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segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

NOTÍCIAS DO CIRCO

A prisão do ex-banqueiro e conhecido vigarista, João Rendeiro, mereceu, maioritariamente, elogios à Polícia Judiciária.

Rui Rio, presidente do PSD, não concorda e sugeriu que a realização de eleições legislativas em 30 de Janeiro influenciou a detenção de João Rendeiro.

«Pelos vistos, o azar de João Rendeiro foi haver eleições em Janeiro», escreveu Rui Rio noTwitter.

Este candidato a primeiro-ministro de Portugal existirá mesmo? Ou é um mero homem do Porto?

Nada disto lembraria ao careca, como diria um antigo comentador político.

domingo, 21 de novembro de 2021

NOTÍCIAS DO CIRCO

«O que fica claro é que António Costa e Rui Rio tinham, neste momento, todas as condições para impedir uma crise, já que se comprometem a, com as mesmíssimas condições e lideranças, impedir um impasse destes depois de 30 de janeiro. Se há solução para estas circunstâncias com os mesmos protagonistas e eles até o dizem, porque não foi tentada, pelo menos negociada, para impedir esta crise? Só pode haver uma resposta: a crise e as eleições agora interessavam a alguém. Basta olhar para as sondagens para perceber a quem seguramente não interessavam e a quem podiam interessar. Se seguirem esse rasto, a propaganda fica mais difícil de fazer. Costa e Rio explicam quando falam de cenários futuros que a crise presente tinha solução.

Se era evitável e aconteceu, é porque é útil a alguém. E não é difícil perceber a quem. Talvez Rio tivesse pressa para não ser apeado. Talvez Costa tivesse pressa para secar a sua esquerda e tentar a maioria absoluta. Isto já são conjeturas. Que a solução existia, é um facto que os dois não negam quando nos falam do futuro.»

Daniel Oliveira no Expresso

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

AINDA BEM QUE ME FAZ ESSA PERGUNTA


 Estará a democracia  em perigo?

Não sei bem, até porque tenho algumas dificuldades em perceber do que se fala quando a democracia desce à mesa da conversa.

Os comentadores daqueles canais de notícias, exalam uma euforia louca. Têm congressos de partidos, têm eleições para o ano, têm, para além das idas ao multibanco, mais as selfies, os sorrisos, os afectos, as intervenções sistemáticas de Marcelo sobre tudo e nada.

Ainda têm as montanhas de corrupção em tudo o que é empresas, ministérios, autarquias, até nas forças armadas.

Ariane, no guião de João César Monteiro De Bassin de John Wayne, diz para João de Deus: «Parece que não conheces a corja da têvê»

Por outro lado, ah sim!, por outro lado:

- o drama português não é o galope da pandemia, mas a possibilidade de a selecção portuguesa de futebol, se continuar com o seleccionador dos eternos milagres não marcar presença no mundial do Catar,

- os patrões voltam a pedir contrapartidas pelo «brutal» aumento do salário mínimo que o governo pretende fixar.

- ainda os patrões, mas agora da restauração, hotelaria e do turismo, dizerem estar a sentir sérias dificuldades para encontrar trabalhadores portugueses para os sectores, e têm de recorrer a trabalhadores das Filipinas, do Nepal, por aí fora, mas o que eles pretendem é subsistir com a sua estratégia de negócios intacta: salário mínimo, horários desregulados, recurso a estagiários e trabalho temporário. A falta de mão-de-obra é a miserável desculpa de quem não quer trabalhadores, mas escravos.

- Portugal aproveitou apenas metade dos fundos da União Europeia para apoio a refugiados e as organizações que trabalham no terreno queixam-se de um processo com muitas falhas e de falta de transparência na forma como o dinheiro tem sido gerido.

- Rui Rio, independentemente do que vier a ser o resultado das eleições do próximo ano, revelou disponibilidade para um acordo parlamentar com o Partido Socialista.

- António Costa, após mandar dizer que a esquerda não deixou passar o orçamento para 2022, dando continuidade ao truque, continua a sonhar com a maioria absoluta nas eleições do ano que vem.

sábado, 13 de março de 2021

NOTÍCIAS DO CIRCO

Enquanto estiveram no governo, PSD e CDS tudo fizeram para que o Serviço Nacional de Saúde não tivesse os apoios, mais que necessários, para o desenvolvimento do seu trabalho.

O actual bastonário da ordem dos médicos, nas suas múltiplas aparições nas televisões , tudo tem feito para apoucar o trabalho do governo e não se cansa de louvar os hospitais e médicos do privado em detrimento do Serviço Nacional de Saúde.

