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segunda-feira, 29 de março de 2021

NOTÍCIAS DO CIRCO


Em tempos de Troika (ainda se lembram da dita?) o governo de direita de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, impuseram aos portugueses 12 dias de indemnização por cada ano de trabalho (com o limite máximo de 20 anos).

O PCP, o BE, o PAN e o PEV apresentaram propostas no Parlamento para a reposição dos montantes e das regras de cálculo das indemnizações por despedimento dos trabalhadores.

Há dias, todas essas propostas foram chumbadas com os votos do Partido Socialista e de toda a direita.

Aproveito para roubar o título do poema do Alexandre O’ Neill:

«Que vergonha, rapazes!»

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

ELE ANDA POR AÍ...HÁ-DE CHEGAR!...


Quando acordou, disposto a continuar a (des)governar o País, Pedro Passos Coelho ficou a saber que durante a noite das eleições,  António Costa mostrou-se, apesar de vencido, disposto a formar governo.

Jerónimo de Sousa acrescentou que o Partido Socialista «só não será governo se não quiser».

Aconteceu, então, um governo.

Paulo Portas, torcendo-se todo de humor e raiva, chamou-lhe «geringonça».

Cavalgava a geringonça pelos campos fora e Pedro Passos Coelho apressou-se a dizer que «o diabo há-de chegar».

Não apareceu, perdendo por falta de comparência.

Até porque, segundo dizem, o diabo não existe.

Deus também não.

São ambos construções do homem.

Dizem também.

Mas soube-se, agora, que Luís Montenegro, Paulo Rangel, Miguel Pinto da Luz,  mais uns quantos, anseiam para que Pedro Passos Coelho regresse à política e venha salvar a Pátria do Covid-19, do António Costa.

Eles vão rezando e fazendo figas para que esse regresso aconteça.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

NOTÍCIAS DO CIRCO


A Palavra do Ano é «GERINGONÇA.»

Arrecadou 35% dos cerca de 28.000 votos expressos, anunciou  a Porto Editora, promotora do evento.

No segundo lugar, com 29%, ficou o vocábulo "campeão" e, em terceiro, com 08%, «Brexit.»

Segundo o Morais, Dicionário cá da casa, «Geringonça» é coisa mal engendrada e que ameaça ruína.

Chamar «geringonça» foi uma diatribe de Paulo Portas para designar a maioria parlamentar que sustém o governo do Partido Socialista.

Francisco Teixeira da Mota, cronista do Público, escreveu:

E 2017, cá pelo burgo, como vai ser? A “geringonça”, qual Passarola de Bartolomeu de Gusmão, irá continuar a voar, para gáudio de muitos e a incredulidade de outros.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

UM PROBLEMA CHAMADO FÁTIMA



Fátima, os pastorinhos, os segredos, são um insulto à inteligência de crentes e não crentes, agnósticos e ateus. 

Fátima é um nódoa que cai no pano de fundo da ignorância e da cegueira feita fé.

Em Novembro de 2002, era Paulo Portas ministro de Estado e da Defesa, houve na Galiza uma maré negra provocada pelo petroleiro Prestige.

A costa portuguesa não foi de todo afectada e Paulo Portas apressou-se a dizer que Portugal tinha sido salvo pela intervenção de Nossa Senhora de Fátima.

A Igreja nunca conseguiu livrar-se do síndroma Fátima.

Quando Paulo VI veio a Fátima, por ocasião do cinquentenário, houve forte contestação.



Naquele tempo disse João Bénard da Costa:

Se me perguntarem de quando eu dato a minha saída da Igreja, respondo que do dia 13 de Maio de 1967, o dia da visita de Paulo VI a Portugal.

Agora que o Papa Francisco, por ocasião do centenário, pensa deslocar-se a Fátima, outras contestações terão lugar.

