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sexta-feira, 8 de maio de 2026

OS DIAS DA RÁDIO


The Golden Age of Old American Radio
Starring Bing Crosby
United Artists Records  UAK  30115

With Jud Conlon’s Rhythmaires
John Scott Trotter and His Orchestra

Apresentador: Ken Carpenter     

Side One

1-Where The Blue Of The Night Meets The Gold Of The Day - Orchestra   
2- Lady Of Spain – Bing Crosby 
3 - Hello, Hello – Kay Thompson and The William Brothers   
4 -For Me And My Gal - Judy Garland and Bing Crosby
5 - Young At Heart – Bing Crosby
6 - Lazy River And Paper Doll       - The Mills Brothers and Bing Crosby
7 - Where Is Your Heart – Bing Crosby 
8 - Lullaby Of Broadway – Dick Powell and Bing Crosby       
9 - It Might As Well Be Spring – George Burns abd Bing Crosby     
10 - It's Only A Paper Moon – Bing Crosby       
11 -That's A Plenty – Connie Bonwell and Bing Crosby         
12 - You Go To My Head – Bing Crosby
13 - Where The Blue Night Meets The Gold Of The Day (Reprise) – Orchestra


1- Zip-A-Dee-Doo-Dah – Bing Crosby   
2 - I Can Dream Can't I? – The Andrews Sisters and Bing Crosby   
3- Tell Me Why – The Four Aces and Bing Crosby     
4 - Two To Tango – Rosemary Clooney and Bing Crosby       
5 - Mona Lisa – Bing Crosby       
6 - If I Knew You Were Coming I'd Have Baked A Cak - Bob Hope and
     Bing Crosby   
7 - On A Slow Boat To China – Peggy Lee and Bing Crosby 
8 - Medley   
     (You Gotta Start Off Each Day With A Song - Maurice Chevalier and Bing
     Crosby, My Love Parade – Maurice Chevalier- Louise – Maurice Chevalier and
      Bing Crosby - Mimi – Maurice Chevalier)
9 - You Gotta Start Off Each Day With a Song – Jimmy Durante and Bing
      Crosby
10 -You Belong To Me – Bing Crosby     
11 -Wish You Were Here – Bing Crosby
12 - May The Good Lord Bless And Keep You - Nat King Cole, The Andrew
        Sisters and Bing Crosby   
13 - Orchestral Closing
       Where The Blue Of The Night Meets The Gold Of The Day

Quando se gosta da vida, gosta-se do passado, porque ele é o presente tal como sobrevive na memória.

Se bem que o malandro do José Gomes Ferreira lhe tenha dito que «saudades, só do futuro», mas há coisas em que gosta mesmo de voltar lá atrás.

Cresceu a ouvir rádio.

 Primeiro num velho «Pilot», mais tarde, muito mais tarde, num «Blaupunkt já com dois altifalantes laterais, um luxo!, diziam que era estéreo.

 O rádio tocava todo o dia.

 O avô chamava-lhe telefonia.

Os mais variados programas, das mais variadas estações: o folhetim do «Tide» da mãe e da avó, a música clássica do avô, os relatos de hóquei em patins do Torneio de Montreux em cada tempo de Páscoa, ao domingo os relatos de futebol.

 De todas as músicas, ficou-lhe um gosto por «big bands», por «crooners».

 As canções dos primeiros amores, os primeiros bailes, slows, boleros - «a menina dança?»

O modo como uma mão nas costas nos conduzia, podia mudar tudo, passagem quase certa para lá do arco-íris.

 Aquilo a que chamaram a idade da inocência.

 O tempo, onde as promessas, as causas, porque também nos fomos apaixonando por ideias, nos preenchiam os quotidianos.

 Quando ainda acreditávamos, que iríamos ficar fiéis àqueles amigos, àqueles ideais.

 As músicas é que ficaram.

Memórias também: Brigitte Bardot a acenar num velho filme a preto e branco, Sophia Loren a não caber no écran do Cine-Oriente, Eusébio no Mundial de 66 em Inglaterra.

