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quarta-feira, 15 de maio de 2019

OLHAR AS CAPAS


O Santo Brinca com o Fogo

Leslie Charteris
Tradução: Accioli Neto
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº26
Livros do Brasil, Lisboa, s/d

Por muito tempo, o Santo fitou Valéria em silêncio.
- Maldita seja! – explodiu por fim. – Não compreende que Algy era a minha única esperança de tirar algum lucro desta história toda? E depois de tudo quanto fiz por si, teve coragem de roubar-me essa oportunidade?
- Não  compreendo  - murmurou ela timidamente. – Afinal de contas conheci Algy muito antes de você.
Simon Templar deu-se por vencido. Recostou-se na cadeira e riu-se com vontade.
- Venceu! – declarou. – E sabe que mais? Começo a crer que Luker, Marteau e os outros tiveram muita sorte, afinal de contas. Se tivessem sido absolvidos, acabariam por compreender que tinham caído nos braços de um monstro que os faria sofrer mil vezes mais. Algy é, realmente, o mais infeliz.
Valéria baixou os olhos, com fingida modéstia.
- Se, quando fala em monstro se refere a mim, asseguro-lhe que muitos homens se considerariam felizes por cair nos meus braços.
- E o pior – confessou o Santo – é que estou muito desconfiado de que sou um deles…

quarta-feira, 20 de março de 2019

OLHAR AS CAPAS


O Gato de Diamantes

Dorothy l. Sayers
Tradução: Mascarenhas Barreto
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 112
Livros do Brasil s/d

Lord Peter Wimsey estirou-se voluptuosamente entre os lençóis do Hotel Meurice. Depois das suas diligências para a solução do mistério de Batterson, seguiu os conselhos de Sir Julian Freke’s e ofereceu-se umas férias.
Sentia-se já farto de tomar, todos os dias, o pequeno almoço, virado para o cenário habitual de Green Park; chegara à conclusão de que andar pelas livrarias em busca de primeiras edições não constituía exercício suficiente para um homem de trinta e três anos. Os crimes de Londres andavam mais do que falsificados.
Resolveu abandonar o tédio e os amigos e escapou-se para a Córsega. Durante três meses, votou ao ostracismo, cartas, jornais e telegramas. Trepou às montanhas, admirou – a uma distância cautelosa – a beleza selvagem das camponesas corsas e estudou a «vendetta» no seu ambiente natural. Nestas condições o crime parecia-lhe não só razoável, mas até louvável.

quarta-feira, 13 de março de 2019

OLHAR AS CAPAS


Intriga e Veneno

Dorothy L. Sayers
Tradução: José da Natividade Gaspar
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 74
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Miss Murchison, com o coração a palpitar, bateu à porta do apartamento de Lorde
Peter. Aquele nervosismo não era de modo algum originado pela categoria da personalidade a quem tinha a fortuna de ir visitar, tanto mais que o seu modo de vida a habituara, havia muito, a falar dom solteirões de todos os géneros e sem qualquer pensamento reservado. Mas fora a carta enviada por Lorde Peter que provocara aquela agitação.
Miss Murchison contava trinta e oito anos e fisicamente era vulgar. Durante doze anos seguidos, trabalhara num estabelecimento bancário. Os dez primeiros haviam sido geralmente bons, até à altura em que começou a perceber que o brilhante financeiro, que tão audaciosamente praticava malabarismos com as iniciativas mais sensacionais, jogava na realidade e vida em circunstâncias cada vez mais difíceis, acabando por fugir para o estrangeiro, deixando a firma em maus lençóis e Miss Murchison desempregada e com trinta e sete anos.

