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terça-feira, 16 de dezembro de 2025

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Um Crime Monstruoso

Jean-Paul Sartre

Tradução: Carlo T. Simões

Edições Dorell, São Paulo, 1968

Afinal que crime monstruoso cometeu? De que pode acusá-lo o governo boliviano? Escreveu um livro sobre a revolução. É claro que este livro não nasceu sozinho: resume nele as experiências da sua longa viagem pela América Latina; afirma a sua solidariedade com a experiência cubana; mas, principalmente, infere o que chama de “as consequências da lição para o futuro”. Veremos que é exatamente por isto que está preso atualmente e talvez esteja sendo torturado.

terça-feira, 18 de novembro de 2025

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A Revolta de Maio em França

Jean-Paul Sartre, Daniel Cohn-Bendit, Henri Lefebre

Tradução: Diana Andringa, Teresa Duarte, Clara Felgueiras, Augusto Fitas, António Pescada e Carlos Araújo

Capa: Fernando Felgueiras

Cadernos D. Quixote nº 11

Publicações Dom Quixote, Novembro de 1968

De certo modo, na verdade, a revolução falhou. Mas só falhou para aqueles que julgavam ter a revolução ao alcance da mão, que os operários seguiriam os estudantes até ao fim, que a acção desencadeada em Nanterre e na Sorbonne acarretaria um apocalipse social e económico susceptível de provocar não só a queda do regime como também a desintegração do sistema capitalista. Foi um sonho, e Daniel Cohn-Bendit, por exemplo, nunca pensou em tal coisa. Pelo contrário, afirmou: «A revolução não se fará num dia e a união dos estudantes e dos operários não é para amanhã. Não demos mais do que um primeiro passo. Daremos outros.»

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

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 O Escritor Não é Político

Jean-Paul Sartre

Tradução: António Pescada, António Serra, Guilherme Valente

Capa: Fernando Felgueiras

Publicações Dom Quixote, Fevereiro 1971

Antes, de mais, não considero que um intelectual sexista sem ser de «esquerda». É cero que há pessoas que escrevem livros ou ensaios que escrevem livros ou ensaios e que pertencem à direita. Mas, para mim, não basta que um homem faça funcionar a sua inteligência para que seja um intelectual.

quarta-feira, 10 de setembro de 2025

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Jean-Paul Sartre

Alfredo Margarido

Capa: A. Dias

Biografia de Bolso nº 14

Editorial Presença, Lisboa 1965

Recusando-se a aceitar a dúvida sistemática de Descartes, que lhe aprece como um «trompe-l’oeil», Sartre prende-se antes ao conjunto das situações empíricas que lhe revelam o homem. É na rua, diz-nos ele algures, na cidade, no meio da multidão, coisa no meio das coisas, homem no meio dos homens, que nos podemos descobrir.


terça-feira, 26 de agosto de 2025

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O Diabo e o Bom Deus

Jean-Paul Sartre

Tradução: Gabriela Alves Neves

Capa: Luiz Duran

Colecção Unibolso nº 111

Editores Associados, Lisboa s/d

Não, não! Nada de pormenores! Sobretudo nada de pormenores. Uma vitória contada em pormenor, já nem se sabe o que a distingue duma derrota. Mas é realmente uma vitória, ao menos?

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

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Acuso…

Jean-Paul Sartre

Tradução: Mário T. Alves e Gaspar Barbosa

Colecção: Dossier Leitura nº 6

Brasília Editora, Porto 1969

Porque depois de 1945, os partidos comunistas ocidentais, e em particular o PC francês, têm sido conduzidos pelo estalinismo a não tomarem o poder. O mundo tinha sido dividido em Yalta e os Soviéticos pretendiam respeitar o contrato, os comunistas do Ocidente, por isso, tinham por lema não ir «longe demais». Todos os que, no Partido francês, têm procurado aumentar as vantagens que os comunistas adquiriram pela sua atitude admirável durante a guerra, tentando obter reformas ligeiramente revolucionárias, ou incitando os operários a mostrarem-se mais combativos, foram chamados à ordem pelo Partido reduzidos ao silêncio, ou expulsos. E isso porque o objectivo do Partido não tem sido fazer a revolução.

