Mostrar mensagens com a etiqueta Cândido Costa Pinto. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cândido Costa Pinto. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

OLHAR AS CAPAS


Encontro em Tânger

Laurence Wilkinson

Tradução: Tomás Ribas

Capa: Cândido Costa Pinto

Colecção Vampiro nº 108

Livros do Brasil, Lisboa s/d

À uma hora da manhã fartei-me de observar a casa escura e silenciosa. Estava farto de me livrar dos polícias que queriam saber o motivo da minha espera, e farto de desperdiçar tempo, pedi a Dickie que me levasse de volta para o jornal.

quarta-feira, 20 de abril de 2022

OLHAR AS CAPAS


O Impostor

E. Philips Oppenheim

Tradução. J.E. Paula Rosa

Capa: Cândido Costa Pinto

Colecção Vampiro nº 15

Livros do Brasil, Lisboa s/d

- Como tenho sido tolinha! – confessou ela. – Houve tempo em que não podia acreditar que fosses o Everard, o meu Everard! E agora sei bem que o és!

Com os lábios procurou outros, ressequidos pelo desejo de tantos anos.

Pelo corredor fora, satisfeito, sorriso nos lábios, retirava-se o velho dr. Harrison…

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

OLHAR AS CAPAS


Este Homem É Perigoso

Peter Cheyney
Tradução L. de Almeida Campos
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº  110
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Nem mesmo Miranda Van Zelden podia afastar de mim o sonho que se me desenrolava na cabeça à esquina de Picadilly com Haymarket.
Era uma daquelas noites. Sabem o que quero dizer. Tudo corria bem e uma pessoa sente-se capaz de bater todos os adversários no jogo de aventura em que está metido. Sentia-me no tecto do mundo e não é muitas vezes que isso sucede.
Olhem para mim. O meu nome real é Lemmy Caution, mas tenho tido tantos outros que às vezes já nem sei se me chamo João Ninguém ou se sou Quinta-Feira. Em Chicago – aquele ligar que os rapazinhos sabidos chamam Chi, apenas para mostrarem que já leram um livro policial escrito por um fedorento qualquer que declara ter sido quase morto por um dos pistoleiros de Capone, mas que nem sequer sai de casa à noite com medo da sombra – costumavam chamar-me o «’Duas vezes» porque diziam que era sempre preciso acertarem-me duas vezes para me fazerem parar e noutros sítios onde os chuis mudam de cor quando pensam em mim chamam-me Toledo.

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

OLHAR AS CAPAS



Knock-Out

Sapper
Tradução: Isaac Soares
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 5
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Assim terminou a caçada, sem que Ronald Standish, nesse intervalo, tivesse um único intervalo de consciência. E possivelmente, o único outro ponto digno de registo foi a observação que Drummond fez a Standish, três semanas depois, quando ambos convalesciam em Bournemouth:
- Esta inactividade está-me a deixar louco, meu caro amigo. Peter está doente de amor e a namorada ajuda-o e estimula-o. Bill Leyton joga golf e já me contou pela quinta vez que conseguiu meter uma bola no buraco. E, a esta hora, não podemos obter cerveja preta. Vamos, portanto, alugar duas cadeiras de rodas e disputar uma corrida?

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

OLHAR AS CAPAS


O Enigma do Quarto Fechado

Frank Gruber
Tradução: Àlvaro Cardoso
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vamptiro nº 51
Livros do Brasil, Lisboa s/d

A chave não podia entrar na fechadura porque alguém lá tinha metido anteriormente uma outra, forçando-a. Foi uma partida indecente, daquelas que os gerentes dos hotéis gostam de fazer a certos hóspedes. Johnny Fletcher olhou a porta e apeteceu-lhe arromba-la a pontapés.
Nesse momento chegou o gerente que lhe disse, numa toada impertinente: - Pode chegar aqui para lhe dar duas palavras?
- A sua atitude não necessita de palavras para se explicar – respondeu Fletcher com azedume.
- Ora, é isso mesmo. Há uma pequena questão de três semanas de rendas em atraso. Se está em condições de satisfazer o pagamento terei muito prazer em abrir a fechadura. Senão… - o desprezo com que o gerente encolheu os ombros foi bastante significativo.

quarta-feira, 15 de maio de 2019

OLHAR AS CAPAS


O Santo Brinca com o Fogo

Leslie Charteris
Tradução: Accioli Neto
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº26
Livros do Brasil, Lisboa, s/d

