Mostrar mensagens com a etiqueta Billie Holiday. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Billie Holiday. Mostrar todas as mensagens

sábado, 23 de fevereiro de 2019

ESTAS MÚSICAS


No arquivo da Shorty encontrei esta fotografia de Billie Holiday, captada, em Fevereiro de 1947, por William Gottlied no Downbeat Club, em Nova Iorque.
Claro que nem palavras, nem fotografias, alguma vez conseguiram captar a genialidade, a permanente angústia de Bilie Holiday e da raça negra.
Apenas quando lhe ouvimos as canções descobrimos essa angústia e muito mais.
Como escreve José Duarte no prefácio de Lady Sings de Blues:
«Tema que Billie escolhesse, ficava cantada para sempre, esgotado, e até, por vezes, com novo significado e e melhor melodia».
É o caso desta «Strange Fruit», um libelo contra os linchamentos da minoria negra nos Estados Unidos, uma canção de protesto mas, acima de tudo, um gesto de pura arte.
«Árvores do sul produzem uma fruta estranha, sangue nas folhas e sangue nas raízes, corpos negros balançando na brisa do sul».

domingo, 22 de outubro de 2017

AUTUMN IN NEW YORK


O «Autumn in New York» é para mim o sstndard mais bonito... O Wynton Marsalis disse um dia que nunca se ouviu jazz até se escutar a Billie Holliday a cantar o «Autumn in New York».

Salvador Sobral





«Autumn in New York» é um standard de 1934, letra e música de Vernon Duke.
Que raio terá o Outono m Nova Iorque para ser tão convidativo?
Diz quem viu, que é um espectáculo de extraordinária beleza, as mais variadas folhagens que imaginar se possa.
Cheguei lá pelo cinema, pelas fotografias.
Dor e amor, sonhadores com mãos cheias de nada que, mesmo esforçadamente, conseguem chegar mais longe.
É bom viver o Outono nos milhares de Parques Centrais espalhados por este mundo.
Será?
Fazer por isso mesmo que hoje, aqui, tenhamos que viver um Outono que se passeia lá fora disfarçado de Verão.
Mas o importante é a visibilidade dos afectos.

terça-feira, 7 de abril de 2015

POSTAIS SEM SELO


Mas não há médico nenhum que nos possa dizer aquilo que o nosso corpo sabe já. Uma manhã descobri que estava mesmo curada. Foi quando não consegui ver mais televisão. Quando estava drogada passava horas a ver televisão e adorava. Quem sabe o que o futuro nos reserva? Outro julgamento? Claro. Outra prisão? Talvez. Mas se conseguimos mais uma vez vencer o hábito e desistir de ver televisão, não há cadeia no mundo que nos incomode.
Cansada? Se estou! Mas em breve esquecerei isso tudo com o meu homem…


Billie Holiday em Lady Sings The Blues

OLHAR AS CAPAS


Lady Sings The Blues

William F. Rudy
Tradução adaptação Framces Jude Rosário Duarte
Prefácio: José Duarte
Edições Antígona, Lisboa 1992

Foi durante a minha passagem pelo Café Society que nasceu uma canção que se tornou o meu protesto pessoal: «Strange Fruit». O embrião da canção estava num poema escrito pelo Lewis Allen. A primeira vez que o vi foi no Café Society. Quando ele me mostrou aquele poema fiquei logo impressionada. Parecia que falava de todas as coisas que tinham morto o meu pai.
O Allen também tinha sabido das condições em que o meu pai morrera e, claro, estava interessado na minha voz. Ele sugeriu que Sonny White e eu fizéssemos a música para o poema. Por isso juntámo-nos os três e fizemos o trabalho em três semanas. Também tive uma grande ajuda do Danny Mendelsohn, um outro músico que já me tinha feito arranjos. Ajudou-me com muita paciência a fazer o arranjo para a canção porque não tinha a certeza se conseguia transmitir essas coisas, que tinham um significado para mim, ao público de um clube fino.
Tinha medo que as pessoas detestassem. A primeira vez que a cantei fiquei com a sensação que tinha sido um erro e tinha razões para ter medo. Não houve sequer um ameaço de palmas quando acabei de cantar. Então uma só pessoa começou a bater palmas nervosamente. E de repente toda a gente estava a bater palmas.

VELHOS DISCOS




Mais um disco comprado na Grande Feira do Disco.
Custou 200 escudos, ao cambio de hoje, um euro.
Neste dia, há 100 anos, nascia Billie Holiday.

domingo, 21 de setembro de 2014

O VERÃO A DESPEDIR-SE


Um domingo, o último do Verão deste ano, com raios e coriscos, chuva a cântaros.

Hoje, a escolha da versão de Summertime, também é de cinco estrelas: Billie Holiday.

Conhecia a horta de Verão da casa dos velhos para onde os meus pais me mandavam, miúdo, passar as férias, numa aldeia plana, cercada por canais de irrigação e renques de árvores, com vielas entre arcadas baixas e águas-furtadas muito altas. Da minha infância só me ficara o Verão. As ruas estreitas que por toda a parte desembocavam nos campos marcavam de dia e de noite as fronteiras da minha vida e do mundo. Era um grande acontecimento se um automóvel, a buzinar com estrépito, vindo sabe-se lá de onde, atravessava a aldeia pela estrada principal e se afastava sabe-se lá para onde, para outras cidades, para o mar, levantando uma nuvem de garotos e de poeira.