Rui Rio tentou levar este Bastonário para ser o candidato do PSD à Camara Municipal do Porto. Alguma coisa falhou pelo que Rio terá que escolher outro personagem.

Mas em Coimbra conseguiu que um ex-bastonário da ordem dos médicos seja o candidato à Câmara Municipal.

Por aqui se pode concluir das preferências políticas dos bastonários da ordem, das preferências que têm pela medicina privada. Sabendo-se do preço das consultas dos médicos privados também se fica a saber das razões por que a ordem tem bastonários direitistas.

Também se sabe que, quando médicos e hospitais estão com as calças na mão, recorrem aos hospitais do Serviço Nacional de Saúde.

Para esta gente a medicina não é um serviço público, é uma negociata.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

NOTÍCIAS DO CIRCO

 

Rui Rio disse, hoje, que Rui Moreira não é uma pessoa confiável por, para além de outros pormenores, ter interesses imobiliários privados na cidade de que é presidente da Câmara, ao ponto de ter uma acusação grave no Ministério Público por ter confundido a gestão autárquica com a gestão do património da família.

 Rio e Moreira são dois do norte, carago!

Estas coisinhas servem para, em tempo de pandemia, animar a malta.

Apenas isso!

Nada que uma almoçarada «gourmet», num local aprazível da cidade, não resolva.

Aguardam-se cenas e declarações de próximos capítulos.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

NOTÍCIAS DO CIRCO


O PSD, via Rui Rio ou outro qualquer membro, passa o tempo a exigir que António Costa demita ministros. Chegou o tempo de alguém, ainda com algum bom senso naquele partido, exija a demissão de Rui Rio.

A história é mais que vergonhosa: uma sondagem do Expresso revela que o PS vai subindo mais do que o PSD. Rui Rio através do twitter, qual Trump à moda do Porto, decide ironizar (?):

«Eu, cá por mim, não precisava da sondagem do Expresso para nada. É mais do que evidente que, face, aos últimos acontecimentos políticos, o Governo e o PS só podiam estar a subir. Mais uma morte no aeroporto e a “coisa” vai à maioria absoluta. Força nisso!»

Que dizer?

terça-feira, 24 de novembro de 2020

... E OS DIAS DIMINUEM


Chegará, em breve, a noite em que os dias vão deixar de diminuir para, numa lentidão quase inexistente nos primeiros tempos, passarem a aumentar.

 Ocorrerá no dia 22 de Dezembro, o dia mais curto do ano que dará lugar à noite mais longa.

O inverno passará a marcar os nossos dias.

 Chegará esse tempo… chegará…

1.

Devia, em tempo de pandemia, nestes dias iguais de desespero, proibir-me de pegar no Livro do Desassossego do Sr. Bernardo Soares.

 Devia… sei que não devia…

 «Sabendo como as coisas mais pequenas têm com facilidade a arte de me torturar, de propósito me esquivo ao toque das coisas mais pequenas. Quem, como eu, sofre porque uma nuvem passa diante do sol, como não há-de sofrer no escuro do dia sempre encoberto da sua vida?

O meu isolamento não é uma busca de felicidade, que não tenho alma para conseguir; nem de tranquilidade, que ninguém obtém senão quando nunca a perder, mas de sono, de apagamento, de renúncia pequena.

As quatro paredes do meu quarto pobre são-me, ao mesmo tempo, cela e distância, cama e caixão. As minhas horas mais felizes são aquelas em que não penso nada, não quero nada, não sonho sequer, perdido num torpor de vegetal errado, de mero musgo que crescesse na superfície da vida. Gozo sem amargor a consciência absurda de não ser nada ante o sabor da morte e do apagamento.

Nunca tive ninguém a quem pudesse chamar «Mestre». Não morreu por mim nenhum Cristo. Nenhum Buda me indicou um caminho. No alto dos meus sonhos nenhum Apoio ou Atena me apareceu, para que me iluminasse a alma.»

 2. 

Os números não terão o necessário rigor, mas admite-se que, devido ao Covid-19, morreram 1.100 idosos em lares.

 3.

Num país há serviços que deveriam sempre estar na alçada do Estado: os CTT é um desses casos.

A rapaziada que, no tempo de Passos Coelho, comprou os CTT, quer mais dinheiro e menos regras para manter a concessão que termina no final do ano.

Eles dizem que a actual situação é insustentável.

Os portugueses dirão, no que ao serviço postal diz respeito, o que a gentalha ganha já é muito para serviço completamente miserável que prestam.

