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segunda-feira, 11 de maio de 2026

COISAS EXTINTAS OU EM VIAS DE...


Em viagens ao Porto cheguei a viajar no Rápido e no Foguete.

Noutro tempo, uma reunião que derrapou, perdemos o último Alfa e viemos num lentíssimo comboio que partiu de Campanhã cerca da meia-noite e chegou a Lisboa às seis da manhã.

 A CP chegou a ser uma razoável companhia.

Ainda me lembro dos jardins nas estações e apeadeiros que envolviam concursos e com placa do lugar conquistado.

A CP nos dias que correm, e não estou a falar das ferrovias nas beiras e nos alentejos, é um perfeito desastre.

Pelas esquinas fala-se que está em andamento a entrega das linhas mais rentáveis a privados… fala-se… e, tantas vezes…,  não há fumo que não dê em fogo…

A tentar deitar fora papelada e mais papelada, encontrei este livreco com distribuição gratuita nos, comboios nos «Alfa Pendular», com excertos de «grandes obras literárias» em que os editores presentes na edição são: Babel, Civilização Editora, Editorial Presença, Bertrand Editora, Porto Editora.

Claro que é publicidade paga.

Hoje já ninguém lê, seja o que for, num comboio, apenas dedilham tele-móveis e coisas quejandas.

Mas se com este livreco, pelo menos, alguém foi à procura de um livro, diga-se que nem tudo se perdeu.

Fica também o anúncio que as viagens nos alfas tinham um «toque gourmet».

Hoje, dizem-me, que não há qualquer serviço de bar/snack/cafetaria!...

Ah, e nestas coisas, há sempre um «chef» metido...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

POSTAIS SEM SELO

A vida hoje é outra, a História segue o seu caminho e muita gente há que corre atrás desse comboio só para arranjar lugar na 1ª classe. Nós preferimos fazer parte daqueles que melhoram a via para que o comboio não descarrile.

Autor desconhecido

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

SEGUIMOS NOS SEU CARRIS


«Alguém sai numa estação de comboio enquanto os passageiros continuam a sua viagem: esta pode ser uma imagem da morte. O temo como o vivemos, não permite outras dimensões, seguimos nos seus carris, no seu caminho-de-ferro, até a morte nos deixar num apeadeiro qualquer.»

Afonso Cruz em O Que a Chama Iluminou.

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

POSTAIS SEM SELO


É impossível sublinhar livros no comboio. Ou por outra: possível é, mas as linhas saem tortas, oscilantes, canhestras. Há um grau mínimo de rigor e geometria para o sublinhador de livros. Sublinhados tortos parecem sugerir um pensamento torto. As linhas devem ser direitas como o comboio a sublinhar a paisagem.

Rui Manuel Amaral em Bicho Ruim

Legenda: Imagem Shorpy

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

À LUPA

Existem populações do Alentejo e da serra algarvia estão há dez anos a ver passar os comboios.

A Lupa demora-se numa reportagem de Carlos Cipriano publicada no Público de 16 de Outubro de 2022.

Em Luzianes Gare, apesar do nome da aldeia, já não pára o comboio DR

«É o Estado... o Estado. A culpa é do Estado.” O homem depenica um cacho de uvas e murmura a palavra Estado com uma raiva incontida. Estamos na estação de Luzianes Gare, no concelho de Odemira, um edifício bem preservado, ladeado de plataformas em bom estado, com bancos para as pessoas se sentarem e uma infra-estrutura ferroviária moderna onde pontifica uma linha electrificada, agulhas comandadas à distância, sinais electrónicos, uma torre de telecomunicações. Uma ilha de tecnologia e de modernidade no Alentejo profundo, uma estação no meio de uma povoação que deve o seu nome à existência do caminho-de-ferro: Luzianes Gare.

No entanto, ali não se pode apanhar o comboio.» 

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

NOTÍCIAS DO CIRCO


O título pertence ao Público, para que a província saiba que não é só por aquelas paragens, que a CP acaba com ramais, com linhas, com estações, com comboios.

sábado, 12 de julho de 2025

CONVERSANDO


Em miúdo pensava muito, não eram sonhos, porque não me lembro de sonhar, com barcos, comboios, aviões, moinhos de vento.

Duvido que coisas destas façam, hoje em dia, pensar um único miúdo.

Durante muito tempo fui guardando, num caderno, palavras, poemas, fotografias de barcos, comboios, aviões, moinhos de vento.

Como este poema de Gastão Cruz publicado  no nº 5, Fevereiro de 1960, dos Cadernos do Meio-Dia, coordenação do António Ramos Rosa:

 

Erguem-se os braços como velas altas

como um comboio que largasse a linha

e fosse perseguido alucinado

 

Sobem os braços nos outonos verdes

nas primaveras em que a folha cai

 

Braços com mar por dentro

e sol por fora

que nadam na vida

sem redes nem areia

e são pontes de todos os espaços

 

Braços ontem

nas tardes de hoje e noites de amanhã

quinta-feira, 10 de julho de 2025

GOSTOS


Gosto de estações de comboios, gosto de aeroportos, gostos de portos, o perfume das ruas, as palavras segredadas, a aventura necessária, o amor como um grande rio de margens verdes.