terça-feira, 29 de julho de 2025

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As Estátuas Volantes

Jean-Paul Sartre

Prefácio: Lionel de Roulet

Tradução: Adolfo Casais Monteiro

Colecção: Novelas Inquérito nº 26

Editorial Inquérito, Lisboa, Fevereiro de 1941

Era uma coisa que a preocupava. Mal Pedro adormecia, tinha de pensar naquilo, não o podia evitar. Tinha que ele acordasse com os olhos turvos e ele começasse a tartamudear. «Sou estúpida, pensou ela: isso não deve começar antes dum ano; foi o que Franchot disse». Mas a angustia não a deixava; um ano: um inverno, uma primavera, um verão, o começo doutro outono. Um dia, aquelas feições ficariam deformadas; Pedro deixaria pender o queijo e entreabriria uns olhos lacrimejantes. Eva inclinou-se sobre a mão de Pedro e pousou nela os lábios: «Hei-de matar-te antes que isso aconteça».

quinta-feira, 17 de julho de 2025

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Sartre Por Ele Próprio

Francis Jeanson

Tradução: Vergílio Ferreira

Colecção Escritores de Sempre nº 2

Portugália Editora, Lisboa, Julho de 1965

Pode talvez ser-se do mesmo Partido, mas não se entrou nele pelas mesmas razões.

domingo, 21 de janeiro de 2024

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As Troianas

Eurípedes

Adaptação: Jean-Paul Sartre

Tradução: Helena Cidade Moura

Capa: Mário-Henrique Leiria

Colecção Teatro Vivo nº 1

Plátano Editora, Lisboa, 1973

Poséidon


Pobre Hécuba, não! Não morrerás nas mãos dos teus inimigos. Dentro em pouco, quando te embarcarem, cairás no meu reino, o mar, onde só eu mando, e farei de ti rochedo, junto da tua pátria. As vagas se quebrarão contra ti e toda a noite ecoarão o eu lamento infinito.

Agora ides pagar. Fazei a guerra, mortais imbecis, devastai os campos e as cidade, violai os templos e os túmulos, torturai os vencidos. Rebentareis também. Todos.

segunda-feira, 20 de novembro de 2023

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Baudelaire

Jean-Paul Sartre

Tradução: Pedro Bom

Colecção: Estudos e Documentos nº 37

Publicações Europa-América, Lisboa, Maio de 1966

«Não teve a vida que merecia.» Dir-se-ia que a vida de Baudelaire foi uma magnífica ilustração desta consoladora máxima. Não merecia, sem dúvida, aquela mãe, aqueles perpétuos embaraços, aquele conselho de família, aquela amante mesquinha, nem aquela sífilis – e que pode haver de mais injusto do que o seu fim prematuro?

segunda-feira, 23 de outubro de 2023

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Os Sequestrados de Altona

Jean-Paul Sartre

Tradução: António Coimbra Martins

Capa: António Domingues

Colecção : Os Livros das Três Abelhas nº 38

Publicações Europa-América, Lisboa, Abril de 1961

Talvez não haja mais séculos após o nosso. Talvez alguma bomba tenha assoprado as luzes. Tudo estará morto: os olhos, os juízes, o tempo.

sexta-feira, 29 de setembro de 2023

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Aden-Arábia

Paul Nizan

Introdução de Jean-Paul Sartre

Tradução: José Borrego

Colecção Tempos Actuais nº 1

Editorial Estampa, Lisboa, Dezembro de 1967

Eu tinha vinte anos e não permitia a ninguém que dissesse ser essa a mais bela idade da vida.
Tudo ameaça com a ruína um jovem: o amor, as ideias, a perda da família, o ingresso entre os grandes. É muito duro obter a sua parte no mundo.

domingo, 31 de julho de 2022

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 Cadernos de Guerra

(1939-1940)

Tradução: Manuela Torres e Carlos Araújo

Capa: Rogério Petinga

Difel Editores, Lisboa, Fevereiro de 1985

Quando parti, em Setembro, cada instante tinha um futuro indefinido e longínquo: o fim da guerra. E esse futuro distante inalcançável tornava o presente esmagador: quanto mais leve é o futuro mais pesado é o presente. E, pouco, a pouco, esse futuro desvaneceu-se; não tenho mais do que um futuro quotidiano e alguns pontos de referência: as visitas, a próxima licença. Isso basta para tornar a vida bastante suportável.

sábado, 5 de junho de 2021

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Que Pode a Literatura?

