sexta-feira, 31 de agosto de 2012

HOJE HÁ LUA AZUL


Segundo os astrólogos, a lua desta noite vai ser azul, porque é lua cheia e acontece duas vezes no mesmo mês, fenómeno pouco comum.

Desde 2000, só houve sete luas azuis, a última foi em Dezembro de 2009.
A primeira deste mês ocorreu no dia 2, hoje, por volta das 19h47, acontece a segunda.

A próxima será em Julho de 2015.

Mas o que é uma lua azul?

O Google avança uma explicação, mas para ter uma outra ideia, o melhor é ouvir aquela velha canção que o Elvis popularizou, precisamente Blue Moon, brilhantemente revisitada pelos Cowboy Junkies, versão que não é do agrado de muita gente.

Como isso não acontece comigo, fui buscá-la. 

Ainda por luas azuis, para quem acredita em ciganas, fica, também, uma Lua Azul cantada pelo Léo Romano, uma velha canção dos finais dos anos 50, que eu ouvia no velho Blaupunkt , a válvulas, que havia em casa do meu pai.

Podem  chamar-me piroso mas importo-me pouco. Mesmo nada.

Então boa lua azul e aproveite para beber um copo.

Por mim, fico com um longo gin-tonic.


DA MINHA GALERIA


Richard Gere faz hoje 63 anos.

À LUPA


O ministro Victor Gaspar apresentou à troika novo plano de cortes
Documento apresenta uma forte redução da despesa pública que irá ser levada a cabo nos próximos dois anos.

PODIA DAR-LHE PARA PIOR...


Quando estou na fila das caixas do Minipreço, olho as capas das revistas que estão nos escapartes, passo os olhos pelas enormes fotografias, pelos títulos e há muito concluí que há um país de faz de conta, um mundo de gente que desconheço por completo: não sei o que fazem mas certamente serão a nata deste país-da-tanga., um mundo que será aquele mundo colorido de que, amiúde, nos fala Passos e Portas, Gaspar e Borges.

A passar uns dias na casa de praia de uns amigos, dando uma passeata, o médico diz que tenho de emagrecer dez quilos, deparei com uma série de revistas, espalhadas junto a um contentor do lixo.

Por mera brincadeira não resisti a levar aquela tralha para casa, perder um tempinho a olhar o tal outro mundo.

Pensava que me iria divertir.
Errado!

Fiquei no limiar do vómito.

As revistas dão pelos nomes de Caras, Lux, Vip, Tv7Dias.

Todas dão conta das imensas e variadas festas das noites algarvias.

Por favor tomem boa nota de que as apertadíssimas regras desta gente a armar aos cucos determina que a saison é apenas entre 25 de Julho e 14 de Agosto, e quem fôr apanhado fora destes dias , não é jet-set, é aquilo a que eles chamam populaça, aquela gentinha que tenta sobreviver no outro mundo , o mundo que não é o deles.

Todas as páginas das revistas estão repletas de fotografais com gente sorridente, bem vestida, bem calçada, jóias por tudo o que é sítio, flûte na mão ao ponto que, numa das festas, a Cuca Roseta se juntou em palco ao The Stones, o grupo tributo da banda, e fluiu tudo muito bem, disse Cuca Roseta ao repórter e há fotografias da Elsa Gervásio, Maria Herédia, José Luís Arnaut, Raquel Strada, Rita Andrade, Isabel Figueira, Vera Roquete e José Manuel Trigo, Javi Gabriel, Raquel Rocheta, Claúdia Jacques, Rosa Maria, Eugénio Campos, Fernando Gouveia, Bibi Pita, Mila Aires, Elsa Matias, Fernando Hipólito, Sissi Prata, Nuno Duarte, Isabel Maya, Patricia e Maria Helena da Silva, Cristina e José Lisboa, Katerina Romanow, José Álvaro Caneças, Ana Calheiros, Bebé e José Mesquita. Marta Leite Castro, Pina Braga, Francisco Deslandes, Isabel Girão, Frederico e Ana Rita Mendes de Almeida, Margarida Ibérico Nogueira, Rita e Filipa de Botton, Maria de Jesus e Carlos Beato, a Sandra Cachide, o Quintino Mardu Madjaica, Mituxa Jardim, Cristina Toscano Rico, a Pureza Magalhães, a Sandra Baía e que Merche Romero, já não sei se na festa da Caras, ou se na festa da Remember Casa do Castelo, ou na festa do Summer Guilty Beach Club, ou  se no Gigi, encontrou  a mãe e as irmãs do CR7, vulgo Cristiano Ronaldo, e ficaram todas muitos felizes e até o banqueiro Ricardo Espírito Santo apareceu na Festa da Música da Herdade da Comporta e teve o cuidado de dizer à reportagem que mesmo em férias é completamente impossível desligar-me do que se passa no país. Temos muitos amigos em Portugal que estão a passar por dificuldades e temos de estar disponíveis.

