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sábado, 15 de junho de 2024

MÚSICA PELA MANHÃ




Está velho e cansado.

De quê?

Não sabe responder.

Repete muitas coisas. No meio das conversas já esquece o que estava a dizer.

No recorte que hoje para aqui trouxe, lembrou uma canção de Brel. Uma canção de que por aqui já falou que é a versão dessa canção na voz de Nina Simone.

Repete muitas coisas, escreveu atrás.

Mas relê agora que nesse texto prometeu que um dia traria a versão da Maysa Matarazzo.

Esqueceu-se. 

Mas fica agora.


terça-feira, 1 de agosto de 2023

VELHAS CANÇÕES


os meus verões são tão diversos como diversa tem sido toda a minha vida arroz de pimentos e pasteis de bacalhau aos domingos até algés ou cruz quebrada, o mar da infância ficava longe castelos na areia anos mais tarde dois meses na trafaria em casa alugada a pescadores, quando as férias eram grandes uma juke box na esplanada do marques o lucho gatica a cantar o moliendo café o marino marini a cantar honeymoon também um barrote espetado no meio do areal, um alti-falante no topo a ouvir-se o armando marques ferreira a apresentar o programa da manhã do rádio clube português as canções das praias de todos os anos uma kanimambo pelo joão maria tudela a lenda da conchinha da celly campelo o ouro negro setembro chegou vamo-nos separar os golfinhos a percorrer o tejo a caminho da barra os bailes de despedida dos banhistas no salão de festas dos bombeiros e agora senhoras minhas meus senhores o conjunto faz um pequeno intervalo damas ao bufete um enorme alguidar de zinco cheio de gelo e garrafas de vinho branco camilo alves, cada taça vinte e cinco tostões dois para esquerda um para a direita directrizes para o pezudo que sempre fui as férias da infância não se repetem o ruy belo que esperava pelo verão como por outra vida depois passei a odiar, o verão dou-me muito mal com o calor longe muito longe da sophia que dizia que metade da vida dela era maresia e eu a acreditar baixinho que o verão é um território do pecado, todos os pecados se confundem e de pecados fujo a sete pés e gozar que nem um perdido com a marilyn monroe num filme do billy wilder a dizer ao vizinho de baixo que se vai vestir à cozinha, o vizinho na cozinha porquê e ela a dizer que no verão anda nua pela casa e põe as cuecas no congelador o verão prestes a chegar o meu pai a dizer-me que em setembro voltamos a ser gente e sempre sempre os gatos selvagens e o verão a chegar sur la plage por fim mas não como última coisa há longos anos que deixei de passar férias e apenas sinto que as férias é que passam por mim a uma velocidade tão louca e muito longe da calma e serenidade das férias do sr. hulot ou brigitte bardot em 1955 de biquíni em saint-tropez, aquele grande sorriso e o resto que poderá ser um refresco de limão, muito gelo um dedal de gin e lembrar-me ainda que nunca usei óculos de sol

domingo, 2 de abril de 2023

VELHAS CANÇÕES


 «Ne Me Quite Pas»

Não será, como alguns dizem, o grande clássico de Jaques Brel, mas é uma extraordinária canção.

Milhentas são as versões que correm mundo pelos mais variados intérpretes.

Jacques Brel considerou a versão de Nina Simone como algo de extraordinário, fazendo referência ao modo como Nina fazia deslizar o seu francês e José Duarte, na sua crónica a «A fotografia da música»não deixou de salientar que «o sotaque do seu francês é saborosíssimo».

Existe uma outra excelente versão da canção de Brel, uma interpretação da brasileira Maysa Matarazzo. Possivelmente Brel ouviu-a mas não conheço qualquer referência que lhe tenha feito.

Hoje ficamos com a versão de Nina Simone, numa outra ocasião, traremos aqui Maysa.

sexta-feira, 22 de outubro de 2021


PYE  - PATS 7002

Make Me An Island – If You Care A Little Bit About Me

Permitam-lhe que ele desarrume a memória e que, por uma história de nada – ou de tudo? – ponha o Joe Dolan a rodar.

Um café de província, Alfeizerão, junto a uma bomba de gasolina, uma bomba de gasolina da Mobil, que não era como as bombas de gasolina que o imaginário dos filmes americanos lhe transmitiu.

Duas, três mesas, uma jukebox a um canto, todas as sextas-feiras do último mês, de quase quarenta meses de tropa, dez tostões na ranhura da jukebox e o Make Me An Island do Joe Dolan a cantar no sonolento café, 2, 3 gins tónicos a completar o cenário.

Ele que até à data, depois de um milhão de gin-tónicos – chapelada a Mr. Humphrey Bogart – bebidos, em muitos e diversos bares, uns rascas, outros a armar ao fino, terá sempre na memória o sabor daqueles gins.

