terça-feira, 14 de julho de 2026

AMANTES

sem casa um beco de vento os chama

céus seus a solidão o silêncio o

segredo tremendo que boca de incêndio

os traga

e solta na noite irrestrita vasta

 

céus seus a inconvenção a demora

o denodo furtado ao mito denso

de que o amor se faz—e é—agora

alegre

trilo mútuo sopro recomeço

 

stacatto em loop ao fio do disco

céus seus o risco o riso o raio aí

acaba

a língua rompida cantando o atrito

veloz tristitia do fruto aberto

 

selo

a tenra polpa soluçante ao grito

céus seus o sismo a fita telepática

tão impante falta que falo nihil

placet inestimável nu abjeto

belo

 

ó Paixão rasgo impérvio e lasso

ato

espelhado com colapso sedutor

à escarpa—de onde raro em rigor

se morre ou se tanto só no palco

a luz a paga

 

e cobra

que ávida no tal morro se contrai

morderá sarará escalada dobra

céus seus o susto a vista a vertigem

se se cai

e se resvala céus seus a corda


 Margarida Vale de Gato em Atirar para o Torto

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