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sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

MÚSICA PELA MANHÃ


 A quarta canção de (não) Natal é Smile, música de Charlie Chplin e letra de John Turner e Geoffrey Parsons, compost,a em 1936, para o filme Tempos Modernos.

O cantor brasileiro Djavan, no seu álbum Malasia, incluiu uma versão de Smile.

Sorri
Quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos, vazios
Sorri
Quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador
Sorri
Quando o
sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados, doridos
Sorri
Vai mentindo a tua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo
irá supor
Que és feliz.

Da canção há duas versões de que gosto: a de Tony Bennett e a de Nat King Cole. 

Escolhi a de Nat King Cole, foi a primeira que ouvi e  porque A voz de Nat King Cole é um veludo eterno. É tão macia que apetece embrulharmo-nos nela. Ninguém soube cantar como ele – como se respirasses, sem esforço, sem exibição, como se ciciasse aos nossos ouvidos, disse alguém de que não lembro o nome.

Mas lembro que foi João Gilberto quem disse: ele não é preto, não. É azul.

Um cancro nos pulmões levou-nos, prematuramente, essa voz, esse sussurro.

Tinha 46 anos.

quarta-feira, 8 de abril de 2020

PARA ALÉM DO ARCO-ÍRIS



No dia 29 de Janeiro de 2016, escolhi o poema «No Meu Jardim» de Miguel Torga, para acompanhar a pintura que me ocupava nesse dia.

«No meu jardim aberto ao sol da vida,
Faltavas tu, humana flor da infância
Que não tive...

E o que revive
Agora
À volta da candura
Do teu rosto!

O recuado Agosto
Em que nasci
Parece o recomeço
Doutro destino:

Este, de ser menino
Ao pé de ti...»




Ao mesmo tempo que vou pintando, vou cantigando.

Não consigo saber as canções desse dia, mas acontece sempre uma música de que gosto. E batendo à porta de Nat King Cole encontramos sempre mãos cheias de bonitas e inesquecíveis canções.




terça-feira, 24 de março de 2020

DIÁRIO DOS DIAS DIFÍCEIS


Continuam a passar as horas em que não sabemos nada uns dos outros, ou sabemos assim, sem qualquer ponta de gosto, a frieza de um qualquer telemóvel… e cada vez mais andamos para dentro de nós…

Um dia, quando Nuno Júdice regressou de uma viagem deu-nos a conhecer:

«Depois de algum tempo fora, abri o correio
e tirei o mar de dentro da caixa. As algas
acumulavam-se por entre cartas e publicidade;
e uma onda rebentou nas minhas mãos quando
separei a água e o céu, e a linha do horizonte

me apareceu sob uma espuma de pássaros.»

Tempo para Nat King Cole cantar «Smile».


1.

Numa entrevista por Skype, a uma televisão espanhola, o Papa Francisco deixou um apelo às empresas, para não despedirem os seus trabalhadores.

O Primeiro-ministro, ontem, em  entrevista:

«Este não é o momento para fazer despedimentos.»

O Diário de Notícias on-line colocava, esta manhã, em título:

«Começou a onda de despedimentos, lay offs, dispensas e férias forçadas.»

Assim como se não conhecêssemos, de, ginjeira, o nosso distinto patronato.

A superficialidade, a ignorância, a incompetência, a maldade dos nossos empresários, das nossos banqueiros, dos nossos directores disto daquilo e daqueloutro,  são de um tamanho sem medida, e sempre foi uma mentira, de largos anos,  em que tentaram fazer passar a mensagem de que o pais não avançava porque os trabalhadores são de uma aflitiva miséria laboral.

O céu há-de castiga-los, como dizem todos aqueles que acreditam em Deus e não querem gastar dinheiro com advogados.

2.

As Forças Armadas espanholas localizaram vários idosos abandonados que viviam, lado a lado, com cadáveres, em lares da terceira idade.

3.

O primeiro-ministro japonês Shinzo Abe disse, esta terça-feira, que chegou a acordo com o presidente do Comité Olímpico Internacional para adiar os Jogos Olímpicos por um ano, devido à pandemia do novo coronavírus.
Os Jogos Olímpicos de Tóquio tinham data de início para 24 de julho e iriam terminar a 9 de agosto.

4.

A cadeia de supermercados Auchan vai entregar prémios de 20% do salário bruto de Março aos funcionários em Portugal que continuem a trabalhar no âmbito da pandemia da covid-19.

5.

O sector do turismo atravessa uma crise sem precedentes, e com o mundo envolvido num combate sem data para terminar os efeitos de uma anunciada crise começam a fazer-se sentir de forma cada vez mais real.
Diariamente o sector tem vindo a perder cerca de um milhão de empregos.

6.

«Estamos exaustos e o medo tornou-se o nosso companheiro», Antonio Castelli, médico italiano.

7,

Estado paga 100 euros por teste da Covid-19 que pede aos privados.

Ah, sim! Os privados!... Que seríamos nós, sem essa gentalha?

8.