Não vivíamos para ouvir rádio. Somente para melhorar essa vida.

«Rashid: é a primeira casa que vejo sem televisão.

Paul : Já tive uma, mas estragou-se aqui há uns anos e nunca me decidi a substituí-la. De qualquer das maneiras, prefiro não ter nenhuma. Odeio essas porcarias.

Rashid: Mas assim não pode ver os jogos. Disse-me que era fã dos Mets

Paul: Ouço pela rádio. Assim consigo ver muito bem os jogos. O mundo está na nossa cabeça, lembras-te?»

Diálogo do filme «Smoke» de Paul Auster/Wayne Wang

Extinta está a rádio que grande parte da vida o acompanhou.

Degradou-se a partir de um tempo que não sabe onde mora.

 Ou melhor: quando os programas de autores e de vozes eméritos deram lugar às «play-lists», em que uma garotada inculta, aos guinchos, às piadolas sem graça alguma, às conversinhas parvas tiraram o lugar a profissionais como Cândido Mota, Rui Morrison, Maria José Mauperrin, Jaime Fernandes, António Cartaxo, José Duarte, Adelino Gomes, António Curvelo, Aníbal Cabrita, António Sérgio, João David Nunes, Luís Pinheiro de Almeida - «why not?»

E não tem qualquer ponta de esperança que essa rádio regresse nos tempos que ainda terá para andar por aqui.

 Razão única para ter uma ternura especial por este velho LP, que o leva, volta e meia, a pôr o disco a rodar e amiúde senta-se no sofá a ver Os Dias da Rádio do Woody Allen, copo de gin ao lado.


Texto publicado em 11 de Maio de 2018 no inesquecível «IÉ-IÉ» blogue do Luís Pinheiro de Almeida.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

FEITO POR TODOS E DITO POR MIM


 

RCA VICTOR - TP 328 - edição portuguesa

Dedicated To The One I Love (Bass/Pauling) - Free Advice (M. Gilliam/John Phillips) - Even If I Could (John Phillips) - Once Was A Time I Thought (John Phillips)

Se uma modificação profunda se processou no gosto musical de uma geração, isso deve-se ao "Em Órbita". Raros foram os dias em que o não ouvi no velho “Blaupunkt”, de olho verde à esquerda,” de casa do meu pai.

Isso até Junho de 1967 porque por esses dias assentei praça em Tavira e chegou um tempo em que o FM do Rádio Clube Português não chegava às ondas do transístor de fancaria que ouvia na caserna do CISMI.

Quando passados tempos regressei, o “Em Órbita”, entrara em novas aventuras e deixara de ser o programa que conhecera.

Quem não o ouviu não sabe o que foi e não dá para explicar, se isso, naturalmente, fosse possível – "Um programa feito por todos e dito por mim", como dizia o Cândido Mota, em minha modesta opinião, a melhor voz que o “Em Órbita” teve. (estou de acordo! - nota do editor).

Este disco, com esta bonita capa, Made in Portugal, é um dos muitos que comprei por causa do “Em Órbita” e escolho este porque “Dedicated to the One I Love” se tornou uma das canções das minhas diversas vidas.

“While I'm far away from you, my baby
I know it's hard for you, my baby
Because it's hard for me, my baby
And the darkest hour is just before dawn".

Como diria o Tom Waits, esta é do fundo do coração e como a vida nunca é exactamente o que queremos, transportamos, por vezes, algumas canções que associamos a memórias mágicas.

Mas isto já está a resvalar para a lamechice e por aqui me fecho. Até porque os silêncios são mais preciosos que as palavras e eu só queria lembrar o “Em Órbita”, mostrar esta capa e concluir que, como dizia alguém que agora não lembro o nome, é preciso chegar aos sessenta anos para se ver que aos vinte é que se teve tudo.

 

Texto publicado em 30 de Junho no inesquecível «IÉ-IÉ» blogue do Luís Pinheiro de Almeida.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

UMA VOZ ÚNICA


A cremação de Cândido Mota, segundo Teresa Mota, sua filha, ocorreu ontem pelas 13,00 horas no Cemitério do Alto São João.

