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sábado, 22 de fevereiro de 2025

O OUTRO LADO DAS ESTANTES

Este livro de Gordon Childe, 520 páginas referindo o «progresso da humanidade desde as suas origens até ao fim do Império Romano» faz parte daquele largo número de livros que o meu pai foi comprando, preferencialmente, para serem lidos em tempo de reforma.

Faz parte do Outro Lado das Estantes da Biblioteca da Casa, e foi editado pela excelência das Edições Cosmos de Manuel  Rodrigues  de  Oliveira,”O  Homem da Cosmos”, Testemunha de um tempo passado,  um  homem  que  fez  da sua vida  um  culto ao livro e à arte de imprimir as ideias.

As edições  Cosmos contaram, entre outros, com a excelência do trabalho de Bento de Jesus Caraça e Vitorino Magalhães Godinho, principalmente na Biblioteca Cosmos.

Volto a dizer: não terei tempo para olhar todas as capas desta Biblioteca da Casa, que começa com uma meia dúzia de livros de Mário Santos, meu avô paterno, republicano histórico, benfiquista e anticlerical, tal como gostava de se dar a conhecer a quem lhe perguntasse quem era.

quarta-feira, 5 de junho de 2024

POSTAIS SEM SELO


Se não receio o erro, é porque estou sempre disposto a corrigi-lo.

Bento de Jesus Caraça

Legenda: Bento de Jesus Caraça

sexta-feira, 15 de setembro de 2023

O OUTRO LADO DAS CAPAS


Muito pouca gente lê em Portugal e menos ainda o escritor Manuel Mendes.

Os livros de Manuel Mendes presentes na Biblioteca da Casa foram comprados pelo meu pai.

Deste livro de Manuel Mendes, em 1970, o realizador Alfredo Tropa fez  uma adaptação para o cinema que contou com a colaboração de Fernando Assis Pacheco e Afonso Praça. As canções do filme  têm poemas de Fernando Assis Pacheco, música de Manuel Jorge Veloso e são cantadas por Manuel Freire.

Manuel Mendes dedicou Pedro, Romance dum Vagabundo, ao Prof. Bento de Jesus Caraça:


quinta-feira, 14 de setembro de 2023

O OUTRO LADO DAS CAPAS


Continuamos a olhar alguns dos livros da Biblioteca da Casa que vieram da casa do meu pai.

Este é mais um volume da excelente Biblioteca Cosmos, dirigida pelo Professor Bento de Jesus Caraça.

Rómulo de Carvalho nas suas Memórias:

Escrevi dois volumes segundo este projecto, um intitulado “ A Ciência Hermética” e outro “O Embalsamento Egípcio”, e ambos foram publicados numa colecção famosa designada Biblioteca Cosmos, editada em Lisboa, e na qual saíram mais de 100 volumes, talvez 150.

O director da Biblioteca Cosmos era um professor da Universidade Técuica, ainda hoje muitas vezes recordado pela sua competência no ramo da Matemática. Chamava-se Bento de Jesus Caraça e conheci-o pessoalmente. A sua memória ao ser acordada no tempo presente, como às vezes sucede, não se prende ao seu saber, o que só por si o justificaria, mas à sua resistência à ditadura salazarista que nunca perdoou a ninguém que se lhe pusesse. Esteve preso, foi afastado da sua profissão, sofreu bastante e não resistiu aos sofrimentos. Tinha apenas mais quatro ou cinco anos do que eu e já morreu há mais de quarenta anos.

