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sexta-feira, 12 de junho de 2026

OLHAR AS CAPAS


 A Sinceridade Política de Antero

Sant’Anna Dionísio

Imprensa Portuguesa, Porto 1949

«Na verdade, Antero queria a Justiça - mas acima, se não pudesse ser ao lado da Justiça, punha ele a Liberdade - aquela liberdade ontológica e sincera que todos os democratas verídicos solicitam e desejam para ficar e não para suprimir sob qualquer pretexto falacioso ou circunstancial. A inspiração profundamente ética e proudhoneana do seu pensamento afastava-o radicalmente das soluções puramente economistas. Quer dizer; Antero, se hoje fosse vivo, abominaria o totalitarismo sob qualquer forma que ele se lhe apresentasse, no ar que respirasse ou ainda em indecisa nuvem na linha do horizonte. Tanto assim, que nos legou certas afirmações que não esquecem mais - embora o Sr. M.M, na sua embófia de político empírico, sabidíssimo, citadinamente ria. Por exemplo, estas:

A grande revolução só pode ser uma revolução moral e essa não se faz de um dia para o outro…» 

domingo, 7 de abril de 2024

OLHAR AS CAPAS


Antera do Quental

Hernâni Cidade

Colecção A Obra e o Homem nº10

Editora Arcádia. Lisboa s/d

Quanto de essencial se sabe da sua vida, tem em sua obra projecção que o implica, se não explicita. Sua  vida espiritual mais profunda simultaneamente se expandia em pensamento, sentimento e acção, e a pena era o sismógrafo que captava tosa essa subterrânea ou exterior vibração, quer para o surto lírico, quer para o comentário crítico ou doutrinação cultural e social.

terça-feira, 26 de setembro de 2023

OLHAR AS CAPAS


Antero de Quental

Victor de Sá

Capa: A. Campos Matos

Edição do Autor, Braga, 1963

Antero de Quental. A austeridade, a força moral que irradia do seu viver. A auréola de santo com que Eça o consagrou. O rebelde. O apostrofador dos poderosos da terra. O pregador da «revolução». O derrubador de ídolos. O apóstolo de uma sociedade. O republicano. O socialista. O militante. O doutrinador. O filósofo. O místico. O dramatismo de uma existência. A transcendência metafísica dos seus sonetos. O desespero de um suicídio… 

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

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No Prólogo que escreveu para Mulher de Porto Pim,Tabucchi explica o Post Scritum, uma baleia vê os homens, com que finaliza o livro e que colocámos como citação em Olhar as Capas:

«… o texto intitulado Uma baleia vê os homens, além do meu velho vício de espiar as coisas do outro lado, inspira-se sem dissimulação num poema de Carlos Drummond de Andrade, que, primeiro e melhor do que eu, soube ver os homens através dos olhos dolorosos de um lento animal. E a Drummond de Andrade é humildemente dedicado esse texto, também como recordação de uma tarde em Ipanema em que, em casa de Plínio Doyle, ele me falou da sua influência e do comete de Halley.»

O escritor catalão Enrique Vila-Matas disse sobre este interessantíssimo livro de Tabucchi:

«Toda a vida escrevi sobre a Mulher de Porto Pim, livro de cabeceira e artefacto literário que contemplo como se fosse um Moby Dick em miniatura. As suas menos de cem páginas são um bom exemplo de «livro de fronteira», um mecanismo feito de contos breves, fragmentos de memórias, diários de viagens metafísicas, notas pessoais, biografia e suicídio de Antero de Quental, fragmentos de uma história ouvida na coberta de um barco, mapas, bibliografia, bizarros textos jurídicos, canções de amor: elementos que à primeira vista não têm nada a ver entre si, sobretudo com a literatura, mas que Antonio Tabucchi transformou em ficção pura. Um livro memorável.»

Legenda: Carlos Drummond de Andrade