-feira, 18 de agosto de 2015

O Q'UÉ QUE VAI NO PIOLHO?


Nasci quando ela me beijou. Morri quando ela me deixou. Vivi umas semanas, enquanto ela me amou.


Humphrey Bogart, no papel de Dixon Steele, a seu lado Gloria Grahme, no papel de Laurel Gray, diálogo do filme Matar Ou Não Matar de Nicholas Ray.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

O QU'É QUE VAI NO PIOLHO?


Não fossem tarefas inadiáveis que tenho todas as quartas-feiras e daria corda aos sapatos para ir até à Cinemateca matar, uma vez mais e já não sei quantas são, o Casablanca.

João Bénard da Costa, em Os Filmes da Minha Vida, Os Meus Filmes da Vida, não é de modas e dispara:

Quem o vir impassível, ou já perdeu a alma, ou já perdeu o coração, ou já perdeu ume e outro. É ser humano de companhia a evitar cuidadosamente.

Antes já escrevera:

Só de ouvido conheço as histórias que se passaram no Politeama, com o público a levantar-se para ouvir a Marselhesa abafar o Wie Wacbt am Rhein, como se diz que um rei de Inglaterra se levantou para ouvir o «Alleluia» do Messias de Haendel. Esse gesto real inaugurou uma «praxe» seguida há mais de 200 anos. O gesto português – por cuja originalidade não respondo – talvez não tenha tão longa posteridade, mas enquanto houver cinema e cópias de Casablanca emoções semelhantes voltarão a produzir-se a cada nova visão do filme.

As emoções de Casablanca podem ser (re)vistas na Cinemateca pelas 21,30 horas de quarta-feira dia 1 e pelas 15,30 horas de quarta-feira dia 15., ambas as sessões na Sala Félix Ribeiro.


CASABLANCA
de Michael Curtiz
com Humphrey Bogart, Ingrid Bergman, Claude Rains, Paul Henreid, Peter Lorre, Sidney Greenstreet
Estados Unidos, 1943 - 102 min
legendado eletronicamente em português | M/12

É um dos mais famosos filmes de sempre, o que deu Ingrid Bergman Humphrey Bogart por par e a todos a ideia de “para sempre, Paris”. São eles o casal que um dia por lá se perdeu no começo da guerra e se reencontra fugazmente em Casablanca, a encruzilhada dos que procuram alcançar a liberdade. Três Óscares (melhor filme, argumento e realização) premiaram este filme mítico. “Se Casablanca já é um prodígio de concisão e de ‘timing’ durante o primeiro quarto de hora (em que somos apresentados a todos quantos não arriscam muito a pele ou a arriscam mas não mexem na nossa), o filme só ‘pega fogo’ quando Ingrid Bergman entra no Rick’s Bar e Sam para de tocar e olha para ela. Nunca o olhar de Ingrid foi tão desarmado, tão quente, tão húmido como quando pediu que ele tocasse (não ‘again’ mas simplesmente tocasse) o As Time Goes By. Nunca o olhar de Bogart foi tão cerrado, tão frio, tão seco, como quando, ouvindo a música e não vendo Ingrid, disse: ‘Sam, I thought I told you never to play...’’ (João Bénard da Costa)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

DA MINHA GALERIA


A minha colecção de postais de cinema não inclui apenas actores e actrizes. Tem também cartazes e cenas de filmes.
Aqui, Himphreu Gogart e Katharine Hepburn em A Rainha Africana.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

O QU'É QUE VAI NO PIOLHO?


Capitão Renault: É o avião para Lisboa. Gostaria de ir nele?

Rick: Porquê? O que há em Lisboa?

HUMPHREY BOGART


Era a cara que tinha e foi-se embora
mas nunca foi tão visto como agora
O seu olhar é água pura água
devassa-nos dá nome mesmo à mágoa
Ganhámo-lo ao perdê-lo. Não se perde um olhar
não é verdade meu irmão Humphrey Bogart?