Lembrei-me hoje do meu querido amigo Eduardo Valente da Fonseca e daquele seu tão interessante livro, «Os Criptogâmicos».


«Conheci seres enfadonhos, comi poeira durante anos, assisti à florescência do bolor nas pestanas das pessoas, vi sorrir milhares delas só com a boca e para meu espanto sobrevivi a tudo. Até que um dia despertei voltado para a luz. E nesse momento descobri, com pavor, que vocês não vivem, nem vegetam, nem nascem. Nem morrem. Lutaria milhares de anos para vos ignorar, recomeçaria vezes sem conta a fugir para mil lados para vos perder definitivamente de vista. Oh, sim, em nome das vossas vidas eu poderia suicidar-me milhões de vezes. Lego-vos todo o bolor e todo o tédio com que, minuciosamente, me quiseram matar. Diante de vós, fui e serei sempre o único que sonhou com Deus».

9.

João Lopes, no seu blogue Corvi-20:

«Há qualquer coisa de infinitamente perverso na normalização da contagem diária que o coronavírus instalou no nosso quotidiano: número de infectados, número de hospitalizados, número de mortos... Perverso no sentido primordial da palavra: a perversidade como desvio a uma norma. No limite, acomodamo-nos a esta nova aritmética, desviando-nos da ideia segundo a qual o humano excede qualquer quantificação que o queira integrar.
Reconhecê-lo não salva ninguém, como é óbvio; o certo é que, salvo melhor opinião, também não ameaça a vida seja de quem for. Resta saber se estamos a entrar numa nova cultura das quantidades, com vírus e para além do vírus.»

10.

A Alemanha apresenta um elevado número de pessoas infectadas, mas a taxa de mortalidade é muito baixa. As razões são básicas: a tempo precaveram-se e rodearam-se dos meios necessários para não atingirem o inferno de milhares e milhares de mortos, como em Itália, em Espanha.

A França regista + de 1.100 mortes

A Itália 6.820 mortes

A Itália + 6.820 mortos

A Espanha 6.582 mortos

Portugal: 33 mortos

Em todo o mundo já se registam 18.580 mortes.

11.

Todos gostaríamos de, face a esta tragédia que se abateu sobre o mundo, que não estivéssemos sujeitos a verdades inventadas.

Ao mesmo tempo… escrever para suportar a angústia das noites. 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

OLHARES


Não lembra bem, mas um dia o pai mandou lá ir a casa um amigo fotógrafo para que tirasse retratos à família, uma casa em que viviam os pais, a irmã, um avô paterno, uma avó materna.

Na foto, ele está a ler em tempo de pose fotográfica.

Na biblioteca do pai, a estante que se vê era a da literatura inglesa. Mandou a mão e saiu um qualquer livro para tirar o boneco, ele que nem sequer sabia ler bem o português, exercitava-se na leitura de A Bola, ao tempo trissemanário, que há dias fez 75 anos e ele os fará em começos da Primavera que vem a caminho, quanto mais o inglês.

Um esgar de flash da máquina do fotógrafo aparece reflectido no velho Nordmend, comprado pelo pai, em suaves prestações, e onde, espantados e felizes, o primeiro programa que a família viu, foi um Nat King Cole Show.

Reconhece, hoje que desses Nat King Cole Show de então, alguma coisa ficou para mais tarde ter aprimorado o gosto por crooners.

Nesse mesmo Nordmend viu a final da 1ª Taça dos Campeões Europeus ganha pelo Benfica ao Barcelona, uma transmissão que a determinada altura foi interrompida porque a Eurovisão iria passar a chegada de John Kennedy a Paris.

No topo da estante está um vaso que o «Tio» Valentim, sargento da Armada, que casara, em segundas núpcias com a minha avó paterna, trouxera de Macau, juntamente com um serviço de café.

Curiosamente esse vaso quebrar-se-ia na madrugada de 28 de Fevereiro de 1969, durante o tremorde terra que alvoroçou Portugal, magnitude 8 na escala de Richter, demorou escassíssimos minutos mas pareceram uma eternidade.

Na véspera tínhamos enterrado o meu avõ paterno.

terça-feira, 19 de abril de 2016

O QU'É QUE VAI NO PIOLHO?



Este postal encontrado no baú, faz recordar os anos da adolescência em que não perdia um filme da bela Sarita.
Não vi todos.
Mas os que vi dá para tudo.
Não consigo encontrar a data da estreia de A Dama de Beirute nos cinemas Odeon e Avis, mas vi-o no Lys, com o Mourão, velho amigo já falecido.
E guardo bem o filme Vera Cruz em que Sara Montiel aparece ao lado de dois actores da minha galeria: o Gary Cooper e o Burt Lancaster.
Neste A Dama de Beirute, Sara Montiel canta Perfidia.
Apenas um detalhe: quando se conhece a versão de Nat King Cole tudo o resto sabe a pouco.


sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

NATALIE COLE (1950-2015)



Natalie Cole morreu no último dia do ano.
Era filha de Nat King Cole.
Stephanie Natalie Maria Cole tinha 65 anos. Sofria de Hepatite C e eram conhecidos os problemas relacionados com o consumo de álcool e drogas.
Esta é a capa do disco Unforgettable With Love, em que canta clássicos, muitos deles conhecidos através da interpretação do seu pai.
A última faixa do disco é Unforgettable em que, graças às novas tecnologias, aparece a cantar, em dueto, com o pai.
E até aprece que estão os dois a cantar em estúdio.
O disco vendeu cerca de 14 milhões de cópias.
Tinha uma voz muito agradável.
Gostava muito de a ouvir.


