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terça-feira, 28 de outubro de 2025

NOTÍCIAS DO CIRCO

Sim, há a frase atribuída a Voltaire: «Não concordo com o que dizes, mas defendo até à morte o direito de o dizeres.», mas o Tribunal Constitucional nunca deveria ter aprovado a criação de Aquela Coisa. Tudo aquilo é gente indigente, desclassificada. Os cartazes colocados, agora, em diversas localidades, não têm nada a ver com propaganda eleitoral para as presidenciais, incluem frases como "Isto não é o Bangladesh" e "Os ciganos têm de cumprir a lei", estão a desencadear diversas queixas por discriminação.

Farid Ahmed Patwary, um dos representantes da comunidade do Bangladesh em Portugal, questiona: «Como pode um candidato à Presidência da república espalhar ódio por outro país?

O presidente de aquela coisa recebe das televisões - e não só! - , por motivos pouco claros, obscenos direi, uma atenção mais que vergonhosa.  Não há mais ninguém que tenha essa visibilidade. Não há peido que dê, que não estejam presentes as câmaras de televisão para o registar. Foi esta a criatura que as televisões – e não só! - criaram, e não se poderá  esquecer que foi uma televisão de sargeta que lhe proporcionou, como comentador de futebol, o estágio para chegar onde chegou, ao ponto de, ontem ter gritado na Assembleia da República, que são precisos 3 salazares para endireitar o país, que ele chama de «bandalheira»

Legenda: imagens da Sic Notícias e da Rádio Renascença.  

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

À LUPA

São úteis, alguns comentários que os leitores fazem nas páginas dos jornais, às notícias, aos artigos de opinião que por lá se publicam.

Outros são penosos, a esmagadora maioria, verdadeiramente inqualificáveis, que nos colocam no limiar do vómito.

Deveriam ser proibidos?

Deveriam ser retirados esses penosos comentários?

Teremos sempre de lembrar a frase atribuída a Voltaire:

«Posso não concordar com o que dizes, mas defenderei até à morte o teu direito de o dizer.»

O leitor António Cunha, num artigo, no Público, sobre «aquela coisa», deixou este útil comentário:

«Portanto, a direita que vai a Fátima e à missa ao domingo não faz uso do que aprende nas congregações que frequentam!»

sexta-feira, 20 de setembro de 2024

OS DIAS VISTOS DO CAFÉ DO MONTE


«Entretanto houve o sismo. Por aqui, fomos todos poupados às tremedeiras da Terra. Felizmente, por onde elas foram sentidas, tudo não foi além do susto. E se a grande literatura, como estou convencida, nos prepara para tudo, até para a nossa morte (mas nunca para a morte dos outros…), é então de ir ler Voltaire. Sinal dos tempos, não ouvi ninguém falar do Cândido ou de Pangloss.»


Ana Cristina Leonardo, da crónica no Público de 30 de Agosto

Legenda: pormenor da capa do Cândido de Voltaire da edição da Colecção de Bolso das Publicações Europa-América.

domingo, 3 de janeiro de 2021

NOTÍCIAS DO CIRCO

Começaram os debates Presidenciais nas televisões.

Há aquela frase que se atribui a Voltaire: «discordo do que dizes, mas defenderei até à morte o direito de o dizeres», mas sempre tive a opinião que o Tribunal Constitucional não deveria ter permitido a existência do Chega.

Multiplicam-se os exemplos de racismo, xenofobia e outros atentados como seja o fim do Serviço Nacional de Saúde que tresandam dali.

O dono do partido é advogado, e vem a propósito citar Júlia Roberts no papel de Erin Brockovich, filme  de Steven Soderbergh: «Vocês, advogados, só complicam situações que não são complicadas. Sabe porque é que as pessoas acham os advogados são uns sacanas? Porque o são mesmo!»

Um tipo que vive de esquemas e mentiras, disse, em recente entrevista, que não seria presidente dos que não trabalham, dos que vivem de esquemas.

Quanto à frase que encima o texto é uma farpa espetada no presidente do PSD que teve, nos Açores, o desplante de permitir, com aquilo, uma coligação governamental.

Pela amostra de ontem, no debate com João Ferreira, quando se sentir apertado, instalará o caos e não vai deixar ninguém falar.

Resta às direcções de informação dos canais de televisão, imporem o corte do som do microfone quando o debilmentaloide puser a pata na póça.  

quarta-feira, 26 de abril de 2017

POSTAIS SEM SELO



Não estou de acordo com o que diz, mas bater-me-ei até à morte para que tenho direito a dizê-lo.

Frase atribuída a Voltaire

terça-feira, 28 de junho de 2011

OLHAR AS CAPAS


Cândido
Voltaire
Tradução de Maria Isabel Gonçalves Tomás
Colecção Livros de Bolso nº 63
Publicações Europa-América
Lisboa, Agosto de 1973

" E enquanto assim falava, Cândido não deixava de comer. O Sol punha-se e os dois fugitivos ouviram alguns gritinhos que pareciam soltados por mulheres. Tais clamores partiam de duas raparigas inteiramente nuas que corriam vivamente na orla do prado, enquanto  dois macacos as seguiam mordiscando-lhe as nádegas.  Cândido apiedou-se delas. Pegou na espingarda espanhola de dois canos e matou os dois macacos.
- Deus seja louvado, meu caro Cacambo! Livrei de um grande perigo estas pobres criaturas.
Ia continuar, mas sentiu a língua presa quando viu as jovens beijarem ternamente os dois macacos, debulharem-se em lágrimas sobre seus cadáveres, enchendo o ar de gritos angustiados.
- Não esperava encontrar tanta bondade de alma – disse ele por fim a Cacambo que lhe replicou:
- Fizestes uma bela obra-prima, meu amo. Matastes os amantes destas meninas.
- Os amantes? Será possível? Zombais de mim, Cacambo, não posso acreditar em vós!
- Meu caro amo – respondeu Cacambo -, espantai-vos sempre com tudo: por que razão havíeis de achar estranho que em alguns países haja macacos que obtenham as boas graças das damas? Eles são um pouco homens, como eu sou um pouco espanhol.
- De facto - replicou Cândido -, recordo-me de ter ouvido dizer ao Dr. Pangloss que outrora  se verificaram semelhantes casos  e que dessas misturas provinham  os faunos, os centauros e os sátiros, seres que foram vistos por várias personagens ilustres da antiguidade. Mas julgava que tudo isso fosse fábula.”