domingo, 19 de julho de 2026

ERRAR...ERRAR...ERRAR!...


Há quem não goste de errar.

Há quem goste de errar e entender que errar é importante.

Há quem nunca erre, como murmurava Cavaco Silva, ele proprio, que também nunca tinha dúvidas!...

Falemos de erros, falemos de experiências.

Há uma canção da América Latina que nos fala de tropeçar sempre na mesma pedra e com o mesmo pé. Também há Bertold Brecht: «Não me interrompam nem me distraiam. Estou muito ocupado na preparação do meu próprio erro.», ou E.J. Phelps: «o homem que não comete erros não costuma fazer grande coisa», Elbert Hubbard: «o maior disparate que se pode fazer na vida é viver continuamente com medo de cometer erro», também não falta Pablo Picasso: «o que me salva a vida é que cada fez faço pior», ou Federico Fellini: «a pessoa que eu mais admiro é aquela que é capaz de falhar repetidamente, e mesmo assim ter a persistência de continuar a tentar. Quando lutas por uma coisa, o mais difícil é manteres o respeito por ti», e há aquele poema do Paulo Leminski:

«Nunca cometo o mesmo erro

duas vezes

já cometo duas três

quatro cinco seis

até esse erro aprender

que só o erro tem vez.»

Frequentemente atribui-se a Napoleão Bonaparte a frase:

«Nunca interrompas o teu inimigo enquanto estiver a cometer um erro».

O Dicionário de Morais define erro como «acção de errar; desacerto; inexactidão» e errar como «não acertar com; enganar-se em: não dar com ou em; falhar».

A actriz Beatriz Batarda, numa entrevista, contou:

«Uma vez com 17 anos, tive um desses desgostos. O meu avô passou-me a mão pela cabeça e eu disse-lhe que ele devia estar envergonhado por mim. E ele respondeu-me: «Eu não te avalio pela quantidade de vezes que tu cais, mas pela rapidez com que te levantas». E no dia a seguir deu-me um sempre-em-pé de madeira, um bonequinho que anda sempre comigo na minha caixa de maquilhagem. Na vida não vale a pena ter medo de nos entregarmos. Não importa cair, mas levantar-se rápido. Vencer, mesmo que depois se caia outra vez…»

Cinco anos antes de morrer, Samuel Beckett escreveu três frases que resumem tudo: «tentar outra vez. Falhar outra vez. Falhar melhor.»

Raul Brandão escreveu: «Se tivesse de recomeçar a vida, recomeçava-a com os mesmos erros e paixões». O meu pai dizia praticamente o mesmo, mas acrescentava: «uma única coisa faria diferente – tratava melhor dos meus dentes!»

Cometer sempre novos erros ou errar, errar de novo, errar melhor.

Durante um tempo, pela net, apareceu um texto intitulado Instantes atribuído a Jorge Luís Borges. Não é da autoria de Borges mas, aparentemente, da escritora norte-americana Nadine Stair, escrito em 1978, quando tinha 85 anos.

"Se eu pudesse novamente viver a minha vida, 
na próxima trataria de cometer mais erros. 
Não tentaria ser tão perfeito, 
relaxaria mais, seria mais tolo do que tenho sido. 

Na verdade, bem poucas coisas levaria a sério. 
Seria menos higiênico. Correria mais riscos, 
viajaria mais, contemplaria mais entardeceres, 
subiria mais montanhas, nadaria mais rios. 
Iria a mais lugares onde nunca fui, 
tomaria mais sorvetes e menos lentilha, 
teria mais problemas reais e menos problemas imaginários. 

Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata 
e profundamente cada minuto de sua vida; 
claro que tive momentos de alegria. 
Mas se eu pudesse voltar a viver trataria somente 
de ter bons momentos. 

Porque se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos; 
não percam o agora. 
Eu era um daqueles que nunca ia 
a parte alguma sem um termômetro, 
uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas e, 
se voltasse a viver, viajaria mais leve. 

Se eu pudesse voltar a viver, 
começaria a andar descalço no começo da primavera 
e continuaria assim até o fim do outono. 
Daria mais voltas na minha rua, 
contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças, 
se tivesse outra vez uma vida pela frente. 
Mas, já viram, tenho 85 anos e estou morrendo». 

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