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segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

DISTO, DAQUILO E DAQUELOUTRO


Fidel de Castro não estaria muito longe da verdade quando um dia disse que, democrata, ou republicano, o presidente dos Estados Unidos é apenas isso, sem qualquer tipo de diferenças.

Quase no findar do ano morreu Jimmy Carter que foi um dos piores presidentes dos Estados Unidos.

Dentro de alguns dias terminará a presidência de Joe Biden que se coloca num péssimo desempenho presidencial da dita maior democracia do mundo.

Administração Biden continua reiterar o direito de Israel de se defender “de acordo com o direito internacional e o direito internacional humanitário”.

Ainda agora, os Estados Unidos preparam a venda de mais de oito mil milhões de dólares em armas a Israel.

A guerra israelita em Gaza deslocou quase toda a população de 2,3 milhões de habitantes, provocou uma crise de fome e levou a acusações de genocídio, feitas por organizações de direitos humanos, como a Amnistia Internacional, que Israel nega.
As autoridades de saúde de Gaza dizem que já morreram mais de 45 mil pessoas e receiam que muitas outras estejam soterradas debaixo dos escombros.

Para completar a má presidência, depois de desde o início do mandato, ter ignorado Kamala Harris, Joe Biden, emitiu um decreto presidencial que dá imunidade absoluta ao seu filho, Hunter Biden, contra qualquer acusação criminal — ou condenação em tribunal — relativa a acontecimentos registados na última década. Numa primeira reacção, o Presidente eleito dos EUA, Donald Trump, perguntou, de forma irónica, se o perdão em causa também abrange os seus apoiantes que foram acusados e condenados por causa da invasão do Capitólio, a quem já prometeu amnistias assim que regressar à Casa Branca.

1.

O relatório do Instituto Nacional de Estatística divulgado em Fevereiro de 2024 aponta para que 17% da população, em 2022, estavam em risco de pobreza e
mostra que uma em cada dez pessoas empregadas era pobre e que o risco de pobreza é quase o triplo entre quem tem um contrato de trabalho temporário e quem tem contrato sem termo.

2.

Um grupo de cidadãos, que tem como principais rostos os dois antigos dirigentes maçónicos José Manuel Anes e Paulo Noguês, vão constituir uma associação que pretende ajudar à eleição presidencial do almirante Henrique Gouveia e Melo.

3.

Lido na Antologia do Esquecimento:

PROGRAMÁTICO

«2014: "A vida das pessoas não está melhor mas o país está muito melhor".

2023: "Nós não somos cristãos-novos, nós somos cristãos por convicção."

2024: “Há um país que pulula todos os dias, apesar dos problemas no INEM, que são graves e que nós estamos a resolver."

2024: "Muitas vezes não é preciso que haja muitos crimes para que as pessoas se sintam inseguras."

Cada uma destas frases proferidas por Luís Montenegro dava um ensaio. A primeira revela um homem insensível, a segunda é um claro exemplo de falta de noção histórica, pura incultura, a terceira é típica de mentes irresponsáveis e levianas, a última e mais recente sugere toda uma nova lógica da acção política: actuar sobre percepções para oferecer sensações. Vocês sentem-se inseguros? A gente mete a bófia a encostar pretos e monhés à parede. Talvez assim se sintam mais seguros. Isto é um forte indício ou de racismo ou de xenofobia. Venham as percepções e escolham.»

4.

A fábrica da Tupperware instalada em Montalvo, Constância, vai encerrar a atividade no dia 8 de Janeiro e despedir os cerca de 200 trabalhadores.

Finais dos anos 50, as reuniões que a mãe fazia com algumas vizinhas, com amigas, com chá e bolos secos  sortidos, para compra de produtos Tupperware, tudo gente morta, agora também a fábrica em Constança.

5.

No ano que terminou, mais de 100 militares pagaram para sair da Força Aérea, evidenciando a dificuldade de reter militares nas Forças Armadas.

6.

Desde 2019, morreram 40 pessoas atropeladas por condutores que fugiram.

Mais de 450 pessoas foram em média vítimas de atropelamentos com fuga, em cada um dos últimos seis anos.

 7.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou que não vai ter saudades de ser chefe de Estado e prometeu que jamais vai falar de política na sua nova fase de vida, em que planeia dedicar-se a actividades em escolas básicas e secundárias.

8.