Por muito tempo, o Santo fitou Valéria em silêncio.
- Maldita seja! – explodiu por fim. – Não compreende que Algy era a minha única esperança de tirar algum lucro desta história toda? E depois de tudo quanto fiz por si, teve coragem de roubar-me essa oportunidade?
- Não  compreendo  - murmurou ela timidamente. – Afinal de contas conheci Algy muito antes de você.
Simon Templar deu-se por vencido. Recostou-se na cadeira e riu-se com vontade.
- Venceu! – declarou. – E sabe que mais? Começo a crer que Luker, Marteau e os outros tiveram muita sorte, afinal de contas. Se tivessem sido absolvidos, acabariam por compreender que tinham caído nos braços de um monstro que os faria sofrer mil vezes mais. Algy é, realmente, o mais infeliz.
Valéria baixou os olhos, com fingida modéstia.
- Se, quando fala em monstro se refere a mim, asseguro-lhe que muitos homens se considerariam felizes por cair nos meus braços.
- E o pior – confessou o Santo – é que estou muito desconfiado de que sou um deles…

quarta-feira, 20 de março de 2019

OLHAR AS CAPAS


O Gato de Diamantes

Dorothy l. Sayers
Tradução: Mascarenhas Barreto
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 112
Livros do Brasil s/d

Lord Peter Wimsey estirou-se voluptuosamente entre os lençóis do Hotel Meurice. Depois das suas diligências para a solução do mistério de Batterson, seguiu os conselhos de Sir Julian Freke’s e ofereceu-se umas férias.
Sentia-se já farto de tomar, todos os dias, o pequeno almoço, virado para o cenário habitual de Green Park; chegara à conclusão de que andar pelas livrarias em busca de primeiras edições não constituía exercício suficiente para um homem de trinta e três anos. Os crimes de Londres andavam mais do que falsificados.
Resolveu abandonar o tédio e os amigos e escapou-se para a Córsega. Durante três meses, votou ao ostracismo, cartas, jornais e telegramas. Trepou às montanhas, admirou – a uma distância cautelosa – a beleza selvagem das camponesas corsas e estudou a «vendetta» no seu ambiente natural. Nestas condições o crime parecia-lhe não só razoável, mas até louvável.

quarta-feira, 13 de março de 2019

OLHAR AS CAPAS


Intriga e Veneno

Dorothy L. Sayers
Tradução: José da Natividade Gaspar
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 74
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Miss Murchison, com o coração a palpitar, bateu à porta do apartamento de Lorde
Peter. Aquele nervosismo não era de modo algum originado pela categoria da personalidade a quem tinha a fortuna de ir visitar, tanto mais que o seu modo de vida a habituara, havia muito, a falar dom solteirões de todos os géneros e sem qualquer pensamento reservado. Mas fora a carta enviada por Lorde Peter que provocara aquela agitação.
Miss Murchison contava trinta e oito anos e fisicamente era vulgar. Durante doze anos seguidos, trabalhara num estabelecimento bancário. Os dez primeiros haviam sido geralmente bons, até à altura em que começou a perceber que o brilhante financeiro, que tão audaciosamente praticava malabarismos com as iniciativas mais sensacionais, jogava na realidade e vida em circunstâncias cada vez mais difíceis, acabando por fugir para o estrangeiro, deixando a firma em maus lençóis e Miss Murchison desempregada e com trinta e sete anos.

quarta-feira, 6 de março de 2019

OLHAR AS CAPAS


Vivenda Calamidade

Ellery Queen
Tradução: Lino Vallandro
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 8
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Rodeado de bagagem até aos joelhos, na plataforma da estação de Wrightsville, Ellery Queen pensou: «Isto faz de mim um almirante. O almirante Colombo.
A estação ear um edifício acachapado, de tijolo vermelho escuro. Numa vagoneta ferrugenta, debaixo do beiral, dois rapazinhos de macacões rotos de cor azul balançavam as pernas sujas e mascavam goma cadenciadamente, fitando nele os olhos inexpressivos.
Em torno da estação, o saibro estava mosqueado de dejecções de cavalos. Casas de madeira de dois andares e pequenas lojas apoucadas, que lembravam barris de bolachas, aglomeravam-se a um dos lados dos trilhos – o lado da cidade, pois estendendo o olhar por uma rua íngreme, calçada com paralelepípedos, Mr. Queen podia divisar, além construções mais elevadas e a traseira larga de um ónibus que se afastava.
Do outro lado da estação, não se via mais do que uma garagem, uma velha carruagem com o letreiro Refeitório Phil, e uma forja com tabuleta a gás neónio. O resto era vegetação e encanto.
«O campo é atraente, caramba, murmura Mr. Queen, entusiasmado. Verde e amarelo. Cores de palha. E céu azul, e nuvens brancas – do azul mais azul e do branco mais branco que ele se lembrava de ter visto.
Cidade-campo; e é aqui que se encontram; é aqui que a estação de Wrightsville atira o século XX à face atónita da terra.
É isso, meu rapaz. Achaste!
- Carregador!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

