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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

OLHAR AS CAPAS


A Janela Alta

Raymond Chandler
Tradução: Almeida campos
Capa: Lima de Freitas
Colecção Vampiro nº 155
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Eram duas horas quando regressei a Hollywood, arrumei o carro e subi as escadas até ao meu apartamento. O vento cessara completamente, mas na atmosfera havia a secura e a leveza do deserto. O ar no apartamento estava pesado e a ponta do charuto de Breeze tornara-o um pouco pior que pesado. Abri as janelas e deixei arejar a casa enquanto me despia e despejava as algibeiras do fato. Delas, entre outras coisas, saiu a factura de fornecimentos de artigos para dentistas. Continuava a ser uma factura passada em nome de um certo H. R. Teager para 15 kg de cristobolite e 12 kg de albastone
Pus a lista telefónica em cima da mesa da sala de estar e procurei nela o nome Teager. Depois a memória confusa transformou-se em imagem real. O endereço dele era 422 Wet Ninth Street. H.R. Teager, Laboratório Dentário, fora um dos nomes que eu tinha lido nas portas dos escritórios do sexto andar do Edifício Belfont quando havia descido as escadas de incêndio depois de ter descoberto o cadáver de Elisha Morningstar.

No entanto, toda a gente tem que dormir e Marlowe estava absolutamente necessitado disso. Fui para a cama.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

OLHAR AS CAPAS


A Dama do Lago

Raymomd Chandler
Tradução: Ruth Belger
Capa: Lima de Freitas
Colecção Vampiro nº 135
Livros do Brasil, Lisboa s/d

- Este negócio da polícia – observou quase afável – é um problema levado dos diabos. É bastante parecido com a política. Exige pessoas do mais elevado grau moral, mas nada tem que possa atrair pessoas desse grau. Por isso temos de nos servir com o que aparece…

quarta-feira, 31 de maio de 2017

OLHAR AS CAPAS


Ingénua Perigosa

Raymond Chandler
Tradução: Mascarenhas Barreto
Capa: Lima de Freitas
Colecção Vampiro nº 164
Livros do Brasil, Lisboa s/d

- Parecemos dois namorados – disse eu – Estamos aqui sentados a conversar naturalmente como se não tivéssemos qualquer preocupação. Simplesmente, porque ambos sabemos que, à noitinha, estaremos na cadeia.
Voltou a erguer o sobrolho. Prossegui:
- Você, porque Clausen o tratava pelo nome próprio e deve ter sido a última pessoa com quem ele falou. Eu, porque tenho andado a fazer todas as coisas que um detective particular nunca deve fazer. A ocultar evidência, a esconder informação, a descobrir corpos e a não procurar de chapéu na mão esses encantadores e incorruptíveis polícias de Bay City. Oh, estou farto. Fartíssimo. Mas, esta tarde paira no ar um ar silvestre. Não me parece que isso me importe. Talvez esteja apaixonado.
- Você esteve a beber – observou lentamente,
- Apenas Chanel nº 5, beijos, o brilho pálido de uma pernas encantadoras e o convite trocista de uns intensos olhos azuis. Coisas inocentes.
Pareceu mais triste do que nunca.

- As mulheres são capazes de debilitar terrivelmente um homem, não acha? - inquiriu

domingo, 8 de janeiro de 2017

OLHAR AS CAPAS


O Imenso Adeus

Raymond Chandler
Tradução: Mário Henrique-Leiria
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 101
Livros do Brasil, Lisboa, s/d