Demência de idosos e realidade fechada dos lares explicam taxa elevada de inquéritos-crime arquivados
Os crimes contra idosos ocorridos em lares só muito dificilmente são provados. Isso leva a que os inquéritos por suspeitas de maus tratos ou negligência dos utentes nestas estruturas residenciais, abertos no Ministério Público, sejam quase sempre arquivados.

9.

A idade legal de acesso à reforma vai avançar para os 66 anos e nove meses em 2026, segundo uma portaria publicada esta segunda-feira, confirmando os valores estimados com base nos dados da esperança média de vida divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística.

Estes 66 anos e nove meses correspondem a uma subida de dois meses face à idade normal de acesso à reforma a partir de Janeiro de 2025.

sábado, 14 de dezembro de 2024

DISTO, DAQUILO E DAQUELOUTRO


 E chegámos a isto!...

1.

O lento caminhar em busca de natais suportáveis. 

Ainda é possível?

2.

Tóquio adopta semana de quatro dias para tentar o aumento da natalidade.
A partir de Abril de 2025, os trabalhadores da administração pública de Tóquio irão trabalhar apenas quatro dias por semana. A medida é mais um dos passos para reverter as baixas taxas de natalidade do Japão nos últimos anos. O país está a caminho do 16.º ano de declínio da população.

3.

As fortunas mundiais superiores a mil milhões de dólares aumentaram 121% entre 2015 e 2024 e o número de multimilionários passou de 1757 para 2682, segundo o relatório anual sobre grandes patrimónios elaborado pelo banco UBS.

4.

De uma crónica Gonçalo M. Tavares no Expresso:

«Um escritor uma vez disso: “Há dois tipos de pessoas. Evite os dois».

5.

Mil dias da invasão russa por terras da Ucrânia.

Lido por aí: concluir que nem Joe Biden, nem a NATO alguma coisa fizeram para evitar a guerra, antes pelo contrário: desejaram-na!

6.

Platão, citado por Mia Couto:

«Há três espécies de homens: os vivos, os mortos e os que andam no mar.»

7.

De uma crónica de Ana Cristina Leonardo publicada no Público:

«O divertissement implica tempo, claro. Um tempo parado, contemplativo, contrário ao tempo da aceleração exponencial. E as brincadeiras dos cães lembraram-me agora uma história. Uma história por demais conhecida. Contava-a António Alçada Baptista:
Andava o Padre Anchieta por terras do Brasil. Com pressa no chegar, pede o jesuíta aos índios que lhe transportam a tralha que sejam despachados no passo. O destino fica longe, a dias de caminhada. No primeiro dia os índios foram céleres, assim como no segundo. Inesperadamente, ao terceiro descansaram. Surpreendido, pergunta-lhes o padre pelo motivo da pausa. A explicação chegou rápida e era simples: “Temos vindo demasiado depressa e a nossa alma ficou para trás. Temos de esperar por ela para podermos continuar”.»

8. 

 


Recorte retirado da página de Economia do Expresso de 22 de Novembro.

quinta-feira, 25 de julho de 2024

É A DEMOCRACIA QUE ESTÁ EM JOGO


Num discurso de 12 minutos, Joe Biden explicou por que razão decidiu sair da corrida presidencial e deixou vincado que é a democracia que está em jogo e que nada pode interpor-se no caminho de a salvar.

«Decidi que o melhor curso de acção é passar o testemunho a uma nova geração, que isso é a melhor forma de unir a nossa nação.«Há um tempo e um lugar para longos anos de experiência na vida pública. Há também um tempo e um lugar para novas vozes, vozes frescas, sim, vozes mais jovens, e esse tempo e lugar é agora».

Ficou por explicar a persistência em não condenar energicamente os massacres de Israel em Gaza, no exacto dia em o ditador Netanyahu provocou um espectáculo indecoroso na sala do Congresso Americano, chamando idiotas aos que em todo o mundo criticam os massacres que diariamente impõe ao povo palestino, enquanto exigia, o envio rápido de mais armas para Israel.

Legenda: congressista norte-americana durante o discurso de Netanyahu.

segunda-feira, 22 de julho de 2024

A FLUTUAÇÂO COM QUE OS AMERICANOS SE DEBATEM...


Como a América, a maior Democracia do mundo, apresenta dois candidatos presidenciais que não oferecem o mínimo de confiança?