OLHAR AS CAPAS



A Porta das Sete Chaves

Edgar Wallace
Tradução: Pedro Btuno Dischinger
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 88
Livros do Brasil, Lisboa s/d

A última incumbência confiada a Dick Martin – ele assim supunha – era a de capturar Lew Pheeney que a polícia suspeitava estar implicado no assalto ao Banco de Helborough. Dick descobriu Lew num pequeno «café» em Soho, no momento em que ele acabava de tomar uma bebida e se preparava para sair.
- Que há de novo, chefe? – perguntou Lew, esboçando um sorriso, ao mesmo tempo que pegava no chapéu e se dispunha a sair.
- O inspector deseja falar consigo, a respeito daquele «trabalhinho» de Helborough. Acompanhe-me.
Lew franziu o nariz, desdenhosamente.
- Vão para o inferno com essa história de Helborough! – exclamou, em tom de escárnio. – Não tenho nada que ver com esse «negócio» do Banco e julgava que o senhor o soubesse. Mas diga-me, chefe: por que está, ainda, na polícia? Disseram-me que o senhor tinha conseguido juntar algum dinheiro e pedira a demissão…
- Sim, é verdade. Vou retirar-me. E você, Lew, é o protagonista do último caso policial em que a minha actividade se exerce.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

OLHAR AS CAPAS



O Mistério da Laranja Chinesa

Ellery Queen
Tradução: James Amado
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 32
Livros do Brasil, Lisboa s/d

- Então isso não tinha importância alguma? Eu estava a contar com algo de engenhoso…
- Nada significava, excepto que o homenzinho sentia fome – continuou Ellery, lentamente. – Nem sequer pude deduzir qualquer coisa do facto de ter escolhido uma tangerina em vez de uma pera, uma maçã ou qualquer das outras peças de fruta que estavam na bandeja. Eu também gosto de tangerinas e, no entanto, Chicago é o lugar mais próximo da China onde eu já estive… Mas, há uma coisa acerca da tangerina que é… bem, que é interessante.
- O que é? – perguntou Kirk, interessado.
- Ela ilustra – disse Ellery rindo – os caprichos e a ironia do destino. Porque, como vêem, embora a laranja da China que a vítima comeu nada tivesse a ver com o crime, o «Laranja da China» que ele trouxe estava intimamente ligado ao caso, pois foi o móbil do crime.
- O laranjo que ele trouxe? Murmurou Miss Temple, intrigada.
- Com um L maiúsculo – disse Ellery. Refiro-me ao selo. Na verdade é uma coincidência tão interessante que, se eu algum dia escrever um livro sobre o notável caso do pobre Osborne, não resistirei á tentação de o intitular: O Mistério da Laranja Chinesa.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

OLHAR AS CAPAS

O Caso do Terceiro Tiro

Erle Stanley Gardner
Tradução L. de Almeida Campos
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 109
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Della Street, a secretária confidencial de Perry Mason, anunciou:
- Está na sala de espera a srª Enright A. Harlan que parece ter quaisquer dificuldades domésticas.
Mason, com ar brincalhão, espetou o polegar na direcção da porta de saída.
- Bem sei – conveio Della Street. – Já lhe dei a informação de que o senhor não toma conta de casos de divórcio, mas ela respondeu que não se tratava de um caso de divórcio. Que era pura e simplesmente um caso de dificuldades domésticas.
- Não é um divórcio?
- Foi o que ela disse.
- E não é também uma acção de separação com pagamento de pensão?
- Ela diz que não.
- Nesse caso para que quer ela um advogado?
- Disse que tinha de explicar o caso com todos os pormenores. Diz que tem um plano sobre o qual desejava falar consigo.
- E é a respeito de qualquer dificuldade doméstica?
- Exactamente.
- Ela disse-lhe de que espécie de dificuldade doméstica se trata?
- Parece que o marido a atraiçoa.
- Verifico que há qualquer coisa de excepcional a respeito dessa mulher, Della, ou você não teria adoptado uma tal atitude?
- Que atitude?
- A de desejar que eu a receba.
Della Street acenou afirmativamente.
- Porquê?