quarta-feira, 6 de março de 2019

OLHAR AS CAPAS


Vivenda Calamidade

Ellery Queen
Tradução: Lino Vallandro
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 8
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Rodeado de bagagem até aos joelhos, na plataforma da estação de Wrightsville, Ellery Queen pensou: «Isto faz de mim um almirante. O almirante Colombo.
A estação ear um edifício acachapado, de tijolo vermelho escuro. Numa vagoneta ferrugenta, debaixo do beiral, dois rapazinhos de macacões rotos de cor azul balançavam as pernas sujas e mascavam goma cadenciadamente, fitando nele os olhos inexpressivos.
Em torno da estação, o saibro estava mosqueado de dejecções de cavalos. Casas de madeira de dois andares e pequenas lojas apoucadas, que lembravam barris de bolachas, aglomeravam-se a um dos lados dos trilhos – o lado da cidade, pois estendendo o olhar por uma rua íngreme, calçada com paralelepípedos, Mr. Queen podia divisar, além construções mais elevadas e a traseira larga de um ónibus que se afastava.
Do outro lado da estação, não se via mais do que uma garagem, uma velha carruagem com o letreiro Refeitório Phil, e uma forja com tabuleta a gás neónio. O resto era vegetação e encanto.
«O campo é atraente, caramba, murmura Mr. Queen, entusiasmado. Verde e amarelo. Cores de palha. E céu azul, e nuvens brancas – do azul mais azul e do branco mais branco que ele se lembrava de ter visto.
Cidade-campo; e é aqui que se encontram; é aqui que a estação de Wrightsville atira o século XX à face atónita da terra.
É isso, meu rapaz. Achaste!
- Carregador!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

OLHAR AS CAPAS



A Porta das Sete Chaves

Edgar Wallace
Tradução: Pedro Btuno Dischinger
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 88
Livros do Brasil, Lisboa s/d

A última incumbência confiada a Dick Martin – ele assim supunha – era a de capturar Lew Pheeney que a polícia suspeitava estar implicado no assalto ao Banco de Helborough. Dick descobriu Lew num pequeno «café» em Soho, no momento em que ele acabava de tomar uma bebida e se preparava para sair.
- Que há de novo, chefe? – perguntou Lew, esboçando um sorriso, ao mesmo tempo que pegava no chapéu e se dispunha a sair.
- O inspector deseja falar consigo, a respeito daquele «trabalhinho» de Helborough. Acompanhe-me.
Lew franziu o nariz, desdenhosamente.
- Vão para o inferno com essa história de Helborough! – exclamou, em tom de escárnio. – Não tenho nada que ver com esse «negócio» do Banco e julgava que o senhor o soubesse. Mas diga-me, chefe: por que está, ainda, na polícia? Disseram-me que o senhor tinha conseguido juntar algum dinheiro e pedira a demissão…
- Sim, é verdade. Vou retirar-me. E você, Lew, é o protagonista do último caso policial em que a minha actividade se exerce.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

OLHAR AS CAPAS



O Mistério da Laranja Chinesa

Ellery Queen
Tradução: James Amado
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 32
Livros do Brasil, Lisboa s/d

- Então isso não tinha importância alguma? Eu estava a contar com algo de engenhoso…
- Nada significava, excepto que o homenzinho sentia fome – continuou Ellery, lentamente. – Nem sequer pude deduzir qualquer coisa do facto de ter escolhido uma tangerina em vez de uma pera, uma maçã ou qualquer das outras peças de fruta que estavam na bandeja. Eu também gosto de tangerinas e, no entanto, Chicago é o lugar mais próximo da China onde eu já estive… Mas, há uma coisa acerca da tangerina que é… bem, que é interessante.
- O que é? – perguntou Kirk, interessado.
- Ela ilustra – disse Ellery rindo – os caprichos e a ironia do destino. Porque, como vêem, embora a laranja da China que a vítima comeu nada tivesse a ver com o crime, o «Laranja da China» que ele trouxe estava intimamente ligado ao caso, pois foi o móbil do crime.
- O laranjo que ele trouxe? Murmurou Miss Temple, intrigada.
- Com um L maiúsculo – disse Ellery. Refiro-me ao selo. Na verdade é uma coincidência tão interessante que, se eu algum dia escrever um livro sobre o notável caso do pobre Osborne, não resistirei á tentação de o intitular: O Mistério da Laranja Chinesa.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

