Mostrar mensagens com a etiqueta Eleições na América. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Eleições na América. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 18 de novembro de 2024

DISTO, DAQUILO E DAQUELOUTRO


 Vivemos momentos muito perigosos.

Estes momentos agora perigosos, tornar-se-ão, com a entrada de Donald Trump na Casa Branca, perigosíssimos.

Hoje, não temos bem a noção como serão esses dias.

As gentes que Trump tem escolhido para a governação do país, são um verdadeiro susto. Ele não procura gente competente antes tipos que levam a sua lealdade a fins inexplicáveis.

O embaixador escolhido para Israel nega a existência da Cisjordânia, dos colonatos e dos palestinianos. Quem escolheu para a pasta da saúde é um negacionista das vacinas e um adepto de conspirações várias. Há outros personagens escabrosos, mas registe-se que Elon Musk, dito o homem mais rico do mundo, um dia após a vitória de Trump, graças à subida das acções da Tesla, acrescentou quase 20 mil milhões de dólares à sua fortuna e o mais que ainda há-de arregimentar durante o trabalho governamental que Trump lhe indicou.

Mudemos um pouco a agulha e olhemos que o que se passa no Partido Democráico e ficamos a saber não devia ser uma grande surpresa um Partido Democrata que abandonou a classe trabalhadora descobrir que a classe trabalhadora o abandonou.

Em artigo publicado no Público ficámos a saber que Bernie Sanders, o senador independente do Vermont, responsabilizou o afastamento do Partido Democrata em relação aos trabalhadores norte-americanos pela derrota de Kamala Harris nas eleições presidenciais. «Não devia ser uma grande surpresa um Partido Democrata que abandonou a classe trabalhadora, descobrir que a classe trabalhadora o abandonou. Primeiro, foi a classe trabalhadora branca, e agora são os trabalhadores latinos e negros também. Hoje, enquanto os muitos ricos vivem fenomenalmente bem, 60% dos americanos vivem salário a salário e temos mais desigualdade de riqueza e de rendimento do que alguma vez tivemos. Inacreditavelmente, os salários ajustados à inflação do trabalhador médio norte-americano são hoje mais baixos do que há 50 anos».

terça-feira, 12 de novembro de 2024

DISTO, DAQUILO, E DAQUELOUTRO


 A América fica longe, mas o que por lá vai acontecendo sabe-se no imediato minuto.

Algo temos como certo: os estilhaços da eleição de Trump vão cair um pelas partes do mundo e, principalmente, coloca esta frágil Europa, que já há algum muito tempo anda em tempo de parto que fomos, ou deixámos (des)construir.

 Daniel Oliveira no Expresso:

 «Diz-se que os democratas abandonaram os trabalhadores brancos, mas o que toda a gente ouve é a palavra “brancos”, não a palavra “trabalhadores”. Essa é a grande vitória do trumpismo. Como se viu pelo comportamento eleitoral, quando a condição social supera a identitária, trabalhadores hispânicos e negros votam como os trabalhadores brancos. E, no entanto, continuamos a falar como se o racismo e o sexismo de Trump fossem o maior segredo para a sua vitória. Quando, num debate, em 2018, o instalado congressista democrata Joe Crowley exibia o seu trabalho pelas minorias, Alexandria Ocasio-Cortez, a jovem de 29 anos que o iria derrotar, não lhe recordou que era uma mulher porto-riquenha. Disse-lhe: “O que está em causa não é a diversidade ou a raça, é a classe.” Só que a palavra “classe”, ao contrário de “etnia” e “orientação sexual”, passou a ter um peso ideológico que a tornou impronunciável. Esta é a derrota histórica que deu à extrema-direita a hegemonia na classe trabalhadora num dos países mais desiguais do mundo desenvolvido. De tal forma, que já nem compreendemos um fenómeno eleitoral que nada tem de extraordinário.

 Graça Castanheira no Público:

 «Kamala resultou numa candidata programada, sem ginga ou swag, em oposição ao improviso laranja e tagarela do seu rival. Não existiu assim uma sinceridade nova à qual aderir, muito graças a esta recém-adquirida mania de arrastar o pé para a direita, num medo parolo de se ser tomado por extremista, socialista, comunista, radical, ou, mais recentemente, por woke. Quando Kamala é acusada de “perigosa marxista”, podia ter esclarecido que conhece mal o marxismo — o que deve ser verdade —, mas que a justiça social é um imperativo universal e que ninguém, nenhum nome ou ideologia, se pode dela apoderar. Em vez disso, distanciou-se de tudo o que pudesse figurar ligeiramente à esquerda de si.