 Joe Biden pelos seus 82 anos e os problemas que daí resultam e obrigaram a que desistisse, Donald Trump um vigarista, um aldrabão, um corrupto, um racista, um arrogante, um vaidosos, um inculto, um sabe-se lá mais o quê.

Os democratas terão agora que escolher um candidato para substituir Biden.

Uma tarefa repleta de dificuldades.

Tem sido, agora, apontado o nome da vice-presidente, Kamala Harris, mas não consegue reunir a unanimidade no partido, principalmente das suas elites e o tempo urge e o que era para ser feito em ½ anos, terá que ser feito em meia dúzia de meses.

Se bem que um vice-presidente não tem que ter uma presença constante, antes um trabalho de bastidores, diga-se que Joe Biden, de modo algum facilitou a vida a Harris, acabando por lhe dar a pasta da imigração e o enorme problema com o muro trumpiano que separa o México dos Estados.

Não foi nada feliz, por diversos e variados problemas, esse trabalho. 

domingo, 21 de julho de 2024

E AGORA, ESTADOS UNIDOS?

Joe Biden desiste da corrida presidencial.

Como foi possível chegar a esta situação?

Como foi possível o Partido Democrata ter permitido que Joe Biden se recandidatasse?

Como foi possível que o Partido Republicano voltasse a candidatar  Donald Trump à presidência?

Tempos sombrios para os Estados Unidos. Também para o mundo.

Aqui há muitos anos, na eleição de um presidente democrata para os Estados Unidos, perguntaram a Fidel de Castro a sua opinião.

Não interessa muito, seja quem for, para nós é sempre o presidentes dos Estados Unidos e isso, como se sabe, não trás nada de bom. 

segunda-feira, 20 de maio de 2024

EM BUSCA DE FLORES AZUIS NO DESERTO


«O gabinete do procurador do Tribunal Penal Internacional (TPI), Karim Khan, anunciou que, face a uma investigação em que há motivos suficientes para concluir que foram cometidos crimes de guerra quer do lado do Hamas, quer do lado de Israel, pediu mandados de captura para vários responsáveis dos dois lados.

Do lado de Israel Khan mencionou o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e o ministro da Defesa, Yoav Gallant.

Do lado do Hamas (e o tribunal começou a sua comunicação pelo movimento islamista), referiu-se não só ao líder em Gaza, Yahya Sinwar, e ao comandante da sua ala militar, Mohammed Deif, como a Ismail Haniyeh, o dirigente que vive no Qatar.

Entre os crimes de guerra e/ou contra a humanidade que o procurador diz que os responsáveis israelitas estão suspeitos de ter cometido estão o uso da fome contra civis, causar sofrimento ou usar tratamento cruel, assassínio, ataques intencionais contra a população civil, extermínio e/ou assassínio, incluindo em contexto de mortes à fome, perseguição ou outros actos desumanos.

Do lado do Hamas estão o extermínio, o assassínio, a tomada de reféns, a violação e outros actos de violência sexual, a tortura, outro tratamento desumano e cruel em contexto de guerra.


As reacções de ambos os lados foram rápidas. O responsável do Hamas Sami Abu Zuhri declarou à Reuters que a decisão “faz equivaler a vítima ao carrasco” e, do lado de Israel, o ministro do gabinete de guerra e antigo chefe do Exército, Benny Gantz, declarou que a decisão do procurador é “um crime de proporções épicas”.
O Presidente de Israel, Isaac Herzog, disse que a decisão mostra como “o sistema judicial internacional está em perigo de se desmoronar”, cita o diário israelita Jerusalem Post. “Esta acção representa um passo político unilateral que encoraja terroristas pelo mundo, e viola todas as regras básicas do tribunal.”

Dos Estados Unidos, o secretário de Estado, Antony Blinken, condenou a decisão do gabinete do procurador: “Rejeitamos a equivalência que o procurador faz entre Israel e o Hamas”, declarou Blinken.

Numa nota no site da Casa Branca, o Presidente Joe Biden também bateu nesta tecla depois de considerar a decisão “escandalosa”: “independentemente do que este procurador possa insinuar, não existe qualquer equivalência –​ nenhuma –​ entre Israel e o Hamas. Estaremos sempre ao lado de Israel contra as ameaças à sua segurança.”»

Lido, às 16,00 horas, no Público-on line.

terça-feira, 16 de abril de 2024

EM BUSCA DE FLORES AZUIS NO DESERTO


Caminhando, caminhando sobre pedras.