Segundo reconheceu Herman José: «a melhor voz de sempre da rádio e da locução portuguesas».

Já não veremos mais o rigor das suas eficientíssimas apresentações de artistas e convidados nos palcos das Festas do Avante.

Por estes dias, irei desencantar coisas e loisas do velho Em Órbita onde Cândido Mota foi brilhante mestre.


DECCA - PEP 1159 - 1966

You Were On My Mind – Wat I’m Gonna Be – The Pied Piper – Sweet Dawn My True Love

Neste disco sei que “You Were on My Mind” é a canção forte, de referência, “o grande êxito de Crispian St. Peters”, tal como se pode ler na capa. 

Mas gosto muito de “The Pied Piper”.

Cândido Mota, no “Em Orbita”, a anunciar o disco, as primeiras espiras a rodarem e ele a dizer: “sigam-me que eu sou o tocador da flauta mágica".

Disco comprado na Discoteca Universal, em Lisboa, no dia 30 de Junho de 1966, por expressa e oportuna indicação do “Em Órbita”.



(nota do editor: eu, por mim, tenho a subida honra de ter sido o introdutor de Crispian St. Peters e de "You Were On My Mind" em Portugal, em 1965. Não mais me esqueci disso. Mal recebi o disco, fui imediatamente levá-lo à "23ª Hora", de João Martins. Foi o êxito total! O "Em Órbita" ainda estava a dar os primeiros passos).

 

Texto publicado em 7 de Julho de 2008 no inesquecível «IÉ-IÉ», blogue do Luís Pinheiro de Almeida.

segunda-feira, 2 de junho de 2025

O OUTRO LADO DAS CAPAS


Conheceu Luís Pinheiro de Almeida através do seu blogue «Ié-Ié». 

Num dos seus textos lembrava um conjunto italiano dos anos 60, Andrea Tossi, que tinha vindo a Coimbra tocar na Queima das Fitas de 1961. Ele tinha um disco do Andrea Tossi e propôs oferecê-lo. Pelo meio lembrava uma frase de Truman Capote que vem em Os Cães Ladram: «Já me aconteceu oferecer um pesa-papéis a algum amigo muito especial, e dou sempre algum dos que mais aprecio, porque como disse Colette naquela tarde remota, quando eu protestei que não poderia aceitar de presente algo que ela tão obviamente adorava: "Meu caro, na realidade não faz sentido nenhum oferecer um presente a não ser que tenha valor para nós.»

Então, foi assim:

«Para fazer a entrega de um disco do Andrea Tosi, marcou encontro com Mr. Ié-Ié.

Foi na esplanada da Mexicana, ali à Praça de Londres.

Aí se conheceram e, pela tarde soalheira de um Janeiro, ficaram a contar histórias um ao outro.

Quando convidado para colaborar no blogue, argumentou que não sabia nada de música.

Mr. Ié-Ié, perentoriamente, disse que ele também não.

Pela parte que lhe diz respeito, tem largamente comprovado a afirmação.

No que toca a Mr. Ié-Ié, tratou-se de uma retumbante mentira.

Ainda adiantou que, por falta de meios, teria que fotografar as capas dos discos, o que se revelava um péssimo número.

Foi-lhe dito que não havia problema nisso.

Mais tarde, por um Natal, a família ofereceu-lhe um scanner e houve, então, a possibilidade de repor as capas com a dignidade a que têm direito.»


Luís Pinheiro de Almeida, no livro a que chamou Viagens no Tempo, reúne as memórias das viagens que fez enquanto jormalista, homem da rádio.