Há quem defenda – e com todas as razões – que os CTT deveriam ser nacionalizados.

 4.

É incalculável a quantidade da mais variada gente que aparece nas televisões a debitare sobre a pandemia que nos invadiu o quotidiano.

Não percebo o calão científico que grande parte utiliza, coisas lá deles, quando o importante seria que alguém falasse simples, que se juntassem a uma só voz, sem incoerências, sem habilidades manhosas e dissessem aos portugueses o que se passa realmente, o que se vai passar ainda.

Marcelo, qual barata tonta, deixou nas entrelinhas que quase de certeza vamos ter Natal em estado de emergência.

Da parte do governo falta uma estratégia, o tudo ao monte e fé em Deus nem sempre dá resultado e, num caso como este, não resulta mesmo.

Acreditei que face ao trabalho realizado durante os primeiros meses da pandemia que o governo, as diversas entidades, todos nós, tivéssemos aprendido algo que agora serviria para enfrentar as vagas que vão surgindo, continuarão a surgir.

 Não, não aprendemos nada. Estamos desorientados, cansados.

Que futuro nos pode restar se os cidadãos, inconscientemente, estupidamente são os primeiros a criar os já de si graves problemas que nos envolvem?

No primeiro fim-de-semana do estado de emergência, denúncias levaram a GNR a pôr fim a uma festa no Monte da Caparica que reunia 30 pessoas, três festas no Algarve que juntavam 300 pessoas.

 Que faremos com esta gente?

 5.

Rui Rio, personagem com que nunca simpatizei, alguém que sempre que ouve falar de cultura puxa logo da pistola, acabou por estatelar o PSD num pântano donde não será fácil sair.

O que Rio permitiu que o PSD local fizesse nos Açores, aliando-se àquela coisa racista, xenófoma, coloca o Partido dito social, dito democrata em péssimos lençóis.

O silêncio do PSD face a este atentado é ensurdecedor.

Onde os personagens, vulgo Paulo Rangel, Montenegro, Maduro, Morais Sarmento tutti quanti, sempre dispostos aos brados mais aterradores quando o PS, ou o Governo tomam determinadas posições?

 Apenas uma voz, a de Jorge Moreira da Silva se fez ouvir:

 «Considero necessária a realização de um Congresso extraordinário do PSD para definição, bem antes das eleições autárquicas e legislativas, da política de coligações e entendimentos do partido.»

 Mas disse Rui Rio:

 «Para o presidente dos sociais-democratas, nos Açores, o Chega moderou-se ao propor medidas que não são consideradas fascistas, por isso houve negociação. "No futuro, no continente, se o Chega se moderar pode haver hipóteses de diálogo. Nos Açores, o Chega moderou-se».

 A jornalista São José Almeida, no Público, não deixou, em texto de opinião, de notar:

 «Rui Rio está ávido de poder».

 6.

O PSD está atentar que o Bastonário da Ordem dos Médicos se candidate pelo partido às próximas eleições autárquicas.

Bem me queria parecer que a sanha bastonária contra as decisões do governo, que se supunha serem de interesse médico-científico, não passam de um mero expediente político.

Que bem lhes fica a hipocrisia!

Esta gente causa asco!

domingo, 13 de outubro de 2019

ETECETERA


Domingo de eleições.

Conclui, mais uma vez, passados que são 45 anos de democracia, que não elevámos o nível de cultura dos portugueses.

Entristeceu-se com o cair do dia, a chegada da noite.

Sabe o porquê da tristeza e não pode dizer que é só por os pássaros terem partido para o sul.

1.

Francisco Mendes da Silva, membro da comissão política do CDS, numa entrevista ao Público, disse que «o aparecimento do Chega põe em causa todo o regime.»

Diz também que a direita terá de se entender para poder ir a eleições e governar, mas exclui o Chega porque não basta dizer que os políticos são todos uma cambada de ladrões, ou dizer mal dos ciganos.

2.

Rui Montenegro perfila-se para discutir a presidência do PSD a Rui Rio.

O partido necessita de uma lufada de ar fresco, disse, ou alguém por ele.

Nada tenho nada, mesmo nada a ver com o PSD, mas garanto que prefiro que a conduzir os destinos do partido esteja Rui Rio, do que o antigo parlamentar,  um sorriso cínico, um encadeador de palavras que nada dizem, que lembra as políticas pedropassoscoelhos, mais o Relvas, a Maria Albuquerque .

O rapaz diz, agora, que o Partido Socialista era batível se tivesse existido uma oposição firme.