O bispo auxiliar de Lisboa, Nuno Brás, disse esta quinta-feira que o Papa Francisco lhe confirmou que se deslocará a Portugal em Maio a propósito do Centenário das Aparições.

O bispo auxiliar considera que a visita a Fátima pode ser dada como certa, a não ser que aconteça um imprevisto de agenda ou pessoal.

Caso a visita se verifique, o Papa Francisco será o quarto Papa a visitar Portugal, depois de Paulo VI (1967), João Paulo II (1982, 1991 e 2000) e Bento XVI (2010).

O recorte acima reproduzido pertence ao Notícias de Portugal (semanário de propaganda da ditadura) de 11 de Fevereiro de 1967, onde se conta das andanças, por Roma, do Cardeal Cerejeira tratando dos preparativos das comemorações do cinquentenário de Fátima.

Atente-se no telegrama, proveniente de Paris, sobre o motivo por que o Papa ainda não divulgou o «segredo» de Fátima.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

NOTÍCIAS DO CIRCO


A Mota-Engil, por isto ou por aquilo, não deixa de ser notícia.

Soube-se agora que a construtora terá beneficiado da suspensão provisória de um processo depois de ter pago cerca de seis milhões de euros em impostos em falta, detetados na investigação da Operação Furacão.

A Mota-Engil teve de pagar os impostos em falta e juros de mora para que houvesse uma suspensão provisória do processo. Se não se verificar reincidência o caso é arquivado.

Antes tínhamos ficado a saber que o ex-ministro Paulo Portas entrara para os quadros altos da construtora para consultor político económico para a América Latina.

Alguns jornalistas conseguiram lembrar-se que a Mota-Engil, nos quatro anos do governo de direita, integrara seis missões lideradas por Paulo Portas a cinco países da América Latina.

A propósito deste não luto do político Paulo Portas, concluía Pedro Santos Guerreiro na sua coluna no Expresso:

Não há moralismo nesta coluna mas há moral nesta história. Estar na política é ser estupidamente mal remunerado, sair da política para onde nunca se esteve é ser estupidamente bem remunerado. É o que é. Não é o que sempre foi. É o que sempre será? Visto deste lado, Portas pode bem andar de Mota. Terá de certeza uma carreira de sucesso. Afinal, visto deste lado, governar o país parece ser para isto: para se governar depois. 

segunda-feira, 6 de junho de 2016

NOTÍCIAS DO CIRCO


É típico de ministros, secretários de estado, deputados, terminarem as suas funções e seguirem directamente para grandes empresas.

Já aconteceu a Maria Luís Albuquerque, acontece agora com Paulo Portas.

Vai trabalhar para a Mota-Engil como responsável pelo conselho internacional da empresa.

Diz que não existe qualquer incompatibilidade com as funções que desempenhou no governo.


Quem somos nós para duvidar?

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

CAVAQUICES


 Os jornalistas Filipe Santos Costa e Liliana Valente publicaram, há semanas, um livro sobre o semanário O Independente desde o ano da sua fundação Maio de 1988 até à saída de Paulo Portas, ano de 1995.

Chamaram-lhe O Independente: A Máquina de Triturar Políticos.

O jornal, entre 1988 e 1995, dedicou 91 manchetes aos governos de Cavaco Silva.
Cavaco Silva foi devidamente adjectivado.

São estes os mimos:

Vaidoso, vulgar, manipulador, demagogo, narcisista, cínico, estatista, burocrata, maníaco, altivo, autocrata, burocrata, autoritário, despótico, carismático, egocêntrico, justiceiro, pseudo-iluminado, bimbo, banal, curto, limitado, paroquial, paroquial, parolo, prepotente, medrosos, sem brilho, sem dimensão, arrivista, reacionário, obtuso, confuso, cego, surdo, esquálido, interesseiro, inepto, simplista, oportunista, populista, mediano, salarzinho de subúrbio, imitação barata, vingativo, tosco, arrogante, um bom hipócrita, pequeno, piroso, pusilâmine.