«Enquanto jornalista, corri o Mundo, fui actor e protagonista de circunstâncias que só acontecem uma vez na vida de uma pessoa. Estive na ilha do marechal Tito na Jugoslávia, ainda em sua vida, apertei a mão a Ceausescu, em Bucareste, estive com Fidel Castro em Guadalajara (México). Diverti-me com Samora Machel em Maputo, apreciei a sabedoria de Aristides Pereira na Cidade da Praia, participei nas cerimónias de independência de Angola, com Agostinho Neto em Luanda, entrevistei Pinto da Costa em São Tomé. Falei com Indira Gandhi em Nova Deli, conversei com Joseph Luns na sede da NATO em Bruxelas, apertei a mão de Jimmy Carter na Casa Branca. Passeei com Erico Berlinguer na Setenave, assisti em Teerão aos últimos momentos do Xá, estive lado a lado com Mubarak no Cairo. Conheci as “favelas” do Rio de Janeiro e os “ranchitos” de Caracas, experimentei a loucura do trânsito em Lagos, Nigéria, e em Banguecoque, Tailândia, encharquei-me nas cataratas do Niagara, sentei-me na sala do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Beijei a mão do Papa João Paulo II, em Lisboa, estive com Mugabe no Zimbawe. Andei pela cidade das mil e uma noites, Bagdad, vi o muro de Berlim e a muralha da China, ande num dos helicópteros de Jivkov na Bulgária. Fui roubado em Goa e Cuba, roubei uma pedra da pirâmide de Gizé e outra do Coliseu de Rima, tenho água do Jordão, areia do Saará, balas da Bósnia. Gritei em Delfos (Grécia), fiquei esmagado com Cabora Bassa, deslumbrei-me em Salzburgo. Vi o perigo na faixa de Gaza, Bósnia, Irão e em Belfast, gozei belas férias em Antígua, Dubai, Maldivas, Maurícias. Mas há momentos na vida de uma pessoa que são mais momentos do que outros. Há sonhos de juventude que cada vez nos parecem mais distantes. Os Beatles são um deles.»

Mais tarde, quando foi à casa do Luís Pinheiro de Almeida, ficou espantado com a quantidade das mais variadas coisas com que se deparou em mesas e estantes:

«Eu guardo tudo e mais alguma coisa. Não deito nada fora.»

Nas muitas conversas que foram tendo sobre tudo e mais alguma coisa, Luís Pinheiro de Almeida disse-lhe: «O jornalista é a pior fonte de informação que existe. E acrescento: tudo o que vem nos jornais é mentira até prova em contrário...»

E ainda estávamos um tanto ou quanto longe da bandalheira que hoje se vive em televisões e jornais.

Quando chegou os tempos do «facebook», o Luís rendeu-de completamente ao fenómeno, abandonou, 28 de Março de 2022 o blogue dos guedelhudos, e dedicou-se às novas aventuras do  «face» em busca de velhas amizades fossem elas quais fossem.

Ele ficou órfão e acabou por desaguar neste Cais. 

sábado, 29 de março de 2025

POSTAIS SEM SELO


Lembro-me do cheiro do vinil, do Valentim de Carvalho, das capas dos EP e LP, do Salut les Copains, e do desespero que vivi quando o meu primeiro78 rotações do Bill Halley, que ainda cheguei a ouvir numa reles grafonola, se partiu em cacos. E das festas e reuniões, dos namoros, da animação e do divertimento espontâneo e saudável, tudo isso com a "nossa" música como pano de fundo e elemento aglutinador.

Luís de Freitas Branco no Prefácio à Biografia do Ié-Ié de Luís Pinheiro de Almeida 

quinta-feira, 13 de junho de 2024

TOUS LES GARÇONS ET LES FILLES


O devagar depressa dos tempos.

Esta capa de Françoise Hardy está no blogue dos guedelhudos, blogue dos guedelhudos, parvamente desaparecido porque o Luís entendeu que o Facebook é bem mais útil!...

Não nos conseguiu dizer dessa utilidade. Ou por outra, murmurou qualquer coisinha que, pouco ou nada, esclareceu.


DISQUES VOGUE/ARNALDO TRINDADE - VAT 15001 - edição portuguesa

Uma voz fresca, ajustada, moderna, compondo ela mesmo as suas canções, Françoise Hardy agradar-vos-á!

Entendendo Françoise Hardy entende-se a juventude e os seus problemas amorosos.

