João Carlos
Raposo Nunes, nasceu em Lisboa, em 1955 é livreiro e alfarrabista na baixa de
Setúbal, perto da Câmara Municipal.
O Raposão
passou a ser um dos comparsas do Luiz Pacheco e que amiúde lhe mandou, durante
13 anos bilhetes-postais, cartas, o que calhava.
Convém
lembrar, se há escriba que deram largo trabalho aos Correios portugueses, Luiz
Pacheco está em lugar de topo.
Segundo João
Pedro George, Luiz Pacheco sofria «de compulsão epistolar.»
O próprio
Pacheco escreveu:
«No gesto de guardar cartas há uma certa afectividade ou interesse ou coisa que
o valha. Um gajo que está numa cadeia, num hospital, numa aldeia, se comunica
com alguém, se gosta de comunicar, a carta é um derivativo».
Postal de Pacheco para o poeta Zé Gomes
Ferreira em 14 de Abril de 1968:
«Chego a Lisboa de Albarraque e encontro
um postal muito circunspecto (Ex.mo Senhor Dr. José Gomes Ferreira) do Luiz
Pacheco a pedir-me 50 escudos.
«Encontro-me numa fase em que não me
repugna pedir porque o meu caso é daqueles que, talvez, a tempo, um
empurrãozinho me liberte da cadeia (outra vez), ou do hospício, ou da fome.
Tenho outro livro ente mãos, Exercícios de Estilo, título larapiado ao
Queneau.»
Serafim Ferreira, na editora Escritor, em Maio de 1996, publicou Cartas na Mesa, que reúne as muitas cartas e postais que Luiz Pacheco lhe enviou entre 1966 e 1996.
Do prefácio:
«No entanto, talvez seja através das
suas cartas que epistolou com tanta gente ao longo de muitos anos, a propósito
de tudo e de nada) que Luiz Pacheco melhor e mais verdadeiramente dá conta das
suas amarguras, dificuldades, condenações e prisão nas cadeias do Limoeiro ou
das Caldas da Raínha, mas também por aí se revelam as «pedras» brancas no
percurso de um escritor maldito e nem sempre muito bem comportado, que se
coloca na linha daqueles a quem a sorte de alguma forma mal protegeu, não por
ter direito a isso, mas tão-só por entender a literatura como um «propositado
apagamento pessoal», e isso uma e outra vez afirmara nas várias
entrevistas e depoimentos que se conhecem.»
Temos, pois, mais um livro de cartas do Pacheco.
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