Bom, mas se pensam que nesta pasquinada revisteira só aparecem as festarolas do jet-set fiquem a saber que também há outras notícias desse mesmo jet-set, notícias que nos dizem que o José Carlos Pereira e a Liliana Aguiar andam juntos em festas, os amigos confirmam que existe namoro mas o casal  nega, que Filipa de Castro diverte-se no Algarve na companhia do “ex”, que depois da separação de Sofia Ribeiro, Nuno Janeiro volta a encontrar o amor ao lado de Inês Trindade, também um ultimato de Fernando Póvoas que exige que a ex-mulher de Vitor Baía abandone a sua casa até ao fim do mês, que Claúdia Jacques está  apaixonada pelo bailarino Maxoliveira 14 anos mais novo, que  a auto denominada escritora Margarida Rebelo Pinto, acompanhada por Miguel Pais do Amaral diz que gosta mais de festas de sunset do que sair à noite, que aos 33 anos Cláudia Vieira tem um corpo invejável e tonificado, fruto de muitas horas passadas no ginásio, que Andrea Vale nega reconciliação com Nuno Santos mas passa fim de semana com o ex-marido, que Isabel Angelino e Angelo Rebelo namoram no Algarve antes de partirem de férias para o Vietnam, que José Maria Tallon acaba namoro mas Raquel diz que ainda o ama, que Passos Coelho passa férias na Manta Rota mas o número de seguranças aumentaram em relação ao ano passado, que Raquel Strada reencontrou o amor ao lado de Miguel Costa, jogador da selecção nacional de Corfebol,  que Ana Carreteiro e Tiago Vieira vão ser pais de uma menina que se vai chamar Maria do Mar, que Luciana e Yannick Djaló estão em guerra aberta, queixa contra ela por assalto a casa.com a família dela: a dizer que  ele encomenda meninas, gasta 5 mil euros na noite e tem dividas ao filho, mas Ana Sofia a “ex” do jogador diz que é tudo mentira e que as celebridades não abdicam dos animais de estimação nas separações e divórcios, os filhos talvez sim, mas os animaizinhos… é que não, e ainda a VIP a revelar que Cinha Jardim fez noda intervenção estética: sugestiva.

A socialite, de 55 anos, entregou-se aos cuidados do cirurgião plástico Francisco Ibérico Nogueira há cerca de um mês com o objetivo de rejuvenescer o rosto. O resultado foi visível na festa de inauguração do Meo Spot, em Portimão, dia 27, na qual Cinha Jardim esteve acompanhada pelas filhas, Pimpinha e Isaurinha,e onde se mostrou "satisfeita" com a nova imagem.

Confusos?

Agoniados?

É bem provável,  mas eu vi tudo com estes que o fogo há-de devorar.
Dizem-me que estas revistas vendem-se como pãezinhos quentes, são largamente devoradas, até por gente que quase não tem dinheiro para comer mas que não dispensa a compra deste lixo.

Talvez por isso muitos deles, muitos mesmo, não tomam a devida atenção ao que o governo anda a fazer.

Quando derem por isso é tarde. Mesmo muito tarde

O Governo agradece.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

POSTAIS SEM SELO


Enfim, menina, tenho experiência, conheço o mundo. Podeis entreter-vos a pedir a todos os passageiros do navio que contem a sua história, e não encontrareis um só que não maldiga a sua vida e se não julgue muitas vezes o mais infeliz dos homens. Se assim não for, deitem-me ao mar de cabeça para baixo.

Voltaire em Cândido, Publicações Europa-América, Lisboa Agosto de 1973

OS CROMOS DO BOTECO

OLHARES


O campeonato da Europa de futebol, realizado na Ucrânia/Polónia, há já umas largas semanas que terminou, mas o negócio dos cromos, à porta da Estação do Rossio, é que não.
As vezes que por lá passo, raramente encontro miúdos, apenas vejo avós, ou pais, de lista na mão, na esperança de, finalmente, completarem as cadernetas.
Porventura gozam mais que os putos.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS


Anúncio publicado num Expresso de há muitos anos.

PECADO


Nas aldeias antigas, as mulheres do campo
esperavam o princípio da tarde para correrem
no meio das searas, em busca de uma clareira
onde se pudessem despir, para que o sol,
descendo à terra, as pudesse possuir. O fogo
que nascia dos seus lábios pegava-se à erva,
e durante um instante toda a seara ardia,
sem fogo nem fumo, apenas com o desejo
que se soltava da sua boca, e ia apagar o sol,
nas tardes em que a noite caía mais cedo.