Sereis transportados a um outro mundo de delicadeza, de ritmo e de juventude.

Viva Françoise Hardy!

(texto apócrifo na contracapa do disco)

Nota do Editor:

Nota do Editor:

O Luís Pinheiro de Almeida adquiriu este disco no dia 21 de Dezembro de 1963 e o Pedro de Freitas Branco comentou: «A minha musa dos anos 60... e "Dis Lui Non" uma das melhores canções da década!!!»

Como nem todos tocam piano e falam francês, alguém, num comentário no Público na notícia da morte de Hardy, colocou uma tradução de Tous les Garçons e les Filles:

«Todos os rapazes e raparigas da minha idade passeiam na rua dois a dois e sabem bem o que significa ser feliz. E de olhos nos olhos e de mãos dadas avançam enamorados e sem receio do dia seguinte. Mas eu vagueio sozinha pelas ruas, triste no meu coração porque ninguém me ama. Os meus dias e as minhas noites são em tudo iguais sem alegrias e cheias de aborrecimento. Ninguém me murmura ao ouvido "Amo-te". Todos os rapazes e as raparigas da minha idade fazem juntos projetos para o futuro. Eles sabem muito bem o que significa amar. Oh, quando é que o sol brilhará para mim? Como eles e elas conhecerei eu em breve o que é o amor? Como eles pergunto-me quando chegará o dia em que o meu coração será feliz sem medo do dia seguinte sem a alma triste, o dia em que também eu terei alguém que me ame.»

sábado, 16 de dezembro de 2023

CONVERSANDO


As casas do Luís Pinheiro de Almeida, Lisboa e Pinheiro de Lafões, são mundos maravilhosos do bric-brac.

Diz-se não colecionador.

Insiste que não coleciona discos mas sim um enorme ajuntamento de discos.

«Não sei, é uma mania como outra qualquer e não é bem “coleccionar”, que implica “músculo financeiro” e ir “rigorosamente atrás de tudo”, até do “número da sorte”. Não sou assim, eu apenas “junto”, que é mais confortável, barato e divertido. Se não gosto, não compro. Se “coleccionasse” tinha de comprar tudo, mesmo não gostando. Mesmo assim, a “colecção” aproxima-se perigosamente do fim, já que não há assim tantos artistas que se dêem ao trabalho de gravar um álbum de Natal, o que é uma pena. Se bem me lembro, Eric Clapton terá sido o último ou um dos últimos. Não deixa de ter a sua graça quando vou, por exemplo, à FNAC e pergunto por discos de Natal. Olham para mim como se tivesse acabado de aterrar de Marte. Mas só acontece em Portugal. Gosto tanto do tema que um dia até me propus fazer uma colectânea em português, diferente, mas não passou disso mesmo, de um projecto (como tantos outros). Hoje só se edita em digital, o que me irrita solenemente e não compro! Além de “discos de Natal”, também gosto de “juntar” “discos da bola”, “discos políticos/partidários/intervenção”, “discos do 25 de Abril”, “discos de Coimbra”, “world music”, “red hot”, por aí… é divertido!»

 E onde o querido amigo mete os seus Beatles?

 Eu que gosto de música e canções de Natal, houve um ano em que fui a casa do Luís e trouxe uma enorme catrefa de discos de que fiz atenta selecção que gravei, numa série de CDs, a nata da nata de canções luisianas de Natal e de que a Aida, ver imagem no topo, fez bonitas e oportunas capas.

domingo, 8 de junho de 2014

EM ÓRBITA


Texto de Luís Pinheiro de Almeida, publicado no Público de 1 de Abril de 2000, assinalando a data da primeira emissão do Em Órbita.
Memórias dos anos 60. Quem não viveu esses anos não sabe o que foi e explicações nada adiantam...

segunda-feira, 26 de maio de 2014

FOI BONITA A FESTA, PÁ!






