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quarta-feira, 3 de abril de 2024

VIAGENS POR ABRIL


                Este não é o dia seguinte do dia que foi ontem.

                                                       João Bénard da Costa

Será um desfilar de histórias, de opiniões, de livros, de discos, poemas, canções, fotografias, figuras e figurões, que irão aparecendo sem obedecer a qualquer especificação do dia, mês, ano em que aconteceram.


3 de Abril de 1974

A sala do Politeama, foi pequena para conter a multidão que quis assistir à estreia de Eusébio, a Pantera Negra, filme de Juan de Orduña, que, vítima de um acidente de viação, nos primeiros dias de Fevereiro, não concluiu o filme.

Diz quem viu, que o filme é um perfeito desastre, um nítido oportunismo à volta da grandeza, da popularidade de Eusébio da Silva Ferreira.

Houve quem poupasse horas de vida em não ir ver o filme mas outros, grande parte, têm esgotado as sessões e gritam, aplaudem, assobiam como tudo estivesse a acontecer no estádio.

A agenda do Cinéfilo, coloca-o no espaço de DIA NÃO e explica a escolha desta maneira:

«Eusébio já viu e não gostou. Para nós tem o maior crédito a opinião de profissional tão competente e só lamentamos que o seu nome possa servir para avalizar negociatas deste jaez, que apelam, única e exclusivamente, para a exploração mais rasteira de um fenómeno, que interessa muita gente neste País – o desporto e os seus praticantes.
Num terreno tão propício (oh, se era!) a uma análise das implicações sociais e humanas do desporto profissional na vida de certas sociedades e com uma figura, como a de Eusébio, tão significativa da apropriação de um atleta para fins que já ao desporto não dizem respeito, que polémico filme se poderia ter feito, se os interesses em jogo não fossem movidos pela mera sede de lucro fácil. Mas, no fundo, não será isto, em grande parte, a desgraça permanente de um homem como Eusébio?»

Registam-se greves em grandes empresas como a UCAL, a Siemens, a Motra, a UTIC, a Philips.

O Sindicato Nacional dos Empregados Bancários do Distrito de Lisboa protesta contra a proibição governamental de uma assembleia geral para discussão da revisão salarial.

Há escassez de bacalhau, queixam-se os armadores. As capturas diminuem desde 1969 e a frota portuguesa já só atinge 47% das necessidade de consumo. O almirante Henrique Tenreiro, presidente da Junta Central das Casas de Pescadores e delegado do governo junto do organismo das pescas, mantém o habitual silêncio.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

SUBLINHADOS SARAMAGUIANOS


Dito já que começaram as iniciativas que visam registar o centenário do nascimento de José Saramago, acrescenta-se que irei pegando num qualquer livro de José Saramago e copiarei dele uma frase, um parágrafo, aquilo que constitui os milhares de sublinhados que, ao longo dos muitos anos de leituras, invadiram os livros de José Saramago que habitam a  Biblioteca da Casa. 

Eusébio nasceu em Lourenço Marques no dia 25 de Janeiro de 1942.

José Saramago nunca foi muito de futebóis. Por influência do pai terá sido sócio do Benfica. No livro José Saramago: A Consistência dos Sonhos, na página, 25 podemos vê-lo, aos 11 anos, com o emblema do clube na lapela do casaco.

Mas no dia 25 de Abril de 1995, escreve no 3º volume dos seus Cadernos de Lanzarote:

«O motorista do táxi que me leva a Grande central Station pergunta-me se sou espanhol: algo lhe deveria ter soado desse género aos ouvidos. Do género ibérico, digo, uma vez que não admitiu a possibilidade de eu ser argentino ou mexicano. Respondi-lhe como devia, uma vez que à pátria não há que renega-la nunca. Então vejo abrir-se no espelho retrovisor um sorriso feliz, cintilar um olhar deslumbrado, e ouço, deformada por uma pronúncia atroz, muito pior do que tinha sido a minha, a mágica palavra: «Eusébio.» Surpreendido, julgando ter ouvido mal, pedi-lhe que repetisse, e ele repetiu: «Eusébio, Eusébio…» Tantos anos passados sobre os seus tempos de glória, o nosso Eusébio de Moçambique ainda tem quem o recorde no Novo Mundo. E, como se isto fosse pouco, um motorista de táxi, de quem não cheguei a apurar as origens, sabia que ele era português…»