Harris, em lugar de se tentar distinguir como implacável promotora pública que mandava resmas de homens maus para a prisão, tipo heroína bidimensional da Marvel, podia ter construído uma figura apaixonada pela justiça ao ponto de ter uma moral e uma sinceridade suas. Poderia ter manifestado um ideário justo, esperançoso, com valores progressistas e sarapintado de utopia. Se no cômputo geral isso lhe traria mais ou menos votos, fica por saber. Uma vantagem seria certa: todos estaríamos hoje mais preparados, unidos, animados e inspirados por uma “agenda” capaz de enfrentar o que aí vem. Por mim, não se arreda o pé; seja na América ou na Câmara de Loures.»

1.

Na zona euro o património médio das famílias é de 434 mil euros enquanto em Portugal é de 295 mil euros. Por cada 100€ de rendimento disponível, as famílias portuguesas poupam apenas 8€, valor que compara com 13€ de média na União Europeia. 

2.

Mais de 12 mil crianças não têm gagas no pré-escolar.

3.

No turismo algarvio 90% da mão-de-obra imigrante é do Brasil, India e Nepal.

De Janeiro a Agosto de 2024, as contribuições dos imigrantes para a Segurança Social já somaram 2198 milhões de euros. E, em prestações sociais – subsídios de desemprego, prestações familiares ou de parentalidade, as mais comuns entre estes cidadãos – os estrangeiros só receberam cerca de 380 milhões de euros. Ou seja, o saldo positivo, nestes oito meses – de 1818 milhões de euros – é quase o mesmo que as suas contribuições ao longo de todo o ano de 2022. Os dados, fornecidos ao Público mostram ainda que em 2024 são as mesmas cinco nacionalidades que mais contribuem para a Segurança Social: brasileiros, indianos, nepaleses, cabo-verdianos e espanhóis. Nestes oito meses de 2024, os brasileiros foram os maiores contribuintes, o que não surpreende, dado que representam a maior comunidade de estrangeiros (são 35% do total de imigrantes): contribuíram com 824,5 milhões, ou seja, 37,5% do total. De seguida foram os indianos, com quase 145 milhões (estes cidadãos representam apenas 4,2% da população estrangeira). Depois, em terceiro lugar no topo das contribuições, ficaram os cidadãos do Nepal, com 93,147 milhões (são quase 3% dos estrangeiros), os de Cabo Verde, com 83 milhões (são 4,68% dos estrangeiros), e os de Espanha com 70 milhões de euros (são quase 2% dos estrangeiros).

4.

Susan Sarandon nunca deixou o activismo político de lado, mesmo que este pudesse entrar em conflito com a sua carreira de actriz. Sempre deixou a sua postura política evidente, o que culminou na sua expulsão da agência que a representava.

Depois dos seus comentários, a favor da causa Palestina, em Novembro de 2023, corre o sério risco de não voltar a trabalhar em Hollywood.
Nunca pensem que Hollywood gosta do cinema, apenas se interessa por dinheiro.

5.

Um menino de seis anos morreu depois de ter sido atacado pela cadela de raça rottweiler do avô paterno, em Chaves.

sábado, 9 de novembro de 2024

DISTO, DAQUILO, DAQUELOUTRO


Numa outra eleição presidencial, após um período de hegemonia republicana, os americanos escolheram um presidente democrata. A minha memória não vai tão longe para lembrar quem foi este presidente democrata, mas lembro-me que um jornalista americano perguntou a Fidel de Castro como seriam as relações com este presidente. Fidel respondeu: seja quem for, democrata ou republicano, para nós é sempre o presidente dos Estados Unidos e sabemos sempre o que dali vem, qualquer coisa como «nem bom vento nem bom casamento.

O Partido Democrata cometeu uma série de erros que começaram em deixar Joe Biden entrar na ida às urnas. O mais grave acontece quando, cheios de gente rica nos seus comités de decisão, desligaram-se da vida quotidiana do povo e dos trabalhadores, uma grande parte vivendo com graves problemas de sobrevivência, e assim observaram como os muçulmanos, negros, latino-americanos, mulheres, votaram no trapaceiro, no corrupto Trump que lhes prometeu novamente uma grande América, o paraíso ali ai virar da esquina. Tiveram que arranjar à pressa uma Kamala Harris mas, como agora disse o escritor brasileiro, os eleitores da América profunda, onde crassa a ignorância e a estupidez, não se mostraram dispostos a votar numa negra e numa mulher.