Esta malta é como o vinho do Porto: quanto mais velho melhor.
É algo de comovente ver rapazes que encheram as nossas tardes e noites de bailes cantarem, mesmo com o toquezinho da idade, com tanta alegria e emoção.
Surpresa das surpresas foi ver o nosso Paulinho a tocar nos Discovers.
E, mais uma vez, o Daniel Bacelar não cantou a Marcianita.
A festa de lançamento da Biografia do Ié-Ié, na tarde de sábado, foi bonita, o Luís bem a mereceu.
O livro é um trabalho competente e quem quiser saber quem foram os personagens daqueles tempos loucos, têm lá tudo.
Pena que por causa da final dos Campeões Europeus o tempo fosse tão curto.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS


Começo por dizer que o Luís Pinheiro de Almeida é um amigão.
Mas este anúncio não tem. apenas a ver com amizade.
Tem o intuito de vos chamar a atenção para um notável trabalho sobre um tema pouco abordado.
Se querem saber o que foram os tempos maravilhosos da maltosa dos anos 60 portugueses, não podem deixar de comprar a Biografia do Ié-Ié.
Eu que sou daquele tempo que andem por bailaricos e por aí fora, encontrei no livro  gente de que nunca ouvi falar e que me deu muito gozo passar a conhecer.
Um livro de que o professor Marcelo Rebelo de Sousa falou no domingo na TVI e parece mesmo que lhe dedicou alguma atenção porque deu pormenores que raramente dá aos livros que mostra.
De como com processos primitivos, sem dinheiro para comprar instrumentos ou mesmos fatos, muitos apareciam com a roupa do dia-a-dia, se fizeram coisas fabulosas e... únicas.
Prestem também a atenção que a apresentação do livro tem como oferta um espectáculo que reúne os Claves, Ekos, Palyboys, João Charuua dos Guitarras de Fogo, Discovers e Daniel Bacelar que, de modo algum, deixará de cantar Marcianita, na minha modesta opinião, a melhor versão que conheço e que ele sempre diz que estou a gozar.
Apareçam para ver como é, e não se arrependerão!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

SARAMAGUEANDO



Quando pensamos que pouco mais há para nos surpreender, um pequeno gesto desenha toda a diferença.
Amizade e José Saramago: uma mistura que é uma grande festa, uma agenda que ajudará a fazer com que as palavras dos dias respirem melhor.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

MEMÓRIAS

Pelo menos uma vez por semana, ao cair da tarde, saia da Agência e ia até à “Livaria Anglo-Americana” ali ao Cais do Sodré, no mesmo lado da fronteira do "British-Bar" e do "English-Bar". 

No local da livraria, foi a Pastelaria Caneças,  está hoje, com o mesmo nome, uma boutique de pão.

Alguém já contou a história por aqui.

Quando se gosta de livros, se encontra um empregado de livraria que sabe o que é um livro, que ainda por cima é escritor, a felicidade é a palavra que se encontra para definir o enquadramento.

Antes de Abril o Eduardo guardava-me, de imediato, os livros que ele cheirava que iriam ficar fora do mercado.

Por um findar de tarde, era Verão, fui até à Anglo-Americana para saber dos últimos livros saídos. O Eduardo estava à conversa com o Altino do Tojal, sim esse o dos Putos. 

Corridos os taipais fomos até ao British-Bar. 

Palavra puxa palavra, copo puxa copo, já eram mais que horas de jantar. 

Sabia que por casa o jantar seria uma salada de feijão frade, com muita cebola, pickles e atum Tenório. 

Era só juntar mais umas latas e corremos a apanhar o 35.

O vinho era Arruda, tinto, a janela aberta bebia o calor na noite cálida, assim como lembrando o Eça, a Aida conversava com o Eduardo, ambos, desde muito jovens, empregados de balcão o Eduardo de livros, a Aida de corte e costura.

Entretanto, chegara o Garrudo, já não sei bem para o quê, e a conversa ainda mais se eternizou. Escolher e falar de coisas simples, aquelas coisas insignificantes que nos emocionam até aos limites da ternura.

Noite adiantada, o outro dia era dia de trabalho. O Garrudo ofereceu-se para boleias. 