Ruy Belo em O Homem de Palavra(s)

ATÉ QUE O FILME FOI RETIRADO


Tínhamos escapado à ocupação e a bombardeamentos de uns e de outros. E agora, que nos aconteceria? Foram semanas em suspenso. No ecrã do Politeama passou então, logo em Maio, «Casablanca», como entusiástico manifesto – e os aplausos «frenéticos« da plateia estrondeavam na «Marselhesa», até que o filme foi retirado.

José-Augusto França em Memórias Para o Ano 2000.

TER OU NÃO TER



Leonor Pinhão no Público s/d

BOGART



Um milhão de whiskies, uma tonelada de cigarros, levaram-no aos 58 anos.

O que é que está toda agente para aí a sussurrar? Tenho um cancro. Por amor de Deus, não é uma doença venérea.

Casablanca não é uma obra-prima do cinema, mas um filme de cenas, e momentos inesquecíveis.
  
Casablanca é o meu pai a contar-me das manifestações de jubilo quando o filme estreou em 1945, no Politeama, dez semanas de exibições, Bénard da Costa dixit.

O meu avô também me falava desses momentos inesquecíveis, ele dizia sublimes.


De todos os bares do mundo ela tinha que entrar logo no meu.

É uma chatice, mas gosto de todos os filmes de Bogart, mesmo aqueles em que as coisas não lhe saem bem e ele parece que anda a navegar.

Mas há Ter Ou Não Ter, Bogart dizia que a rodagem do filme foi o tempo mais feliz da sua vida e Leonor Pinhão (post a seguir) fala dos quês e porquês deste filme único.

 Se precisares de mim é só assobiar. Sabes assobiar, não sabes, Steve? Basta juntar os lábios e soprar.
Dizia que não se deve confiar num homem que não beba, porque tem sempre qualquer coisa a esconder e, segundo a lenda, as suas última palavras terão sido que nunca deveria ter trocado o whisky pelos Dry Martinis.

John Huston na cerimónia fúnebre:

Não temos razões para ter pena dele, Mas sim de nós, porque o perdemos.

domingo, 30 de novembro de 2014

PORQUE HOJE É DOMINGO



O piano em que Sam toca As Time Goes By, no filme Casablanca foi arrematado, na passada segunda-feira, por 2,9 milhões de dólares (2,3 milhões de euros) num leilão em Nova Iorque.
Uma das cenas mais famosas da história do cinema.
Bom domingo.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

LAUREN BACALL (1924-2014)


Ainda a secar as lágrimas pela morte de Robin Williams, outras se lhes seguem com a notícia da morte de Lauren Bacall.
Só alguém como Bacall, com aquele terrível, doce e provocante olhar, poderia dar a volta completa àquele durão do Humphrey Bogart.
Correu, agora atrás do último assobio.
Tinha 89 anos.
Amargos dias.
Mais filmes para ir buscar à estante.    

                                                                              

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

OLHAR AS CAPAS


Hollywwod, Estórias de Glamour e Miséria no Império do Cinema

Edgar Pêra
Prefácio:: Manuel S. Fonseca
Capa: Jorge Carvalho
A Esfera dos Livros, Lisboa Outubro de 2013