Claro que faltam outros tempos do personagem Cavaco.

Tempos não abrangidos pelo espaço pauloportiano de O Independente.

Os tempos, por exemplo, das negociatas com o BPN.

O tempo como presidente da república.
Que chamaria Portas, e o seu clã, a este mais recente cavaquismo?

Segundo Paulo Pena, jornalista do Público, o livro é um divertido e surpreendente regresso ao passado de muitas figuras importantes da política portuguesa. E, por essa via, uma útil explicação de alguns mistérios do presente.

Fonte: Público de 6 de Novembro de 2015

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

ELAS SÃO QUATRO MILHÕES...


Paulo Portas, ontem, em pré-campanha eleitoral:


Alguém – e não apenas as mulheres – poderá votar em gente desta?

É impossível que Portas não tenha bebido nas palavras que Salazar disse em 1936:

O trabalho das mulheres fora de casa não deve ser incentivado. Uma boa dona de casa tem sempre muito que fazer.


Nota do editor: o título do post é o começo de Revolução e Mulheres de Maria Velho da Costa em .Cravo

Legenda: fotografia de Yves Bottineau.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

NOTÍCIAS DO CIRCO


A CDU coloca Heloísa Apolónia a debater com Paulo Portas.

E assim de repente, eu que já tinha decidido não a assistir a nenhum dos debates televisivos para as eleições de Outubro, vou mandar a decisão própria dar uma volta e, no próximo dia 10 de Setembro, estarei de cadeirinha a olhar a pantalha.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

NOTÍCIAS DO CIRCO


O Pedro sempre tratou o Paulo a pontapé.

Não é de hoje. E assim será pelos tempos fora-

Mas  Paulo não se importa.

Já em Fevereiro de 2005, disse:

Quem anda na política não tem estados de alma. Somos como crianças: tudo o que nos dão temos de aceitar com gratidão.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

NOTÍCIAS DO CIRCO


Pedro Passos Coelho diz que, em 2013, Paulo Portas pediu a demissão por SMS.

Paulo Portas desmente Pedro Passos Coelho.

O Pedro e o Paulo continuam a brincar no recreio da escola.

Nunca mais chega Outubro.

Ah! e ainda faltam 261 dias pr'ó Cavaco sair de Belém!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

POSTAIS EM SELO


O problema do mundo de hoje é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas, e as pessoas idiotas estão cheias de certezas...


Legenda: imagem do Público

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

NOTÍCIAS DO CIRCO


A Procuradoria-Geral da República confirmou hoje o arquivamento do caso dos submarinos, um processo com oito anos e ao qual sempre esteve ligado o nome do então ministro da Defesa e actual vice-primeiro-ministro, Paulo Portas.
De vergonha em vergonha, cá vamos cantando e rindo.
Até quando? 

sábado, 15 de novembro de 2014

NOTÍCIAS DO CIRCO


Ontem soube-se, publicamente, das negociatas que giram à voltas dos vistos gold:

Corrupção, branqueamento de capitais, tráfico de influências, favorecimento nas autorizações de residência, sobretudo a cidadãos chineses, são os crimes com indícios fortes.

O pai da criança é Paulo Portas que, no decorrer da próxima semana, dará explicações na Assembleia da República.

O recorte que encima o texto, é uma nota de opinião de Nicolau Santos e publicada na sua coluna, Cem por Cento, do Expresso de 8 de Novembro.

A páginas 158 do seu livro Caim, José Saramago coloca o senhor a dizer estas palavras:

A terra está completamente corrompida e cheia de violências, só encontro nela corrupção, pois todos os seus habitantes seguiram caminhos errados, a maldade dos homens é grande, todos os seus pensamentos e desejos pendem sempre e unicamente para o mal, arrependo-me de ter criado o homem, pois que por causa dele o meu coração tem sofrido amargamente, o fim de todos os homens chegou operante mim, porquanto eles encheram a terra de iniquidades.

