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terça-feira, 6 de março de 2018

OLHAR AS CAPAS



O Tear da Casa

Marta Cristina de Araújo
Com um desenho de Ângelo de Sousa
Colecção Alegria Breve nº 5
O Oiro do Dia, Porto, Novembro de 1981

A morte construi-se rápida reluzente por detrás dos taipais. Nunca
me disseram      podia ter sabido      a casa dantes habitada fora destruída
e dela só haviam aproveitado os materiais ainda resistentes.       O granito
Certas madeiras as mais caras.      Outra dos caixilhos queimaram-na os
operários no aquecer das suas comidas.     Devem ter passado dois
invernos depois do vazio e certamente se juntavam muitas vezes durante
os intervalos ou pequenas fugas.       Falariam de quê?      De como decorria
a construção da morte     dos pormenores tanto-fecho-nas-portas         do
pequeno salário      quem sabe se ainda recordavam alguns dos antigos
habitantes e diziam obrigaram-no-a-mudar-foi-para-longe-as rendas-têm-
-subido-no-centro-da-cidade.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

OLHAR AS CAPAS


Os Meios de Transporte

Marta Cristina de Araújo
Desenho de Escher
Capa: Armando Alves
Colecção Pequeno Formato nº 40
Asa Editores, Porto, Março de 2004

À tua frente
silenciosamente
chegou o dia.

Já não vemos a cidade
o rio que passa perto
os amigos vozes barcos
confundidos na distância

Basta uma porta de exílio
todo o mundo lá ficou.
Onde longe sem fronteira
morta a memória da estrada?

Agora  nada nos prende
Ninguém nos espera mais:
No abandono dos outros
Deixámos o nosso amor

- resto de pão dividido
cada metade é a fome.
Conheço velha a que trouxe
levo comigo a que dou.

Ao teu lado
silenciosamente

chegou o dia.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

OLHAR AS CAPAS


Hexagramas, Depois de Finisterra
Marta Cristina de  Araújo
Capa de Armando Alves
Colecção O Oiro do Dia nº 57
Editorial Inova, Porto, Janeiro 1980

O perigo é companhia para o soberano
que instalou seu trono sobre a dinastia
seu projecto (recto) vem do longe donde
se ameaçam o riso o corpo o movimento
o segredo (segrego) a fala o linguajar
do dia anterior continuadamente.
Nem todos são os súbditos, quem o conduziu
ao trabalho do quotidiano (ano) inquieto
entre o sono iniciado tarde nas manhãs?

Breve é o receio de (o meio) deslocar-se
da paisagem mar apreendida extensa
entre o fio a fio assíduo da janela.
O momento é pouco para olhar as tintas e a criança
acode à chamada urgente (gente) dos vizinhos
Surpreende (prende) o plano do levantamento
apropriado à sede (sede da melancolia)
no curso das leis seu código fechado
em área de confusos (usos) dos lugares.

Não é de desistência ainda o tempo
de há muito em sua mão a rédea de colares:
eu estou aqui segura e cúmplice
nada pretendo (entendo) além do encadeado
de anéis colhidos (escolhidos) devagar.
Talvez seja amor o medo da assistência
talvez seja amor a culpa de não ter
o objecto (o ente) predilecto que refaz
solene esta alegoria do frágil (ágil) vidro
e nos separa (pára) à margem do poder.