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quinta-feira, 23 de maio de 2019

AINDA DORIS DAY


No arquivo da Shorpy apanhei esta fotografia, autoria de Milton Greene,  Setembro de 1953, tirada durante as filmagens do filme musical Calamity Jane.

Miguel Esteves Cardoso, crónica do Público,  lembrou que é triste perceber que uma pessoa pode viver 97 anos sem jamais receber o reconhecimento que merece.

Manuel S. Fonseca, na sua página negra, chutou forte e colocado:

«Se eu tivesse sido do teu tempo – e que tempo foi o teu tempo, que de tão limpinho não foi tempo nenhum? – teria bebido copos cínicos com  esse Oscar Levant, actor, pianista, compositor de tão sardónico talento, que fui mesmo ver ao cemitério de Westwood, minha aldeia de Los Angeles, se ainda lá estava a campa em que o enterraram. Ele sim, insuportando (ou desconseguindo de suportar!) esse fulgurante brilho dos teus olhos, a esplêndida brancura dos teus dentes, as tuas saias rodadas a deixar ver a robusta e dourada meia perna, as tuas mamas firmes apontadas a um céu sem nuvens, ele, Oscar Levant,  imor­ta­li­zou-te com a doçura desta frase: “Conheci Doris Day antes dela se tor­nar virgem.”»

segunda-feira, 13 de maio de 2019

DORIS DAY (1922-2019)


Com 97 anos morreu Doris Day.
Intérprete de Que Sera, Sera, que aparece no filme de Alfred Hitchcock, O Homem que Sabia Demais, uma das canções da vida do meu pai, que também é a canção que a Aida cantava aos filhos e aos netos, e ainda a única canção que o Luís Miguel Mira se lembra de ouvir a mãe cantar:

«Curiosamente, é esta a única música que me lembro de ter ouvido tocada e cantada pela minha mãe, no seu belo piano Steinway & Sons. É provável que ela tocasse outras músicas (tocava, de certeza...), mas só me consigo lembrar dessa...

Ainda estávamos na nossa casa grande de Entrecampos, onde depois foi parar a Feira Popular. Quando saíamos dessa casa eu ia fazer 5 anos, pelo que estaríamos em 1958.

Com a mudança para uma casa mais pequena desapareceu o piano, que o meu pai mandou colocar num armazém da quinta de Moscavide, com a solene promessa de o ir buscar mais tarde, quando comprássemos uma nova moradia.

Uns anos depois a minha mãe, que continuava sem a sonhada moradia, foi dar com o piano meio destruído, cheio de teias de aranha, com gatos em cima e com as teclas de marfim retiradas.

E foi assim que a música desapareceu de minha casa, e do coração da minha mãe... Muitas décadas depois ainda me falava nisso, sempre com uma lágrimazita no canto do olho.

Se alguma vez fizer Cinema hei-de imaginar uma bela cena num salão enorme, com um grande piano de cauda colocado junto à janela e a mimha mãe a tocar. Os raios de luz a entrarem pela janela não lhe deixarão ver o rosto, mas ouvir-se-á a voz...

Que sera, sera...»



segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

ADEUS ANO VELHO


Mais logo, despedimo-nos de mais um ano velho.

A Sophia de Mello Breyner Andresen não sabia por que as pessoas celebravam a passagem do ano. O ano está sempre a mudar, dizia.

Novo ano.

O que for será, como naquela velha canção da Doris Day.

Ou a Criação do Mundo que é um lindíssimo poema da Maria do Rosário Pedreira:

«Olhou as mãos em concha e viu arredondar-se
um sonho dentro delas – um mundo
que ninguém podia adivinhar, pois dele
fariam também parte os magos e os profetas.

Abriu-as devagar e deixou cair as trevas como sementes,
para que então servissem unicamente de sombras
e prolongassem a memória das coisas por vir. Foi assim
que inventou a luz e separou um dia do seguinte.

Depois afastou o céu daquilo que viria a ser o mar,
como quem divide um lenço azul em dois e limpa
as lágrimas apenas a metade. No meio, deixou que
crescesse tudo quanto do chão quisesse escapar-se
para traçar a primeira geografia dos caminhos. E assim

descobriu a cor e encheu a sua paleta de animais
que rasgariam os céus, cruzariam os oceanos e
resolveriam as entranhas da terra na estação
das chuvas. Por fim, semeou pequenas clareiras

nas florestas, pedras nas vertentes das cordilheiras,
cristais de neve no contorno dos lagos, estrelas cadentes
na vizinhança do desespero e rios serpenteantes
entre as searas louras, mordidas por um sol que lhe caiu
quase sem querer dos dedos, mas lhes aproveitou o calor

E, apesar da alegria que experimentou, sentiu que o seu
mundo era tão frágil que, se desviasse os olhos, tudo acabaria
por regressar ao pó, às trevas e ao verbo. Só por isso criou alguém
que também o visse e lhe dissesse todos os dias como era belo.»