O livro de Gustavo Sampaio, Os Facilitadores, redobra de actualidade em cada dia que passa, dando largo contributo de como a política e os negócios se entrecruzam nas sociedades de advogados.

A corrupção há muito que se instalou na sociedade portuguesa e abrange um vasto leque que vai desde contínuos às mais altas figuras do estado.

Um emaranhado cheio de pontas e onde não se consegue vislumbrar como dar a volta ao texto. Ou por outra, o comum dos mortais é capaz de saber como, mas os que nos (des)governam não querem encarar o óbvio.

A abrir o prólogo do seu livro, Gustavo Sampaio deixa estas elucidativas palavras:


As principais sociedades de advogado a operar em Portugal funcionam como consórcios empresariais ultracompetitivos, sob gestão especializada, por entre fusões, aquisições e parcerias internacionais. A linguagem utilizada pela nova geração de sócios-gerentes – os managing partners que sucederam aos senior partners – das maiores firmas de advocacia tende a assemelhar-se à dos administradores de grandes empresas cotadas em bolsa: criação de valor; rentabilidade; mercado-alvo; liderança; conceito de marca; flexibilidade; estratégia de crescimento; internacionalização; benchmarking; estabelecimento de sinergias; know-how; profissionalização da gestão; eficácia.

Dá-se uma vista de olhos pelo Índice Remissivo do livro e topamos com uma vasta lista de deputados, ex-deputados, ministros, ex-ministros, conselheiros de estado, ex-conselheiros de estados e outras rapaziadas.

Um rapazola, largamente citado, é Luís Marques Mendes que, para além de ser consultor de um escritório de advogados, tem diversas ligações empresariais e é comentador político no Jornal de Sábado da SIC, onde se presta a fazer fretes ao governo e aos amigalhaços

Socorrendo-se de informação privilegiada que colhe junto de membros do governo, e não só, divaga sobre tudo e mais alguma coisa.

Gustavo Sampaio:

Os comentários políticos de Marques Mendes na televisão não se entrecruzam apenas com a actividade de consultor da Abreu Advogados. Por vezes também expõem ligações que remontam à actividade empresarial do antigo líder do PSD.

A Polícia Judiciária deteve quinta-feira 11 pessoas suspeitas de corrupção, no âmbito de uma investigação sobre atribuição de vistos ‘gold'.

Que dirá Marques Mendes, logo pela noite, sobre a negociata dos vistos gold e, mais concretamente, da constituição como arguida da secretária-geral do ministério do ambiente e ordenamento do território e sócia de Miguel Macedo, Ministro da Administração Interna, num escritório de advogados?

O senhor, através da pena de José Saramago tem toda a razão;

A terra está completamente corrompida.

terça-feira, 22 de julho de 2014

NOTÍCIAS DO CIRCO


O Banco Espírito Santo adiou hoje a apresentação dos resultados relativos ao primeiro semestre deste ano para dia 30 de Julho, quarta-feira da próxima semana, após o fecho do mercado.

O vice-primeiro-ministro Paulo Portas disse hoje em Luanda que os bancos centrais de Angola e de Portugal estão a trabalhar em conjunto na situação no Grupo Espírito Santo e ramificações nos bancos do grupo nos dois países.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

NOTÍCIAS DO CIRCO


A Moody's cortou hoje o 'rating' da dívida de longo prazo do Banco Espírito Santo (BES) em três níveis, para B3, e baixou também a nota atribuída aos depósitos de longo prazo do banco em dois níveis, para B2.

O ministro da Defesa, Aguiar-Branco, defendeu que é necessário passar aos portugueses e depositantes que o Banco Espírito Santo não está em causa.

O primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, disse que os depositantes do Banco Espírito Santo têm razões para confiar no banco e afirmou não ter dúvidas quanto à tranquilidade do sistema financeiro português.