Humphrey Bogart era conhecido por não ter papas na língua, e não acreditava que Hawks encontrasse uma mulher tão insolente quanto ele. Mas quando conheceu Lauren Bacall (talvez durante os testes de Ter e Não Ter), com menos de metade da sua idade, Bogart percebeu que a Dama estava à sua altura e, apesar de casado, apaixonou-se por ela durante as rodagens.
O famoso «look» de Bacall – o olhar sensual com o queixo encostado ao peito e os olhos voltados para cima, nasceu não tanto do génio de Hawks, mas sim da necessidade da actriz disfarçar o nervosismo que sentia ao contracenar com os grandes actores do cinema. Para conseguir não tremer de medo, Bacall punha o queixo fortemente encostado ao peito, e os tremores desapareciam. Lauren Bcall sentia-se bastante intimidada pelas vedetas de Hollywood, especialmente os galãs da época e Howard Hawks (Gentlemen Prefer Blondes), ensinou-lhe como lidar com as estrelas; «Então ela um dia entrou e disse emocionada “Olá”. Tínhamos uma festa em nossa casa no sábado à noite, por isso disse-lhe que entrasse. “Não tenho muito jeito para lidar com os homens.”E como é que os tratas?” perguntei. “O melhor que posso”, disse ela. Eu disse “bem, experimenta insultá-los para ver o que acontece”. Ela apareceu no sábado seguinte e disse-me “Deram-me boleia”, e eu disse “ O que fizeste?”, Bem insultei um homem e ele gostou.” “E o que é que fizeste?”, disse eu. “Perguntei-lhe onde é que tinha comprado a gravata, ele perguntou, para que é que queres saber isso, e eu respondi, para dizer às pessoas para não irem lá.” Eu perguntei “Quem era o homem? E ela respondeu “Clark Gable”.» Consta que Bacall nunca mais teve preocupações com os homens que se precipitavam para a convidar a sair. Loiuse Brooks (A Boneca de Pandora), estrela da sensualidade do cinema mudo, escreveu que «com a estreia de Casablanca, Humphrey Bogart tornara-se negócio em grande. Era a altura de Lauren Bacall fazer a sua entrada – ela, que igualmente se tornaria o par ideal do ecrã, sedutora como Eva, fria como a serpente». Fala talvez a inveja, mas não haja dúvida que não eram apenas os passarinhos que Lady Bacall conseguia hipnotizar. Revê-la em casa mas sobretudo numa sala de cinema ainda é um espectáculo que faz muitos cinéfilos perderem o fôlego.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

KEY LARGO



                                                    - Você percebe alguma coisa de barcos…?
                                                    - Sim… A minha primeira namorada foi um
                                                               barco…
                                                    (Diálogo do filme Key Largo, citado de memória…)


Embora haja muito boa gente a dizer o contrário, não me parece que Key Largo, que John Huston dirigiu em 1948, seja um dos melhores filmes do realizador do Falcão de Malta (alias, Relíquia Macabra, como inicialmente se chamou em Portugal…).

Tenho cá para mim que, durante a maior parte do tempo, o filme sofre em demasia as consequências da sua original base teatral, uma peça de Maxwell Anderson datada de 1930.

É verdade que a escolha dos actores é muito boa e a sua direcção excelente, como é habitual em Huston.

Mas aposto que se perguntar a alguém quais são os quatro filmes protagonizados pelo  par Bogart/Bacall,  este será, talvez, o último de que se irão lembrar… E também duvido que alguém se lembre que anda por lá Dan  Seymour, um dos inesquecíveis grandes actores secundários do Cinema Americano.


  Key Largo encerra algumas pequenas “histórias” que me apetece recordar, e se escolhi um diálogo do filme para a introdução deste texto não foi pelo simples prazer da citação, mas porque a resposta que Bogart dá no ecrã poderia muito bem tê-la dado na vida real…

Bogart amava o mar e os barcos e, com a cumplicidade de Huston, aproveitou este filme para fazer uma pequena homenagem ao seu próprio barco,  que se chamava Santana. Se repararem bem, Santana é o  nome do barco que é utilizado no filme.

E tinha tanto amor e tanto orgulho no seu vistoso veleiro que baptizou de Santana Productions a Produtora de filmes que criou  em 1947.

Conta-se que uma vez perguntaram ao Bogart o que é que fazia com que o seu barco andasse tão depressa…? “Scotch!”, respondeu ele de imediato…!  John Ford, outro amante do mar e dos barcos, poderia ter dado idêntica resposta…

A leitura da autobiografia de Laureen Bacall (By Myself – 1978) é um prazer enorme e deixa também transparecer a pontinha de ciúmes que ela própria sentia em relação ao Santana. Nenhuma das belíssimas mulheres da Hollywood desses tempos lhe fazia qualquer sombra, mas essa namorada distante, com a qual Bogart se refugiava sozinho de vez em quando, fiava mais fino…!