Espreitei essas mulheres quando voltavam
das searas, e nos seus olhos traziam um cansaço
de amor. Acompanhei-as às suas casas, e vi-as
deitarem-se contra a parede, olhando os seus
rostos no espelho que as velhas seguravam.
Tinham no rosto um princípio de melancolia;
mas diziam-me que a noite resolveria tudo,
quando a sua cabeça se enchesse de sonhos.
«Que queres daqui?» perguntavam-me. E eu
pedia-lhes que me guardassem a imagem
do espelho, em que a eternidade se dissipa,
como o seu sorriso no rescaldo do prazer.

Nuno Júdice

Legenda: fotografia de Katie Lipovsky

CINEMATECA: ANTEVISÃO DE SETEMBRO


A programação volta cheia de sessões fortes em Setembro, com uma retrospectiva da fundamental obra do brasileiro Glauber Rocha, um Ciclo dedicado à luminosidade de Marilyn Monroe, a evocação no cinema da obra literária de Antonio Tabucchi (em sessões apresentadas por Inês Pedrosa, António Mega Ferreira, Jorge Silva Melo, Clelia Bettini e Augusto M. Seabra), o cinema experimental de Stephen Dwoskin e o assinalar de duas décadas de trabalho do festival Curtas Vila do Conde (com filmes de José Miguel Ribeiro, João Nicolau, Miguel Gomes, Basil da Cunha, Matthias Muller, Christoph Girardet, Sandro Aguilar, Daniele Cipri e Franco Maresco, João Salaviza e Norberto Lobo, Gabriel Abrantes).

Na reabertura, a sessão especial das 21h30 do dia 1 propõe “The Big Parade” de King Vidor com acompanhamento ao piano por Gabriel Thibaudeau. A primeira matiné do mês, às 15h30 de dia 3, decorre sob o signo do verão de Bergman com “Sommarlek”. Entre as muitas propostas dos programas “Primeiro Século do Cinema” dos sábados, destacam-se as exibições da cópia restaurada do título italiano “La Moglie di Claudio” realizado em 1918 por Gero Zambuto (no dia 15); “Face” e “The Velvet Underground in Boston” de Andy Warhol (também a 15); ou o raro título soviético de 1948 “Skazanie o Zemlie Sibirskoi / O Canto da Terra Siberiana”, de Ivan Pyriev (programado para dia 29).

Seis sessões evocam “In Memoriam” as atrizes Celeste Holm e Isuzu Yamada, o ator Ernest Borgnine, Chris Marker e Gore Vidal. A “Abrir os Cofres”, Paulo Filipe Monteiro apresentará “A Mãe” e “A Sagrada Família” e “A Comédia de Deus”, de João César Monteiro, nas sessões das 19h de 11 e 13 de setembro. A comédia britânica “The Man in the White Suit” (Alexander Mackendrick, 1951) é projetada às 21h30 de dia 19 antecedida de uma apresentação de Alberto do Nascimento Regueira no contexto do programa “Não O Levarás Contigo – Economia e Cinema”.

 As “Histórias do Cinema” são em setembro protagonizadas por João Mário Grilo, que escolheu e apresentará cinco sessões à volta de um tema, “Cinegeografias”, a decorrer na última semana do mês.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

À LUPA


Nos primeiros sete meses deste ano, a receita fiscal do IVA foi inferior à obtida no mesmo período do ano passado, com taxas do IVA mais baixas. Ou seja, com as taxas do IVA mais baixas obtêm-se melhores receitas fiscais. Sugar as pessoas até ao osso não reduz o défice. Antes pelo contrário.

Tomaz Vasques, no I

UM PASSEAR PELOS TEMPOS


No dia 28 de Agosto de 1963, nas escadas do Lincoln Memorial, em Washington, Martin Luther Kink dizia ao mundo que os negros tinham um sonho, um sonho que, lentamente, muito lentamente, caminha caminhando para um dia, finalmente, se tornar realidade. 

Eu ainda tenho um sonho.
É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.
Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.
Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.
Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.
Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu carácter.
Eu tenho um sonho hoje!
Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos.
Eu tenho um sonho hoje!
Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.
Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade.

MARCADORES DE LIVROS

FRAGMENTOS


Possivelmente, Marilyn Monroe fez mais esforços para ler o Ulisses de James Joyce do que muita gente que diz que o leu e nunca acabou, ou sequer começou.

Por mim falo e digo que nunca o acabei e poucos esforços tenho feito para que lhe conheça o meio quanto mais o fim.

Em 1999, o exemplar de Ulisses que pertenceu a Marilyn Monroe, foi vendido por 7100 euros num leilão da Christie's.

A sua biblioteca era constituída por perto de quinhentos livros.

