Mostrar mensagens com a etiqueta Cravos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cravos. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 24 de abril de 2025

REOLHARES


 


Houve um tempo de cravos nos canos das espingardas.

Houve um presidente da Câmara, personagem sinistra, Krus Abecasis de seu nome, que proibiu, o cultivo de cravos vermelhos nos viveiros municipais.

Ainda hoje, as gentes, que vibraram nas ruas, que gritaram contra o medo, quando, pelas manhãs de sábado ou domingo, compram cravos para decorar as casas, não sabem comprá-los de outras cores que não vermelhos.

Mas Reolhemos a tal probição Após o 25 de Abril.

 

(Em Reolhares vamos publicando textos publicados, nos últimos 15 anos no Cais do Olhar).

sexta-feira, 15 de novembro de 2024

CELESTE CAEIRO (1933-2024)

«A Celeste dos Cravos, apesar da idade avançada, não recusava solicitações para partilhar a sua história, para participar em comemorações da Revolução de Abril. Foi assim até este ano, quando se celebram os 50 anos de Abril: esteve no mar de gente que desceu a Avenida da Liberdade, na sua cidade de Lisboa, mas também fez questão de estar na Festa do «Avante!», a realização anual do seu partido, o PCP.

Celeste Caeiro nasceu em Lisboa, em Maio de 1933, cidade onde trabalhou viveu grande parte da sua vida. De origens humildes, na manhã de 25 de Abril de 1974, com 40 anos, saiu de casa no Chiado, onde vivia, com a sua mãe e a filha ao seu cuidado, rumo ao restaurante onde trabalhava, no edifício Franjinhas, na Rua Braancamp. Nas palavras de Celeste, «a casa fazia um ano nesse dia, os patrões queriam fazer uma festa e o gerente comprou flores». Com as operações dos capitães de Abril em curso ali ao lado, o restaurante não chegou a abrir e Celeste levou os cravos no caminho de volta a casa.

Foi já no Chiado que se deparou com os veículos militares que rumavam ao Quartel do Carmo, para deter Marcelo Caetano. Foi isso que lhe explicou o jovem militar (que, para seu desgosto, Celeste nunca voltou a encontrar) a quem perguntou o que se passava. «Isto é uma Revolução!», acrescentou, no relato da própria Celeste, a que se seguiu o pedido de um cigarro. Celeste não fumava, a tabacaria estava fechada, mas a sua gratidão para com aqueles jovens que protagonizavam a libertação de 48 anos de fascismo levou a oferecer-lhes o que tinha: os cravos vermelhos que acabaram nos canos das espingardas. Com o seu gesto carregado de simbolismo, Celeste Caeiro deu expressão à adesão popular às acções do Movimento das Forças Armadas, naquele mesmo dia, e que viria a ser sintetizado na fórmula «Aliança Povo-MFA».

«Correu tudo muito bem. Tinha de correr, pois os cravos estavam nas espingardas e elas assim não podiam disparar...», contou sobre o dia em que o País se libertou da ditadura fascista. Celeste Caeiro faleceu hoje, aos 91 anos.»

Texto copiado de Abril, Abril

domingo, 28 de janeiro de 2024

VIAGENS POR ABRIL


 




                 Este não é o dia seguinte do dia que foi ontem.

                 João Bénard da Costa

Será um desfilar de histórias, de opiniões, de livros, de discos, poemas, canções, fotografias, figuras e figurões, que irão aparecendo sem obedecer a qualquer especificação do dia, mês, ano em que aconteceram.

Hoje que é domingo, os recortes recaem sobre os cravos vermelhos que inundaram as ruas no 25 de Abril.

Essa personagem sinistra, Krus Abecasis de seu nome, presidente da Câmara de Lisboa, proibiu, o cultivo de cravos vermelhos nos viveiros municipais.

O botas de Santa Comba, seu estimável mestre, também tudo proibia.

Ainda hoje, as gentes, que vibraram nas ruas, que gritaram contra o medo, quando, pelas manhãs de sábado ou domingo, compram cravos para decorar as casas, não sabem comprá-los de outras cores que não vermelhos.