Paul Auster

Legenda: fotografia Shorpy

sexta-feira, 6 de junho de 2025

À LUPA


 «Não nos venham com a eterna conversa que a CP é horrível por fatalismo. Não pode ser. A CP é horrível porque o seu principal accionista, o Estado português, o permite. Da mesma forma que permite as filas intermináveis de pessoas nos serviços de estrangeiros dos aeroportos ou no atendimento a imigrantes ou no crescimento das listas dos utentes sem médico de família. Essa sensação de que o país caminha para o paraíso da balda, onde os direitos básicos dos cidadãos são ignorados, é um perigo que deve ser travado. Simples: se a administração da CP não consegue pôr a empresa a funcionar, escolha-se outra. Se for de todo impossível, privatize-se.»

Manuel Carvalho no Público

sábado, 3 de maio de 2025

À LUPA

«Aprendi a fumar porque preciso de algo a que me ater. Não ouso mostrar-me sem um cigarro na mão. Se estiver a olhar para o outro lado quando a hora da desgraça bater, como poderei evitar ser transformada em pedra a não ser que possa recordar-me de qualquer coisa para fazer que me leve de regresso à simplicidade e segurança da vida quotidiana?»

Elizabeth Smart em Junto à Grand Central Station Sentei-me e Chorei

Legenda: Grand Central Station, Nova Iorque 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

FAZ-SE TARDE...


Éramos muito novos. Nesse ano, julgo que não dormi sequer uma noite. Mas tinha um amigo que dormia ainda menos do que eu, e certas manhãs víamo-lo já a passear diante da estação, à hora a que chegam e partem os primeiros comboios.

Tínhamo-lo deixado, noite alta, à porta de casa; Pieretto dera mais uma volta, assistira realmente ao nascer do Sol, bebera um café. Agora observava as caras ensonadas dos varredores e dos ciclistas. Já não se lembrava das nossas conversas: continuando acordado, tinha-as digerido, e dizia tranquilamente:

- Faz-se tarde. Vou-me deitar.

Cesare Pavese em  O Diabo Sobre as Colinas

sábado, 7 de dezembro de 2024

100 ANOS DO NASCIMENTO DE MÁRIO SOARES


 Os políticos não são gente consensual.

Não o foi Mário Soares, nem Álvaro Cunhal, nem Sá Carneiro, nem Freitas do Amaral.

Foram apenas políticos, algo em vias de completo desaparecimento e que tanta falta nos vai faltando.

Veja-se Cavaco Silva, presente na cerimónia do 25 de Novembro na Assembleia da República, ausente na homenagem que a mesma Assembleia prestou nos 100 anos do nascimento de Mário Soares.

 Legenda: Mário Soares e Maria Barroso, no 25 de Abril de 74, a chegarem, de comboio, vindos de Paris, à Estação de comboios  de Santa Apolónia.

terça-feira, 12 de novembro de 2024

OLHAR AS CAPAS


Davam Grandes Passeios aos Domingos

José Régio

Capa: Francisco Providência

Colecção Brevíssima Portuguesa nº 6

Contexto Editora, Lisboa s/d

O comboio parara finalmente na estação de Portalegre. De novo o cavalheiro amável se dirigiu a Rosa Maria:

- Chegou. Faça favor de descer que eu passo-lhe os pertences.

- Muito obrigada! – disse Rosa Maria descendo.

O cavalheiro amável estendeu-lhe a caixa do chapéu, o embrulho do presente da velha Leocádia para a menina Lá-Lá, e a pequena mala de couro em que Rosa Maria trazia o indispensável para o primeiro dia. A mala grande vinha despachada.

- Muito obrigada! Repetiu Rosa Maria – Tenha boa viagem. Boa noite!

quinta-feira, 8 de agosto de 2024

NOTÍCIAS DO CIRCO

Um país a ver passar os combóis ou, quase sempre, nem isso.

Com o título «CP surpreendida com interferência do ministro nos planos para a alta velocidade» pode ler-se, hoje, no Público, um artigo de Carlos Cipriano: «O governo admite comprar menos comboios do que a empresa ferroviária quer, podendo impedir o objectivo de ter um comboio da CP a cada meia hora na ligação entre Porto e Lisboa.»

Do artigo também se fica a saber que o ministro Pinto Luz diz não ser “saudável para o mercado o Estado investir tanto em comboios».

Miguel Pinto da Luz, Ministro das Infraestruturas e da Habitação de Portugal do verno de Luís Montenegro, vive em Cascais e, bem se lembram é aquele rapaz que, já o governo de Pedro Passos Coelho já quase não era governo vendeu a TAP por tuta e meia.

sexta-feira, 19 de abril de 2024

VIAGENS POR ABRIL


                    Este não é o dia seguinte do dia que foi ontem.