O já citado Ulisses estava por lá, e tinha por companhia obras de Dostoievesky, Jack Kerouac, Yeats, Samuel Beckett, Tolstoi, Walt Whitman, Rainer Maria Rilke, Bernard Shaw, Ernest Hemingway, Tennessee Williams, D.H. Lawrence, F. Scott Fitzgerald, John Steinbeck.

Marilyn Monroe deixou um inventário que inclui fotografias, recortes de jornais, poemas, frases, cartas, notas várias.

Os papeis e fotografias datam de 1943, e vão até aos dias que antecederam a sua morte.

Parte de todo este material foi publicado em livro, no final do ano passado, nos Estados Unidos. Os editores chamaram-lhe Fragments: Poems, Intimate Notes, Letters.

Do mundo de lendas que sempre envolveram, e envolvem, Marilyn, conta-se que um dia, em conversa com um amigo, terá tirado do bolso, um pequeno diário de capa vermelha a que chamava o seu livro de segredos.

Nesse livrinho, entre muitas outras coisas, falava dos planos de Kennedy para matar Fidel de Castro, de testes atómicos, das relações de Frank Sinatra com a Máfia, do movimento dos negros pelos direitos de igualdade, conversas que Marilyn ouviu enquanto conviveu com os Kennedys.

Naturalmente este livro de segredos não consta de Fragments: Poems, Intimate Notes Letters.

Diz, quem já o leu, que Fragments, não é a essência da literatura,  mas permite concluir que Marilyn não foi, exclusivamente, a loura burra que que a indústria de Hollywood construiu e impingiu à opinião pública de todo o mundo.

Um símbolo sexual torna-se um objecto. Eu detesto ser um objecto disse a actriz.
O escritor António Tabucchi  (1943-2012), escreveu o prefácio para a edição francesa do livro,  e observa:

No interior deste corpo vivia a alma de uma intelectual e poeta de que ninguém tinha um pingo de suspeita.

Nos filmes que Billy Wilder realizou com Marilyn, opinião minha, os melhores dos seus filmes, a actriz fez a cabeça em água a Wilder, mas este sabia o diamante que tinha entre mãos:

Penso que ela é a melhor actriz cómica ligeira que temos no cinema hoje em dia, e qualquer pessoa sabe que a comédia ligeira é o mais difícil dos estilos de representação.

Deus deu-lhe tudo.

Obviamente que Billy Wilder, sabia do que falava.

No diário das filmagens do Let’s Make Love , Marilyn confessava:

De que é que eu tenho medo? Porque é que tenho tanto medo? Porque penso que não sei representar? Sei que sei representar, mas tenho medo. Tenho medo e sei que não devo ter, e não quero ter. Mas tenho.

Em 1948, Tom Kelley fotografou-a nua sobre veludo vermelho, que daria lugar ao celebérrimo calendário das paredes de todas as garagens do mundo.

Quando muitos anos mais tarde, um jornalista perguntou-lhe se ela não se envergonhara da ousadia de ter posado para Tom Kelley, Marilyn respondeu:

Tinha fome!

E, sarcasticamente, não deixou de acrescentar:

Porquê? Não gosta do vermelho?

Sabe-se, ou pensa-se que se sabe, que todos morremos a cada dia que passa.

Mas os dias de Marilyn foram tecendo o suicídio organizado em que a sua morte se transformou.

O tal seu livro dos segredos, o livro de capa vermelha, constituía material demasiado perigoso para que, impavidamente, o clã kennedyano assistisse à possibilidade de se tornar público.

Tenho a certeza de que acabarei louca se continuar a viver neste pesadelo, terá dito a actriz naqueles seus tempos de depressão, que irão culminar na noite em que tomou todos os tubos de comprimidos que tinha e não tinha, tal como sugere Ruy Belo no poema que dedicou à sua morte.

Poderá perguntar-se:

Tomou?

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS

POSTAIS SEM SELO


Com tempo e paciência as folhas de amoreira transforman-se em vestidos de seda.

Provérbio chinês

Legenda: Ava Gardner, dentro de um vestido de seda, em The Killers de Richard Siodmak

domingo, 26 de agosto de 2012

O DINHEIRO NÃO É O MAIOR BEM


Está um domingo sem ciclistas.
Não tenho um tostão no bolso
mas há tabaco e os jardins.
Se o milionário Rockfeller fosse vivo,
a esta hora estaria aflitíssimo
com o caso do petróleo e do Canal do Suez.
Morreu na mesma e nesse dia
eu li a notícia de perna cruzada
a tomar um café satisfeito,
numa esplanada com muito Sol.

