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quinta-feira, 9 de outubro de 2025

OLHAR AS CAPAS

Álvaro Cunhal: Íntimo e Pessoal

Miguel Carvalho

Capa: Joana Quental

Campo das Letras, Porto Abril de 2006

Clara Ferreira Alves escreveu um dia, a propósito de uma entrevista a Álvaro Cunhal, que a «perfeição a que a consciência o obriga, desumaniza-o». Julgo, porém humildemente poder dizer que, em muitos casos, o tal Álvaro Cunhal desconhecido, mais afectivo, humanizado, imperfeito, esteve sempre presente. Diante dos nossos olhos, por vezes até nos seus discursos mais duros, mais tensos, puramente políticos e partidários. Culpa nossa – e das circunstâncias, talvez – não termos estado mais atentos, não termos sido mais pacientes, menos ansiosos e vertiginosos na tentativa de poercebê-lo, de compreendê-lo, de convencê-lo a trilhar os caminhos do seu lado mais íntimo, sem que isso significasse violação da intimidade. Culpa dele, certamente, quase nunca ter deixado, durante anos, que o aparente acessório se sobrepusesse ao prioritário.

quinta-feira, 15 de maio de 2025

OLHAR AS CAPAS


Álvaro Cunhal: Retrato Pessoal e Íntimo

Adelino Cunha

A Esfera dos Livros, Lisboa, Novembro de 2010

Cunhal foi desde sempre um intelectual.

Defende que os intelectuais têm a obrigação moral de se preocuparem com os problemas do povo e de ajudarem os homens comuns na procura do «caminho certo».

domingo, 21 de abril de 2024

OLHAR AS CAPAS

A Defesa Acusa

Álvaro Cunhal, Francisco Migue, António Lourenço

Capa: Luís Filipe da Conceição

Colecção Resistência nº 3

Edições Avante, Lisboa, Abril de 1975

Podem todos estar certos de que o dia virá em que a consideração de todos estes crimes terá lugar num outro julgamento em que serão outros os réus.

sábado, 13 de junho de 2015

PERCEBER ÁLVARO CUNHAL


O Diário de Notícias de hoje traz uma entrevista com José Pacheco Pereira, biógrafo de Álvaro Cunhal.

Não se conheceram, Cunhal nunca aceitou falar com um biógrafo tão meticuloso que o biografado acabou por reconhecer: "Ele sabe mais do que eu sobre a minha vida", terá desabafado.

 José Pacheco Pereira está a ultimar o 4º volume da biografia de Álvaro Cunhal.

Entre 1999 e 2005, publiquei três volumes de uma biografia de Álvaro Cunhal, e estou neste momento a trabalhar no quarto, correspondendo aos anos de 1960-1968. Começa na primeira noite que Cunhal viveu em liberdade, depois da fuga [da prisão de Peniche], e termina com a queda de Salazar da cadeira e a sua incapacitação para continuar presidente do Conselho. Será o primeiro volume da série que termina num facto cujo significado é essencialmente político, o início do "marcelismo", e não é marcado por nenhum acontecimento dramático da vida do próprio Cunhal.


Fazer uma biografia a sério de Álvaro Cunhal implica verificar todos os dados que já se conhece, muitos deles errados ou imprecisos, e tratar a matéria de forma diferente dos trabalhos têm saído, onde nada é verificado.

Cunhal nunca o fez, nem ninguém do PCP por ele, e isso foi o primeiro sinal que tive de que a recepção do primeiro volume e dos seguintes pelo biografado tinha sido mais favorável do que os meus receios iniciais. Mais tarde vim a saber por diferentes testemunhos, que Cunhal manifestou várias vezes, na fase final da sua vida, uma apreciação positiva da biografia. Disse ao seu médico que eu sabia "mais da vida dele" do que ele, o que num certo sentido era verdade.