OLHAR AS CAPAS

O Caso do Terceiro Tiro

Erle Stanley Gardner
Tradução L. de Almeida Campos
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 109
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Della Street, a secretária confidencial de Perry Mason, anunciou:
- Está na sala de espera a srª Enright A. Harlan que parece ter quaisquer dificuldades domésticas.
Mason, com ar brincalhão, espetou o polegar na direcção da porta de saída.
- Bem sei – conveio Della Street. – Já lhe dei a informação de que o senhor não toma conta de casos de divórcio, mas ela respondeu que não se tratava de um caso de divórcio. Que era pura e simplesmente um caso de dificuldades domésticas.
- Não é um divórcio?
- Foi o que ela disse.
- E não é também uma acção de separação com pagamento de pensão?
- Ela diz que não.
- Nesse caso para que quer ela um advogado?
- Disse que tinha de explicar o caso com todos os pormenores. Diz que tem um plano sobre o qual desejava falar consigo.
- E é a respeito de qualquer dificuldade doméstica?
- Exactamente.
- Ela disse-lhe de que espécie de dificuldade doméstica se trata?
- Parece que o marido a atraiçoa.
- Verifico que há qualquer coisa de excepcional a respeito dessa mulher, Della, ou você não teria adoptado uma tal atitude?
- Que atitude?
- A de desejar que eu a receba.
Della Street acenou afirmativamente.
- Porquê?

- Talvez porque gostaria de saber qual é o plano que ela tem em mente. Pode ser que me venha a servir um dia. E posso dizer-lhe ainda mais outra coisa: ela é bastante fora do vulgar.

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

LIVROS A DESFAZEREM-SE


Reproduzir as capas dos livros da Biblioteca da Casa, foi uma das ideias que se considerou interessante apresentar no Cais do Olhar.

De entre essas capas não poderiam faltar as da Colecção Vampiro.

Principalmente as capas de Cândido Costa Pinto e de Lima de Freitas.

As que gosto mais são as de Cândido Costa Pinto.

Grande parte dos livros da Vampiro herdei-os do meu pai.

Os dias do meu pai em Almoçageme eram passados a ler romances policiais. A esmagadora maioria dos volumes da Colecção Vampiro que por aqui estão, foi ele que os comprou. No intervalo das leituras subia ao Café Adraga, pedia ao João uma sandes mista em pão saloio – não te esqueças que é aparada! – e fazia descer, bem fresca, meia garrafinha de branco Beira-Mar.

Algures, em As Longas Tardes de Chuva em Nova Orleães, escreve Ana Teresa Pereira:
«- O que lias quando eras criança?
- Havia uma estante de policiais em casa. Na biblioteca do meu pai. Ficava nas traseiras da casa e pela janela via-se o jardim. Lembro-me de ir para lá nas tardes de chuva. Escolhia-os pelas capas.»

Olhar as Capas acompanha com um pequeno excerto do livro.

Os livros da Colecção Vampiro li-os há muitos anos.

Para o tal excerto, fui relendo-os.

Com grande espanto, à medida que lhes fui pegando, vi alguns desfazerem-se por completo.

A humidade, os diversos calores, as traças, atacaram-nos implacavelmente, livros que já em si, se exceptuarmos as capas, nunca primaram pela qualidade do papel, da impressão, da encadernação.

São excelentes as capas de Cândido da Costa Pinto, algumas verdadeiras obras de arte, interessantes também as de Lima de Freitas mas, verdadeiramente, a cereja no topo do bolo são as capas de Cândido Costa Pinto que as desenha até ao número 104 da colecção, enquanto que as de Lima de Freitas vão do número 105 até ao número 325.

A partir daqui as capas perdem qualidade, alguns volumes mencionam que as capas são de autoria de A. Pedro e grande parte são de um péssimo gosto, muitas a resvalar para a pornografia pura e dura, com o mero propósito de chamar a atenção com vista à fácil compra. 
Diga-se também que as traduções não primavam pela qualidade. A maior parte seguia a edição brasileira, revistas, em cima do joelho, para português.