Eduardo Valente da Fonseca em Mitologia do nosso Cotidiano

À LUPA


A programação da RTP1 custa cerca de 70 milhões de euros. E a da RTP2 anda à volta de 20 milhões. Mais 4 ou 5 milhões para as rádios públicas. Ou seja, os custos de grelha dos ainda canais estatais custam menos de 100 milhões por ano. O valor que os portugueses pagam ao Estado, na Contribuição Audiovisual, na fatura da eletricidade, é de 140 milhões. Ou seja, o somatório do que cada português paga ao Estado todos os meses dava para manter os custos de programação dos canais e ainda sobram 40 a 50 milhões de euros anuais. Mais os 30 milhões de euros que o privado arrecadar com, entre outras, a receita publicitária, decorrente de 6 minutos de publicidade por hora existentes na RTP1 (ou 60 milhões se o Estado decidir permitir ao novo operador o mesmo número de minutos de publicidade que à SIC e TVI).

Nuno Azinheira, Diário de Notícias.

DO BAÚ DOS POSTAIS


Foz do Arelho.

sábado, 25 de agosto de 2012

QUOTIDIANOS


 Uma mulher de 46 anos foi atacada na sexta-feira à noite, em casa, em Matosinhos, pelo cão do filho e morreu.

A mulher foi mordida na garganta por um cão de raça potencialmente perigosa, uma mistura de leão da rodésia e pitbull.

Só estava ela e a minha avó, que se encontra em casa. Quando eu cheguei, ela já estava morta", conta a filha da vítima. Sei que ela estava a sair do quarto da minha avó e vinha a comer um pão. O cão fez-se ao pão, a minha mãe fez-lhe frente e ele atacou-a.
O cão tinha o vício de rosnar, mas obedecia muito bem a mim e ao meu irmão. Também não fazia mal à minha avó, mas não obedecia à minha mãe, disse a irmã do dono do cão.
Este é assim o segundo ataque mortal de cães perigosos em apenas duas semanas, depois de na semana passada um dogue-argentino ter atacado uma criança de 20 meses, também na zona do Porto.

MORE DIRTY DANCING


DIRTY DANCING


DA MINHA GALERIA


Escolher un filme para enfrentar mais uma tarde de sábado, sábado de Verão.
O filme não é desse tempo, mas é como se voltasse, ao alto da Penha de França, para ver os filmes que corriam na esplanada da Cervejaria Portugália.
Dá para acreditar?
Acreditem mesmo.
Não lia legendas, não ouvia o som, apenas imagens a correr lá ao fundo.
Gosto de bailes e saíu este da estante, Dirty Dancing, a história do Mickey e da Sylvia.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

OS CROMOS DO BOTECO

OLHAR AS CAPAS


Natal Macabro

Lionel White
Tradução Fernanda Pinto Rodrigues
Capa: Lima de Freitas
Colecção Vampiro nº 278
 Edição Livros do Brasil, Lisboa s/d

Parece-me que o Hubert Pringle é um grandíssimo mentiroso. Quando lhe perguntei quem era o tipo que fez de pai Natal, respondeu-me que se tratava de um vadio que encontrara na rua.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

MARCADORES DE LIVROS

MERLIOT MARILYN



Com Marilyn, é um fartar vilanagem de gente a encher os bolsos de dólares, agarrados à imagem, às lendas que da actriz ficaram.
  
 Authnetics Brands Group , sediada em Nova Iorque, comprou todos os direitos sobre a imagem e o espólio de Marilyn.

Já publicaram diversos portfólios, entre eles o de Bruno Bernard, diversos produtos com a marca de Marilyn, e eis que chegam ao vinho: um Merliot Marilyn.

Marilyn Monroe foi inspiração para o nome do vinho, que traz para cada colheita, uma foto diferente da diva no rótulo.

O vinho é um Merlot produzido pela Nova Wines, da Califórnia.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

POSTAIS SEM SELO


Devemos andar sempre bêbados. Tudo se resume nisto: é a única solução. Para não sentires o tremendo fardo do Tempo que te despedaça os ombros e te verga para a terra, deves embriagar-te sem cessar. Mas com quê? Com vinho, com poesia ou com virtude, a teu gosto. Mas embriaga-te. E se alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre as verdes ervas duma vala, na solidão morna do teu quarto, tu acordares com a embriaguez já atenuada ou desaparecida, pergunta ao vento, à onda, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo o que canta, a tudo o que fala, pergunta-lhes que horas são: «São horas de te embriagares! Para não seres como os escravos martirizados do Tempo, embriaga-te, embriaga-te sem cessar! Com vinho, com poesia, ou com virtude, a teu gosto.