Dos jornais

É por isto tudo que não aceito a culpabilização sistemática dos mais pobres e mais fracos e da classe média, por terem vivido “acima das suas posses”, mesmo quando não o fizeram. E mesmo quando havia uma casa a mais, um carro a mais, um ecrã plano a mais, um sofá a mais, um vestido ou um fato a mais, umas férias a mais, uma viagem a mais, recuso-me a colocar estes “excessos” no mesmo plano moral dos “outros”. Algum moralismo salomónico, que coloca no mesmo plano a corrupção dos poderosos e dos de cima com os pequenos vícios dos de baixo e do meio, tem como objectivo legitimar sempre a penalização punitiva de milhões para desculpar as dezenas. É por isto que esta crise corrompe a sociedade e vai deixar muitas marcas, mesmo quando ninguém se lembre de Portas e de Passos.

José Pacheco Pereira

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

NOTÍCIAS DO CIRCO


Paulo Portas inaugurou ontem um relógio que regista, em contagem decrescente, o tempo que falta para Portugal terminar o programa de ajustamento da troika. O relógio regista os meses, dias, horas e minutos que faltam para que a troika abandone Portugal e vai ficar instalado no interior da sede nacional do CDS em Lisboa.

Se o ridículo matasse já não tínhamos vice-primeiro ministro!

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

NOTÍCIAS DO CIRCO


Paulo Portas, enquanto sub-director do Independente, teria dado a um seu estagiário, uma mera tarde para parir um texto como aquele a que o governo chamou Reforma do Estado e que levou nove meses a ser concretizado.
Já nada neste governo causa espanto, tão só desprezo.
Não estivesse em causa as vidas de todo um povo, seria caso para gargalhar.
Como disseram os opinantes: a arte de perder tempo e ocupar espaço.

Esta crónica de Luciano Alvarez foi publicada no Público.

sábado, 20 de julho de 2013

NOTÍCIAS DO CIRCO


É VOZ CORRENTE que a situação económica e financeira do país é muito mais grave do que aquela que nos têm dito que é.

Só assim se compreende a ópera bufa que está em exibição desde que o todo o poderoso ministro Vitor Gaspar pediu a demissão do governo, argumentando que todas as suas previsões tinham falhado, todas as medidas que tomara conduziram o país a uma catástrofe, que o governo não tem rei nem roque.

De imediato, Paulo Portas saltou do barco.

Irrevogavelmente.

Mas não o deixaram sair.

Voltou atrás no que dissera e arrasta-se pelo governo à espera de um qualquer lugar, que lhe dê mais poder, mais exposição mediática.

Cavaco Silva, depois de dois anos a olhar para o boneco, entendeu que era altura de interferir.

Solicitou ao PSD, ao CDS, ao PS que trocassem umas ideias sobre o estado da nação, e lhe apresentassem um acordo de salvação nacional.

Porque se diz um político experiente, que não cede  a pressões, venham elas de onde vierem, teceu um cenário, completamente irrealista e, como entrava pelos dentro, condenado ao malogro.

Durante uma semana os três partidos andaram a fingir que suavam as estopinhas em busca do tal acordo de salvação.

Ontem, o PS bateu com a porta.

Nunca devia ter aceitado o presente envenenado do Presidente, mas isso já é um problema dele e do partido
.
Na opinião do Economist a decisão do presidente foi inapta.

Durante o dia de hoje assistimos ao triste espectáculo do passa culpas, quem traiu quem, de quem inviabilizou o quê.

O governo volta a dizer que está coeso, com amplo apoio parlamentar e insiste em a prosseguir a mesma política, com os desastrosos resultados que se conhecem e que sofremos na pele.

Amanhã, à hora da janta, Cavaco fará o ponto do descalabro.

Deprimente.

Os portugueses manifestam o seu profundo desprezo por esta gentalha.

Uma tristeza sem fim.