Nat King Cole, morreu a 15 de Fevereiro de 1965, com um cancro do pulmão. Tinha 45 anos. 

                                          

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

OS CLÁSSICOS DO MEU PAI


Quando o meu pai conseguiu comprar, em suaves prestações, um televisor lá para casa, um enorme Nordmend, naturalmente a preto e branco, o primeiro programa que, espantados e felizes, vimos, foi um Nat King Cole Show.

Suponho que foi aí o meu pai agarrou o gosto pelo velho Nat.

Foi ele quem comprou todos os Eps de Nat King Cole a cantar em espanhol e português, discos que fizeram o sucesso dos bailes da casa.

Esses EPs perderam-se pelo caminho, mais tarde recuperei-os, editados em LP, e ainda por aqui moram.

Curiosamente foi a partir desses cachitos, desses quizás, desses perfidia , desses quero chorar não tenho lágrimas, desses ay coisita linda, que, anos mais tarde, passei a conhecer o verdadeiro Nat, o pianista de jazz, mas principalmente o cantor de standards que vira nos tais Nat King Cole Show e considerava uma seca de todo o tamanho.

A voz de Nat King Cole é um veludo eterno. É tão macia que apetece embrulharmo-nos nela. Ninguém soube cantar como ele – como se respirasses, sem esforço, sem exibição, como se ciciasse aos nossos ouvidos, disse alguém de que não lembro o nome.

Mas lembro que foi João Gilberto quem disse: ele não é preto, não. É azul.

Um cancro nos pulmões levou-nos, prematuramente, essa voz, esse sussurro.

sábado, 17 de dezembro de 2011

SODADE


Quando no dia 24 de Setembro, numa entrevista ao Le Monde, Cesária Évora afirmou que, por conselho médico, teria de terminar a carreira e regressava a S. Vicente, sua terra natal, sabia ela, ficámos a saber nós, que o fim não estaria longe.

Há dias, puxei para aqui uma conversa em que a Cise revelava que nunca teve cuidados com a voz, e fumar cigarro e tomar uns copos era uma óptima receita, experiências de uma vida difícil para o sustento diário, andar de navio em navio, de bar em bar, até que José da Silva a levou para França.

Gostava de ter sido reconhecida primeiro em Portugal, mas foram os franceses que a colocaram nos palcos do mundo e guardou sempre essa mágoa que, juntamente com outras, agora, aos 70 anos, partiram com ela.

Viajava sem sapatos na mala e justificava o insólito dizendo quem cantava era Cesária e não os sapatos.

Gostava de Bilie Holiday, Charles Aznavour, Edith Piaf, Nat King Cole, Amália.

Por esse caminho longe, partiu para outras cantorias, tomando um groguinho de Santo Antão, sorrirá ao ouvir o amigo Tito Paris dizer que o artista e o poeta praticamente não morrem. Desaparecem mas não morrem e nós vamos ouvir Cesária até ao fim da nossa vida, ela vai existir com as suas mornas e coladeras até ao último dia das nossas vidas.

Em jeito de lembrança fica aqui uma crónica de Eduardo Pardo Coelho, publicada no Público, quando Cesária Évora foi agraciada com o Grau de Grande Oficial da Ordem de Mérito.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

BAILES DA VIDA



Os Eps de Nat “King” Cole a cantar em espanhol faziam parte dos “Bailes da Vida”. O primeiro foi o que continha o “Cachito Cachito”., a que se seguiu, se bem me lembro o EPP que tinha “Ansiedad”. As vezes que esses discos rodaram.

“Ansiedad, de tenerte en mis brazos
Musicando,... palabras de amor
Ansiedad, de tener tus encantos
Y en la boca, volverte a besar
Talvez este llorando mis pensamientos
Mis lagrimas son perlas que caen al mar
Y el eco adormecido, de este lamento
Hace que este presente en mi soñar
Quizás este llorando al recordarme
Estreche mi retrato con frenesi
Hasta tu oido llegue la melodia selvaje
Y el eco de la pena de estar sin ti.”

Mais tarde comprámos os 3 LPs de Nat “King Cole” a cantar em espanhol.
São 35 canções e, entre outras, podem ouvir-se Maria Helena, Quizás, Quizás, Quizás, Acercate Mas, Noche de Ronda, Te Quiero, Digiste, Aduis Mariquita Linda, Vaya Com Dios, A Media Luz, Solamente Una Vez, Aquelles Ojos Verdes, Perfidia, Ansiedad, Não Tenho Lágrimas.
Inesquecível.