Condenado por uma série de crimes que ultrapassa as três dezenas,  
regressa à casa oval. Quando em Janeiro, por lá se sentar, determinará que todas essas acusações mercê dos que já colocou e que colocará, irão parar a máquina guilhotinadora de destruição de papel.

É assim que a América conseguirá ser grande outra vez.

«Tudo é mau nos resultados eleitorais dos EUA. Acontece. Já não é a primeira vez na história que demagogos, populistas, protoditadores ganham eleições e, sem excepção, os efeitos são sempre maus. Não são maus para toda a gente, nem são maus para tudo, mas no geral são maus, em primeiro lugar, para a democracia, depois, dependendo do país, são maus para outros países ou para o mundo. No caso de Trump, são maus para quase tudo, a não ser para a direita radical em todo o mundo e para a Rússia porque, como se vê, eles são “estranhos companheiros de cama”, para não dizer em inglês», escreveu José Pacheco Pereira no Público.

«Este não é o Trump de 2016. Controla a Presidência, o Senado e provavelmente a Câmara dos Representantes. O Supremo tornou-o inimputável, mudando a natureza do regime. Esmagou o partido republicano, que é um mero suporte institucional do movimento MAGA. E rodeou-se de gente ainda mais fanática e perigosa do que ele. Começa, em janeiro, uma nova ordem de bilionários tecnológicos que se sentarão na cadeira do poder político para moldar o mundo aos seus sonhos distópicos. As duas guerras que nos assustam seguirão para o seu epílogo trágico. Esta vitória vai-se disseminar por todo o mundo ocidental. E vai ser tudo demasiado rápido para nos prepararmos. Mas podemos, ao menos, perceber que as respostas que temos dado não resultam. Talvez as certas sejam as que esquecemos.», escreveu Daniel Oliveira no Expresso.

quinta-feira, 7 de novembro de 2024

O OUTRO LADO DAS ESTANTES


Num dia triste para a América, num dia triste para o mundo, deu-me para ir ao Outro Lado as Estantes buscar um importante documento.

Os catálogos do ciclo O Musical trabalho conjunto da Cinemateca Portuguesa e da Fundação Calouste Gulbenkian, em que de 20 de Dezembro de 1985 a 27 Março de 1986 foram vistos 180 filmes.

O catálogo são quatro volumes metidos em duas caixas, com cerca de 2.000 páginas.

«A expressão  «Cinema Musical adequa-se a qualquer filme (antes ou depois do da invenção do sonoro) em que a música tenha tido um papel importante», João Bénard da Costa dixit.

PRIMEIRO VOLUME

Tem o título de Aberturas com  intervenções de Carlos de Pontes Leça, João Bénard da Costa, João Paes, Luís de Pina, Miguel Esteves Cardoso.

SEGUNDO VOLUME

Titulado com Libretos, com intervenções de João Bénard da Costa. Manuel S. Fonseca, João Lopes, João Gabriel Trindade dos Santos, José de Matos Cruz, José Manuel Costa, Luís de Pina

TERCEIRO VOLUME

Chamaram-lhe As Pautas e tem colaboração de Miguel Esteves Cardoso.

QUARTO VOLUME

Com o título de As Letras tem colaboração de João Bénatd da Costa

De cada volume fizeram-se 2.000 exemplares, há muito esgotados e que, provavelmente, não voltarão a a ter outra edição.

Quem gosta de Cinema, quem gosta de musicais, tem aqui a tudo e mais alguma coisa.

Não tenho memória do primeiro musical que vi. Quase de certeza deveriam conter os passos de magia de Fred Astaire, as pernas de Cyd Charisse. O último direi com  a certeza das certezas, e não só por ter sido visto há poucas semanas: One From The Heart, o mais grandioso filme, o sonho mais louco  de Francis Ford Coppola que o levou à falência.

A primeira vez que vi Do Fundo do Coração foi na magnífica sala do Apolo 70. Depois fui a quase todas as exibições que aconteceram na Cinemateca Portuguesa.

Diga-se que há dias morreu Teri Garr que não sei onde se juntou a Raul Julia um dos seus comparsas na noite fabulosa daquele 4 de Julho, amores conquistados, amores perdidos, amores reconquistados, tudo à volta da genial banda sonora de Tom Waits.