Pois… ou os prognósticos só no fim do jogo, como diria o outro…

3.



Recortes do Público.

4.

Não digo que não existam razões, mas tudo o resto é uma mentira e uma imbecilidade.

Ninguém deixa de ser culpado neste circo de vaidades, desprezos e vinganças.

Um dos últimos nomes que entrou na roda é o de Plácido Domingo.

Jorge Calado, numa crónica publicada no Expresso, deixa  a ideia que Domingo se terá portado um tanto ou quanto mal.


Este é o final da crónica:


5.

No dia 8 morreu o jornalista Rogério Rodrigues.

Ainda sou do tempo em que havia jornais e jornalistas e, com a sua morte, já não resta quase ninguém como eçe.
.já poucos restam
Rogério Rodrigues foi fundador do semanário O Jornal, foi um dos últimos chefes de redação do jornal A Capital, foi jornalista no Público e Jornal de Notícias trabalhou na RTP e no Rádio Clube português.

Quando Fernando Assis Pacheco morreu, Rogério Rodrigues escreveu uma emocionada prosa:

«Morreu o Assis como é do conhecimento público, como já tinha morrido o Esteves da leitaria, o O’Neill da seda chinesa em feira de cigano. Morreu o Assis, o doido que me foi buscar a um modesto liceu de Trás-os-Montes, em má hora me trouxe para os jornais, durante meses me aklimentou, foi meu mestre, foi meu amigo e foi meu compadre. Aquele barbas, aquele doido. Porque o Assis era doido – de ternura, de generosidade, de talento.»

Rogério Rodrigues foi também jornalista do Diário de Lisboa, no qual, em Maio de 1975, publicou uma crónica sobre uma mulher, de seu nome Teresa Olga, que, num intervalo do tratamento psiquiátrico, dançava nua no cruzamento da Avenida Miguel Bombarda com a Avenida 5 de Outubro, acontecimento de que José Afonso faria poema e música e que faz parte do álbum Com as Minhas Tamanquinhas.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

NOTÍCIAS DO CIRCO


O PSD sempre foi um equívoco.
O Partido Socialista ocupou-lhe o espaço e no dia em que Mário Soares arrumou o marxismo numa gaveta, nunca mais teve qualquer possibilidade.
Andou todos estes anos alternando o poder e as manigâncias com o Partido socialista e nada mais.
Afastados do poder, sem vislumbres de, nos próximos tempo, a ele aceder, vive momentos de angústia.
Pedro Passos Coelho já nem sombra é, e Rui Rio que lhe ocupou o lugar tem vivido momentos complicados e inenarráveis.
Pedro Santana Lopes já saiu fundando um outro partido - a «Aliança».
Um tipo execrável que dá pelo nome de André Ventura outro partido formou e chamou-lhe «Chega»
Luís Montenegro, ex-lider parlamentar, desafiou Rio e houve a necessidade de se realizar um conselho nacional para separar águas ou lá o que foi.
Aconteceu a 18 de Janeiro, estendeu-se pela madrugada, houve gritaria vária, encontros e desencontros, e Rio fortaleceu a sua posição presidencial.
Vasco Pulido Valente que aos sábados, no Público, escreve um diário, assistiu, melancolicamente ao evento e acabou por concluir:

«Ninguém me conseguiu dar uma boa razão para o PSD existir.»

sábado, 29 de setembro de 2018

ETECETERA


Os portugueses apostam 14 milhões de euros por dia.

Os primeiros seis meses deste ano mostram que nunca se apostou tanto em Portugal.
Totobola, Euromilhões, Totoloto estão a perder terreno nas escolhas.

As Raspadinhas e Placard são os jogos mais escolhidos.

Um dos prémios mais altos que alguma vez ficaram por reclamar foi um prémio de Joker, de sete milhões. A Santa Casa chegou a publicar anúncios, mas o vencedor nunca apareceu.

Os prémios não reclamados revertem a favor do Fundo Rainha Dona Leonor de reabilitação das Misericórdias.

PGR

A direita em Portugal tomou como dores muito suas a permanência de Joana Marques Vidal na Procuradoria-Geral da República.

A histeria foi muita e as razões soavam pífias.

No princípio do ano a Ministra da Justiça adiantou um passo ao dizer que o governo entendia que o mandato de PGR deveria ser de apenas um mandato.

Por proposta do Governo e promulgação pelo Presidente da República, a escolha para Procurados Geral da República recaiu em Lucília Gago.
           
Choveram provocações e insultos, chegaram a falar de perseguição e saneamento.