PEDRO TADEU no Diário de Notícias:

O que é um acordo de salvação nacional? O que significa salvar o País? O que se quer salvar? Quem se quer salvar?
Os políticos do PSD, PS e CDS que negoceiam umas frases para um papel onde ficará timbrado o percurso para essa dita salvação nacional são os dirigentes dos partidos responsáveis pelo percurso político de Portugal nos últimos 30 anos. São estes os partidos que levaram o Estado, oito vezes secular, à ruína, à perda de independência económica e ao abandono de uma parte da sua soberania política.
Estes são partidos onde medrou gente que na política, nas empresas e no mundo financeiro utilizou abusivamente dinheiros europeus, banalizou faturas falsas, cultivou fugas aos impostos, a "contabilidade criativa", promoveu a construção desenfreada, os atentados ecológicos e urbanísticos, a dependência excessiva do crédito e mais e mais e mais...
Os negociadores do PSD, PS e CDS são dirigentes de partidos que precisam de ser salvos, perdidos na imoralidade carreirista, na servidão aos interesses externos, na dependência eleitoralista, na ambição pequenina, na mediocridade dos seus quadros, no caciquismo dos seus autarcas.

DANIEL OLIVEIRA no Arrastão:

O BPN foi, como se sabe, oferecido ao banco de Mira Amaral. Sim, 40 milhões de euros por um banco é uma oferta. E foi oferecido sem as dívidas, sem tudo o que nele era tóxico e problemático. Isso, Passos Coelho, homem do rigor e dos sacrifícios, deixou para os contribuintes. Para conseguir este extraordinário montante, o Estado deu todas as garantias: o contrato assinado com o BIC prevê que o banco se responsabilize por resolver as ações judiciais instauradas contra o BPN por clientes e trabalhadores, mas, claro está, mediante reembolso do Estado. A primeira factura chegou:100 milhões de euros. No fim o Estado pode vir a pagar ao BIC cerca de 600 milhões de euros. 15 vezes mais do que recebeu pela privatização.

O NÚMERO DE PORTUGUESES que viviam em privação material em 2012 aumentou face ao ano anterior, ultrapassando os dois milhões, revela o Inquérito às Condições de Vida e Rendimento das Famílias. Segundo o Instituto Nacional de Estatística, são mais de 2,5 milhões os portugueses em risco de pobreza ou exclusão social.

O nível de desemprego vai ser pior do que diz o Governo, avisa, novamente, uma instituição internacional. Desta feita é a OCDE que aponta para uma taxa de 18,6% da população ativa em 2014.

OS ONZE PRINCIPAIS banqueiros portugueses ganharam cada um, em média, 1,6 milhão de euros em 2011, totalizando 17,6 milhões entre salários e bónus. Os dados foram divulgados pela Autoridade Bancária Europeia e demonstram que estes banqueiros ganharam 5,2 milhões de euros em remuneração fixa e 12,4 milhões em remuneração variável como bónus e prémios.

sábado, 13 de julho de 2013

NOTÍCIAS DO CIRCO

O TEMPO MUDOU, por uns dias, o calor vai deixar-.nos, de manhã até caíram uns pinguitos de chuva.

Mas foi a única coisa que mudou.

Um executivo moribundo arrasta-se por aí.

O inquilino de Belém olha, medita, entende que deve falar.

Maria já queria estar na Coelheira.

Vai ter de esperar.

A meio da semana, num discurso ininteligível, Cavaco exigiu, um acordo a três: PSD, CDS, PS., um compromisso de salvação nacional.

Se é de salvação nacional que fala, qual a razão de apenas os partidos da governabilidade terem sido chamados?

Com a classe política que nos assiste que se perfila por aí, Portugal é mesmo um país ingovernável.

Definitivamente!

O Paulo e o Passos foram vexados por Cavaco.

Mas ambos estiveram, ontem, amigalhaços, sorridentes, na Assembleia da República, a debaterem o Estado da Nação.