Das vezes que falei com ele recebeu-me sempre de modo muito correcto, com certa distância natural. Recordo um pormenor curioso. Bento Caraça era director de uma Gazeta de Matemática, análoga aos objectivos à minha Gazeta da Física, e até na tipografia daquela que esta se compunha e imprimia. Eram irmãs gémeas. Certo dia fui procurar o professor Caraça para saber da aceitação que tivera um artigo meu que lhe enviara para publicação na dita Gazeta de matemática. Ele já o tinha lido, e gostara. Ia publicá-lo, mas… Ele estava sentado à secretária, sério, compenetrado da sua função de director, e eu sentado defronte como penitente. O meu artigo versava as íntimas relações entre a Matemática e a Física e punha em relevo a importância dessas relações ao nível do ensino liceal. Intitulei-o “A Física filha directa da Matemática”. Era esta a razão do mas… O título não lhe agradou. Bento Caraça procurou fazer-me compreender que a dignidade e a gravidade da Ciência não permitiam a leveza daquelas palavras, parece que pouco virtuosas. Ele era um homem progressista, aberto às transformações sociais, revolucionário, mas há coisas sagradas. Visto isso mudei o título para “Sobre a correlação entre a Matemática e a Física no ensino liceal.”. Veio no nº 31, de Fevereiro de 1947. Ele morreu no ano seguinte, e eu ainda cá estou a apreciá-lo nas suas forças e nas suas fraquezas.

 Rómulo de Carvalho em Memórias

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

RELACIONADOS

 Na Biblioteca do meu Pai não existia nenhuma Enciclopédia.

Também nunca adquiri nenhuma.

Mas existia uma série de volumes de Cadernos e Colecções que abrangiam uma série de gente qualificada a escrever sobre  autores e assuntos diversos.

Muitos desses volumes pertenciam à Biblioteca Cosmos que foi um projecto excepcional criado e orientado por Bento de Jesus Caraça.

Rómulode Carvalho, mais conhecido como o poeta António Gedeão, conta nas suas Memórias que colaborou com obras suas nesta excelente Biblioteca Cosmos.

Publicarei nos próximos dias outros volumes (Cadernos da Seara Nova, Cadernos da Editorial Inquérito) que me ajudaram na formação de um certo sentido de Cultura Geral que, possivelmente, qualquer enciclopédia não daria.

Ramiro da Fonseca, médico e escritor, manteve, nos anos 70, na RTP o programa «Vida Sã em Corpo São».  

OLHAR AS CAPAS


 A Reprodução Nas Plantas, Nos Animais E No Homem

Ramiro da Fonseca

Biblioteca Cosmos nº 106/107

Edições Cosmos, Lisboa, Maio de 1946

A primeira e fundamental noção que temos de ter presente e da constituição celular de todos os seres vivos. Todos os seres vivos (à parte algumas excepções, de resto discutíveis) são constituídos por elementos morfológica e funcionalmente independentes e funcionalmente independentes, denominados células. 

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

OLHAR AS CAPAS


As Mãos na Água A Cabeça no Mar

Mário Cesariny
A Phala – Edição do Autor. Lisboa, Janeiro de 1972

Não haverá ninguém insubstituível, mas podem passar-se muitos anos, já lá vão vinte, antes de que seja preenchida a lacuna causada pelo desaparecimento de uma figura exemplar. Certo que a diligência dos prosélitos não esquece, que nada será esquecido do enriquecimento conduzido à cultura, da mensagem «sempre viva», como se diz, dos que verdadeiramente representaram e enriqueceram a época. Não menos certo que o verno no pretérito declina a própria limitação, exalta, mas esvazia de substância. No caso do professor Bento de Jesus Caraça, a morte prematura aos 47 anos de idade, reforça, se se quiser, a mitificação da figura, mas quebra, angustiosamente para quem cá ficou, toda a promessa de desenvolvimento ulterior. Este, só o homem, aqui e agora, no-lo daria.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