sexta-feira, 22 de outubro de 2021


PYE  - PATS 7002

Make Me An Island – If You Care A Little Bit About Me

Permitam-lhe que ele desarrume a memória e que, por uma história de nada – ou de tudo? – ponha o Joe Dolan a rodar.

Um café de província, Alfeizerão, junto a uma bomba de gasolina, uma bomba de gasolina da Mobil, que não era como as bombas de gasolina que o imaginário dos filmes americanos lhe transmitiu.

Duas, três mesas, uma jukebox a um canto, todas as sextas-feiras do último mês, de quase quarenta meses de tropa, dez tostões na ranhura da jukebox e o Make Me An Island do Joe Dolan a cantar no sonolento café, 2, 3 gins tónicos a completar o cenário.

Ele que até à data, depois de um milhão de gin-tónicos – chapelada a Mr. Humphrey Bogart – bebidos, em muitos e diversos bares, uns rascas, outros a armar ao fino, terá sempre na memória o sabor daqueles gins.

As circunstâncias fazem milagres e ele sabe que os gins eram merdosos e aproveita para  citar Nuno Júdice:  nada nos faz reviver melhor o passado do que um cheiro que em tempos lhe esteve associado.

É isso.

O gin era marca Bols, a água tónica era Canada Dry, o limão não tinha casca, o dono do café aproveitava as cascas para os martinis, o gelo tirava-o das paredes da geladeira dos gelados Olás, mas nada, que Joe Dolan e o seu Make Me An Island, o saber que, em passo de corrida, o findar da tropa se aproximava não fizessem esquecer.

Terminou a tropa ao bater do meio-dia de 30 de Setembro de 1970.

Apanhou a camioneta azul da carreira dos Claras, chegou a casa, pegou na Aida e zarpou para Os Perús, à Praça do Chile, frango assado, no dizer do escritor e jornalista Rui Cardoso Martins,  os melhores frangos assados do mundo, uma garrafa de tinto Aliança, pudim flan, Antiqua, em balão aquecido, se faz favor, e  ala que se faz tarde para  o 3º anel da Luz, que ainda não era Catedral, ver o Glorioso espetar 8 a 1 no Olimpija, uma rapaziada que em Liubilana, na 1º mão da 1ª eliminatória da Taça dos Clubes Campeões Europeus, tinha cometido a soberba proeza de empatar a um golo.

Para o informe ficar como deve ser:

O árbitro foi o Sr. Queudeville do Luxemburgo e o Glorioso alinhou com José Henrique na baliza, Malta da Silva, Humberto Coelho, Zeca e Toni (Barros entrou aos 80 m), Jaime Graça, Matine, Simões (capitão), Artur Jorge, Torres e Eusébio.

O treinador era o inglês Jimmy Hagan, o garagista.

O pantera negra meteu 5 golos, Zeca, Artur Jorge, Jaime Graça, completaram o placard.

Na jukebox de um café de província, junto a uma bomba de gasolina, Joe Dolan acabou de soltar os últimos versos take me and break me and make me an island, I'm yours.

Ainda sente o último gole de gin antes de se pôr a caminho para o último recolher do dia, no RI 5 das Caldas da Rainha, a mesma porta de armas por onde, 42 meses depois, por um 16 de Março, um grupo de militares saiu, a caminho de Lisboa, para aquilo que, ainda hoje, ninguém sabe explicar muito bem o que foi.

Um ensaio para o 25 de Abril, dizem os que pormaiores querem abreviar.

Sing again, Joe!

segunda-feira, 3 de maio de 2021

OUTRO GALO NOS CANTARIA


25 de Julho de  1966

Em torno da nossa mesa habitual na cave do Martinho, o Magalhães Godinho, o Carlos de Oliveira, o Abelaira e eu discutimos futebol.