Não resisti à tentação de reproduzir a crítica que Manuel S. Fonseca escreveu para este catálogo com a alegria que é importante destacar  que a crítica seja parcial e entusiasmante.



Claro que nunca poderemos esquecer  que a América, de novo, foi capaz de eleger para presidente  um criminoso, um aldrabão capaz de tudo e de mais alguma coisa.

É isso que o novo ano trará ao mundo. 

Fatalmenete?

Lembrava José Pacheco Pereira: «As democracias não deviam permitir que alguém que é criminosos, que despreza as leis e a Constituição tenha condições para se candidatar».

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

DISTO, DAQUILO E DAQUELOUTRO


 Donald Trump é uma ameaça para a Democracia.

Há dias. José Pacheco Pereira lembrava que; «
«Vai acontecer alguma coisa? Duvido, ele diz coisas destas todos os dias, e não perde, que se saiba, metade dos americanos como eleitores, nem que a máquina de minimização da importância do que ele diz funcione em pleno, até em Portugal, nas mais altas esferas do poder. Na direcção do PSD, no CDS e no Chega, há quem esteja “hesitante” se devia votar em Trump. O que significa que, se votassem, votariam.»

Texto de Carolina Amado, copiado do Público de 3 de Novembro:

 
«A poucos dias das eleições norte-americanas, o The
New York Times publicou este sábado, 2 de Novembro, um editorial a apelar ao voto que ponha "fim à era Trump".

New York Times publica editorial contra Donald Trump: “É uma ameaça à democracia”
"Já conhecem Donald Trump. Ele não está apto para liderar. Observem-no. Ouçam quem o conhece melhor. Ele tentou subverter uma eleição e continua a ser uma ameaça à democracia", lê-se no editorial, curto e incisivo. "A corrupção e a ilegitimidade de Trump vão além das eleições: são todo o seu
ethos. Ele mente sem limites."

O
New York Times (NYT) lembra que o ex-Presidente dos Estados Unidos, agora candidato a um novo mandato na Casa Branca, ajudou a reverter o direito ao aborto, "com consequências terríveis".

E alerta, antecipando aquilo em que se podem tornar os próximos quatro anos, caso Donald Trump seja eleito: "O Partido Republicano não o vai conter. Trump vai usar o seu governo para perseguir os seus adversários. Vai seguir uma política de deportações em massa. Vai lançar o caos sobre os pobres, a classe média e os empregadores. Outro mandato de Trump trará danos ao clima, destruirá alianças e fortalecerá os autocratas."

Sem fazer referência à candidata democrata, Kamala Harris, o editorial, cujo título é "
Vote to end the Trump era" (em português, "votem para pôr fim à era Trump"), termina com um apelo claro: "Os americanos devem exigir melhor. Votem."

Ainda que o conselho editorial do NYT não fale em nome da redacção, como esclarece o diário norte-americano, defende uma visão com a qual o jornal se identifica — a de um mundo em que "a liberdade e o progresso avançam através da democracia e do capitalismo".

Há pouco mais de uma semana, o The Washington Post anunciou não apoiar nenhum dos candidatos à Presidência dos Estados Unidos na eleição da próxima terça-feira, 5 de Novembro. É a primeira vez em 36 anos que o diário norte-americano não declara apoio a nenhum candidato à Casa Branca, numa corrida que se adivinha renhida até ao final.

Em comunicado, o sindicato
The Washington Post Guild, que representa quase mil jornalistas e funcionários do jornal, garantiu que a direcção já tinha redigido um editorial a declarar apoio a Kamala Harris, e que a decisão de não o publicar foi tomada pelo proprietário do jornal, o multimilionário e fundador da Amazon, Jeff Bezos. Na sequência do anúncio da decisão, mais de 200 mil pessoas suspenderam as suas assinaturas do jornal.

Um dia antes, o proprietário do
Los Angeles Times, Patrick Soon-Shiong, também bloqueou um apoio do jornal californiano a Harris. Um editor, dois membros da direcção e alguns jornalistas demitiram-se em protesto.»

1.

Morte do ant-fascista Camilo Mortágua.

Nota de Daniel Oliveira no Expresso:

«Pensei escrever sobre deputados que desrespeitaram, brincaram ou fizeram política com a morte do pai de duas pessoas com quem dividem o local de trabalho. Intriga-me como conseguirão voltar hoje ao Parlamento, tendo de se cruzar com elas, e não baixar a cabeça de vergonha. Depois desisti. Sou comentador político e o problema destas pessoas não é político. É serem, como seres humanos, uma miséria. Não merecem o nosso tempo.»