O presidente iraniano, Ebrahim Raisi , afirmou que Teerão responderá "ferozmente" à "mais pequena acção" de Israel contra os seus interesses, após o ataque de sábado contra território israelita, em retaliação pelo bombardeamento do consulado iraniano em Damasco.

«A mais pequena acção contra os interesses do Irão será recebida com uma resposta feroz, generalizada e dolorosa contra todos os responsáveis», disse Raisi.

O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, clarificou que não pretende uma escalada do conflito no Médio Oriente, mas:

«Não queremos uma escalada, mas continuaremos a defender Israel e a proteger as nossas forças na região», assegurou o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, no início de uma reunião, em Washington, com o vice-primeiro-ministro iraquiano, Muhammad Ali Tamim.

Um outro olhar, talvez , talvez uma certeza: Netanyahu, Gallant e Gantz têm: os Estados Unidos, o maior aliado de Israel, já deixaram  claro que não participarão em qualquer acção de retaliação israelita contra o Irão. «Não faremos parte de qualquer resposta que pretendam dar», disse um alto responsável norte-americano sob condição de anonimato.

No final de uma reunião, em Madrid, com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, face à clareza das ideias de Sanchez sobre a aceitação da Palestina como membro efectivo da ONU, começou a gaguejar, a gaguejar, a gaguejar e que estava à espera de uma decisão da restante comunidade europeia sobre o assunto.

domingo, 7 de abril de 2024

EM BUSCA DE FLORES AZUIS NO DESERTO


A solução de dois estados é a possibilidade de resolver esta longa tragédia.

Mas Israel não aceita. Do outro lado não há (?) força e poder para a impor.

O presidente Joe Biden tem receio dos judeus que vivem na América. O porquê vem lá de trás

Desde 7 de Outubro seis meses de guerra com dados aterradores.

Mais de 33 mil palestinianos morreram, dos quais mais de 12.300 eram crianças, junte-se cerca de 7 mil desaparecidos nos escombros.

A ONU estima que 85% da população de Gaza está deslocada.

Se todo este inferno um dia terminar, esta população deslocada não terá uma casa onde possa viver.

Desde 2012 que a Palestina é considerada pela ONU um Estado Observador. Nos dias que correm pode vir a tornar-se um estado membro de pleno direito.

O trágico drama que se vive em Gaza não é apenas culpa de Israel, mas não poderemos deixar, em fundo de linha, de pensar que é mesmo culpa de Israel.

domingo, 17 de dezembro de 2023

EM BUSCA DE FLORES AZUIS NO DESERTO

Joe Biden tem evitado qualquer crítica direta a potenciais excessos da contra-ofensiva de Israel.

Chama-lhe laços profundos o relacionamento que os Estados Unidos mantém com Israel.

Após o 7 de Outubro, maior se tornou o apoio-quase-cego à infernização que os israelitas têm realizado na Faixa de Gaza.

A cegueira de destruição de Netanyahu  levou a que os militares israelitas tivessem morto três reféns israelitas que confundiram com miliares do Hamas, apesar das bandeiras bancas que transportavam.

O povo israelita começa a ter a noção de que o assassino que os (des)governa tem a ideia única da destruição da população de Gaza em vez  da libertação dos reféns.

De muitas guerras nos lembramos... mas com a brutalidade da que estamos hoje a presenciar, talvez seja difícil encontrar uma outra. Talvez…

A loucura instalou-se nos Estados Unidos ao ponto de considerarem Israel um país democrata.

Jean Genet tem uma célebre frase:

«Odeio a tal ponto a sociedade yankee que, se vomitasse, creio que vomitaria as estrelas da sua bandeira».

terça-feira, 13 de abril de 2021

SERÁ MESMO POSSÍVEL?


No cair da tarde, no aproximar do crepúsculo, leio que Joe Biden não irá dar descanso às empresas que conseguem esconder os seus rendimentos em paraísos fiscais como as ilhas Caimão ou as Bermudas.

O anti-capitalista que sou, contra a propriedade privada me declaro, quero mesmo que os privilégios acabem, levam-me a fazer todas as figas para que o que Joe Biden diz, seja isso mesmo: uma verdade, um pontapé nos mafiosos que fizeram do mundo uma pocilga onde campeia a fome e a miséria.

sábado, 6 de fevereiro de 2021

A COLINA QUE SUBIMOS


Quando amanhece nós perguntamo-nos:

Nesta interminável sombra, onde podemos luz achar?