Maria do Rosário Pedreira em O Canto doVento nos Ciprestes


segunda-feira, 3 de abril de 2017

QUE SERA SERA


Doris Day faz hoje 95 anos.
Sempre tive uma certa ternura pela Doris Day.
Gosto dos filmes que fez com Rock Hudson, gosto de outros mas guardo muito bem guardado o gosto por O Homem Que Sabia Demais com James Stewart.
Principalmente pela canção Que Sera Sera que cantei aos meus filhos e agora aos meus netos.
Parabéns, Doris Day.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

VELHAS CANÇÕES


Leio, numa crónica de Manuel S. Fonseca, que o compositor e actor Oscar Levant é o autor da frase: Conheci Doris Day antes dela se tornar virgem.

Estava convencido que era Groucho Marx e deixei essa autoria assim registada quando coloquei Que Sera Sera como um dos Clássicos do Meu Pai.

Inclino-me para a razão de Manuel S. Fonseca.

O nome de Oscar Levant serve para trazer aqui uma velha canção, também a sua mais conhecida composição: Blame It on My Youth.

A letra é de Edward Heyman e a canção data de 1934.

Ficam as interpretações de Nat King Cole, Frank Sinatra e Nancy Wilson.

Doris Day conta hoje 94 anos, tendo nascido no dia 3 de Abril de 1922.

Desde 2004, após a morte do seu único filho, Terry Melcher, leva uma vida reclusa e solitária.


Legenda: Doris Day no filme Calamaty Jane



sexta-feira, 19 de agosto de 2011

OS CLÁSSICOS DO MEU PAI


Devia estar aqui a capa do single da Doris Day  a cantar “Que Sera Sera”, uma das canções da vida do meu pai. O single, como tantos outros discos, levianamente, perdeu-se por aí.

Esta é apenas a capa de um CD que reúne êxitos de Doris Day.

A canção ouviu-a o meu pai, no filme de Alfred Hitchcock “O Homem Que Sabia Demais” (“The Man Who Knew Too Much”, 1956), com James Stewart e Doris Day, que mais não é que o filme, com o mesmo nome, que Hitchcock realizara em 1934.

Diz a lenda, e segundo John Ford as lendas são para serem publicadas, que quando ouviu pela primeira vez a música "Que Sera, Sera", Doris Day recusou-se a gravá-la, alegando tratar-se de uma música infantil. A música não só obteve o Óscar para a melhor canção original, como veio a ser o maior êxito da carreira de Doris Day.

Truffaut, nas suas conversas com Hitchcock, lembra que Doris Day no seu livro de memórias, refere a frustração que sentia pelo laconismo de Hitchcock:

“Pensava constantemente que fora escolhida como cantora e que ele lamentava a falta de Grace Kelly. Talvez se enganasse; aliás no fim da rodagem, Hitccock disse-lhe: “Não falava consigo porque tudo estava a corre bem, mas, se alguma coisa não tivesse sido correcta ter-lhe ia dito.”

Num texto sobre Ezra Pound, Alfredo Barrosos conta:

«Há exactamente 35 anos, no dia 6 de Maio de 1958, véspera da sua libertação oficial do Hospital Federal de St. Elizabeths, onde estava internado como louco, há quase 13 anos, Ezra Pound ouviu, muito impressionado, a letra de uma canção popular difundida pela rádio. A seu lado estava sentada uma jovem estudante texana, Marcella Spann, sua admiradora e amiga, que se tornara já na derradeira amizade amorosa do poeta.

O que mais o impressionou foi o refrão da cantiga:

Que Sera Sera,
what ever will be, will be;
The future`s not ours to see.
Que Sera Sera,

Por que razão a letra desta canção o terá impressionado tanto, Ezra não o disse. Porventura o tom prosaico, ingénuo e sensato – tão tipicamente americano – do refrão, perguntando em italiano e proclamando em inglês aquilo que para o comum dos mortais parece ser uma evidência»

A melodia entrou bem no duro ouvido do meu pai, mas do que ele gostava mesmo, também era essa evidência de que o futuro não nos pertence, o que tiver de ser será.

Uma canção como “Que Sera Sera”, da autoria de Jay Livingstone e Ray Evans, atravessará todos os tempos.

Amiúde ouvimo-la, cantada em coro pelos adeptos, nos estádios ingleses de futebol.

Doris Day tem hoje 87 anos.

Como dizia o velho Groucho Marx:

Conheci Doris Day quando ela ainda não era virgem.