Até Cavaco Silva deixou o recato do lar, o estilo múmia, para nos vir dizer:
«Sou levado a pensar que esta decisão política de não recondução de Joana Marques Vidal é talvez a mais estranha tomada no mandato do governo que geralmente é reconhecido como geringonça.»

Marcelo Rebelo de Sousa não deixou cair a observação de Cavaco:

«Todos sabemos que quem nomeia as procuradoras-gerais da República são os Presidentes, não são os governos. Portanto, a nomeação da procuradora-geral da República foi minha e de mais ninguém.»

Os jornalistas insistiram e voltaram a lembrar o que disse Cavaco Silva.

Ainda Marcelo:

«O que me está a dizer é que o presidente Cavaco Silva, no fundo, disse que era a mais estranha decisão do meu mandato. Perante isso, tenho sempre o mesmo comportamento: entendo que, desde que exerço estas funções, não devo comentar nem ex-Presidentes, nem amanhã quando o deixar de o ser, futuros presidentes, por uma questão de cortesia e de sentido de Estado, e não me vou afastar dessa orientação.»


TAP



O título pertence à 1ª página do Público de 23 de Setembro.

Em determinado tempo, os nossos governantes «concluíram» que em Portugal não havia ninguém que percebesse de aviões e foram buscar ao Brasil a excelência de um tal Fernando Pinto.

Esteve no cargo de presidente da TAP vários anos com ordenados e mordomias de excepção.

Tanto quanto agora foi tornado público, o homem permitiu que fossem gastos 500 milhões de euros num estranho negócio com a Vem-Varig Engenharia e Manutenção e, tanto quanto se diz pelos corredores, foi fazendo caminho para que a TAP fosse vendida ao seu amigo Efromovich.

Ficamos a aguardar as cenas dos próximos capítulos.

ASSIM COMO A GUERRA DO SOLNADO

Vasco Lourenço desde o início afirmou que o roubo das armas em Tancos, ocorrido em Julho do ano passado, era uma história muito mal contada.

Chegou a falar-se que a pátria estava em perigo, que a NATO nos iria retirar confiança política e militar.

Soube-se agora, que as armas, depois de roubadas, ficaram numa propriedade da avó do principal autor do roubo. Tentou vendê-las mas não apareceram compradores. Entalado que começou a estar, congeminou, com «colaboração» de «gnrs» e outras tropas, a manobra de diversão em que, por artes mágicas, as armas apareceram numa quinta na Chamusca.

Ninguém sai bem desta história rocambolesca: militares, polícias e assim como assim, o próprio governo.

Já há detidos e segue-se agora o tempo da Justiça.

Lento, muito lento, como sabemos que esse tempo é.

Muita água continuará a passar por debaixo das pontes.

ASSIM VAI O PSD

Marques Mendes, o catequista dominical da SIC, aconselhou Rui Rio:

«Tem, de ser mais humilde, menos convencido, menos arrogante.»

Entretanto Santana Lopes continua por aí à espera que o Tribunal Constitucional dê luz verde à sua Aliança.

A FECHAR

Os portugueses são os europeus que mais pagam pela energia eléctrica.

Investigue-se!

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

ETECETERA



Estas são as primeiras páginas, de hoje, do Diário de Notícias e do Público.

O Presidente Marcelo abraçado a um velhinho. Os dois choram.

Mera coincidência, mas o sentido de ir ao encontro do que o público gosta de ver, lagrimazinha ao canto do olho, está patente.

Marcelo, como dizia Léo Ferre de si próprio, é um artista de variedades.

Sabe-a toda: anos e anos de exposição mediática dando catequese como comentador político.

Os jornais, as televisões, as rádios, fazem o resto.

O dia trouxe ainda a demissão, a seu pedido, da Ministra da Administração Interna.
António Costa não tinha outro remédio senão aceitar. O Conselho de Ministros do próximo sábado não poderia contar com uma ministra debilitada.

Dado o curto espaço de tempo, o Primeiro-Ministro recorreu ao seu núcleo duro para arranjar um substituto: Eduardo Cabrita, actual ministro adjunto, substituirá Constança Urbano de Sousa.

Uma escolha que aos olhos de muita gente se mostra pouco entusiasmante.

Mas o tempo urge e, por agora, não há espaço para percorrer outros caminhos.

Os partidos que apoiam o Governo são unânimes em afirmar que a mudança de rosto na pasta da Administração Interna, não resolve os problemas de fundo  que há muito existem na prevenção e ataque aos incêndios florestais.