O Altino do Tojal quis ficar no Cais do Sodré e fomos levar o Eduardo a Manique, uma aldeia ali para os lados de Alcabibeche, onde há carreiras de camionetas, raparigas, que acabaram por dar um livro.

Pela manhã, na Agência, recebo telefonema do Eduardo para passar pela livraria.

Da conversa da véspera do Eduardo com a Aida, tinha nascido um poema. Escrito num bocado de cartão, a marcador vermelho, o Eduardo pediu-me que o entregasse à Aida.

Durante muitos anos assim ficou na parede da casa.

O tempo fez desaparecer as palavras, escritas a marcador vermelho, do Eduardo Olímpio. Mas a o poema está aqui:

AMIGA

Quem sorri assim fecha a janela
Que o Sol não é preciso
Na mesa há uma toalha de ternura
E no copo no talher o teu sorriso.

Pela casa dois pardais tentam voar
Voam penas/alegrias no corredor:
- Voem pardalitos, voem, voem
Que as paredes desta casa são de amor.

E um dia hei-de ir mercar ao teu balcão
(Nem seja somente em fantasia)
Um casaco de sol em jaquetão,
Já-que-tão me tocaste de harmonia.


Eduardo Olímpio

(16.09.81)

A fotografia que, em cima, ilustra estas memórias, tirou-a o Luís Pinheiro de Almeida, num daqueles dias rigorosos de Fevereiro deste ano. Mr. Ié-Ié garantiu que, para tirar a fotografia ao paquete Aida ancorado na Rocha de Conde d’ Óbidos, correu sérios riscos de vida. 


Mas prometeu que, quando o paquete voltar a Lisboa, fará uma fotografia mais aprimorada.

Coloco, também, a capa de um dos livros do Eduardo Olímpio, precisamente A Menina da Carreira de Manique.


Um livro ternurento de que o Mário Castrim disse ser uma armadilha de encantamento de que poucos livros conhecem o segredo”, e o Júlio Conrado: “ao que o Eduardo Olímpio chama mini-crónicas chamo eu pérolas da literatura portuguesa. E assumo a inteira responsabilidade daquilo que escrevo., ou o Jorge Listopad: Lê-se, e o português canta. Através das coisas, das falas, do tempo. Sem falso lirismo, sem literatice. É possível que passasse por entre os “grandes” despercebido? Que não tivesse encontrado os leitores que merecia e merece?.

(1) “A Menina da Carreira de Manique”, Eduardo Olímpio, capa H.Mourato, “Edições Maria da Fonte”, Lisboa 1978

quinta-feira, 11 de março de 2010

MEMÓRIAS



Há dias mostrei ao Luís Pinheiro de Almeida, por brincadeira, o catálogo da "Dinfer" em que, com 17 anos, passei modelos. Disse o Luís que isso era uma coisa gira para publicar no “Cais do Olhar”, achei que estava a gozar e passei à frente.
Não digo que a coisa não ficou a dançar dentro de mim.
Acontece que li no “Diário de Notícias” uma notícia em que Victoria Beckman defende modelos magras.
“Victoria Beckham veio a público defender as modelos magras, considerando que estas não devem ser discriminadas pelo seu aspecto.
“Acho que não devemos discriminar as modelos que sejam demasiado delgadas”, afirmou Victoria em entrevista ao programa The View, transmitido no canal ABC.
Às suas declarações iniciais, Victoria acrescentou que a”a maioria dessas raparigas são assim tão magras porque é essa a sua constituição física natural”.
Mas apesar de defender as modelos magras, a mulher de David Beckham, de 35 anos, diz que não é nenhuma modelo, e que se esforça para ficar em forma. “Tenho uma alimentação muito saudável, Como muito peixe, vegetais e frutas e não como porcarias”, explicou.
A história de manequim na “Dinfer” veio outra vez à lembrança.
Não escondo que tenho vaidade em mostrar o catálogo. Foi uma brincadeira, porque existindo modelos profissionais, a “Dinfer” entendia que seriam os trabalhadores da casa a passar os modelos e ninguém estava preocupado com medidas, com magrezas, com celulites.
Mesmo outros tempos e tudo era possível.
Eu não tinha experiência nenhuma, mas o patrão,o Sr. Dinis, entendia que o importante era a simpatia e o à vontade.