2.

«É indecente falar no Ocidente em direitos humanos, quando a desigualdade doméstica resvala na pobreza, e se alimenta o genocídio e agressão perpetrados por Israel.»

Viriato Soromenho-Marques de uma crónica no Diário de Notícias

3.

Há actividades  em Portugal – e não só! – que não conseguem passar sem os trabalhadores imigrantes.

Estes trabalhadores ganham em média 600 euros brutos, mas há quem receba muito menos.

A maior vive em contentores e barracas degradadas.

Pouquíssimos empresários tratam estes trabalhadores com respeito e dignidade, perante ministros completamente ignorantes e incompetentes, de deputados que não abandonam os assentos na Assembleia para verem, com olhos de ver, o que se vai passando com a esmagadora maioria destes trabalhadores.

4.

6.

«Os católicos são perfeitos em criar mistérios, fazem tudo à porta fechada.»

Edward Berger no Diário de Notícias

sábado, 2 de novembro de 2024

DISTO, DAQUILO E DAQUELOUTRO

Quando estava muito chateado com o país, o José Cardoso Pires dizia que a culpa era dos padres.

Alguns americanos, chateados eles com o país, cansados do país, apresentam sinais de desistência, talvez digam que a culpa é dos judeus, mais concretamente dos judeus americanos ricos.

Para as eleições do próximo dia 5, o Partido Democrático só acumulou disparates. Primeiro deixou que Biden se atravessasse como candidato, depois ter, muito tarde, direccionar-se para Kamala que, face às suas ideias de esquerda, não reúne as simpatias dessa terrível e estranha América profunda.

Para piorar a situação, Kamala acaba de se deparar com Biden a chamar «lixo» aos apoiantes de Trump.

Pode-se pensar, mas não se diz publicamente.

Pelos meios ao seu dispor, Kamala tenta distanciar-se do disparate de Biden:

«Discordo totalmente de qualquer crítica às pessoas com base no seu voto», disse Harris aos jornalistas.

Não sei se chegará!

Ana Cristina Leonardo no começo da sua crónica de sexta-feira no Público:

«A próxima vez que me sentar a escrever serão públicos os resultados das eleições presidenciais nos Estados Unidos. Desfrutemos, pois, da última oportunidade de poder fazê-lo em inocência, desconhecendo sobre qual das cabeças penderá a espada de Dâmocles, certo e sabido que, seja qual for o resultado, o peso do mundo continuará a pesar-nos nos ombros.»

 José Pacheco Pereira no Público de sábado: 

 «A complacência com os crimes de Trump, o medo que ele inspira, os poderosos apoios interesseiros que fecham os olhos a tudo para ganhar dinheiro e poder manietaram a justiça americana e permitiram-lhe uma impunidade que ninguém deveria ter. Trump, que é contra a democracia, beneficiou das fragilidades da democracia, usando três coisas: a manipulação da política-espectáculo, hoje uma das maiores ameaças à democracia; o dinheiro para pagar uma litigância infinita e para corromper testemunhas e processos; e o medo da retaliação e vingança que ele promete como quem respira. Na minha interpretação da história, Trump é o mais importante, e o seu carisma “cria” os seus seguidores. Podemos interpretar mil e uma coisas sobre o que lhe dá apoiantes, mas, antes disso, está perceber porque aceitam tudo o que ele diz e faz, e isso está antes, modela os acontecimentos, cria o movimento MAGA.

Estou a escrever este artigo na Trumplândia, e não é preciso ir muito longe para ver o medo. Nas campanhas eleitorais anteriores, os jardins em frente às casas estavam cheios de cartazes apoiando um ou outro candidato. Agora, nada. Há medo de vandalismo, de todos os lados. Medo de americanos contra americanos.»

1.

Na dia 30 morreu André Freire, politólogo, comentador televisivo, cronista do Público, além de professor Catedrático do Departamento de Ciência Política do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa e investigador integrado no Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-Iscte), dirigia o Departamento de Ciência Política do ISCTE desde 2015 e o Observatório da Democracia e Representação Política. Numa nota de pesar, o CIES-Iscte destaca o “legado de excelência e inspiração para todos os que tiveram o privilégio de trabalhar” ao lado de André Freire, que “foi mentor de várias gerações de estudantes e investigadores, partilhando generosamente o seu vasto conhecimento e fomentando o pensamento crítico e rigor académico”.