O CDS apresentou uma moção de censura ao governo que será discutida na próxima terça-feira. Moção de censura que será apresentada pelo CDS na quinta-feira visa «António Costa não está à altura para o exercício das funções que desempenha», afirmou Assunção Cristas, a raínha do eucalipto.

Paulo Portas, em Agosto de 2010, disse que « fazer politiquice com os incêndios é imoral e isto é tão verdade para a oposição, mas também para o governo.»

Ao PSD, não lhe restou outra saída, senão declarar que votará favoravelmente a moção do CDS.

Pedro Passos Coelho, nos corredores da Assembleia,c disse aos jornalistas que António Costa deveria pedir a demissão de primeiro-ministro e que o governo não merece uma segunda oportunidade.

Vão ser muito duros os próximos tempos do Governo do Partido Socialista.

O Presidente da República, uma comunicação social hostil, uma oposição a sonhar com eleições antecipadas, não lhe vai dar um minuto de descanso.

Chegou o tempo do grande exame.

PSD

Afastado do partido desde 2014, ano em que foi expulso, António Capucho considera que se o PSD regressar «à sua matriz social-democrata» está pronto voltar a ser militante.

O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, será o presidente da Comissão de Honra de Santana Lopes, cuja candidatura à liderança do PSD será oficialmente apresentada no próximo domingo.

Rui Rio, um homem que quando houve falar em cultura fica à beira de um ataque de nervos, em entrevista à TVI, acusou Santana Lopes de abandonar cargos a meio («Não foi candidato em Lisboa porque dizia estar apaixonado pelo trabalho na Santa Casa, criando até um problema ao partido, afinal quatro meses depois vai deixar a Santa casa porque diz estar apaixonado pela liderança do PSD. Eu fico sempre até ao fim») adiantando ainda que Santana está manifestamente à sua direita.

David Justino, presidente do Conselho Nacional de Educação, que foi ministro da educação de Durão Barroso vai coordenar o documento estratégico com que o Rui Rio se apresentará às eleições directas para a presidência do PSD.

A função promete.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

ETECETERA


Até 14 de Dezembro, estará patente na Biblioteca Nacional, uma Exposição comemorativa do Centenário do Nascimento de Óscar Lopes que nasceu a 2 de Outubro de 1917, o ano da Revolução Russa:

«O sentido desta mostra documental evocativa do centenário do nascimento do Professor Óscar Lopes é o de homenagear o homem que, pelo seu pensamento dialético e hermenêutico, buscou sempre o “sentido que a vida faz”. Essa procura leva-o na sua investigação e nas suas obras a entrecruzar saberes diversos – da física à filosofia, da biologia à antropologia, da astrofísica à história, à música ou à literatura e linguística, estas as áreas preferenciais do seu trabalho.
“Nem crítico, nem ensaísta, nem mesmo essencialmente professor, linguista ou político”, a dificuldade do próprio em auto definir-se. Era tudo isto.»


Depoimentos de Agustina Bessa-Luís, Álvaro Cunhal, Baptista-Bastos, Eduardo Lourenço, Egito Gonçalves, Eugénio de Andrade, Ilse Losa, José Cardoso Pires, Manuel António Pina, Manuel Alberto Valente, Marta Cristina Araújo, Urbano Tavares Rodrigues, Vasco Graça Moura, entre outros.