Depoimentos de Simone de Beauvoir, Yves Berger, Jean-Pierre Faye, Jean

                            Ricardou, Jean-Paul Sartre, Jorge Semprum

Direcção da colecção de Urbano Tavares Rodrigues

Colecção Polémica nº 3

Editorial Estampa, Lisboa, Novembro de 1968

Ao ouvir os vários autores que falaram antes de mim ia pensando para comigo que teria sido melhor substituí-los por leitores. Antes de mais, porque todos eles, sendo romancistas, se esqueceram de que a literatura não é feita exclusivamente de romances; há também os ensaios, por exemplo, e será muito difícil não os integrar na literatura…

Nesse caso para onde irão os belos sonhos de morte de que ouvimos falar há pouco? Isso é outro problema.

Em segundo lugar preferia que fossem os leitores a falar porque a literatura é comunicação, coisa que foi completamente esquecida aqui, com excepção de dois defensores da literatura de compromisso.

Em terceiro lugar porque os leitores, al falarem, teriam conferido às palavras a sua função de signo.

terça-feira, 13 de abril de 2021

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A Engrenagem

Jean-Paul Sartre

Tradução Sousa Victorino

Capa: A. Dias

Editorial Presença, Lisboa, Lisboa 1964

Uma velha está sentada numa cadeira ao lado do fogão, de olhos perdidos no vácuo, com um ar angustiado. Em pé diante da janela uma mulher nova, de rosto prematuramente cansado escova um velho casaco de homem, olhando o manequim enforcado. Ouvem-se ao longe alguns estampidos, segundos de rajadas de metralhadora. A mulher deixa cair a escova a aproxima-se ainda mais da janela, apurando o ouvido. A velha levantou-se. Diz, com lassidão:

- Ainda estão a disparar. Quando acabará isto?

Com a escova, a mulher aponta o manequim:

- Quando o tiverem enforcado a sério.

segunda-feira, 22 de março de 2021

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Os Dados Estão Lançados

Jean-Paul Sartre

Maria Luísa Vieira da Rosa

Capa: F.C.

Editorial Presença, Lisboa, Outubro de 1972

Pedro, que não teve ainda possibilidade de dizer palavra, subitamente dá vazão à sua Cólera e olha os mortos com um ar de desafio.

- E então? O que é que isso prova? Que vocês falharam na vossa vida?

Os mortos respondem todos em uníssono:

- Vocês também, Falhámos, pois decerto. Todas as pessoas falham na vida.

O velho que esteve silencioso desde que chegou ao quarto, toma a palavra e a sua voz domina a confusão:

- Falha-se sempre a vida, no momento em que se morre.

- Sim, quando se morre cedo de mais – exclama Pedro.

- Morre-se sempre demasiado cedo…,  ou demasiado tarde. 

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

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 Polémica Sartre/Camus

Coordenação de Francis Jeanson

Capa: Leandro Hipolito Ragucci

Edição Revista El Escarabajo de Oro, Buenos Aires, Maio de 1964

Meu querido Camus

Nossa amizade não era fácil, lamento-o. Se hoje é quebrada, certamente é porque isso teria que acontecer. Muitas coisas nos aproximaram, poucas nos separaram. Mas esse pouco é muito: a amizade, ela também, tem tendência para ser totalitária; o acordo sobre tudo é necessário, e as mesmas indeterminações tornam-nos militantes de partidos imaginários.

Da carta resposta de Sartre a Camus

terça-feira, 24 de setembro de 2019

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Com a Morte na Alma
3º volume de Os Caminhos da Liberdade

Jean-Paul Sartre
Tradução: Isabel Brito
Capa: José Cândido
Livraria Bertrand, Lisboa, Maio de 1975

Aproximou-se do parapeito e começou a tirar de pé. Era uma enorme vingança; cada tiro o libertava de um antigo escrúpulo. Um tiro para Lola, que não ousei seduzir, um tiro para Marcelle, que devia ter abandonado, um tiro para Odette, com quem não quis fazer amor. Este para os livros que não ousei escrever, outro para as viagens que não me permiti fazer, outro para todos os tipos, em bloco, que tinha vontade de detestar e que procurei compreender. Disparava, fazia voar as leis, amarás o próximo como a ti mesmo, pum nesse focinho, não matarás
S , pum no hipócrita gajo da frente.  Atirava sobre o homem, sobre a virtude, sobre o mundo: a liberdade, é o terror; o fogo ardia na Câmara, queimava-lhe a cabeça: as balas assobiavam, livre como o ar, o mundo estoirará, eu também, atirou, olhou para o relógio: catorze minutos e trinta segundos: já não tinha nada a pedir para além do prazo de trinta segundos, o tempo de disparar sobre o belo oficial altivo que corria para o igreja; atirou sobre o belo oficial, sobre toda a beleza da Terra, sobre a rua, sobre as flores, sobre os jardins, sobre tudo o que amara. A beleza deu um salto obsceno de Mathieu atirou mais uma vez. Disparou: era puro, todo-poderoso, era livre.
Quinze minutos.