Segundo o Público André Freire foi operado esta terça-feira ao ombro no Hospital da Luz, em Oeiras, tendo sofrido uma paragem cardio-respitatória após a cirurgia que obrigou à sua transferência para o Hospital de São Francisco Xavier, em Lisboa, por ser o hospital mais próximo com cuidados intensivos, onde acabou por morrer.

A tristeza da sua morte, demonstra, uma vez mais que a medicina privada pode retirar médicos do Serviço Nacional de Saúde, mas apenas isso.

André Freire é um homem público, daí termos sabido, o que por norma acontece em quase todos os dias: as coisas correrem mal no hospital privado e transferem-se os doentes para o hospital público.

No caso de André Freire, infelizmente, não houve possibilidade de o salvar.

2.


Recorte do Público de 29 de Setembro.

Na Comissão europeia os líderes estão divididos sobre as migrações.

No princípio era tudo muito bonito, agora face a um trabalho mal conduzido. querem encontrar formas de acelerar os repatriamentos.

Os países precisam dos trabalhadores imigrantes,

3.

Para períodos de descanso ou tempo para viajar, o próximo ano vai ter cinco fins de semana de três dias e quatro feriados à quinta-feira, existindo a possibilidade para fazer ponte.

4.

A PSP deteve dois homens em flagrante delito, minutos depois de terem sido colocados em liberdade por um juiz de instrução, estando estes suspeitos referenciados por recentes assaltos em Campo de Ourique, Lisboa.

5.

O tempo médio  dedicado diariamente pelos portugueses às redes sociais é actualmente de 97 minutos, um aumento face a 2023.

6.

O juiz Orlando Nascimento subiu agora ao Supremo Tribunal de Justiça apesar de ser arguido num processo crime em que é suspeito de abuso de poder. 

domingo, 28 de julho de 2024

MÚSICA PELA MANHÃ

Pedro Adão e Silva, hoje, no Público:

«Nos últimos dias, um vídeo no qual se vê Kamala Harris à saída de uma loja de discos de saco de papel na mão, a esconder alguns vinis, viralizou. Instada por jornalistas a declarar o que trazia no saco, Kamala não hesita e, de sorriso rasgado, vai retirando os discos um a um: “Charles Mingus, um dos maiores intérpretes de jazz de sempre. Um dos meus álbuns preferidos, de Roy Ayers, Everybody Loves the Sunshine. Conhecem? É tão bom, um clássico. E Porgy and Bess, e este é muito bonito, é a versão da Ella Fitzgerald e do Louis Armstrong.”».

quinta-feira, 25 de julho de 2024

É A DEMOCRACIA QUE ESTÁ EM JOGO


Num discurso de 12 minutos, Joe Biden explicou por que razão decidiu sair da corrida presidencial e deixou vincado que é a democracia que está em jogo e que nada pode interpor-se no caminho de a salvar.

«Decidi que o melhor curso de acção é passar o testemunho a uma nova geração, que isso é a melhor forma de unir a nossa nação.«Há um tempo e um lugar para longos anos de experiência na vida pública. Há também um tempo e um lugar para novas vozes, vozes frescas, sim, vozes mais jovens, e esse tempo e lugar é agora».

Ficou por explicar a persistência em não condenar energicamente os massacres de Israel em Gaza, no exacto dia em o ditador Netanyahu provocou um espectáculo indecoroso na sala do Congresso Americano, chamando idiotas aos que em todo o mundo criticam os massacres que diariamente impõe ao povo palestino, enquanto exigia, o envio rápido de mais armas para Israel.

Legenda: congressista norte-americana durante o discurso de Netanyahu.

terça-feira, 23 de julho de 2024

JÁ SE FALHOU QUASE TUDO


1.

« É o Trump da vingança que a maioria do Supremo que ele próprio nomeou declarou inimputável. Este é um momento incrivelmente perigoso para o mundo. Já se falhou quase tudo. Que não falhe o tão pouco que resta.»

Daniel Oliveira no Expresso

2.

Em declarações na sede de campanha democrata, em Wilmington, no Delaware, Kamala Harris enumerou uma série de casos com que lidou na sua carreira como procuradora, deixando patente o paralelismo com a vida de controvérsias de Donald Trump.