A Vampiro contou com alguns tradutores portugueses, lembro-me de Lima de Freitas, António Lopes Ribeiro, Mascarenhas Barreto, Elisa Lopes Ribeiro, Baptista de Carvalho, Fernanda Pinto Rodrigues e Mário-Henrique Leiria, apenas um livro traduzido, o clássico O Imenso Adeus de Raymond Chandeler, nº 101 da Colecção.

A Vampiro seguia o lema que tudo o que viesse à rede era peixe e daí encontramos, na colecção, autores da segunda, terceira e quarta divisão do Romance Policial.

Mas, no fundo dos fundos, o balanço final é positivo.

De uma velha crónica do António Lobo Antunes:

«Em acabando este livro apetece-me escrever um romance policial, ou antes um romance negro. Trago esta ideia há anos e chegou a altura de o fazer.
Lembro-me de falar nisso ao meu irmão de alma José Cardoso Pires
- Sabes do que tenho vontade, tu?
esperei que o silêncio retornasse suficientemente côncavo para as minhas palavras caberem lá dentro e esvaziei o púcaro ­ Fazer um romance negro.
Recebi de resposta
- Ando a pensar nisso desde que comecei.
Demorámo-nos às voltas com o plano de fazer o tal romance negro a meias, em capítulos alternados, depois o Zé teve aqueles problemas que acabaram numa morte horrível e, mesmo sem ele, não abandonei a cisma. Se for capaz de o pôr em marcha dedico-lho, claro, nós que não dedicámos livros um ao outro:
- Porque é que a gente nunca dedicou um livro ao outro?
- Achas que é preciso?

OLHAR AS CAPAS


O Mistério do Ataúde Grego

Ellery Queen
Tradução. Lino Vallandro
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 39
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Logo desde o início, o caso Khalkis feriu uma nota lúgubre. Começou com a morte de um ancião mas escusado será dizer que quando Georg Khalkis faleceu, vitimado por uma síncope cardíaca, ninguém – e Ellery Queen menos que qualquer outro  -suspeitou de que essa morte fosse o acorde inicial de uma sinfonia de crime. É mesmo de crer que Ellery Queen só tivesse tido conhecimento da morte de Georg Khalkis quando para o caso lhe chamaram a atenção, isto é, três dias depois dos restos mortais do velho cego haverem sido transportados para o que de início se supôs viria a ser a sua última morada.

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

OLHAR AS CAPAS


O Caso da Noiva Curiosa

Erle Stanley Gardner
Tradução: Marcello de Andrade
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 29
Livros do Brasil, Lisboa s/d

A mulher estava nervosa. Durante alguns momentos, os seus olhos sustentaram o olhar do advogado; depois desviaram-se desdenhosamente para as estantes de livros enfileirados contra a parede, como os olhos de um animal que contemplasse os barrotes de uma jaula.
- Sente-se – disse Perry Mason.
Ele estudou-a com a liberdade de exame que desenvolvera durante anos de exploração dos mais escusos recessos da mente humana – não somente da das testemunhas como também da dos seus clientes.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

OLHAR AS CAPAS


Poirot Salva o Criminoso

Agatha Christie
Tradução: M. E. Almeida Lima
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 107
Livros do Brasil, Lisboa s/d

 - Não é bem assim, sr.ª Welman. O dr. Lord diz que pode ainda viver muitos anos.
- Obrigada, mas não o desejo! Disse-lhe outro dia que num país decididamente civilizado, o que havia a fazer era eu declara-lhe categoricamente que queria terminar com isto e ele liquidava-me sem dor com qualquer droga apropriada. E disse-lhe mais: Se o doutor tivesse coragem, fazia-o!
- E que disse ele?
- O descarado limitou-se a rir de mim, filha e disse que não estava para se arriscar a ser enforcado. E acrescentou ainda: «Se me deixasse o seu dinheiro, era um caso diferente, é claro!» Ora vejam o impertinente! Mas eu gosto dele. As suas visitas fazem-me melhor do que os remédios que me receita.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