Cesare Pavese em O Diabo Sobre as Colinas

Legenda: pintura de Nikolay Bogdanov-Belsky




sexta-feira, 26 de julho de 2013

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS


Se não sabem, ficam a saber que o Diário de Notícias, na sua colecção Divas, disponibiliza, hoje, um CD de Marilyn Monroe, integrado numa colecção por onde já passaram Maria Callas, Ella Fitgerald, Amália, Edith Piaf, Aretha Franklin, Billie Holiday, Judy Garland e, ainda passarão, Marlene Dietrich e Carmen Miranda,

A selecção musical e notas, são da responsabilidade de Rui Vieira Nery, enquanto Patricia Reis assina um texto ficcional sobre Marilyn, que termina assim:

A saúde de Marilyn está cada vez pior. Sofre de fobias. Chega sistematicamente atrasada às filmagens. Começa a fazer terapia com um psiquiatra e aceita ser internada na mesma instituição onde a mãe esteve. O facto de não ter conseguido ter filhos, apesar de ter engravidado duas vezes não ajudou. Queria muito ser mãe. E isso eu compreendo muito bem. Foi uma bênção ter conseguido adoptar os meus filhos. Marilyn foi operada para corrigir uma obstrução nas trompas de falópio. A seguir teve uma crise de vesícula e voltou a ser operada. Nos anos sessenta estava já um fio e era tão nova. Se pensarmos, morreu com 62 anos. Parece que a última pessoa a falar com ela ao telefone terá sido o presidente Kennedy, mas quem o pode garantir? Elton está convencido de que a mandaram matar. Era inconveniente, como misturava bebida com comprimidos, não tinha filtro. Era uma diva e uma menina perdida ao mesmo tempo. Como tantas outras divas. Parece que DiMaggio colocou rosas na sepultura da ex-mulher até morrer. Eme morreu em 1999. A isso eu chamo amor. Elton diz que posso estar enganado. Mas que sei eu? Casei com Elton John, a minha vida é uma montanha russa. E admito, existem dias em que Elton é Marilyn. Não me perguntem mais.

sábado, 17 de dezembro de 2011

SODADE


Quando no dia 24 de Setembro, numa entrevista ao Le Monde, Cesária Évora afirmou que, por conselho médico, teria de terminar a carreira e regressava a S. Vicente, sua terra natal, sabia ela, ficámos a saber nós, que o fim não estaria longe.

Há dias, puxei para aqui uma conversa em que a Cise revelava que nunca teve cuidados com a voz, e fumar cigarro e tomar uns copos era uma óptima receita, experiências de uma vida difícil para o sustento diário, andar de navio em navio, de bar em bar, até que José da Silva a levou para França.

Gostava de ter sido reconhecida primeiro em Portugal, mas foram os franceses que a colocaram nos palcos do mundo e guardou sempre essa mágoa que, juntamente com outras, agora, aos 70 anos, partiram com ela.

Viajava sem sapatos na mala e justificava o insólito dizendo quem cantava era Cesária e não os sapatos.

Gostava de Bilie Holiday, Charles Aznavour, Edith Piaf, Nat King Cole, Amália.

Por esse caminho longe, partiu para outras cantorias, tomando um groguinho de Santo Antão, sorrirá ao ouvir o amigo Tito Paris dizer que o artista e o poeta praticamente não morrem. Desaparecem mas não morrem e nós vamos ouvir Cesária até ao fim da nossa vida, ela vai existir com as suas mornas e coladeras até ao último dia das nossas vidas.

Em jeito de lembrança fica aqui uma crónica de Eduardo Pardo Coelho, publicada no Público, quando Cesária Évora foi agraciada com o Grau de Grande Oficial da Ordem de Mérito.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

OS CLÁSSICOS DO MEU PAI


O meu pai gostava mais de “blues” do que de “jazz”.
Não tinha grandes leituras sobre a matéria e a afirmação provinha de mero gosto pessoal.
Tinha simpatia por Billie Holiday e uma predilecção muito especial por “Strange Fruit”,
canção que Billie Holiday gravou em 20 de Abril de 1939 e que se transformou em porta-estandarte da luta dos Direitos Civis dos negros norte-americanos. Em 1999, a revista “Time” descreveu-a como sendo a “canção do século” e foi incluída na lista de “Canções do Século” pelo organismo que tutela a indústria discográfica dos Estados Unidos.
 

Na autobiografia que  ditou a William F. Dufty (1) , Billie Holiday conta a história de “Strange Fruit”:

“Foi durante a minha passagem pelo Café Society que nasceu uma canção que se tornou o meu protesto pessoal: «Strange Fruit». O embrião da canção estava num poema escrito pelo Lewis Allen. A primeira vez que o vi foi no Café Society. Quando ele me mostrou aquele poema fiquei logo impressionada. Parecia que falava de todas as coisas que tinham morto o meu pai.
O Allen também tinha sabido das condições em que o meu pai morrera e, claro, estava interessado na minha voz. Ele sugeriu que Sonny White e eu fizéssemos a música para o poema. Por isso juntámo-nos os três e fizemos o trabalho em três semanas. Também tive uma grande ajuda do Danny Mendelsohn, um outro músico que já me tinha feito arranjos. Ajudou-me com muita paciência a fazer o arranjo para a canção porque não tinha a certeza se conseguia transmitir essas coisas, que tinham um significado para mim, ao público de um clube fino.
Tinha medo que as pessoas detestassem. A primeira vez que a cantei fiquei com a sensação que tinha sido um erro e tinha razões para ter medo. Não houve sequer um ameaço de palmas quando acabei de cantar. Então uma só pessoa começou a bater palmas nervosamente. E de repente toda a gente estava a bater palmas”
  
                                                 

Certamente que o meu pai gostaria de ter ouvido este tributo que Tony Bennett prestou a Billie Holiday.

“God Bless The Child”.
________________

(1)   - “Lady Sings The Blues”
               Tradução e adaptação de Frances Jude Rosário Duarte
               Prefácio de José Duarte
               Edições Antígona, Lisboa 1992