«Lidei com criminosos de todo o tipo”, começou por dizer Harris. “Predadores que abusaram de mulheres. Defraudadores que roubaram consumidores. Batoteiros que quebraram as regras do jogo para seu próprio benefício. Por isso, deixem-me que vos diga: eu conheço o tipo de Donald Trump».

segunda-feira, 22 de julho de 2024

POSTAIS SEM SELO

Porque não são felizes os americanos? Porque trabalham que se fartam para pagar o que cada vez mais consomem sem verdadeiramente fruírem o que compram e, a bem dizer, não fazem mais nada.

Autor desconhecido

JORGE DE SENA SOBRE OS AMERICANOS

 

Jorge de Sena na sua Correspondência com Carlo Vittorio Cattaneo, tem diversas e variadas apreciações sobre os americanos.

Este pedacinho é retirado da  carta datada de Santa Bárbara de 16 de Novembro de 1971.

A FLUTUAÇÂO COM QUE OS AMERICANOS SE DEBATEM...


Como a América, a maior Democracia do mundo, apresenta dois candidatos presidenciais que não oferecem o mínimo de confiança?

 Joe Biden pelos seus 82 anos e os problemas que daí resultam e obrigaram a que desistisse, Donald Trump um vigarista, um aldrabão, um corrupto, um racista, um arrogante, um vaidosos, um inculto, um sabe-se lá mais o quê.

Os democratas terão agora que escolher um candidato para substituir Biden.

Uma tarefa repleta de dificuldades.

Tem sido, agora, apontado o nome da vice-presidente, Kamala Harris, mas não consegue reunir a unanimidade no partido, principalmente das suas elites e o tempo urge e o que era para ser feito em ½ anos, terá que ser feito em meia dúzia de meses.

Se bem que um vice-presidente não tem que ter uma presença constante, antes um trabalho de bastidores, diga-se que Joe Biden, de modo algum facilitou a vida a Harris, acabando por lhe dar a pasta da imigração e o enorme problema com o muro trumpiano que separa o México dos Estados.

Não foi nada feliz, por diversos e variados problemas, esse trabalho. 

domingo, 21 de julho de 2024

E AGORA, ESTADOS UNIDOS?

Joe Biden desiste da corrida presidencial.

Como foi possível chegar a esta situação?

Como foi possível o Partido Democrata ter permitido que Joe Biden se recandidatasse?

Como foi possível que o Partido Republicano voltasse a candidatar  Donald Trump à presidência?

Tempos sombrios para os Estados Unidos. Também para o mundo.

Aqui há muitos anos, na eleição de um presidente democrata para os Estados Unidos, perguntaram a Fidel de Castro a sua opinião.

Não interessa muito, seja quem for, para nós é sempre o presidentes dos Estados Unidos e isso, como se sabe, não trás nada de bom. 

sábado, 20 de julho de 2024

CRONICANDO POR AÍ

«Segundo Donald Trump, “foi Deus que impediu que o impensável acontecesse”, no atentado de que foi alvo. Ou seja, foi o Criador que evitou que a bala do atirador trespassasse Trump, o que seria impensável, fazendo com que fosse antes atingir um antigo bombeiro, cuja morte é bastante mais pensável. Deus, nos intervalos de governar o universo, acompanha as eleições americanas, provavelmente através da Fox News, e não deixou que o candidato americano fosse abatido a tiro. Em 1914, Deus não interferiu no homicídio do arquiduque, em Sarajevo, e em 1963 não objectou a que Kennedy fosse assassinado, em Dallas.

 Mas, desta vez, o Senhor resolveu salvar a vida de um candidato presidencial. No entanto, Deus fez muito mais do que isso: montou a maior operação de marketing político da História. Luís Paixão Martins, que coordenou várias campanhas vencedoras, nunca concebeu um plano tão bom como este — e dizem-me que Paixão Martins é bastante mais caro do que Deus. Ao permitir que a bala raspasse na orelha de Trump, o Senhor forneceu-lhe o máximo de martírio com o mínimo de dano. Trump pode dizer que levou um tiro, que sobreviveu a uma tentativa de homicídio, que derramou sangue. O preço a pagar por isso foi: uma feridinha na orelha. Eu já tive lesões mais graves a jogar à bola. Mas Deus quis fazer de Trump uma vítima sem lhe infligir sofrimento. Tem sido um procedimento habitual do Senhor. Toda a história da vida de Donald Trump tem sido exactamente assim: obter o maior benefício despendendo o menor esforço. Trump começou com uns milhões de dólares oferecidos pelo pai, e quase não paga impostos sobre os rendimentos que tem. Os escândalos em que se envolve não o beliscam, e nem sequer as condenações em tribunal o afectam. Em princípio, Deus tem tido um papel crucial em todas essas peripécias. É como se o Senhor estivesse a protegê-lo por ter um plano para ele. Fico mais descansado. Talvez isso signifique que a eleição de Donald Trump seja, no entender de Deus, a maneira mais eficaz de evitar uma guerra nuclear. Ou então faz tudo parte de uma estratégia para cumprir o que vem escrito no Livro do Apocalipse. Seja como for, Deus parece saber o que está a fazer. Haja alguém.»