A voz-barítono-do-Pedro, declarou que o governo está vivo e recomenda-se.

Sobre o discurso do inquilino de Belém, o Pedro disse ao Tó Zé: É preciso trocar aquilo por miúdos.

Entretanto, foram todos passar o fim-de-semana.

Não há volta a dar: eleições antecipadas, já!

OS PROCESSOS DE DESPEDIMENTO coletivo concluídos atingiram 4.808 trabalhadores até Maio, o que representa uma média de 32 despedimentos por dia e um aumento de 46,9% face a igual período de 2012.
Segundo dados da Direção-Geral do Emprego e das Relações do Trabalho, o número de empresas que recorreram ao despedimento coletivo aumentou também 30% até Maio (de 387 para 482).

A TAXA DE DESEMPREGO JUVENIL em Portugal atingiu os 37,7% em 2012, a quarta maior da União Europeia, e mais de seis em cada dez jovens portugueses não trabalhavam nem procuravam emprego, divulgou o Eurostat.
De acordo com os dados do gabinete oficial de estatísticas da União Europeia, no ano passado, o número total de jovens portugueses entre os 15 e os 24 anos totalizou 1.128.000, dos quais 266.000 tinham emprego, 161.000 estavam desempregados e 701.000 eram economicamente inativos, devido, por exemplo, à educação e formação, a responsabilidades familiares, a doenças ou a deficiências.

DURANTE O ANO passado, o sector da construção civil perdeu 15 mil empresas e mais de 130 mil postos de trabalho.
Mais de dez mil trabalhadores, trabalhadores que aguardam o pagamento de 50 milhões de euros referentes a salários em atraso e indemnizações.
Há processos de insolvência que se arrastam há mais de dez anos nos tribunais.

SEGUNDO O RELATÓRIO do Observatório de Saúde, 13% de doentes crónicos, com mais de 65 anos, e não só, estão a cortar nas despesas de saúde.
O dinheiro das parcas reformas não chega para tudo: água, luz, casa, comida, medicamentos.

ATRAVÉS DO Público, soube-se que Paulo Portas já procurava um novo gabinete onde assumiria as funções de vice-primeiro-ministro. A decisão de Cavaco ao pedir um compromisso de salvação nacional apanhou o ainda ministro dos Negócios Estrangeiros com os seus pertences empacotados e o gabinete vazio.
Segundo o diário, Portas andava em aventuras nocturnas pelo património do Estado na capital, à procura de uma sede digna para a sua nova função. O ministro até já tinha feito as despedidas pessoais no Palácio das Necessidades.

EIVADA DE RAIVA, numa histérica gritaria, Assunção Esteves, presidente da Assembleia da República, o segundo cargo na hierarquia do estado, gritou para os portugueses que, na galeria, exigiam a demissão do governo.
Façam o favor de se retirar, façam o favor de se retirar!
E não resistiu a citar Simone Beauvoir. 
Não podemos deixar que os nossos carrascos nos dêem maus costumes.
Simone de Beuavoir escreveu a frase, no pós-guerra, e os carrascos eram os nazis que ocuparam o país.
Borrou ainda mais o pé, quando explicou aos jornalistas que utilizara a expressão sem querer ofender nada nem ninguém. Significa que quando as pessoas nos perturbam não devemos dar atenção.
Decididamente, a piquena ensandeceu!

JOSÉ PACHECO PEREIRA, no Abrupto:

Nunca em toda a minha vida, antes ou depois do 25 de Abril, senti um tão agudo ambiente de "luta de classes". Os de baixo contra os de cima. os de cima contra os de baixo. Os de cima que fazem de conta que não há os de baixo, não existem, ponto. Os de baixo que se pudessem apanhar os de cima, sem a corte de guarda-costas, os fariam passar um mau bocado. Sem organização, sem instigação, como quem respira.