Estou convicto de que nenhum cinéfilo que se preze irá de propósito a Key Largo em busca das reminiscências do filme de John Huston…

Ele lembrar-se-á muito bem que tudo aquilo cheira aos estúdios da Warner Brothers por todos os lados e que, com excepção das breves imagens aéreas do genérico inicial,  não haverá no filme  uma única cena filmada localmente… Mesmo as cenas supostamente de exteriores, com o mar e os barcos a serem batidos pelo vento, são “efeitos especiais”, por sinal até retirados de rushes não utilizados de um outro filme de Don Siegel.

Mas a verdade é que também não acredito que haja cinéfilo que se preze que, ao passar por  Key Largo,  não sinta um apertozinho no coração e uma vontade enorme de sair da estrada principal e parar o seu carro,  ainda que por breves instantes,  à beira daquele mar maravilhoso.

E se o fizer, como eu o fiz, olhará então à sua volta e pensará que o filme do Huston poderia muito bem ter sido filmado ali naquele grande casarão de madeira, que até tem pontões e ancoradouros prontos para albergar  qualquer barco…

O que ele poderá não adivinhar de imediato, como eu próprio também não adivinhei, é quem é que estará à sua espera no salão dessa enorme casa, caso se disponha a transpor a porta de entrada…

O Bogey,  himself…!!!


Não Frank McCloud, o valoroso herói de Key Largo, mas o muito mais sofisticado Richard Blaine, que todos nós nos habituámos a tratar por Rick, o proprietário do Café Américan de Casablanca…!

Teria sido  the beginning of a beautiful friendship”, se nós já não fossemos amigos  há tantos anos…  Mas a habitual fotografia de parolo, essa não falhou!

Ao entrar naquele bar (era de um grande e espaçoso bar que se tratava…) pedi à vistosa  Senhora do outro lado do balcão uma “sparkling water”, referindo-me a uma normal água com gás.

Sem pestanejar perguntou-me se a queria com scotch, com rum ou com outra bebida qualquer… Hesitei porque, acima de tudo, era sede que eu tinha e não estava nada  habituado a beber álcool assim tão cedo pela manhã.

Mas dei-me conta, de imediato, que a razão estava toda do lado dela…

Então eu estava ali ao lado do Bogart, um tipo que, como na altura afirmou André Bazin,  tinha morrido de um cancro  e de um milhão de whiskeys,  e preparava-me para honrar a sua memória com uma banal  aguinha com gás… O desgraçado iria dar uma volta no túmulo, certamente…!

“Scotch, please…”, pedi delicadamente à Senhora.

E em quase 59 anos de existência, esse foi, seguramente, o primeiro whisky que alguma vez  tomei  antes das 11H00 da manhã…!


Colaboração de Luís Miguel Mira

domingo, 14 de outubro de 2012

POSTAIS SEM SELO


Merda. Se não podemos partilhar os nossos segredos com os amigos, que raio de amigos seríamos?

Paul  Auster em Smoke, Difusão Cultural, Lisboa Maio 1996.


Legenda: Claude Rains e Humphrey Bogart na cena final de Casablanca de Michael Curtiz, 1942.

quinta-feira, 1 de março de 2012

O QU'É QUE VAI NO PIOLHO?


Ter e Não Ter é um dos meus filmes de cabeceira, um daqueles que sem qualquer sombra de dúvida levaria para a tal ilha deserta... Tem um belo guião do William Faulkner, tem o Bogart e a Bacall em estado de graça de começo de festa, mas também tem o Walter Brennan (um dos melhores actores secundários de sempre...), que passa a vida a perguntar às pessoas se alguma vez foram mordidas por uma abelha morta, o Hoagy Carmichael, de que tanto gosto,  a tocar piano e a cantar, o Marcel Dalio atrás do balcão  e o também grande (em todos sentidos...) Dan Seymour a fazer de Pide (seu papel preferido...) e a perguntar ao Bogart quais são as suas simpatias políticas (minding my own business, responde-lhe ele...)...

E tem também um belo final, que irá direitinho para a cassette da Aida. É um hino à Vida, à Amizade, à Comunidade e à Integridade como poucos filmes o foram. E tem os diálogos mais sensuais da história do cinema americano (se pusermos de lado as tiradas demasiado "rasteiras" da Mae West...).