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

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Pena Suspensa
2º volume de Os Caminhos da Liberdade

Jean-Paul Sartre
Tradução: Amélia Petinga
Capa: José Cândido
Livraria Bertrand, Lisboa, Abril de 1975

Uma mão tocou-lhe no ombro, ele corou de alegria ao reconhecer Brunet.
- Bom dia, meu velho – disse Maurice.
A mão de Brunet era dura e calosa como a sua e apertava com força. Maurice olhou para Brunet e pôs-se a rir com prazer. Despertava: sentia os camaradas a seu lado, e, Saint-Ouen, Ivry, Montreuil, mesmo em paris, em Belville, Montrouge, La Vilette, ombro a ombro, preparando-se para a refrega.
- Que fazes aqui? – perguntou Brunet. – Estás desempregado?
- Estou de férias – explicou Maurice um tanto desajeitado. – Zézette quis vir porque trabalhou aqui antigamente.
- E aqui está Zézette – disse Brunet. – Olá, camarada Zézette.
- É Brunet – disse Maurice. – Leste o artigo dele hoje no Huma.
Zézette olhou para Brunet sem timidez e estendeu-lhe a mão. Ela não tinha medo dos homens, mesmo que fossem burgueses ou os membros mais importantes do partido.
- Quando o conheci era deste tamanho – disse Brunet, designando Maurice. – Estava nos Falcões Vermelhos, no coro; nunca vi ninguém mais desanimado. Por fim, combinámos que ele só fingiria cantar nos desfiles.
Riram-se.
- E então? – disse Zézette. – será que vai haver guerra? Deve saber, está bem colocado para isso.
Era uma pergunta idiota, uma pergunta de mulher, mas Maurice ficou-lhe grato por ela a ter feito. Brunet tinha-se tornado sério.
- Não sei se haverá guerra – disse ele. – O principal, porém, é não ter medo: a classe operária deve saber que não é fazendo concessões que a evitará.
Falava bem. Zézette lançara-lhe um olhar cheio de confiança e sorria docemente enquanto o ouvia. Maurice irritou-se: Bruner falava como o jornal e não dizia nada a mais.
- Acha Que Hitler se amedrontaria se arreganhássemos os dentes? – perguntou Zézette.
Bruner assumira um ar oficial, não parecia compreender que lhe pediam a sua opinião pessoal.
- É muito possível – disse ele. – E depois, aconteça o que acontecer, a U.R.S.S. está connosco.

domingo, 22 de setembro de 2019

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A Idade da razão
1º volume de Os Caminhos da Liberdade

Jean-Paul Sartre
Tradução: Sérgio Milliet
Capa: Jos´Cândido
Livraria Bretrand, Lisboa, Janeiro de 1975

-Brunet, ainda te lembras? Foste tu o meu melhor amigo.
Bruner brincava com o fecho da porta.
- Porque teria vindo se não me lembrasse? Se tivesses aceitado, poderíamos trabalhar juntos.
Calaram-se. Mathieu pensou: «Esta com pressa, Doido por se ir embora.» Brunet acrescentou sem o olhar:
- Ainda gosto muito de ti. Do teu focinho, das tuas mãos, da tua voz. E depois há as recordações. Mas isso não modifica a coisa. Os meus únicos amigos agora são os camaradas do partido. Com esses eu tenho um mundo em comum.
- E achas que não temos mais nada em comum?
. Bruner ergueu os ombros sem responder. Bastava uma palavra, uma só, e tudo seria devolvido a Mathieu, a amizade de Bruner, razões de viver. Era tentador como o sono. Mathieu endireitou-se repentinamente.
- Não quero demorar-te – disse – Vem visitar-me quando tiveres tempo.
- Certamente – disse Brunet.  – E tu, se mudares de opinião, manda-me um recado.
- Certamente – Disse Mathieu.
Brunet abriu a porta. Sorriu para Mathieu e foi-se embora. Mathieu pensou: «Era o meu melhor amigo.»