                                                             João Bénard da Costa

Será um desfilar de histórias, de opiniões, de livros, de discos, poemas, canções, fotografias, figuras e figurões, que irão aparecendo sem obedecer a qualquer especificação do dia, mês, ano em que aconteceram.


19 de Abril de 1974

O que acima se reproduz, é a legenda de uma fotografia publicada na 1ª página de O Século, que dava conta que o ministro do interior César Moreira Baptista deslocou-se ao Porto para a tomada de posse do Governador Civil.

«Para a sua primeira deslocação ao Porto como ministro do Interior, o dr. César Moreira Baptista escolheu mais democrático dos meios de transporte ao seu alcance: o comboio. Como um vulgar passageiro embarcou, no rápido das 8 e 40 em Santa Apolónia e, ora entretido na leitura, ora contemplando a paisagem através das amplas “vidraças” da carruagem, “venceu, a distância, chegando ao Porto à hora do almoço, para, durante a tarde e a noite cumprir o programa oficial que ali o aguardava.»

Apenas três pormenores: o repórter invoca o comboio como o mais democrático meio de transporte, o ministro como «vulgar passageiro» e durante a viagem, entretido com a paisagem ou com a leitura.

Mas não diz o que o ministro lia, ele que era um perfeito analfabeto.

A CENSURA determinava para os jornais que eram proibidas todas as notícias a dizer “Traineiras não foram para o mar.” 

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Américo Tomás visita a Barragem da Aguieira

O MINISTRO DO ULTRAMAR, Baltasar Rebelo de Sousa, ao despedir-se de um grupo de alunas do Instituto de Odivelas, que se preparava para visitar Angola, garantiu-lhe que naquelas terras se sentiriam “ainda mais portuguesas perante a lição de patriotismo que as populações de todas as etnias lhes vão proporcionar, pela comunhão humana que ali se respira e pelo entusiasmo galvanizante de todos, especialmente da sua generosa e promissora juventude”

NUMA REPORTAGEM  no Mercado de Alcântara o jornalista do Diário de Lisboa registava as queixas de uma florista de que cada vez se vendiam menos flores. “Só nos sábados é que as pessoas compram um raminho para alindar as casas. As rosas vermelhas estavam a 25 escudos e os cravos, de qualquer cor, a 20  escudos.

NESTE DIA, conta Dinis de Almeida no seu livro «Origens e Evolução do Movimento dos Capitães»:
«Acompanhado do capitão Almeida Pereira, dirigi-me ao C.I.C.A, 4 onde contactei o major Borges.
Posto ao corrente da situação, não aderiu, embora se comprometesse inclusive a colaborar passivamente em tudo o que não o comprometesse directamente.»

sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

OLHAR AS CAPAS


Comboios Com Histórias

Margarida Magalhães Ramalho

Colecção Livros com Fotografias nº 18

Assírio & Alvim, Lisboa, Dezembro 2000

Como nas cartas de amor de uma velha canção, quem não tem recordações de uma viagem de comboio?

quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

OUTROS NATAIS


 Mais sonhos de infância com comboios.

Legenda: imagem Shorpy

quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

OUTROS NATAIS


Uma infância recheada de desejos de um comboio daqueles que aparecem nas salas e garagens dos filmes americanos.   

Legenda: imagem Shorpy

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

A MEDIDA DO MEU TEMPO


Em cada comboio eu sabia que não vinhas, e ainda assim cada comboio era a medida do meu tempo na solidão povoada do meu emprego.

Maria Helena Barreiro em Grifo

domingo, 24 de setembro de 2023

NOTÍCIAS DO CIRCO

 

Um sexto dos bebés nascidos em 2022 são filhos de mães estrangeiras. O impacto crescente do peso das mulheres estrangeiras que têm filhos em Portugal tem ajudado a contrabalançar a quebra da natalidade das portuguesas.

Um estudo encomendado pelo Conselho Económico e Social, sobre o perfil dos utilizadores de "raspadinhas" e níveis de doenças associadas a este tipo de jogo, revela que, em Portugal, “os problemas de jogo com 'raspadinhas' podem afectar 1,21% da população adulta”. Ou seja, as "raspadinhas" implicam problemas de jogo para cerca de 100 mil cidadãos, e 30 mil dessas pessoas “quase de certeza têm doença instalada, ou seja, perturbação de jogo patológico.

Com a fome no mundo a chegar a 735 milhões de pessoas, a insegurança alimentar a espalhar-se por todo o planeta e o propalado objetivo de eliminar esse problema até 2030 a transformar-se numa trágica anedota...

Portugal é o terceiro país europeu que perdeu mais ferrovia: 460 quilómetros e um estudo mostra que Portugal investiu mais do triplo na construção de estradas, entre 1995 e 2018, do que na ferrovia. Mais de 100 mil pessoas perderam acesso a comboios.
Novos casos de Covid-19 têm vindo a subir mas as autoridades dizem não existir motivo para alarme.

Portugal está com uma média diária de dez óbitos por covid-19 e entre 200 a 300 novos casos, números que representam "uma grande subestimação", porque a maioria dos infetados já não reporta a situação.

Legenda: imagem Shorpy