As circunstâncias fazem milagres e ele sabe que os gins eram merdosos e aproveita para  citar Nuno Júdice:  nada nos faz reviver melhor o passado do que um cheiro que em tempos lhe esteve associado.

É isso.

O gin era marca Bols, a água tónica era Canada Dry, o limão não tinha casca, o dono do café aproveitava as cascas para os martinis, o gelo tirava-o das paredes da geladeira dos gelados Olás, mas nada, que Joe Dolan e o seu Make Me An Island, o saber que, em passo de corrida, o findar da tropa se aproximava não fizessem esquecer.

Terminou a tropa ao bater do meio-dia de 30 de Setembro de 1970.

Apanhou a camioneta azul da carreira dos Claras, chegou a casa, pegou na Aida e zarpou para Os Perús, à Praça do Chile, frango assado, no dizer do escritor e jornalista Rui Cardoso Martins,  os melhores frangos assados do mundo, uma garrafa de tinto Aliança, pudim flan, Antiqua, em balão aquecido, se faz favor, e  ala que se faz tarde para  o 3º anel da Luz, que ainda não era Catedral, ver o Glorioso espetar 8 a 1 no Olimpija, uma rapaziada que em Liubilana, na 1º mão da 1ª eliminatória da Taça dos Clubes Campeões Europeus, tinha cometido a soberba proeza de empatar a um golo.

Para o informe ficar como deve ser:

O árbitro foi o Sr. Queudeville do Luxemburgo e o Glorioso alinhou com José Henrique na baliza, Malta da Silva, Humberto Coelho, Zeca e Toni (Barros entrou aos 80 m), Jaime Graça, Matine, Simões (capitão), Artur Jorge, Torres e Eusébio.

O treinador era o inglês Jimmy Hagan, o garagista.

O pantera negra meteu 5 golos, Zeca, Artur Jorge, Jaime Graça, completaram o placard.

Na jukebox de um café de província, junto a uma bomba de gasolina, Joe Dolan acabou de soltar os últimos versos take me and break me and make me an island, I'm yours.

Ainda sente o último gole de gin antes de se pôr a caminho para o último recolher do dia, no RI 5 das Caldas da Rainha, a mesma porta de armas por onde, 42 meses depois, por um 16 de Março, um grupo de militares saiu, a caminho de Lisboa, para aquilo que, ainda hoje, ninguém sabe explicar muito bem o que foi.

Um ensaio para o 25 de Abril, dizem os que pormaiores querem abreviar.

Sing again, Joe!

domingo, 3 de outubro de 2021

VELHAS CANÇÕES


Há empresas que só fazem marcações através da aplicação da empresa.

E se eu não tiver telemóvel?

Se eu não souber o que é uma aplicação?

Se eu não quiser que as empresas tenham o meu número de telefone, ou telemóvel ou os meus dados pessoais?

A automação de serviços elementares, a robotização de atendimento tomou conta do nosso quotidiano.

Por outro lado qualquer mensagem, seja do que for, avia-se rapidamente através de um e-mail de  um SNS, ou uma qualquer laracha deixada no facebook, no raio que os parta a todos, porque tudo agora se despacha com um toma lá e não chateeis mais, coisas que deixam um sabor frio e triste.

Já ninguém escreve a ninguém.

O Coronel de um romance do Gabriel Garcia Marquez esperava ansiosamente o dia em que a data da reforma chegasse por carta, enquanto a mulher, aparvalhadamente, o enchia de minudências:

- Gostaria de plantar rosas, disse.

- Se quer plantar rosas, porque não planta?, perguntou o Coronel.

- Os porcos comem-nas todos, disse a mulher.

- Óptimo, porco engordado com rosas deve ser muito bom, disse o Coronel.

As mulheres são mesmo o diabo.

O António Alçada Baptista contava que, sempre que a mulher se punha com arrumações, lhe aparecia com listas telefónicas na mão que faço a isto, Alçada  interrompia a leitura e murmurava: Olhe: dê aos pobres!

Já ninguém escreve a ninguém.

Há uma velha canção dos Box Tops: The Letter.

Cansado dos dias solitários tenho que regressar depressa a casa e nem posso ir de comboio rápido, terei que apanhar um avião, não sei o que isso me vai custar, mas tenho de regressar a casa porque a minha miúda, numa carta, diz que não pode viver sem mim.

Já agora, a propósito, ou a despropósito, fiquem-se com uma história, lida já não sabe onde, ou contada já não sabe por quem:

Durante as actividades num campo de férias, o monitor perguntou à rapaziada, como preferiam receber, de um amigo distante, o convite para um encontro.

Dividiram-se as opiniões, uns disseram logo que seria por e-mail, outros por SMS, mas uma moça disse:

- Preferia receber por carta.