Nesta passagem, a única de que tenho catálogo, os outros perderam-se, a apresentação foi feita pela conhecida locutora Maria Leonor e os patrões faziam convites especiais a gente conhecida para assistirem às passagens. Nesta, entre a assistência, pode ver-se a vedeta da rádio Maria de Lurdes Resende.
Pessoalmente entendo que as modelos de agora, são muito isto, muito aquilo, mas chegam a afligir por tanta magreza.
Incomoda que as modelos de agora façam tantos sacrifícios para manterem a linha e, por isso, até há casos de mortes.
A saudade desses tempos também fica aqui

domingo, 28 de fevereiro de 2010

POSTAIS SEM SELO



Tão nobre a sepultura que ele escolheu para si mesmo. Jaz debaixo de magníficos pinheiros verdes cobertos de neve. Não vou avisar ninguém. A natureza vela pelos seus mortos, as estrelas cantam em voz baixa em torno da sua cabeça e os pássaros nocturnos grasnam, e é esta a música ideal para quem já não ouve nem sente.

Robert Walser, "Os Irmãos Tanner"

Legenda: Nevão em Pinheiro de Lafões.
Fotografia de Luís Pinheiro de Almeida.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

PORQUE HOJE É DOMINGO



À hora das trindades as moças conversavam de músicas antigas, filmes também antigos, fotografias, postais velhos, momentos que persistem em condensar anos inteiros, uma vida.
Lamentavam-se de tudo andar perdido por caixas e caixinhas, gavetas e arrecadações.
- Deviam fazer um blogue! Nem que sejam vocês, os filhos, os netos, os amigos os únicos leitores, disse-lhes.Porque mais importante que ter leitores é ter o prazer de escrever, de fazer coisas.
É um pensamento que aprendi muito cedo mas, há uns tempos, à conversa com Mr. “Ié-Ié”, a ideia veio à baila, ele pensava o mesmo, e as coisas ditas por outrem, assumem outra proporção.
- Só se nos ajudares – disseram quase em uníssono as pequenas.
-Why not?
Partiu-se para o nome, para o modo de fazer, aquelas miudezas que são fundamentais para que um blogue aconteça.

Como dizem os alentejanos o prometido é como jurado , e aqui estou.
O blogue é das pequenas.
Mas qual o papel que me cabe?
Lembrei-me do começo de um livro giro , “Que Faz Correr Sammy” de Budd Schulberg:,

“A primeira vez que o vi, Sammy não podia ter mais do que 16 anos. Era um rapaz franzino, espécie de fuínha, vivo e manhoso. Sammy Glick estava encarregado de levar e trazer material entre a minha secretária e a do chefe de redacção. Mas sempre a correr, sempre com o ar de quem tem sede.
- Bom dia sr. Manheim – cumprimentou ele no dia em que nos conhecemos. – Sou o novo contínuo da redacção, mas não pense que vou aqui “secar” durante muito tempo.
- Não digas “secar” - respondi-lhe – ou então ficarás aqui para o resto da tua vida.
Obrigado, sr.Manheim. Foi para aprender que aceitei este emprego, sobretudo para lidar com as pessoas que escrevem. E também para aprender gramática e boas maneiras.”


Sammy o paquete, é uma coisa que me agrada, não sei bem porquê, mas fica assim.
Apareçam por aqui, digam coisas. Podemos estar no quintal, não ouvir a campainha, pelo que a porta está sempre aberta.
Sejam bem-vindos ao “Cais do Olhar”!

Fotografia tirada, em Londres, pelo Luís Calisto.

Ainda um agradecimento ao Luis Pinheiro de Almeida que ajudou no “corte e costura”, ao António Abaladas, ao Carlos Garrudo, ao Luís Mira, pelas sugestões para o nome do blogue, tendo a escolha recaído numa ideia do Luís Mira.