Manuel Alberto Valente, na crónica que publica no Expresso, dedicou uma das últimas (27 de Janeiro) a recordar autores esquecidos.
A crónica começa
assim: «O tempo, esse grande escultor,
como lhe chamou Yourcenar, é muitas vezes ingrato com certos autores: depois de
um período de fama e reconhecimento, aira-os para o caixote do lixo da
História.»
E passa a citar
Altino do Tojal com os seus «Putos», Américo Guerreiro de Sousa, ManuelFerreira.
Lembra também
alguns autores esquecidos que estão a ser republicados como Maria Ondina Braga
(Imprensa Nacional), Maria Judite de Carvalho (Minotauro) e lembra ainda A Cidade das Flores de Augusto Abelaira,
que há muito se encontrava esgotado.
Mas o interessante da
crónica é que Manuel Alberto Valente lembra que o fenómeno
do esquecimento de escritores não é apenas português, mania muito nossa, e conta:
«Há alguns anos, conversando na Feira de Frankfurt com uma jovem
editora francesa, contei-lhe quão importante havia sido para a minha geração um
autor como Roger Vailland. Olhou-me espantada, e confessou que não só não havia
lido, como nem sequer conhecia o nome. E era editora… O tempo pode ser um
grande escultor, mas também muitas vezes, o barro com que esculpe desfaz-se e é
arrastado pelo vento.»
Por Roger Vailland
sei bem do que fala o Manuel Alberto Valente.
Reconto a história já
aqui deixada em Junho de 2013:
Um livro ternurento de que o Mário Castrim disse ser uma armadilha de encantamento de que poucos livros conhecem o segredo”, e o Júlio Conrado: “ao que o Eduardo Olímpio chama mini-crónicas chamo eu pérolas da literatura portuguesa. E assumo a inteira responsabilidade daquilo que escrevo., ou o Jorge Listopad: Lê-se, e o português canta. Através das coisas, das falas, do tempo. Sem falso lirismo, sem literatice. É possível que passasse por entre os “grandes” despercebido? Que não tivesse encontrado os leitores que merecia e merece?.