Sentiu os olhares de espanto – por carta? - e em voz lenta, mas clara, explicou:

Porque uma carta dá mais trabalho a escrever e ainda é preciso comprar um selo, metê-la no correio. E depois, se for verdadeiramente meu amigo, ainda me vai mandar qualquer coisa a acompanhar: uma pétala de flor, uma qualquer ilustração...


quarta-feira, 1 de julho de 2020

VELHAS CANÇÕES


Canções simples
   que todos cantam
e alguém pede:
   canta-nos “Born to Lose”
e Hershorn pega
    no uquelete da filha
e todos ouvem
    as notícias

Canções simples que todos cantam
Esqueço-as depressa e abandono-as
Os hinos & as orações das pessoas solitárias

Leonard Cohen em A Chama

Legenda: pintura de Karen Offutt






domingo, 2 de fevereiro de 2020

VELHAS CANÇÕES


Ainda eu não tinha apanhado o swing de Sammy Davis Jr., já dele sabia, anos 60, por ter ouvido contar que, num escândalo para a época, ter casado com a loira actriz sueca May Britt.

Por que raio o amor havia de ter cor?

Este standard Hey There tem inúmeras versões mas gosto particularmente da de Sammy Davis. 

Penso que já escrevi mas repito:

Caetano Veloso disse um dia que a gente teria outra alma, se não tivesse ouvido estas canções. 

Seríamos espiritualmente menos ricos se não tivéssemos ouvido Without a Song in My Heart, Let’s Face the Music and Dance.

Pelo seu lado o jornalista brasileiro Paulo Francis disse que uma das razões por que morrer o incomodava era não ouvir mais as canções de Cole Porter.

Por humor, por ironia, espirra do computador a velha frase: I haven’t changed, only the times have changed.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

VELHAS CANÇÕES


Gosta de uma canção reaccionária que dá pelo nome de «Quando Sali de Cuba», de um tal Luís Aguille, e que se transformou num hino dos refugiados cubanos em Miami e das várias máfias que por ali serpenteiam. Gente que entende que estrangular Cuba economicamente é um direito perfeitamente humano dos Estados Unidos. Cuba disso se defender, é uma desumanidade.

Quando Sali de Cuba
Dejé mi vida dejé mi amor
Quando Sali de Cuba
Dejé enterrado mi corazon

Pode-se gostar dos versos da “Guantanamera” de José Marti, mi verso es de un verde claro, e ao mesmo tempo, deste lamento de quem sai de Cuba porque entende que um automóvel e outras mordomias são mais importantes que os cuidados de saúde e educação?

Não devia ser possível, mas é!

Jantares em casa do Luís Mira acabavam com meia dúzia de canções “for the road”: “My Daddy and Me”, do Tom Paxton, “Yolanda”, do Robert Wyatt, “The Lonely Dancer”, do Ian Matthews, “Red River Valley”, do Ed McCandy e “Quando Sali de Cuba”, dos Sandpipers.

Possivelmente vão chamar-lhe alguns nomes. Pensa que é um péssimo número, um atentado a tudo e mais alguma coisa, mas não consegue sequer disfarçar. Há fraquezas a que nunca conseguiu dar a volta e já está velho para mudar. Será, então, justo tudo o que lhe chamarem.

Daqui a pouco vai acordar com aquela sonolência-turbulência de arrastar os pés após as garrafas de “Murganheira” da véspera. Entretanto, encherá um copo de água e deixará cair o “Guronsan”. Vagarosamente, ficará a olhar as bolinhas efervescentes. Vai pôr um bocadinho de água na estrela de Natal, tirará uma ou duas folhas amarelecidas aos amores –perfeitos e irá à estante tirar a Liberdade, Liberdade, peça de teatro de Flávio Rangel e Millôr Fernandes.

Irá ler:

Os falangistas, grupo de direita, tinham um hino “Cara al Sol".

Nara Leão e o coro cantam:

Cara ao sol, com a camisa nova,
Que tu bordaste, companheira,
Vou sorrindo a encontrar a morte
E não volto a te ver
Voltarão bandeiras vitoriosas
O passo alegre pela paz;
E trarão, vermelhas, cinco rosas
Do sangue do meu coração,
Voltará a rir a primavera
Cara al sol, para sempre eu estarei
Arriba Espanha, Espanha livre
Viva Espanha, meu amor Espanha”

E Paulo Autran, como narrador, adverte:

“Portanto cuidado. As tiranias também compõem belas canções”.