Esta perda que carregamos, o mar que temos de cruzar.

Nós afrontámos a barriga da besta,

nós aprendemos que a quietude não é sempre paz.

E que as normas e noções do que é justo

nem sempre são justiça.

E no entanto o amanhecer é nosso num ápice,

de alguma forma conseguimos. De alguma forma resistimos

e vimos uma nação que não está quebrada, mas apenas inacabada.

Nós, os herdeiros de um país e de um tempo

em que uma pequena rapariga Negra descendente de escravos

e criada por uma mãe solteira pode sonhar ser presidente

e logo ver-se a declamar para um.

E, sim, estamos longe de ser polidos, longe de ser impolutos,

e isso não significa que estejamos a procurar formar uma união que seja perfeita.

Nós estamos a procurar erguer uma união com propósito.

Formar um país aberto a todas as culturas,

cores, caracteres e condições humanas.

E assim nós erguemos o olhar não para aquilo que nos separa,

mas para o que está diante de nós. Nós vemos o fosso fechar,

por sabermos que para colocar o nosso futuro em primeiro lugar

temos em primeiro lugar de colocar de lado as nossas diferenças.

Nós abandonamos as armas para darmos as mãos uns aos outros.

Nós não queremos dano para ninguém mas harmonia para todos.

Deixemos o mundo, ao menos, dizer que isto é verdade:

que mesmo quando sofríamos, crescíamos;

que mesmo quando doía, tínhamos esperança;

que mesmo quando nos cansávamos, tentávamos;

que estaremos sempre juntos na vitória,

não por nunca voltarmos a sofrer derrota

mas por nunca voltarmos a semear divisão.

As escrituras dizem-nos para imaginarmos que "todos se sentem debaixo da sua própria vinha e        figueira e que ninguém os faça recear."

Se quisermos estar à altura do nosso tempo,

a vitória não estará na lâmina da destruição

mas em todas as pontes em construção.

Esta é a prometida clareira,

a colina que nós subimos se isso ousarmos,

porque  ser Americano

é mais do que um orgulho que herdamos –

é o passado em que mergulhamos e a forma como o reparamos.

Nós vimos uma força que fragmentaria a nossa nação

em vez de a partilhar,

que destruiria o nosso país se adiasse a democracia.

E quase conseguiram.

Mas se a democracia pode às vezes ser adiada,

não pode nunca ser permanentemente derrotada.

Confiamos nesta verdade, nesta fé

porque quando pomos os olhos no futuro

o futuro põe os olhos em nós.

Esta é a era da justa redenção.

Receámos no início.

Não nos sentíamos preparados para ser os herdeiros de tão aterradora hora

mas no seu seio descobrimos o poder

de escrever um novo capítulo, de nos oferecermos confiança e riso.

Assim, enquanto outrora perguntávamos ‘como podemos vencer a catástrofe’,

agora dizemos: ‘como pode a catástrofe alguma vez vencer-nos?’

Não vamos marchar de regresso ao que foi, mas avançar para o que deve ser:

um país que está ferido mas inteiro,

benevolente mas audaz, forte e livre.

Nós não recuaremos ou nos deteremos

ante a intimidação porque sabemos que a nossa inacção

e inércia serão o legado da próxima geração.

Os nossos erros serão os seu encargos

mas uma coisa é certa:

 Se juntarmos perdão com poder, e poder com rectidão,

 então o amor torna-se o nossa herança

 e a mudança um direito inato das nossas crianças.

Vamos pois deixar um país melhor do que aquele que nos deixaram.

Com cada fôlego do meu peito cinzelado a bronze,

nós transformaremos este mundo ferido num mundo maravilhoso.

Ressurgiremos das colinas douradas do Oeste,

ressurgiremos do Noroeste varrido pelos ventos,

onde os nossos antepassados começaram a revolução.

Ressurgiremos das cidades à beira dos lagos dos estados do Midwest.

Ressurgiremos do Sul banhado pelo sol.

Nós reconstruiremos, reconciliaremos e recuperaremos todos os recantos conhecidos da nossa nação

e em cada canto que chamamos nosso país, o nosso povo diverso e belo surgirá fustigado e belo.

Quando amanhecer, nós deixaremos a sombra,

ardentes e sem medo.

Uma nova madrugada floresce enquanto a libertamos.