- Eu estive nos comandos. Eles não aceitam tipos feitos de algodão em rama. Fui ferido e o trabalhinho que os médicos nazis me fizeram não teve muita graça. Sinto-lhe as consequências.
- Eu sei Terry. Você, sob muitos aspectos, é um tipo muito simpático. Eu não estou a julgá-lo. Nunca o julguei. Simplesmente você já não existe.
Já deixou de existir há muito. Está bem vestido, todo perfumado e tão elegante como uma prostituta de cinquenta dólares.
- Isto faz parte do disfarce - respondeu-me quase desesperadamente.
- Mas você diverte-se, não diverte?
A boca torceu-se-lhe num sorriso amargo. Depois encolheu os ombros
expressivamente, à latina.
- Claro que me divirto. Tudo quanto hoje existe é teatro. Não há mais nada.
Aqui - e bateu no peito com o isqueiro - não há nada. Eu estou pronto, Marlowe. E já o estava há muito. Bom, parece-me que não há mais nada a dizer.
Ele levantou-se. Eu levantei-me. Ele estendeu a mão esguia. Eu apertei-a.
- Até à vista, Sr. Maioranos. Gostei muito de o conhecer, apesar de o nosso contacto ter sido tão breve.
- Adeus.
Ele voltou-se, atravessou o escritório e saiu. Fiquei a ver a porta fechar-se. Ouvi-lhe os passos afastarem-se no corredor que pretendia ser de mármore. Tornaram-se cada vez mais fracos até que deixei de os ouvir.
Mas continuei à escuta. Porquê? Seria que eu esperava que ele parasse de repente e
voltasse para trás e falasse comigo até que eu deixasse de me sentir como me sentia? Mas ele não voltou. Foi a última vez que o vi.
E nunca mais vi nenhum dos outros - excepto os polícias. A esses, ainda não se inventou um processo de lhes dizer adeus.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

OLHAR AS CAPAS


Perdeu-se Uma Mulher

Raymond Chandler
Tradução: Mascarenhas Barreto
Capa: Lima de Freitas
Colecção Vampiro nº 118
Livros do Brasil, Lisboa, s/d

- Miss Riordan goza, certamente, da sua inteira confiança.
- Ninguém goza da minha inteira confiança, Mrs. Grayle. Acontece saber alguma coisa do assunto… o que se sabe.
- Sim! – tomou um ou dois sorvos, depois esvaziou o copo num trago e pô-lo de parte. – Ao diabo com esta maneira delicada de beber – disse ela subitamente. – Vamos, mas é bater-nos com isto. Você é um homem simpático demais para essa espécie de vida!
- É uma profissão mal cheirosa – considerei.
- Não quero dizer isso. Ganha-se algum dinheiro… ou isto é uma pergunta impertinente?
- Não se ganha muito. Há muito trabalho mas também muita diversão. E há sempre a probabilidade de um caso grande.
- Como é que uma pessoa se torna detective particular? Não se importa que eu o avalie um pouco? E empurre-me essa mesa para aqui, sim?... para poder alcançar as garrafas.

domingo, 30 de novembro de 2014

OLHAR AS CAPAS


À Beira do Abismo

Raymond Chandler
Tradução: Fernanda Pinto Rodrigues
Capa: Lima de Freitas
Colecção Vampiro nº 213
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Levantei-me, despi o casaco e tirei um lenço para enxugar o rosto, o pescoço e os pulsos St. Louis, em Agosto, não era pior! Sentei-me e, maquinalmente, procurei os cigarros.
- Pode fumar – informou-me o velho, com um sorriso pálido, ao notar o meu gesto- - Gosto do cheiro do tabaco.
Acendi um cigarro e expeli uma grande baforada, que aspirou como um terrier a farejar um ninho de ratos. O sorriso acentou-se-lhe e arrepanhou-lhe as comissuras dos lábios.
- Mal vão as coisas quando um homem tem de satisfazer os seus vícios por procuração!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

OLHAR AS CAPAS


O Bode Expiatório

Raymond Chandler
Tradução: Mascarenhas Barreto
Capa: Lima de Freitas
Colecção Vampiro nº 147
Livros do Brasil, Lisboa s/d

- Veio no seu carro?
- Sim – a meio do caminho virou-se – Há em si uma coisa que me agrada. Não tem “mãozinhas irrequietas” e tem boas maneiras… num certo sentido.
- É uma técnica carunchosa… essas das “mãozinhas”…
- Mas também há em si uma coisa que não me agrada. Adivinhe o que é.
- Lamento, mas não faço ideia… Sei apenas que algumas pessoas me detestam por ainda estar vivo.