Se não perceberem por que é que isto aparece aqui, não se preocupem. Ele também não, mas o Guronsan está a saber-lhe muito bem…

sábado, 28 de dezembro de 2019

VELHAS CANÇÕES


No Teatro Virgínia, em Torres Novas, no dia 21 de Dezembro, num espectáculo inicialmente anunciado como celebração de 50 anos de carreira, mas que o músico, veio a revelar ter siso o da sua despedida dos palcos, Pedro Barroso declarou que não abandona a intervenção crítica, nem a cidadania, enquanto o último neurónio o permitir.
Na contracapa do álbum Do Lado de Cá de Mim, o crítico Viriato Teles escrevia que o Pedro Barroso não era o melhor cantor do mundo, mas um cultivador de cantigas simples, fadigas sem conta, reflexo de um tempo e de um espaço bem definidos, fazendo o que se pode, como se pode.
Pedro Barroso gravou com Patxi Andión a canção «Rumos» que será incluída no CD «Novembro» a publicar brevemente.
Patxi Andión, no dia 18 de Dezembro, morreu num estúpido despiste de automóvel  na  província de Soria.
Tanto Pedro Barroso como Patxi Andión foram revelados ao público português, no ano de 1969, através do programa Zip-Zip.

Que lutas nos sobram, que ninhos
Que gaivotas esvoaçam pelo mar?
Que sustos e dores e caminho
Que causas inda há para lutar?

Versos da canção «Rumos».

E que viva quem canta!


domingo, 17 de novembro de 2019

VELHAS CANÇÕES


Domingo de chuva.
Arrumações tendo em vista o Natal que se aproxima.
E de repente, cai este velho disco da Eurovisão de 1967, quando as canções da Eurovisão eram mesmo canções e não um folclore de macacadas e efeitos especiais, excepção feita ao nosso Salvador Sobral em que se chegou a pensar que o Festival poderia voltar aos velhos tempos… mas não… não voltou…
Devem lembrar-se que a Sandie Shaw apresentou-se a cantar Puppet on s String, descalça.
Conversa puxa conversa e, de repente, saltou que também existe uma canção do Elvis Presley que faz parte de um filme do Elvis que nunca vi. Também se chama Puppet on a String e, escusado será dizer, que o Elvis é sempre o Elvis e o que canta faz a sua diferença.



quinta-feira, 25 de julho de 2019

VELHAS CANÇÕES


Nunca houve uma mulher como Gilda.
Gilda era Rita Hayworth num tempo em que havia filmes.
Uma canção «Amado Mio», muitos anos depois revisitada por Pink Martini, uma orquestra que me foi revelada pelo meu filho Mário, que nos levou a vê-los ao vivo na   Aula Magna, 11 de Novembro de 2005, Como éramos tão novos!...


segunda-feira, 23 de abril de 2018

VELHAS CANÇÕES


Erguer a Voz e Cantar

Letra e música de António Macedo

Canta canta amigo canta
vem cantar a nossa canção
tu sozinho não és nada
juntos temos o mundo na mão

Erguer a voz e cantar
é força de quem é novo
viver sempre a esperar
fraqueza de quem é povo
Viver em casa de tábuas
à espera dum novo dia
enquanto a terra engole
a tua antiga alegri


O teu corpo é um barco
que não tem leme nem velas
a tua vida é uma casa
sem portas e sem janelas
Não vás ao sabor do vento
aprende a canção da esperança
vem semear tempestades
se queres colher a bonança


segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

VELHAS CANÇÕES


Leio, numa crónica de Manuel S. Fonseca, que o compositor e actor Oscar Levant é o autor da frase: Conheci Doris Day antes dela se tornar virgem.

Estava convencido que era Groucho Marx e deixei essa autoria assim registada quando coloquei Que Sera Sera como um dos Clássicos do Meu Pai.

Inclino-me para a razão de Manuel S. Fonseca.

O nome de Oscar Levant serve para trazer aqui uma velha canção, também a sua mais conhecida composição: Blame It on My Youth.

A letra é de Edward Heyman e a canção data de 1934.

Ficam as interpretações de Nat King Cole, Frank Sinatra e Nancy Wilson.

Doris Day conta hoje 94 anos, tendo nascido no dia 3 de Abril de 1922.

Desde 2004, após a morte do seu único filho, Terry Melcher, leva uma vida reclusa e solitária.


Legenda: Doris Day no filme Calamaty Jane



quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

VELHAS CANÇÕES


Eu não lembro se Heartbreak Hotel foi a primeira canção que ouvi do Elvis, mas sei que foi aquela que durante mais tempo ouvi. E ainda ouço.
Os pais dos rapazes do liceu onde John Lennon andava, diziam: «Mantém-te afastado daquele tipo.»
Lennon não sabia o que queria ser, excepto que queria acabar como milionário excêntrico. «Se não conseguisse chegar lá sem ser criminosos, então teria de ser criminoso.»
Mas apareceu Elvis Presley.

«Foi o Elvis que me tornou viciado em música beat. Ouvia Heartbreak Hotel e pensava: «É mesmo isto.»