- Talvez porque gostaria de saber qual é o plano que ela tem em mente. Pode ser que me venha a servir um dia. E posso dizer-lhe ainda mais outra coisa: ela é bastante fora do vulgar.

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

LIVROS A DESFAZEREM-SE


Reproduzir as capas dos livros da Biblioteca da Casa, foi uma das ideias que se considerou interessante apresentar no Cais do Olhar.

De entre essas capas não poderiam faltar as da Colecção Vampiro.

Principalmente as capas de Cândido Costa Pinto e de Lima de Freitas.

As que gosto mais são as de Cândido Costa Pinto.

Grande parte dos livros da Vampiro herdei-os do meu pai.

Os dias do meu pai em Almoçageme eram passados a ler romances policiais. A esmagadora maioria dos volumes da Colecção Vampiro que por aqui estão, foi ele que os comprou. No intervalo das leituras subia ao Café Adraga, pedia ao João uma sandes mista em pão saloio – não te esqueças que é aparada! – e fazia descer, bem fresca, meia garrafinha de branco Beira-Mar.

Algures, em As Longas Tardes de Chuva em Nova Orleães, escreve Ana Teresa Pereira:

«- O que lias quando eras criança?
- Havia uma estante de policiais em casa. Na biblioteca do meu pai. Ficava nas traseiras da casa e pela janela via-se o jardim. Lembro-me de ir para lá nas tardes de chuva. Escolhia-os pelas capas.»

Olhar as Capas acompanha com um pequeno excerto do livro.

Os livros da Colecção Vampiro li-os há muitos anos.

Para o tal excerto, fui relendo-os.

Com grande espanto, à medida que lhes fui pegando, vi alguns desfazerem-se por completo.

A humidade, os diversos calores, as traças, atacaram-nos implacavelmente, livros que já em si, se exceptuarmos as capas, nunca primaram pela qualidade do papel, da impressão, da encadernação.

São excelentes as capas de Cândido da Costa Pinto, algumas verdadeiras obras de arte, interessantes também as de Lima de Freitas mas, verdadeiramente, a cereja no topo do bolo são as capas de Cândido Costa Pinto que as desenha até ao número 104 da colecção, enquanto que as de Lima de Freitas vão do número 105 até ao número 325.

A partir daqui as capas perdem qualidade, alguns volumes mencionam que as capas são de autoria de A. Pedro e grande parte são de um péssimo gosto, muitas a resvalar para a pornografia pura e dura, com o mero propósito de chamar a atenção com vista à fácil compra. 
Diga-se também que as traduções não primavam pela qualidade. A maior parte seguia a edição brasileira, revistas, em cima do joelho, para português.

A Vampiro contou com alguns tradutores portugueses, lembro-me de Lima de Freitas, António Lopes Ribeiro, Mascarenhas Barreto, Elisa Lopes Ribeiro, Baptista de Carvalho, Fernanda Pinto Rodrigues e Mário-Henrique Leiria, apenas um livro traduzido, o clássico O Imenso Adeus de Raymond Chandeler, nº 101 da Colecção.

A Vampiro seguia o lema que tudo o que viesse à rede era peixe e daí encontramos, na colecção, autores da segunda, terceira e quarta divisão do Romance Policial.

Mas, no fundo dos fundos, o balanço final é positivo.

De uma velha crónica do António Lobo Antunes:

«Em acabando este livro apetece-me escrever um romance policial, ou antes um romance negro. Trago esta ideia há anos e chegou a altura de o fazer.
Lembro-me de falar nisso ao meu irmão de alma José Cardoso Pires
- Sabes do que tenho vontade, tu?
esperei que o silêncio retornasse suficientemente côncavo para as minhas palavras caberem lá dentro e esvaziei o púcaro ­ Fazer um romance negro.
Recebi de resposta
- Ando a pensar nisso desde que comecei.
Demorámo-nos às voltas com o plano de fazer o tal romance negro a meias, em capítulos alternados, depois o Zé teve aqueles problemas que acabaram numa morte horrível e, mesmo sem ele, não abandonei a cisma. Se for capaz de o pôr em marcha dedico-lho, claro, nós que não dedicámos livros um ao outro:
- Porque é que a gente nunca dedicou um livro ao outro?
- Achas que é preciso?