Baudelaire

Legenda: Scarlett Johansson em Vicky Cristina Barcelona de Woody Allen

DO BAÚ DOS POSTAIS

terça-feira, 21 de agosto de 2012

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS


Há tasqueiros simpáticos.
Vão de férias e deixam um apertado abraço aos seus queridos clientes

O'NEILL



Começo de Alexandre O’Neill Uma Biografia Literária de Maria Antónia Oliveira (1):

No dia em que Alexandre O’Neill morreu, 21 de Agosto de 1986, Lisboa estava, como é costume da época, deserta e encalorada. Os portugueses tinham debandado para o Algarve. Portugal entrava na CEE e saía da crise económica. As Amoreiras acabavam de ser inauguradas. Mário Soares era presidente da República desde Fevereiro, e Cavaco Silva era primeiro-minisyto recente, quase um desconhecido. Os jornais ocupavam-se do acordo ortográfico, do julgamento das FP25, dos efeitos da CEE no Alentejo. Uma nota muito discreta anunciava que o filme de João Botelho Um Adeus Português (título do mais célebre poema de O’Neill) ia representar Portugal na mostra de cinema europeu de Rimini.

De seu nome completo, Alexandre Manuel Vahia de Castro O’Neill de Bulhões, vulgo Alexandre O’Neill, morreu com sessenta e um anos e estava internado desde 16 de Abril, na sequência de um acidente vascular cerebral.

Poeta caixadòclos, esticalarica que se vê considerava-se o maior dos poetas menores, asmático, uma vida permanentemente vivida na corda bamba, um eterno cultor do lugar-comum.

De novo Maria Antónia Oliveira:

«Como conceber Cesário Sem Lisboa? Como conceber Pascoaes sem o Marão», perguntara O’Neill, recordando o poeta de Amarante por ocasião da sua morte: Como conceber O’Neill sem Lisboa, acrescentaremos nós, os do século XXI. A nossa ideia da cidade de Lisboa de segunda metade do século XX ficará indelevelmente marcada pela poesia de Alexandre O’ Neill, tal como Lisboa dos finais do século XIX perpassam os versos de Cesário Verde.

Numa entrevista, ao Expresso, deixou bem vincado que a morte é uma fuga definitiva a todas as chatices, e, aos 30 anos escreveu para si o seguinte epitáfio:

Aqui jaz Alexandre O’Neill
um homem que dormiu
muito pouco
Bem merceia isto

Resta deixar um texto seu, extraído de Uma Coisa em Forma de Assim (2)

MULHERES

Aqui estão espraiadas, as mulheres. Viram-se e reviram-se sobre as toalhas para bem se tisnarem por todos os lados. Trazem sacos e maridos para a areia. E filhos. De repente, sentam-se. Gritam: Ó Luís, ó Bruno Manuel, ó Fernando Jorge, ó Mafalda Sofia, ó Joana Filipa! Maternais e enfastiadas, vigiam os pequenos. Ralham com os maridos como se estivessem a cantar uma canção de trabalho. Querem-nos à Mão.
Entram no mar pé ante pé. Quando a primeira onda lhes dá uma umbigada, soltam um bando de gritinhos. Afoitam-se, cabeça muito levantada para que a cabeleira não se molhe. E, então, começam a sorrir. Não há, nesse momento, quem as arranque do mar. Mas, com a muita, muita água, um pensamento indesejável assalta-lhes as imaginativas cabecinhas: o peixe que, do largo, pode vir, ligeiro, engolfar-se-lhes entre coxas.
Regressam às toalhas, aos guarda-sóis. Chamam, pelos seus nomes aos pares, os pares de crianças. Esbofeteiam-nas, beijam-nas, prodigalizam-lhes sanduíches de areia. Entretanto, os maridos foram dar uma volta.
Mulheres! Afinal sempre sozinhas sob a rosa do sol...

(1)   Alexandre O’Neill Uma Biografia Literária, Publicações Dom Quixote, Lisboa Janeiro de 2007
      (2) Uma Coisa em Forma de Assim, Editorial Presença, Lisboa 1985

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

SCOTT MCKENZIE (1939-2012)

scott

Morreu Scott Mckenzie, aquele que ficará para sempre ligado ao Summer of Love, graças ao imortal “San Francisco (Be Sure To Wear Some Flowers In Your Hair)”. Música muito bem conseguida, apareceu no sítio certo na altura certa, numa época de idealismos puros, onde se apelava ao amor livre e se lutava contra as guerras injustas, ainda se torna mais importante recordar esses tempos, numa época em que parecem querer matar os ideais e transformar tudo em equações matemáticas.
Scott Mckenzie, nascido Philip Blondheim, ficou preso a “San Francisco”, mas a sua obra é mais extensa, a sua amizade com Jon Phillips, autor de “San Francisco” e fundador dos Mammas & Pappas, foi decisiva para a sua carreira musical. No final dos anos 50 e princípio dos 60, integraram alguns grupos como os Smoothies, ainda na onda musical dos grupos  smoothies-99bb0521
vocais dos 50´s, ou dos já mais importantes Journeymen, já dentro do estilo de música Folk.Journey
Claro que “San Francisco” canibalizou quase totalmente o resto da carreira musical de Scott, pouca gente saberá por exemplo que foi um dos co-autores de “Kokomo” dos Beach Boys, mas será uma consequência menor de ter tido um êxito da dimensão daquele que o tornou um dos ícones dos anos 60, especialmente da geração Hippye. Aqui fica a singela homenagem a Scott McKenzie e especialmente a uma época que tantas transformações trouxe ao Mundo.