 Vou dar-vos um exemplo, em inglês porque em português perde toda a sua graça e musicalidade.  Mas antes tenho de explicar, a quem não conhece o filme, que a Bacall (Slim - magrinha - no filme, e com essa alcunha ficaria para sempre para o Bogart até este morrer de um cancro e um milhão de whiskies, como então escreveu o André Bazin, crítico de cinema francês...)  andava ressabiada, porque o Bogart (Steve, no filme) não lhe ligava patavina e até chegou a dar-lhe  guia de marcha comprando-lhe um bilhete de avião de regresso para a terra dela (tal como também o fez, depois, John Wayne à  Angie Dicksson, no Rio Bravo... No Hawks, isto anda tudo ligado!). Já antes Slim lhe tinha perguntado quem teria sido a mulher que o deixou com tão má impressão sobre as mulheres... You know, you dont' have to act with me, Steve. You don't have to say anything. Not a thing. Oh, maybe just whistle. You know how to whistle, don't you, Steve? You just put your lips together and blow.

Pouco tempo antes ela tinha tentado beijá-lo, mas ele nem sequer  mexeu os lábios.

A segunda tentativa foi, porém, irresistível, e a coisa foi prolongada...

Reacção dela: It's much better when you colaborate!

A génese do filme tem uma história engraçada que não resisto a contar. O realizador, Howard Hawks, e o Ernest Hemingway (autor do livro em que o filme se baseia) tinham ido à pesca no alto mar e, enquanto o peixe não mordia, divagavam discutindo Cinema e Literatura, puxando cada um a brasa à sua sardinha. Para o Hemingway a base de um bom filme teria de ser uma boa história; para o Hawks, isso era indiferente, já que o fundamental era a  mise-en-scene...

- Aposto que sou capaz de fazer um grande filme com base no teu pior romance, disse ele ao Hemingway.

 - Qual é o meu pior romance?, pergunta-lhe este.

 - To have and have not, sem dúvida, diz  o Hawks.

  - És capaz de ter razão. 
Numa célebre entrevista que deu aos Cahiers du Cinema, Hawks disse que tinha feito o filme a correr porque precisava de dinheiro, mas não vai tão longe que diga se pagou a aposta a Hemingway.

 Mas que o filme é enorme, disso poucos duvidarão.




E numa onda de bom cinema e boa poesia, não quero ir-me embora sem vos deixar o curto poema que o Ruy Belo dedicou a Humphrey Bogar e que está incluído naquele célebre livrinho de capa azul da velha e saudosa Dom Quixote:

                                             “Era a cara que tinha e foi-se embora
                                              mas nunca foi tão visto como agora.
                                              O seu olhar é água, pura água
                                              devassa-nos, dá nome mesmo à mágoa
                                              Ganhámo-lo ao perdê-lo. Não se perde um olhar
                                              não é verdade, meu irmão Humphrey Bogart?

Colaboração de Luís Miguel Mira


Nota do editor:
O texto do Luís Miguel Mira foi escrito, há uns bons pares de anos, no decorrer de uma brincadeira entre amigos.
Dado que a Cinemateca, amanhã, pelas 15,30 Horas, na Sala Dr. Félix Ribeiro, exibe Ter ou não Ter , resolvi recuperá-lo.

TO HAVE AND HAVE NOT
Ter e Não Ter
de Howard Hawks
com Humphrey Bogart, Lauren Bacall, Walter Brennan, Marcel
Dalio, Dolores Moran
Estados Unidos, 1944 – 99 min / legendado em português

O encontro do mais mítico par da história do cinema: Bogart e
Bacall, de uma forma não menos mítica. Na realidade, o desafi o
que Hawks se impôs foi o de arranjar a Bogart uma mulher tão
insolente como ele, capaz de lhe responder à letra. O primeiro
encontro (quando ela vai ao quarto dele pedir-lhe lume) é um
daqueles momentos que se tornaram lendários, com a réplica
dela (“Se precisares de mim… assobia”). Vagamente inspirado
em CASABLANCA, mais do que no conto de Hemingway, é,
de novo, uma história de resistência e de resistentes franceses
contra o governo francês de Vichy na Martinica.