OLHAR AS CAPAS


O Mistério do Ataúde Grego

Ellery Queen
Tradução. Lino Vallandro
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 39
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Logo desde o início, o caso Khalkis feriu uma nota lúgubre. Começou com a morte de um ancião mas escusado será dizer que quando Georg Khalkis faleceu, vitimado por uma síncope cardíaca, ninguém – e Ellery Queen menos que qualquer outro  -suspeitou de que essa morte fosse o acorde inicial de uma sinfonia de crime. É mesmo de crer que Ellery Queen só tivesse tido conhecimento da morte de Georg Khalkis quando para o caso lhe chamaram a atenção, isto é, três dias depois dos restos mortais do velho cego haverem sido transportados para o que de início se supôs viria a ser a sua última morada.

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

OLHAR AS CAPAS


O Caso da Noiva Curiosa

Erle Stanley Gardner
Tradução: Marcello de Andrade
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 29
Livros do Brasil, Lisboa s/d

A mulher estava nervosa. Durante alguns momentos, os seus olhos sustentaram o olhar do advogado; depois desviaram-se desdenhosamente para as estantes de livros enfileirados contra a parede, como os olhos de um animal que contemplasse os barrotes de uma jaula.
- Sente-se – disse Perry Mason.
Ele estudou-a com a liberdade de exame que desenvolvera durante anos de exploração dos mais escusos recessos da mente humana – não somente da das testemunhas como também da dos seus clientes.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

OLHAR AS CAPAS


Poirot Salva o Criminoso

Agatha Christie
Tradução: M. E. Almeida Lima
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 107
Livros do Brasil, Lisboa s/d

 - Não é bem assim, sr.ª Welman. O dr. Lord diz que pode ainda viver muitos anos.
- Obrigada, mas não o desejo! Disse-lhe outro dia que num país decididamente civilizado, o que havia a fazer era eu declara-lhe categoricamente que queria terminar com isto e ele liquidava-me sem dor com qualquer droga apropriada. E disse-lhe mais: Se o doutor tivesse coragem, fazia-o!
- E que disse ele?
- O descarado limitou-se a rir de mim, filha e disse que não estava para se arriscar a ser enforcado. E acrescentou ainda: «Se me deixasse o seu dinheiro, era um caso diferente, é claro!» Ora vejam o impertinente! Mas eu gosto dele. As suas visitas fazem-me melhor do que os remédios que me receita.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

OLHAR AS CAPAS


O Caso do Gato Envenenado

Erle Stanley Gardner
Tradução: José Correia Ribeiro
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 84
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Os olhos do gatinho oscilavam seguindo a bola de papel que Helen Kendal acenava por cima do braço da cadeira. O gatinho chamava-se Ambar por causa da cor amarela dos seus olhos.
Helen gostava de os observar. As suas pupilas negras estavam em constante mutação, ora estreitando-se em expressão diabólica, ora alargando-se em manchas opacas de ónix. Aqueles olhos negros amarelados tinham efeito quase hipnótico sobre Helen. Depois de os observar durante alguns instantes, os seus pensamentos pareciam esvair-se. Chegava ao ponto de se esquecer dos factos próximos, tais como a data em que estava, aquela sala e o gatinho… esquecia-se até de Jerry Templar e das manias excêntricas da tia Matilde e acordava a recordar-se subitamente de coisas distantes ou muito remotas.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

OLHAR AS CAPAS


A Tragédia de X

Ellery Queen
Tradução. Mário Quintana
Capa: Câmdido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 54
Livros do Brasil, Lisboa s/d

- E Longstreet amava Mrs. DeWitt? Porque se fez noivo de Miss Brownw?
- Mr. Longstreet só se amava a si próprio. Mas tinha um aporçõa de casos ao mesmo tempo, e suponho que Mrs. DeWitt era apenas um deles. Creio que Mrs. DeWitt pensava. Como todas as mulheres, que ele estava louco por ela, e por mais ninguém… E, a propósito, acho que o senhor teria interesse em saber que uma vez nesta mesma sala. Mr. Longstreet tentou abusar de Jeanne DeWitt. Houve um barulho dos diabos. Pois Mr. Lord chegou, viu o que estava a passar-se e deu uma bofetada em Mr. Longstreet. Nisto, Mr. DeWitt apareceu correndo. E mandaram-no embora. Não sei o que aconteceu depois, mas parece que a coisa foi abafada. Isto já foi há alguns meses.
- Bem, Miss Platt. Acha acaso que Longstreet dispunha de alguma coisa com que pudesse dominar DeWitt?
- Não tenho a certeza. Mas sei que, cada vez que Mr. Longstreet pedia grandes somas a Mr. DeWitt, «empréstimos pessoais», como ele dizia, era sempre atendido. Por sinal, há uma semana pediu vinte e cinco mil dólares…
-Caramba!