BIBLIOTECA COSMOS


Escrevi dois volumes segundo este projecto, um intitulado “ A Ciência Hermética” e outro “O Embalsamento Egípcio”, e ambos foram publicados numa colecção famosa designada Biblioteca Cosmos, editada em Lisboa, e na qual saíram mais de 100 volumes, talvez 150.
O director da Biblioteca Cosmos era um professor da Universidade Técuica, ainda hoje muitas vezes recordado pela sua competência no ramo da Matemática. Chamava-se Bento de Jesus Caraça e conheci-o pessoalmente. A sua memória ao ser acordada no tempo presente, como às vezes sucede, não se prende ao seu saber, o que só por si o justificaria, mas à sua resistência à ditadura salazarista que nunca perdoou a ninguém que se lhe pusesse. Esteve preso, foi afastado da sua profissão, sofreu bastante e não resistiu aos sofrimentos. Tinha apenas mais quatro ou cinco anos do que eu e já morreu há mais de quarenta anos.
Das vezes que falei com ele recebeu-me sempre de modo muito correcto, com certa distância natural. Recordo um pormenor curioso. Bento Caraça era director de uma Gazeta de Matemática, análoga aos objectivos à minha Gazeta da Física, e até na tipografia daquela que esta se compunha e imprimia. Eram irmãs gémeas. Certo dia fui procurar o professor Caraça para saber da aceitação que tivera um artigo meu que lhe enviara para publicação na dita Gazeta de matemática. Ele já o tinha lido, e gostara. Ia publicá-lo, mas… Ele estava sentado à secretária, sério, compenetrado da sua função de director, e eu sentado defronte como penitente. O meu artigo versava as íntimas relações entre a Matemática e a Física e punha em relevo a importância dessas relações ao nível do ensino liceal. Intitulei-o “A Física filha directa da Matemática”. Era esta a razão do mas… O título não lhe agradou. Bento Caraça procurou fazer-me compreender que a dignidade e a gravidade da Ciência não permitiam a leveza daquelas palavras, parece que pouco virtuosas. Ele era um homem progressista, aberto às transformações sociais, revolucionário, mas há coisas sagradas. Visto isso mudei o título para “Sobre a correlação entre a Matemática e a Física no ensino liceal.”. Veio no nº 31, de Fevereiro de 1947. Ele morreu no ano seguinte, e eu ainda cá estou a apreciá-lo nas suas forças e nas suas fraquezas.

Rómulo de Carvalho em Memórias

sábado, 26 de agosto de 2017

POSTAIS SEM SELO


Se não receio o erro, é porque estou sempre pronto a corrigi-lo.

Bento de Jesus Caraça

Legenda: Bento de Jesus Caraça

terça-feira, 10 de abril de 2012

OLHAR AS CAPAS


Conferências e Outros Escritos
Bento de Jesus Caraça
Capa: Sebastião Rodrigues
Lisboa, 1970

António Sérgio proclama que a “minha atitude ao discutir Platão é um exemplo pernicioso para a educação dos jovens”. Por causa da minha atitude intelectual, das minhas ideias, fui já várias acusado de ser pernicioso para a educação dos jovens. Não posso esconder o meu espanto ao ver agora juntar-se a esse coro a voz de António Sérgio.

De uma carta de Bento de Jesus Caraça a António Sérgio (Fevereiro 1946).

Nota do editor:
Durante o mês de Abril, irei apresentando uma série de livros que me acompanharam durante os tempos da ditadura.
Livros que, por isto ou por aquilo, ajudaram a formar uma consciência cultural e política.
A sua aparição não obedece a algum critério, e, naturalmente, muitos livros e autores irão ficar de fora. 

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

PEDIDO DE AUTORIZAÇÃO


Ao Governador Civil de Lisboa foi enviado um pedido de autorização de uma reunião do M.U.D. e que se realizou na “Voz do Operário”.
A ordem de trabalhos, que foi enviada ao Governador Civil, tinha os seguintes pontos:

1º – Examinar o momento político actual à luz das afirmações e conclusões da Primeira Conferência da União Nacional.
2º - Deliberar sobre as condições em que os cidadãos presentes poderão intervir na solução do problema político nacional.
A reunião terá lugar no próximo dia 30 de Novembro pelas 20,30 horas, em local a designar, e participarão nela. Somente os signatários e os portadores de bilhetes de convite assinados por qualquer dos requerentes.
Ao abrigo do disposto no nº4 do artº 8º da Constituição
Pedem deferimento
Lisboa, 22 de Novembro de 1946
a)      Mário de Azevedo Gomes
Bento de Jesus Caraça
Maria Isabel de Aboim Inglês
Fernando Mayer Garção
Luciano Serrão de Moura
Alberto Dias
Manuel Tito de Morais
António Lobo Vilela
Manuel Mendes
Mário Soares

Edição da Comissão Central do M.U.D.

Preço 2$50

Composto e Impresso “Imprensa Beleza”, Rua da Rosa, 99 a 105 - LISBOA