OLHAR AS CAPAS


O Caso do Gato Envenenado

Erle Stanley Gardner
Tradução: José Correia Ribeiro
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 84
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Os olhos do gatinho oscilavam seguindo a bola de papel que Helen Kendal acenava por cima do braço da cadeira. O gatinho chamava-se Ambar por causa da cor amarela dos seus olhos.
Helen gostava de os observar. As suas pupilas negras estavam em constante mutação, ora estreitando-se em expressão diabólica, ora alargando-se em manchas opacas de ónix. Aqueles olhos negros amarelados tinham efeito quase hipnótico sobre Helen. Depois de os observar durante alguns instantes, os seus pensamentos pareciam esvair-se. Chegava ao ponto de se esquecer dos factos próximos, tais como a data em que estava, aquela sala e o gatinho… esquecia-se até de Jerry Templar e das manias excêntricas da tia Matilde e acordava a recordar-se subitamente de coisas distantes ou muito remotas.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

OLHAR AS CAPAS


A Tragédia de X

Ellery Queen
Tradução. Mário Quintana
Capa: Câmdido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 54
Livros do Brasil, Lisboa s/d

- E Longstreet amava Mrs. DeWitt? Porque se fez noivo de Miss Brownw?
- Mr. Longstreet só se amava a si próprio. Mas tinha um aporçõa de casos ao mesmo tempo, e suponho que Mrs. DeWitt era apenas um deles. Creio que Mrs. DeWitt pensava. Como todas as mulheres, que ele estava louco por ela, e por mais ninguém… E, a propósito, acho que o senhor teria interesse em saber que uma vez nesta mesma sala. Mr. Longstreet tentou abusar de Jeanne DeWitt. Houve um barulho dos diabos. Pois Mr. Lord chegou, viu o que estava a passar-se e deu uma bofetada em Mr. Longstreet. Nisto, Mr. DeWitt apareceu correndo. E mandaram-no embora. Não sei o que aconteceu depois, mas parece que a coisa foi abafada. Isto já foi há alguns meses.
- Bem, Miss Platt. Acha acaso que Longstreet dispunha de alguma coisa com que pudesse dominar DeWitt?
- Não tenho a certeza. Mas sei que, cada vez que Mr. Longstreet pedia grandes somas a Mr. DeWitt, «empréstimos pessoais», como ele dizia, era sempre atendido. Por sinal, há uma semana pediu vinte e cinco mil dólares…
-Caramba!

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

OLHAR AS CAPAS


O Barco da Morte

Agatha Christie
Tradução: Hígia Junqueira Smith
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 4
Livros do Brasil, Lisboa, s/d

- É ela! – exclamou Mr. Burnaby, proprietário de Three Crowns, dando uma cotovelada no companheiro.
De boca aberta e olhos arregalados, os dois homens fitaram o belíssimo Rolls Royce vermelho, que parara em frente ao Correio.
Desceu uma jovem, sem chapéu e usando um vestido que parecia (parecia somente) muito simples. Cabelos doirados e feições um tanto autoritárias, tipo deveras atraente, como raramente se via em Malton-under-Wode.
Com passos rápidos e decididos a jovem entrou no edifício do Correio.
- É ela! – repetiu Mr. Burnaby. E em tom mais baixo e reverente: possui milhões… Vai gastar um dinheirão na propriedade que comprou. Piscinas, jardins italianos, salão de baile… reforma completa da casa!
- É mais dinheiro que entra na cidade.
O comentário, em tom de inveja e rancor, foi feito pelo outro, um sujeito magro e espigado.
- Sim. Óptimo para Malton-under-Wode. Óptimo! – concordou Mr. Burnaby, exprimindo-se em tom complacente. E depois de uma pequena pausa: - Isto vai-nos interessar um pouco.
- Mas é muito diferente de Sir George – lembrou o outro.
- Ah, a culpa foi dos cavalos! Sir George nunca teve muita sorte. – disse Mr. Burnaby com indulgência.
- Quanto recebeu ele pela propriedade?
- Nada menos que sessenta mil, pelo que me contaram.
Ante o assobio de surpresa do companheiro, Mr, Burnaby continuou com ar triunfante:
- E dizem que ela pretende gastar outro tanto, antes de dar o serviço por terminado!
- Isso é pecado! – exclamou o homem – Onde arranjou tanto dinheiro?
- Na América, pelo que ouvi dizer. A mãe era filha única de um desses multimilionários. Como no cinema, hem?
A jovem saiu neste momento. O homem magro acompanhou com o olhar o carro que se afastava, e resmungou:
- Não acho que esteja certo! Dinheiro e beleza… é demais! Uma rapariga com uma fortuna dessas não tem o direito de ser bonita. E é bonita de facto!... Tem tudo, Não acho justo…