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

OLHAR AS CAPAS


O Barco da Morte

Agatha Christie
Tradução: Hígia Junqueira Smith
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 4
Livros do Brasil, Lisboa, s/d

- É ela! – exclamou Mr. Burnaby, proprietário de Three Crowns, dando uma cotovelada no companheiro.
De boca aberta e olhos arregalados, os dois homens fitaram o belíssimo Rolls Royce vermelho, que parara em frente ao Correio.
Desceu uma jovem, sem chapéu e usando um vestido que parecia (parecia somente) muito simples. Cabelos doirados e feições um tanto autoritárias, tipo deveras atraente, como raramente se via em Malton-under-Wode.
Com passos rápidos e decididos a jovem entrou no edifício do Correio.
- É ela! – repetiu Mr. Burnaby. E em tom mais baixo e reverente: possui milhões… Vai gastar um dinheirão na propriedade que comprou. Piscinas, jardins italianos, salão de baile… reforma completa da casa!
- É mais dinheiro que entra na cidade.
O comentário, em tom de inveja e rancor, foi feito pelo outro, um sujeito magro e espigado.
- Sim. Óptimo para Malton-under-Wode. Óptimo! – concordou Mr. Burnaby, exprimindo-se em tom complacente. E depois de uma pequena pausa: - Isto vai-nos interessar um pouco.
- Mas é muito diferente de Sir George – lembrou o outro.
- Ah, a culpa foi dos cavalos! Sir George nunca teve muita sorte. – disse Mr. Burnaby com indulgência.
- Quanto recebeu ele pela propriedade?
- Nada menos que sessenta mil, pelo que me contaram.
Ante o assobio de surpresa do companheiro, Mr, Burnaby continuou com ar triunfante:
- E dizem que ela pretende gastar outro tanto, antes de dar o serviço por terminado!
- Isso é pecado! – exclamou o homem – Onde arranjou tanto dinheiro?
- Na América, pelo que ouvi dizer. A mãe era filha única de um desses multimilionários. Como no cinema, hem?
A jovem saiu neste momento. O homem magro acompanhou com o olhar o carro que se afastava, e resmungou:
- Não acho que esteja certo! Dinheiro e beleza… é demais! Uma rapariga com uma fortuna dessas não tem o direito de ser bonita. E é bonita de facto!... Tem tudo, Não acho justo…

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

OLHAR AS CAPAS



O Santo em Acção

Leslie Charteris
Tradução: L. de Almeida Campos
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 102
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Simon Templar, com um suspiro, dobrou o jornal e deixou-o cair reverentemente no cesto dos papéis.
-Vivemos num país maravilhoso – observou ele. – Você já leu aquela notícia sobre a maneira como três agentes policiais, dois homens e uma mulher, viveram pràticamente num clube nocturno de Brigton, durante cerca de três semanas, continuando a receber os honorários que nós, os contribuintes, lhes pagamos e bebendo enormes quantidades de champanhe, igualmente à nossa custa, até apanharem um pobre diabo qualquer que pediu uma bebida fora das horas legais? E é para isto que pagamos as nossas contribuições… Os nossos brilhantes políticos podem ir a Genebra e aldrabar os etíopes com toda a dignidade de um bando de fabricantes de latas e darem palmadinhas nas costas dos pobres espanhóis, ao mesmo tempo que lhes vão dizendo que a intromissão dos italianos e alemães naquilo a que se convencionou chamar a Guerra de Espanha não passa de um sonho, Mas, no final, a honra britânica ficou intacta. É isso o que interessa, Um qualquer sujeito tem de pagar cinquenta notas das grandes porque vendeu um whisky com soda às onze e meia e um outro sujeito tem de largar cinco notas das grandes por o ter bebido; dois polícias e uma agente feminina tiveram, assim, uma bela pândega gratuita e abriram caminho para uma promoção rápida; e mostrou-se ao Mundo que a Inglaterra respeita a Lei. Modelo britânico!