À LUPA



Relvas é um subproduto de telenovela.

Clara Pinto Correia, Expresso.

Legenda: imagem de O Inimigo Público.

TERTÚLIAS


Esta é a Pastelaria Cister, na Rua da Escola Politécnica, em Lisboa.

Augusto Abelaira que foi um homem de cafés, andou por aqui, nas mesas da Cister, espalhava a papelada em que desenhava os seus livros, as suas crónicas de jornal. Muitos escritores por aqui passaram, O’Neill, Tabucchi, Eduardo Guerra Carneiro, o João César Monteiro, infindável número, outros continuam a passar.

Ainda, aquando da morte de Pedro Ramos de Almeida, José Medeiros Ferreira contou que se encontravam na Cister e ali ficavam a trocar impressões.

Augusto Abelaira considerava os cafés locais de convívio, locais de beleza, locais de trabalho.

Tudo isto no tempo em que havia cafés, havia escritores, havia o maravilhoso prazer de perderem tempo a conversar uns com os outros. Tempos de amizade e respeito uns pelos outros.

José Gomes Ferreira tem, dispersos pelos Diários dos Dias Comuns, relatos desses tempos de tertúlia.

Mas já não há tertúlias de cafés.

Hoje, as pessoas, quando entram num café, apenas dele se servem para tomar a bica, olhar as mensagens do telemóvel, já nem folheiam um jornal, lêem um livro.

A prosa vem a talhe de foice porque, em tempo de releituras, encontrei isto em Bolor de Augusto Abelaira:

Mas não, não era isto que eu queria dizer, pressinto uma coisa mais importante: com os meus amigos e com o meu trabalho sou (descubro hoje) perfeitamente feliz: acho-me inteiramente satisfeito depois de uma hora de conversa com o Aleixo, o Guilherme, o Guedes, o Rui (mesmo quando nada dizemos, como òbviamente sucede quase sempre), acho-me inteiramente satisfeito de pois de uma hora de trabalho. Nesses momentos (sinto que) não falhei – amigos e trabalho dão-me tudo quanto dos amigos, tudo quanto do trabalho é exigível. Essa parte da minha vida é – como direi? – perfeita, está completa em si mesmo, não precisa de comentários escritos, nem de perguntas e, nesse sentido, há uma parte da minha vida completamente realizada, completamente feliz. Nenhuns amigos me poderiam dar mais do que eles me dão, nenhum outro trabalho me poderia dar mais do que ele me dá.

Bolor de Augusto Abelaira, Livraria Bertrand, Lisboa 1968.

DO BAÚ DOS POSTAIS



Para uma mais fácil leitura, clicar sobre a iamgem do texto.

domingo, 19 de agosto de 2012

MARCADORES DE LIVROS

E LUCEVAN LE STELLE


São infinitos os pretextos para beber champanhe, esse néctar dos deuses, tempo de vinhos e de rosas, como tantas vezes citou João Bénard da Costa, ele que também,  disse que ninotckagretagarbo converteu-se ao capitalismo por causa do champanhe.

Diz uma das muitas lendas que envolvem Marilyn Monroe, que um dia tomou banho com 350 garrafas de champanhe, qualquer coisa a lembrar os banhos com leite de Cléopatra.

Num artigo publicado no Público, Vasco Câmara, já chamara a Marilyn, a rapariga cor de champanhe.

A casa francesa JM Gobillard & Fils concebeu o Marilyn Monroe Premier Cru Brut, feito com 50% de Chardonnay e o restante com Pinot Noir e Pinot Meunier, tendo estado em adega por três anos e descrito como um champanhe frutado, sedoso e delicado, um aroma elegante.


Imagine agora, que tem à frente dos olhos uma garrafa de Marilyn Monroe Premier Cru Brut, ouvir aquele estalo cavo da rolha a saltar, o murmurar das primeiras e vibrantes gotas a tombarem lentamente na tal fllûte, onde está estampado um dos muitos belos rostos de Marilyn, contrariar Basílio quando diz a Luísa que horror beber champanhe por um copo, o copo é bom par o Colares, no mesmíssimo momento em que toma uma gota de champanhe e num tempo passa-o para a boca dela, ou a espantada cara de Richard Sherman, quando a sensual jovem que é modelo e sonha ser actriz, lhe diz que, num pulinho já lhe faz companhia, vai só buscar a roupa interior ao congelador, acender um charuto, colocar na grafonola um disco com as canções de Marilyn, olhar a janela, e ver lá no céu a lua disfarçada de quarto crescente.