Reproduzimos o depoimento de Agustina Bessa Luís

Devo a Óscar Lopes os primeiros conhecimentos sobra a crítica. A companhia que o crítico pode significar para o fugitivo da área familiar, em geral a que nos ensina primeiro a duvidar de tudo, foi para mim Óscar Lopes. Antes de A Sibila tomar lugar nas letras portuguesas, já ele se interessava pelos Contos Impopulares, melancólico salto sobre um abismo de lirismo desempregado. O crítico, como intérprete duma linguagaem, é o médium que o espírito convoca. É compreensível que o jovem autor comece por não gostar dos críticos e acabe por vê-los como sendo os médiuns próprios para desvendar a ideia.
Não sou muito adepta das homenagens que se prestam ao tempo vivido por um homem de talento. Todos os seus dias são dignos de louvor e os seus sacríficios estão mais presentes na juventude do que na idade avançada. Esta é o tempo em que devemos deixar dormir, mais do que pensar, as pessoas inteligentes. Se dormir é o cúmulo do génio, como disse um filósofo que eu muito prezo, então não despertemos com palavras barulhentas os que deixam uma obra para a posteridade.
Eu penso que o Óscar Lopes não pertence ao número daqueles que é preciso elogiar, como se faz às crianças para que elas nos obedeçam. Obedecer não é próprio dos homens. Porque devemos elogiá-los?
Por mim, eu digo que me aborreço quando me parecem consolar de alguma coisa com as honras que me prestam. Prefiro um café quente a um bom elogio. Mas nem todos são assim.
Fomos amigos em campos diversos mas não extremados. Óscar Lopes e eu. Convivemos ma mesma admiração pelos livros e na paixão das ideias. Eu, que sou avara de palavras faladas, porque o ciúme das escritas me arrasta para longe delas, no entanto, fora da minha vocação, vejo o talento de alguém e digo-lhe que é preciso ter coragem para ter talento. Aqui e em qualquer lugar. O talento briga com tudo, arranja inimigos em toda a parte porque tem que expandir a sua diferença onde quer que esteja. É por isso que as homenagens lhe cheiram a esturro. O gozo estético do talento é uma luta de morte com a própria celebridade. Ela parece sempre uma forma de fechar as contas e de partir noutra direcção, que não é a do talento, bem entendido.
As nossas contas ficam em aberto. Mais erradas do que certas. A vida é assim. Nós somos assim. Óscar Lopes e eu e muitos que têm a vocação como virtude curativa.


PSD

Hoje, começamos assim:

Manuela Ferreira Leite apoia Rui Rio para a liderança do PSD: «tem mais credibilidade do que Santana Lopes.»

Miguel Relvas, em entrevista à SIC, declarou que vai votar em Pedro Santana Lopes porque o Partido necessita de «um líder que seja capaz de agregar.»

O miasma-ventura-de-Loures  quer impedir que Rui Rio ganhe e «prejudique a identidade do partido».

INCÊNDIOS

O relatório da Comissão Técnica Independente, que analisou os incêndios do passado mês de junho, foi entregue na Assembleia da República.

Constança Urbano de Sousa, ministra da Administração Interna disse, hoje, no Parlamento que não vai pedir a demissão.

Dia 21 haverá um Conselho de Ministros Extraordinário, mas António Costa já disse:

«Pela parte do Governo, por respeito pela Assembleia da República, por respeito pelos profissionais que elaboraram este relatório, mas, sobretudo, por respeito pelas vítimas e seus familiares, o que nos compete é fazer uma reflexão serena sobre a informação disponível e as recomendações apresentadas. As responsabilidades são aquelas que resultam do relatório e assumi-las-emos totalmente.»

Palavras finais do editorial, de hoje, do Diário de Notícias:

«O relatório o que diz é que falhou quase tudo, até a ajuda dos deuses que provocaram ali condições climáticas únicas. E diz que um senhor da Proteção Civil mandou suspender a fita do tempo. Esse terá os dias contados. E o relatório também diz que face às previsões meteorológicas não foram colocados no terreno os meios possíveis e necessários». 

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

ETECETERA



Carles Puigdemont voltou a declarar o direito da Catalunha à independência sob a forma de república e aprestou-se a dizer que esperaria que o governo de Rajoy entrasse em diálogo para o encontrar de uma solução para a delicada situação, aquilo que se poderá designar como uma intervenção moderada e conciliadora e que causou incómodo nos apoiantes da independência catalã.

Mas Rajoy não é de modo algum a pessoa certa para este ipo de diálogo e se chegar  a um entendimento daí ter dado cinco dias ao presidente regional catalão, para clarificar se declarou ou não a independência da Catalunha, tendo declarado que este é um passo para ativar o mecanismo para aplicar o artigo 155 da Constituição, que suprime a autonomia de uma comunidade.

O artigo 155 da Constituição espanhola, nunca usado, prevê a suspensão de uma autonomia e dá ao Governo central poderes para adotar as medidas necessárias para repor a legalidade.

PSD

Pedro Santana Lopes sempre avançou para a corrida à liderança do PSD.

O propósito foi, ontem, anunciado num espaço de comentário que Santana mantém com António Vitorino na SIC notícias, mas sem adiantar grandes pormenores como slogan, sede, programa, apoios ou o que quer que seja.

Rui Rio já disse que «o PSD não é, nem nunca será, um partido de direita. É sim um partido “do centro”, desde o centro-direita ao centro-esquerda.»

O slogan de Rio:

É hora de agir.

O propósito:

«Para Portugal, hoje é o principio do fim desta coligação parlamentar que nos governa.»

Confirmando o desapreço que sempre manifestou pela comunicação, não admitiu perguntas.