Porque há sempre luz se formos suficientemente bravos para a ver,

se formos suficientemente bravos para o ser.”

e logo ver-se a declamar para um.

E, sim, estamos longe de ser polidos, longe de ser impolutos,

e isso não significa que estejamos a procurar formar uma união que seja perfeita.

Nós estamos a procurar erguer uma união com propósito.

Formar um país aberto a todas as culturas,

cores, caracteres e condições humanas.

E assim nós erguemos o olhar não para aquilo que nos separa,

mas para o que está diante de nós. Nós vemos o fosso fechar,

por sabermos que para colocar o nosso futuro em primeiro lugar

temos em primeiro lugar de colocar de lado as nossas diferenças.

Nós abandonamos as armas para darmos as mãos uns aos outros.

Nós não queremos dano para ninguém mas harmonia para todos.

Deixemos o mundo, ao menos, dizer que isto é verdade:

que mesmo quando sofríamos, crescíamos;

que mesmo quando doía, tínhamos esperança;

que mesmo quando nos cansávamos, tentávamos;

que estaremos sempre juntos na vitória,

não por nunca voltarmos a sofrer derrota

mas por nunca voltarmos a semear divisão.

As escrituras dizem-nos para imaginarmos que ‘todos se sentem debaixo da sua própria vinha e figueira e que ninguém os faça recear.’

Se quisermos estar à altura do nosso tempo,

a vitória não estará na lâmina da destruição

mas em todas as pontes em construção.

Esta é a prometida clareira,

a colina que nós subimos se isso ousarmos,

porque  ser Americano

é mais do que um orgulho que herdamos –

é o passado em que mergulhamos e a forma como o reparamos.

Nós vimos uma força que fragmentaria a nossa nação

em vez de a partilhar,

que destruiria o nosso país se adiasse a democracia.

E quase conseguiram.

Mas se a democracia pode às vezes ser adiada,

não pode nunca ser permanentemente derrotada.

Confiamos nesta verdade, nesta fé

porque quando pomos os olhos no futuro

o futuro põe os olhos em nós.

Esta é a era da justa redenção.

Receámos no início.

Não nos sentíamos preparados para ser os herdeiros de tão aterradora hora

mas no seu seio descobrimos o poder

de escrever um novo capítulo, de nos oferecermos confiança e riso.

Assim, enquanto outrora perguntávamos ‘como podemos vencer a catástrofe’,

agora dizemos: ‘como pode a catástrofe alguma vez vencer-nos?’

Não vamos marchar de regresso ao que foi, mas avançar para o que deve ser:

um país que está ferido mas inteiro,

benevolente mas audaz, forte e livre.

Nós não recuaremos ou nos deteremos

ante a intimidação porque sabemos que a nossa inacção

e inércia serão o legado da próxima geração.

Os nossos erros serão os seu encargos

mas uma coisa é certa:

 Se juntarmos perdão com poder, e poder com rectidão,

 então o amor torna-se o nossa herança

 e a mudança um direito inato das nossas crianças.

Vamos pois deixar um país melhor do que aquele que nos deixaram.

Com cada fôlego do meu peito cinzelado a bronze,

nós transformaremos este mundo ferido num mundo maravilhoso.

Ressurgiremos das colinas douradas do Oeste,

ressurgiremos do Noroeste varrido pelos ventos,

onde os nossos antepassados começaram a revolução.

Ressurgiremos das cidades à beira dos lagos dos estados do Midwest.

Ressurgiremos do Sul banhado pelo sol.

Nós reconstruiremos, reconciliaremos e recuperaremos todos os recantos conhecidos da nossa nação

e em cada canto que chamamos nosso país, o nosso povo diverso e belo surgirá fustigado e belo.

Quando amanhecer, nós deixaremos a sombra,

ardentes e sem medo.

Uma nova madrugada floresce enquanto a libertamos.

Porque há sempre luz se formos suficientemente bravos para a ver,

se formos suficientemente bravos para o ser.

 

Amanda Gorman, tradução de Agostinho Pereira de Miranda, publicada pelo Público, poema lido na tomada de posse do presidente Joe Biden.


quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

LÁ LONGE...


A América está de volta.

Daqui a poucas horas Joe Biden passará a ser o 59º Presidente dos Estados Unidos.

Do louco que o antecedeu, podemos dizer: «vai e não voltes mais!»

Sair a custo ele saiu, mas deixa muito terreno minado e Biden vai ter uma presidência dificílima.