Ricardo Araújo no Expresso.

sábado, 12 de novembro de 2016

NOITES EXCITANTES


Após a vitória de Trump, David Duke, um ex-líder dos Ku Klux Klan, disse que aquela era "one of the most exciting nights of my life" - e imaginem o que ele já não deve ter feito de noite. Se, para um "indivíduo" do Ku Klux Klan, a vitória de Trump é razão para festejos, sou tentado a pensar que o que aí vem não vai ser divertido.


João Quadros, Negócios

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

SAUDANDO A ELEIÇÃO DE TRUMP


Simples e claras as palavras de Angela Merkel registando a eleição do novo presidente dos Estados Unidos:
A Alemanha e a América estão ligadas por valores: democracia, liberdade, respeito pela lei e pela dignidade dos seres humanos, independentemente da origem, cor da pele, religião, sexo, orientação sexual ou opiniões políticas.
Com base nesses valores, oferecemos ao futuro presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, uma estreita cooperação.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

POSTAIS SEM SELO


Se o maior dos ignorantes tem um voto idêntico ao do mais sábio dos cidadãos, então há que convir que o valor político das ideias de ambos, por muito diferente que seja a respetiva informação, se equipara democraticamente no momento do sufrágio.

A POSSIBILIDADE EXISTIA...




Certamente que não foram os tradicionalistas religiosos, os activistas de armas, os xenófobos, os racistas, os múltiplos e variados interesses financeiros, os mercados…

O DIA SEGUINTE


…sim, a possibilidade existia…
… mas poucos a quiseram olhar…
… agora estamos face à realidade, dentro da casa dos horrores, como titula o jornal do dia…
…angustiante…
…muitas outras palavras, inúteis palavras, para classificar o que aconteceu à América… ao mundo…
…e há o silêncio…
… ou ir ouvir blues…
… ou reler o humor, ácido e cortante, do Mário-Henrique Leiria nos seus Contos Do Gin-Tonic;

- Desconfio que a democracia não resulta. Juntam-se astronautas, bodes,
camponeses, galinhas, matemáticos e virgens loucas e dão-se a todos os
mesmos direitos.
Isso parece-me um erro cósmico. Desculpa.
Desculpei mas fiquei ofendido. Que a democracia era aquilo mesmo, e ainda
com conversa fiada como brinde, isso sabia eu. Que mo viessem dizer,
era outra coisa.
Fiquei ainda mais ofendido, até porque não gosto de erros cósmicos.
Acho um snobismo.
- Eu sou democrático - rugi entre dentes, como resposta. - Tenho amigos no exílio,
todos democráticos.
Foram para lá por serem democráticos. É um sacrifício que poucos fazem,
ir para o exílio e ser professor universitário exilado e democrático.
Eras capaz de fazer isso?
- Não sou democrático.
Não havia resposta a dar. Nenhuma. Ele não era democrático, não
sabia de democracia.
Eu sim, sou democrático, até já quis ir à América, que me afirmaram que
lá é que é a democracia.
Recusaram-me o visto no passaporte, disseram que eu era comunista!

Viram isto? 

terça-feira, 8 de novembro de 2016

A POSSIBILIDADE EXISTE...


A novidade desta eleição é um candidato como Donald Trump, com todo o seu ódio, toda a sua ignorância, toda a sua rudeza - a níveis nunca vistos - ter feito sonhar mais de 50 milhões de pessoas e só acabar derrotado, se o for, pela força de uma comunicação social que se descredibilizou, cega na sofreguidão de o tentar desacreditar. O rasto deixado pelo sonho funesto daquelas pessoas e pelo suicídio infantil da imprensa dita séria não vai apagar-se hoje, mesmo se Hillary Clinton ganhar.