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

OLHAR AS CAPAS



O Santo em Acção

Leslie Charteris
Tradução: L. de Almeida Campos
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 102
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Simon Templar, com um suspiro, dobrou o jornal e deixou-o cair reverentemente no cesto dos papéis.
-Vivemos num país maravilhoso – observou ele. – Você já leu aquela notícia sobre a maneira como três agentes policiais, dois homens e uma mulher, viveram pràticamente num clube nocturno de Brigton, durante cerca de três semanas, continuando a receber os honorários que nós, os contribuintes, lhes pagamos e bebendo enormes quantidades de champanhe, igualmente à nossa custa, até apanharem um pobre diabo qualquer que pediu uma bebida fora das horas legais? E é para isto que pagamos as nossas contribuições… Os nossos brilhantes políticos podem ir a Genebra e aldrabar os etíopes com toda a dignidade de um bando de fabricantes de latas e darem palmadinhas nas costas dos pobres espanhóis, ao mesmo tempo que lhes vão dizendo que a intromissão dos italianos e alemães naquilo a que se convencionou chamar a Guerra de Espanha não passa de um sonho, Mas, no final, a honra britânica ficou intacta. É isso o que interessa, Um qualquer sujeito tem de pagar cinquenta notas das grandes porque vendeu um whisky com soda às onze e meia e um outro sujeito tem de largar cinco notas das grandes por o ter bebido; dois polícias e uma agente feminina tiveram, assim, uma bela pândega gratuita e abriram caminho para uma promoção rápida; e mostrou-se ao Mundo que a Inglaterra respeita a Lei. Modelo britânico!

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

OLHAR AS CAPAS


A Porta do Meio

Ellery Queen
Tradução Wilson Velloso
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 44
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Quando Karen Leith recebeu o maior prémio literário dos Estados Unidos, o seu editor, agradecido, surpreendeu a todos, inclusive a si próprio, conseguindo induzir a sua «prima donna» a aparecer em público.
Ainda mais surpreendente foi o facto de Miss Leith permitir a realização da festa no seu próprio jardim japonês, nos fundos da residência de Washington Square.
Compareceram muitas pessoas importantes. Estavam todos contentes, e não menos o editor de Miss Leith, que nunca pensara que Miss Leith consentisse em se exibir – e ainda mais no seu próprio jardim!
No entanto, o prémio recebido parecia haver influenciado um pouco aquela mulher pequena, tímida e ainda bonita, que chegara do Japão em 1927 e se encerrara entre as paredes opacas da casa de Wasington Square – santuário de onde enviava ao Mundo romances incrivelmente belos; os poucos que a haviam conhecido antes juravam nunca a ter visto tão animada e cordial.
Porém, a maioria dos presentes jamais vira Karen Leith, e assim a sua recepção foi mais um «début» social do que um triunfo literário.

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

OLHAR AS CAPAS



A Casa Sem Chaves

Earl Derr Biggers
Tradução Anita Martins de Souza
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 58
Livros do Brsail, Lisboa s/d