António Costa diz que já trabalhou quer com Rui Rio e Pedro Santana Lopes e disse  – agora -  que não esperem por qualquer Bloco Central.

OPERAÇÃO MARQUÊS

Ao fim de quatro de investigação, a acusação da Operação Marquês inclui um pedido de indemnização civil a favor do Estado de 58 milhões de euros a pagar por José Sócrates, Ricardo Salgado, Carlos Santos Silva, Armando Vara, Henrique Granadeiro e Zeinal Bava, entre outros arguidos.
Estão acusados 28 arguidos, 19 pessoas e nove empresas, num total de 188 crimes.

NOVO BANCO

A Comissão Europeia aprovou a venda do Novo Banco ao fundo Lone Star, a solução que impôs e que o Governo do PS adoptou. Negócio pode implicar injecções de capital público até aos 3,9 mil milhões de euros.
Receia-se o pior.
Todos, certamente, nos lembramos que o governo PSD/CDS garantiu que a operação de resolução não teria custos para os contribuintes, já que os 3,9 mil milhões de dinheiros públicos entregues através do Fundo de Resolução seriam recuperados com a venda do Novo Banco.

Receia-se o pior.

Cá estaremos para ver… e pagar!...

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

ETECETERA


Há 50 anos Che Guevara foi assassinado.

«Muitos consideram-me um aventureiro e na verdade sou-o, mas de um tipo diferente, do tipo dos que arriscam a pele para provar o que dizem.»

Mário Sacramento no seu Diário:

«Parece que sempre conseguiram matar o Che Guevara, ao que dizem os jornais. Embora o sinta, não adiro com o mesmo sentimento que tive e tenho pelo Lumumba. É muito diferente lutar e morrer no seio do próprio povo ou agir como caixeiro-viajante da aventura revolucionária, no seio de outros. A dinastia dos Malraux nunca me foi simpática e a realidade confirma que há boas razões para isso.»

Poema para Che Guevara escrito por Jorge de Sena:

Neste vil mundo que nos coube em sorte
por culpa dos avós e de nós mesmos
tão ocupados em desculpas de salvá-lo,
há uma diferença de revoluções.
Alguns sofrem do estômago, escrevem versos,
Outros reúnem-se à semana discutindo
o evangelho da semana; outros agitam-se
na paz da consciência que adquirem
com agitar-se em benefícios e protestos;
outros param com as costas na cadeia,
para que haja protestos. Há também
revoluções, umas a sério, que se acabam
em compromissos, e outras a fingir,
que não acabam nem começam. Mas são raros
os que não morrem de úlcera ou de pancada a mais,
e contra quem agências e computadores
se mobilizam de sabê-los numa selva
tentando que os campónios se revoltem.
Os campónios não se revoltam. E eles
São caçados, fuzilados, retratados
em forma de cadáver semi-nu,
a quem cortam depois cabeça, mãos,
ou dedos só (numa ânsia de castrá-los
mesmo depois de mortos) e o comércio
transforma-os logo num cartaz romântico
para quarto de jovens que ainda sonhem
com rebeldias antes de se empregarem
no assassinar pontual da sua humanidade
e da dos outros, dia a dia, ao mês,
com seguro social e descontando
para a reforma na velhice idiota.
Ó mundo pulha e pilha que de mortos vive!


PSD

Quando for eleito o sucessor, Passos Coelho vai renunciar ao mandato de deputado.

Rui Rio fará o anúncio da sua candidatura quarta-feira em Aveiro, não quis que fosse no porto ou em Lisboa.

Pedro Santana Lopes, segundo a SIC, almoçou hoje com Marcelo Rebelo de Sousa e ainda não parou de ponderar.

Marcelo que amiúde diz não querer meter-se na vida dos partidos, de que terá falado com Santana? Dos tempos em que este, como primeiro-ministro, quis pô-lo a andar de comentador da TVI?

Marcelo que, sabe-se, não gosta de Rui Rio nem de Santana, poderá, apesar de tudo, preferir Santana a Rio?

Fernanda Câncio no Diário de Notícias, de hoje, lamenta os louvores que por aí circulam dedicados a Pedro Passos Coelho, terminando o artigo:

«Lamento: não tenho prazer em zurzir em quem está de saída, mas o que é demais é demais. Há porém um inestimável serviço ao país pelo qual Passos ficará na história -- uniu a esquerda. E isso sim, é obra.»

CATALUNHA

Amanhã, provável declaração unilateral de independência da Catalunha.

Mariano Rajoy, afirmou hoje que o executivo fará tudo o que for preciso para impedir a independência da Catalunha.