Trocámos de certas consequências grotescas advenientes desse fenómeno, sobretudo dos artigos dos jornalistas analfabetos («a selecção portuguesa possui todas as características da imaginação da raça latina» - escreve um deles).

- Em todo o caso – articula Magalhães Godinho – sejamos justos. Se os nossos catedráticos, por exemplo, encarassem a sua profissão com a seriedade que o Eusébio encara a dele, outro galo nos cantaria.

José Gomes Ferreira em Dias Comuns, Volume I

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

QUOTIDIANOS


Ontem, domingo para esquecer.

Eleições autárquicas e futebol.

A CDU perdeu autarquias históricas, uma delas, Almada, por pouco mais de 200 votos!

O Benfica está a jogar miseravelmente.

Ontem voltou a escorregar no Funchal dando a clara indicação que o Penta Campeonato é já uma mera miragem.

Não tenho qualquer sabedoria se Eusébio da Silva Ferreira gostava de Jazz ou de música clássica.

Mas ei que, pelo menos, dois grandes nomes do jazz quiseram conhecer Eusébio.
Duke Ellington em 1966 e Dizzy Gillespie que aterrando em Lisboa para o Festival de Jaaz de Cascais, logo falou a José Duarte que queria conhecer Eusébio.


Tudo começara em Novembro de 71, quando Dizzy tocou em Portugal pela primeira vez no I Festival de Cascais, o histórico. Dias antes, em Varsóvia, o trompetista pedira-me para conhecer, em Lisboa, a Pantera Negra, a Black Pearl, está-se mesmo a ver: Eusébio.
Dezanove anos depois, o encontro teria de se repetir e agora por sugestão dos três.
No hotel mostrei-lhe as fotografais de 71, nada de cabelos brancos, uma filha do Eusébio com três anos, fotos para a posteridade, ao colo de Sonny Stitt, outro notável do jazz já desaparecido, e ainda fotos no relvado da Luz a assistirmos a um Portugal-Bélgica e onde Eusébio jogou mal, diz ele.

E para grande escândalo de José Gomes Ferreira, tal como conta num dos seus Dias Comuns, o violinista Igor Oistrakh, baldou-se a una soirée artística em casa da marquesa do Cadaval para ir ver o Eusébio.


 O incomparável violinista soviético David Oistrakh está em Lisboa. E ontem, depois de um concerto triunfal no Império, foi convidado para uma recepção em casa da Marquesa do Cadaval.
O russo porém recusou e preferiu ir assistir a um desafio de futebol em que jogava o Eusébio – hoje o português mais conhecido em todo o mundo pela maneira como joga à bola.
- O Choskatovich ainda gosta mais de futebol do que eu – confidenciou o genial violinista não sei a quem.

Legensa; Eusébio e Duke Ellington em 1966.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

EUSÉBIO DA SILVA FERREIRA


Copiado de A Bola de hoje

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

EUSÉBIO, A HISTÓRIA DE UMA LENDA


Começou a ser divulgado o trailer do documentário de Filipe Ascensão, Eusébio, História de uma Lenda. 

Se fosse vivo, Eusébio faria amanhã 75 anos.  

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

HÁ TRÊS ANOS


Eusébio da Silva Ferreira, o Rei, morreu há 3 anos.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

quarta-feira, 9 de março de 2016

POSTAIS SEM SELO


Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, logo após a cerimónia de posse de Marcelo Rebelo de Sousa na Assembleia da República, deslocou-se, ao estádio da Luz, onde homenageou Eusébio da Silva Ferreira.