Não se explicam mistérios, nem sensações, e não se perde mais tempo, Vinicius, em poucas palavras, deixou tudo dito:

Foi um dos seres mais lindos que já nasceram.

sábado, 18 de agosto de 2012

OS CROMOS DO BOTECO

POSTAIS SEM SELO

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A primeira palavra que ouvi  na minha vida  foi «onde vais?»  Num aposento sentados  em sacos de milho eu e minha mãe. 
«Tinha apenas um ano  e não sabia ainda  o que eram palavras  e onde me poderiam levar.»
Elas, as palavras, haviam de levá-lo longe. Só por isso vale a pena recordar.

À LUPA


O silêncio oficial e oficioso sobre tudo isto nas primeiras 24 horas consentiu, por desleixo, no crescimento de um monstrozinho.
O Benfica sofre de défice de… Benfica.

Leonor Pinhão em A Bola.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

SÍNTESE DA FELICIDADE


Há 25 anos morria Carlos Drummond de Andrade.
Uma obra maravilhosa, única, uma estátua no calçadão do Rio de janeiro, este poema, entre milhares que deixou, como


 Síntese da felicidade


Desejo a você...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não Ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.

O QU'É QUE VAI NO PIOLHO


Bushwick, no estado de Nova Iorque, em 17 de Agosto de 1893 viu nascer Mae West.
Talvez nenhum dos seus filmes tenha deixado vincada marca na História do Cinema.
Mas a sua figura sim, a sua voz também e ficaram frases como aquela em que pergunta: tens uma pistola no bolso ou estás apenas contente por me ver, ou ainda: quando sou boa, sou muito boa, mas quando sou má, sou muito melhor.
Anos passados sobre os dias tenebrosos do Código Hays disse:
Acredito na censura. Fiz uma fortuna à conta disso.

OLHARES


Como dizia o Ary dos Santos o amarelo da Carris teve um avô outrora, chamavam-lhe o “chora” e teve um pai americano.

Um resumo assim ao voo do pássaro do que foi a evolução dos eléctricos da cidade.

Em Setembro do ano passado, quando a Carris fez 110 anos, a frota da rede de eléctricos era constituída por sessenta e cinco carros, três ascensores e um elevador.

Desde então, o governo passostroika já eliminou outras carreiras.

Não satisfeitos acabaram, por cometer um crime hediondo: diminuíram o desconto aplicado aos passes sociais para idosos,  que passou de 50% para 25%, e estima-se que perto de 45 idosos deixaram, por isso, de poder comprar o passe destinado à terceira idade.

Os idosos já com mobilidade reduzida viram-se, de repente, impossibilitados de passear pela cidade, visitar os amigos, os familiares, assistir aos campeonatos de sueca nos jardins de Lisboa.

Confinados que ficaram a permanecer em casa, frente a uma televisão que, apenas, os estupidifica
e aliena, sentem-se, cada vez mais, isolados, mais sós. 

Foi possível chegar a isto.

Percorrendo as ruas da cidade vamos encontrando carris dos eléctricos de há muito sem funcionamento. São cerca de sete quilómetros de carril que permanece pelas ruas da cidade.

A companhia diz que a remoção desses carris desativados, é da responsabilidade da câmara que, por sua vez, diz que a responsabilidade pertence à companhia.

Entre gabinetes joga-se este ping-pong.

Aparentemente só um tribunal poderá resolver este contencioso.

Mais uns bons pares de anos.

A cidade tem problemas mais graves que os carris abandonados nas suas ruas, mas são nestes pormenores que se nota que  as gentes que deveriam amar e proteger a cidade, simplesmente a odeiam, a desprezam.

DO BAÚ DOS POSTAIS


Piscina da Praia das Maçãs.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

DA MINHA GALERIA


Uma canção do filme Hawai Azul para lembrar o dia em que há 35 anos o rei nos deixou.
Apenas fisicamente deixámos de ter a sua presença. O resto está tudo aí: canções, filmes, memórias.

POSTAIS SEM SELO


Viajar, num sentido profundo, é morrer. É deixar de ser manjerico à janela do seu quarto e desfazer-se em espanto, em desilusão, em saudade, em cansaço, em movimento, pelo mundo além.

Miguel Torga, Diário, Vol. I, Edição do Autor, Coimbra Maio de 1942.

Legenda: pintura de Anton Pieck.