Minerva Winterslip era natural de Boston, gozava de óptima posição social e havia muito que ultrapassara a idade romântica. Entretanto, a beleza ainda a fazia vibrar – mesmo a beleza semi-bárbara de uma ilha do Pacífico. Enquanto passeava pela praia lentamente, sentia na garganta um nó de emoção, tal como no «Symphony Hall», em Boston, quando a sua orquestra favorita executava uma peça nova e emocionante.
Aquela era a sua hora predilecta em Waikiki – a hora que precedia  o jantar e a rápida descida da escuridão tropical. As sombras, que baixavam sobre os coqueiros altos, tornavam-se cada vez mais densas. A luz do sol, no crepúsculo, tingia de vermelho o Diamond Hed e salpicava de ouro a espuma das ondas, que se quebravam nos recifes de coral. Alguns nadadores, relutantes, banhavam-se ainda naquelas águas cuja carícia era comparada à de um amante. No trampolim do flutuador mais próximo, exibia-se uma jovem esbelta, de linhas impecáveis. Que silhueta! Minerva, já a roçar pelos cinquenta, sentiu uma ferroada de inveja – mocidade, mocidade semelhante a um dardo que se arremessasse em vertical. Como um dardo, a figura esguia pulou e caiu, num mergulho perfeito.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

OLHAR AS CAPAS


O Diabo Que Resolva

Ellery Queen
Tradução: Cecília Whately
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 21
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Hollywood, como o país de Oz, possui um sabor esquisito e mágico: é o lugar onde as árvores de natal de estanho brotam de repente nas ruas, em dezembro, em volta dos postes, sob um sol de 40 graus; onde os restaurantes tomam o formato de faróis e chapéus; onde senhoras, aos sábados à noite, passeiam pelas avenidas de calças compridas e casacos de marta, levando pela trela minúsculos leopardos; onde os jornais da manhã custam cinco centavos e os da noite dois e onde pessoas fazem bicha durante horas intermináveis e fim de verem outras pessoas celebrizadas pelo cinema.
Um acontecimento vulgar e Hollywood é, por motivo, muitíssimo menos vulgar do que seria esse mesmo acontecimento em Cincinnati ou Jersey City e um acontecimento importante incalculavelmente mais importante.
Por isso, quando a Ohippi Bubble faliu, mesmo os que não eram accionistas devoravam as notícias de Los Angeles e, do dia para a noite, Ohippi tornou-se um termo familiar.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

OLHAR AS CAPAS


O Caranguejo Vermelho

Cliford Knight
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 42
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Seriam três horas de uma tarde quarta-feira quando aquela estranha cabeça pontou para sobre o muro branco e resplandecente do jardim. Era uma cabeça bem conformada, um tanto redonda e de cabelos loiros. Um bigode nítido, loiro e pouco espesso alojava-se sobre os lábios cheios e vermelhos; as faces estavam muito bronzeadas e o nariz era bem masculino. Mas o que mais espantava na brusca e inesperada aparição de tal cabeça, era o seu extraordinário ar de seriedade.
- É o sr. Bartlett, não é? – foi a pergunta que me fez sem qualquer preâmbulo.
Sentei-me rapidamente  no cobertor em que estivera deitado ao brilhante sol da Califórnia e, segundo pensava, no recinto privado do pátio.
- Pois é… sou – respondi – É esse o meu nome.
- É ornitologista, não é verdade? -  A cabeça arredondada ergueu-se mais e apareceu um par de ombros amplos metidos numa camisa de polo cor de limão.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

OLHAR AS CAPAS


Atrás da Cortina

Earl Derr Biggers
Tradução: Alfredo Ferreira
Revista para Portugal por António Ramos Rosa
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 69
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Bill Rankin continuava imóvel diante da máquina de escrever, procurando desesperadamente uma introdução para a entrevista que tinha de redigir. Eram cinco e meia; a rua, dez andares abaixo, estava cheia de gente que regressava do trabalho; porém, ali em cima, na redacção do Globe, reinava momentânea calma. De todas as lâmpadas com quebra-luz verde que existiam no aposento, somente a que oe3ndia sobre a máquina de escrever de Rankin estava acesa, espalhando uma claridade lívida sobre a folha de papel em branco enfiada na máquina. No seu cubículo, do outro lado da porta envidraçada, estava sentado o editor do Globe; era o único ser humano que se via por ali. E esse, a dar ouvidos aos colegas que trabalhavam com ele, nada tinha de humano.
Bill Rankin voltou à sua entrevista. Durante um breve momento ficou imerso em profunda meditação; depois, os dedos compridos e ágeis procuraram as teclas. Começou a escrever.