Legenda: fotografia do Diário de Notícias

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

LEMBRANDO O REI


Eusébio morreu há 2 anos.
Sempre presente!

sexta-feira, 3 de julho de 2015

EUSÉBIO


Eusébio da Silva Ferreira entra hoje no Panteão Nacional.
Uma casa errada.
A verdadeira casa de Eusébio da Silva Ferreira é o Estádio da Luz.
Isso sim, era a melhor, a verdadeira homenagem que lhe poderiam fazer.
O resto é folclore, para elevar o ego de autarcas, deputados, governantes, e afins.
Há dias, no JL, Eugénio Lisboa escrevia:
Rever o Eusébio, a fulgurar em Liverpool, ainda me causa arrepios de prazer e admiração.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

A CAMINHO DO PANTEÃO


É já na sexta-feira que Eusébio sa Silva Ferreira entrará no Panteão.

sábado, 30 de maio de 2015

OLHARES


Feira do Livro, Lisboa, Junho 2014.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

OS IDOS DE ABRIL DE 1975


29 de Abril de 1975

OS JORNAIS dão conta que Eusébio, por um cachet de 2.550 contos, vai realizar 15 jogos dos Estados Unidos.

ANUNCIADA a saída próxima de um semanário: O Jornal. Um conjunto de jornalistas, insatisfeitos pelas pressões que não lhes permitem a liberdade de informação desejada, constituem-se em cooperativa para publicação do semanário

MIGUEL TORGA no seu Diário:
Meu dito meu feito. Depois do amuo, a reacção raivosa dos vencidos. Vencidos menos pelo significado numérico dos votos do que pela maneira  ressentida como vivem a sua condição minoritária. O que devia ser um íntimo contentamento colectivo – cada português a felicitar-se de pertencer a um agregado humano que depois de um  cativeiro de meio século, acrescido de um inesperado surto de medo que parecia não ter fim, foi capaz  de uma atitude cívica exemplar -, motivo de desespero para todos os derrotados. Não sabemos perder nem ganhar, Se perdemos, odiamos o vencedor, e fazemos tudo para lhe tirar da cabeça a coroa de louros; se ganhamos, ninguém nos atura, porque falseamos a dimensão da vitória na expressão empolada do triunfalismo.


Fontes:
- Acervo pessoal;
- Os Dias Loucos do PREC de Adelino Gomes e José Pedro Castanheira.
- Diário de Miguel Torga.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

EUSÉBIO E O PANTEÃO


Soube-se esta semana.

Eusébio a caminho do Panteão. Processo de trasladação começa agora.

A família está de acordo e o Benfica também.

Um conjunto de deputados já fechou o texto, que é o primeiro passo para a trasladação de Eusébio para o Panteão Nacional.

O José Gomes Ferreira dizia que devíamos morrer de outra maneira – transformámo-nos em nuvem, por exemplo.

Não gosto de panteões. Muito menos para pessoas que admiro.

Envolve sempre pontas nebulosas, de hipocrisia, de oportunismo político.

Recorde-se  a polémica, no tempo de Nikolas Sarkoyy, da ida de Albert Camus para o Panteão.

Também não concordei com a transladação da Sophia de Mello Breyner Andresen, e estou certo que Sophia também não concordaria.

Quem ama o mar como ela amou, não gostaria de ser encafuada junto de alguma gente tão pouco recomendável.

O Panteão do Eusébio é o Estádio da Luz.

Foi ali que ocorreram as grandes tardes de domingo, as grandes noites de quarta-feira.

Eusébio como estrela de equipas de primeiríssima água.

É essa a minha memória.

Não quero outra.

sábado, 10 de janeiro de 2015

NOSSO REI EUSÉBIO

Homenagem ao Rei.
Benfica 3 - Vitória de Guimarães 0. 

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

QUEREM LEVAR-NOS D. AUSÍBIO!


Eusébio chegou a ser pretendido por grandes clubes estrangeiros. 
Na altura, falou-se da Juventus e do Inter de Milão, mas as transferências foram travadas pelo Botas de Santa Comba.
Salazar, que odiava futebol, justificava a decisão dizendo que Eusébio era uma instituição.
Esta é uma paródia à história das transferências, publicada no suplemento A Mosca do Diário de Lisboa de 7 de Março de 1970,

O POVO CONSAGROU-O!


Mundo Desportivo, 26 de Setembro de 1973
Manuel Mora era o director do jornal.