Quem nele votou, certamente não se questionará de como foi possível votar em algo tão reles, tão imundo, tão tudo e mais alguma coisa que de mau exista. Os povos estão pouco dados a autocriticarem-se quando escolhem os maus governantes.

Sem dúvida, o pior presidente da história dos Estados Unidos.

Trump sai porta fora, mas o trumpismo fica espalhado pelo país.

Não quis abandonar a Casa Branca sem ter incitado a um dos ataques mais vis lançado contra o coração da democracia da América: o assalto ao Capitólio perpetrado por uma multidão de terroristas domésticos que provocaram a morte, a destruição, o medo.

Seria bom pensar que com a eleição de Biden, a América possa voltar a ser a América que conhecemos.

Mas não é bem assim.

O mundo ficou mesmo um lugar muito perigoso.


sábado, 14 de novembro de 2020

CONVERSANDO

Nasceu cinzento o 1º sábado de confinamento no país-do-quero-lá-saber-quem-vier-atrás-que-feche-a-porta.

Lembra-se que em Vladimir Ilitch leu que quando quisermos nos enforcar, os burgueses perfilar-se-ão para nos venderem a corda.

Mas também não sabe por que se lembrou disto.

Achou melhor encontrar uma musiquinha que sirva para combater o bicho.

Um Bruce Springsteen na abertura do concerto em Dublin, 2007, com os The Session Band.

«Por essa altura, aconteceu outra coisa muito auspiciosa. Um homem em Boston «vira o futuro do rock’n’roll», e esse futuro era… eu. Tocáramos no Harvard Square Theater, na abertura para a Bonnie Rait (Deus a abençoe, pois foi uma das poucas artistas que naquela época, nos deixou abrir para ela mais do que uma vez). O repórter que lá estava em nome do Real Paper, o Jon Landau, perdeu a cabeça na crítica e escreveu um dos maiores salva-vidas de todos os tempos.

Foi uma apreciação de um genuíno fã, escrita de forma muito bonita, sobre o poder e significado do rock’n’roll, da sensação de espaço e continuidade que traz às nossas vidas, a comunidade que não pode deixar de fortalecer e a solidão que mitiga. Nessa noite em Boston, conduzimos a banda com os nossos corações e foi isso que o Jon fez. A famosa citação surgiu em referência aos pensamentos de Jon acerca do passado, do presente e do futuro da música que ele adorava, do poder que tivera outrora sobre ele e da sua capacidade para se renovar e transmitir de novo esse poder à sua vida. Por mais que tenha ajudado e sido um fardo (a longo prazo, diria que foi mais uma ajuda do que um fardo), que fosse a «citação ouvida por todo o mundo», foi sempre tomada um pouco fora do contexto, e as suas adoráveis subtilezas perderem-se… mas, hoje em dia, quem se importa com isso?! E se alguém tinha de ser o futuro, porque não ser seu.»

Bruce Springsteen em Born To Run

1.

Parece que estão fechados os resultados das presidenciais norte-americanas.

Joe Biden tem 78 milhões de votos e 306 grandes eleitores, Donald Trump tem 72,7 milhões de votos e 232 grandes eleitores.

Ontem, Trump esteve quase a dizer que aceita a derrota.

Quase… mas não tardará a chegada do dia em que a realidade lhe entrará pela cabeleira dentro.

Contudo, os apaniguados, gente que não se recomenda, continuam a berrar que roubaram a Trump 2,5 milhões de votos.

Não se sabe onde, nem como.

Coisa para o FBI investigar.

2.

Olhando os dias que Gonçalo M. Tavares coloca em cadernos, verifiquei que falava de um louco que garantia que era por estar descalço que os dias terminavam mais cedo. Falou-lhe no Inverno, ele abanou a cabeça e garantiu que não. Os dias acabavam mais cedo porque ele tinha deixado de usar sapatos.

3.

Dizem que a televisão fez diminuir a convivência. Não será as dificuldades na convivência que introduz o poder da televisão?

4.

É comum dizer-se que não se morre quando se quer, mas quando se pode.


Legenda: fotografia de Edith-Claire Gérin.

domingo, 8 de novembro de 2020

UM ENORME ALÍVIO


 Joe Biden é o 46º Presidente dos Estados Unidos da América.

Não fosse a pandemia que cerca o mundo, este seria um dia de esplendoroso júbilo.