Tenho a presunção de pensar que percebo Álvaro Cunhal.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

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Esteiros

Soeiro Pereira Gomes
Capa e Desenhos: Álvaro Cunhal
Editorial Gleba, Lisboa, Novembro de 1946

Rolam dias iguais a todos os dias; o Outono chega, cavalgando o vento. E Gineto mantém a mesma fé de quando entrou na prisão.
Através da cela, ouve tropel de cavalos e alarido de muito povo, a entrecortar um sussurro distante, confuso, de música e tiros e vozes… É a feira. Gineto anima-se, crente de que os companheiros virão buscá-lo neste dia de festa, trazendo Rosete com eles. Encosta a face às grades, espera o regresso à vida livre.
Uma voz canta, mesmo por baixo da janela, uma canção que ele ouviu, certa tarde, no alto do mirante. Então grita_
 Gaitinhas! ‘tou aqui, Gaitinhas!
Mas a voz afasta-se. Gaitinhas-cantor vai com o Sagui correr os caminhos do mundo, à procura do pai. E, quando o encontrar, virá então dar liberdade ao Gineto e mandar para a escola aquela malta dos telhais – moços que parecem homens e nunca foram meninos.

sábado, 27 de abril de 2013

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Cinco Conversas com Álvaro Cunhal

Catarina Pires
Campo das Letras, Porto Abril de 1999

Uns vão dizer que a revolução foi só o 25 de Abril e que depois o PCP estragou tudo. Vão dizer outros que se podia perfeitamente ter evitado essa revolução, porque se teria chegado à democracia através da liberalização e democratização do regime no tempo de Marcelo Caetano. Fazia-se a transição pacificamente, não era necessária uma revolução para passar à democracia, à democracia actual, naturalmente. Dirão alguns que os fascistas dissidentes, assim chamados no tempo do marcelismo, como Sá Carneiro e alguns antifascitas que antes ou após o 25 de Abril com eles se aliaram, esses é que foram os heróis da instauração de democracia. Dirão outros que foi Mário Soares e ele próprio o diz também. Outros que foram as Forças Armadas depois de destruído o MFA. E dirão também que não foi a contra-revolução, como realmente foi, mas sim a revolução, que destruiu a economia portuguesa.

terça-feira, 9 de abril de 2013

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Não ao Mercado Comum

Álvaro Cunhal

Edições Avante, Lisboa 1980

Segundo o IX Congresso as consequências fundamentais da integração de Portugal no Mercado Comum seriam as seguintes:
Primeira: a ruína de vários sectores da economia nacional, atingindo designadamente as pequenas e médias empresas e provocando o aumento do desemprego;
Segunda: impedimento do desenvolvimento, a recessão ou absorção de sectores básicos da economia nacional;
Terceira: a liquidação das conquistas da Revolução (Nacionalizações, Reforma Agrária, controlo de gestão e outros direitos do trabalhadores), a restauração do capitalismo monopolista e a liquidação do regime democrático;
Quarta: submissão de Portugal ao imperialismo e graves limitações à independência nacional;
Quinta: a transformação de Portugal em instrumento da política neocolonialista do imperialismo;
Sexta: o baixo nível de vida dos trabalhadores portugueses como característica forçada da economia portuguesa integrada no Mercado Comum.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

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A Arte, o Artista e a Sociedade

Álvaro Cunhal
Design gráfico: José Serrão
Editorial Caminho, Lisboa Novembro de 1996

Pode, por exemplo, conhecer-se muito da história do Taj Mahal, mausoléu indo-islâmico da imperatriz Arjuman Bânu. Mas não se pergunte na altura em que o vemos ante nós quem o mandou construir, não se pergunte que sacrifícios custou a sua construção, esqueçam-se. Se se sabiam, elementos negativos na sua história e não se queira no momento mais nada saber além do verdadeiro êxtase provocado pela surpreendente beleza da construção, do conjunto, do espaço.
Pode, noutro exemplo, conhecer-se a vida e a obra incerta, dificultosa, torturada de Rachmaninov. Pode considerar-se que na sua obra há muito que outros fizeram tão bom ou melhor. Pode valorizar-se mais o virtuosismo que a inspiração. Mas não se responda com qualquer apreciação racional ou especializada ao espontâneo encanto do arranque crescente, envolvente e arrebatador do 2º Concerto para Piano e Orquestra.