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terça-feira, 27 de janeiro de 2026

POSTAIS SEM SELO

Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.

Antoine de Saint-Exupéry

Legenda: fotografia de Vivian Maier

terça-feira, 8 de setembro de 2020

OLHAR AS CAPAS


Inéditos

Antoine de Saint-Exupéry
Prefácio: Alban Cerisier e Delphine Lacroix
Tradução: Margarida Vale de Gato
Capa: Maria Manuel Lacerda
Casa das Letras, Lisboa, Novembro de 2009

Ao fim do dia fui ver o meu avião. E sei aquilo que se pede a um avião ou a um navio. Sei quais as matérias profundas que se desejaria reanimar dentro de nós. Esta carne, este coração, oferecemo-los a outros sóis para os amadurecerem. Como se fôssemos sempre um campo cheio de sementes a fazer germinar. Desde a infância que fugimos dessa velhice que não passa de uma conversão.
Eu rinha uma companheira. Ia às vezes, antigamente encontrar-me com ela ao fim do dia, e à beira do lume, conversávamos. E era uma viagem. Ah, a minha bela amizade! Não precisávamos de falara das Índias nem da China. Havia, porém uma tal densidade na melodia simples daquele disco de gramofone, no sabor e no gosto do Porto! E se um amigo ou uma amiga se nos juntassem, era uma coisa de que já tínhamos falado e, na sala, essa pessoa daria passos admiráveis, cheios de sentido, trazendo mil tesouros. Graças a ela, íamos instruir-nos. Viajar é, em primeiro lugar, aprender uma língua, as regras do jogo.

terça-feira, 5 de maio de 2020

POSTAIS SEM SELO


Num mundo onde a vida vai tão naturalmente ao encontro da vida, onde as flores se unem às flores até no próprio leito do vento, onde o cisne conhece todos os cisnes, só os homens constroem a sua solidão.

Antoine de Saint-Exupéry em Terra dos Homens

Legenda: pintura de Leonid Pasternak

quinta-feira, 31 de maio de 2018

POSTAIS SEM SELO



Faz sentir aos teus subordinados que precisas deles, e não que eles precisam de ti.

Antoine de Saint-Exupéry

terça-feira, 17 de abril de 2018

POSTAIS SEM SELO


Não devemos exigir a ninguém mais do que lhe é possível dar.

Antoine de Saint-Exupéy O Principezinho

Legenda: pintura de Pablo Picasso

sexta-feira, 16 de março de 2018

POSTAIS SEM SELO


A perfeição não existe, suspirou a raposa.

Antoine de Saint-Exupéry em O Principezinho

DIGAM-ME QUE ELE VOLTOU...


Hoje, terminamos a viagem, começada a 23 de Outubro do passado ano, que fizemos por algumas das páginas deste delicioso livro de Antoine de Saint-Exupéry: O Principezinho.
A importância das pequenas coisas, o essencial, aquilo que é invisível para os olhos, coisas que as pessoas facilmente esquecem:
«Se queres um amigo, cativa-me.»
Perguntou, então, o principezinho o que significa cativar e a raposa respondeu-lhe:
«Significa criar laços.»
A aguarela de Antoine de Saint-Exupéry que acima se reproduz, é a última e estas são as últimas palavras do livro:

Esta é, para mim, a mais bela e a mais triste paisagem do mundo. É a mesma paisagem da página anterior, mas desenhei-a uma vez mais para vo-la mostrar. Foi aqui que o principezinho apareceu pela primeira vez sobre a terra e depois desapareceu.
Olhai atentamente para esta paisagem para terdes a certeza de a reconhecer, se algum dia viajardes em África, no deserto. E, se acontecer passardes por lá, suplico-vos, não vos apresseis, esperai um pouco, mesmo por baixo da estrela! Então, se uma criança se aproximar de vós, se rir, se tiver cabelos de oiro, se não responder quando a interrogardes, adivinhareis bem quem é. Sede amáveis então! Não me deixeis assim triste: escrevei-me depressa a dizer que ele voltou…

quinta-feira, 8 de março de 2018

COMO ISSO TEM IMPORTÂNCIA!


É um mistério muito grande. Para vós, que também amais o principezinho, assim como para mim, o universo é outro, completamente outro, conforme algures, não se sabe onde, uma ovelha que não conhecemos, tiver ou não comido uma rosa…
E jamais alguma pessoa crescida virá a compreender como isso tem importância!

Antoine de Saint-Exupéry em O Principezinho

Legenda: desenho de Antoine de Saint-Exupéry

quinta-feira, 1 de março de 2018

QUALQUER COISA BRILHA EM SILÊNCIO


É belo o deserto, acrescentou…
E era verdade. Sempre ameio o deserto. Senta-se a gente numa duna de areai. Não se vê nada. Não se ouve nada. E, todavia, qualquer coisa brilha em silêncio.
- O que dá beleza ao deserto, disse o principezinho, é a existência de um poço escondido em qualquer parte.

Antoine de Saint-Exupéry em O Principezinho

Legenda: desenho de Antoine de Saint-Exupéry

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

A FIM DE SE RECORDAR...


- Vou dizer-te o meu segredo. É muito simples: só se vê com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se recordar.
- Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que perdi com a minha rosa… repetiu o principezinho, a fim de se recordar.
- Os homens esqueceram esta verdade. Mas tu não deves esquecê-la. Ficas para sempre responsável por aquele que cativaste. És responsável pela tua rosa.
- Sou responsável pela minha rosa, repetiu o principezinho, a fim de se recordar.

Antoine de Saint-Exupéry em O Principezinho

Legenda: Desenho de Antoine de Saint-Exupéry

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

COMPRAM COISAS FEITAS AOS MERCADORES...


Só se conhecem as coisas que se cativam. Os homens já não têm tempo para tomar conhecimento de nada. Compram coisas feitas aos mercadores. Mas como não existem mercadores de amigos, os homens não têm amigos.

Antoine de Saint-Exupéy em O Principezinho

Legenda: fotografia de Vivian Maier

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

SIGNIFICA CRIAR LAÇOS


Foi então que apareceu a raposa:
- Boa dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu com delicadeza. Mas ao voltar-se não viu ninguém.
o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu?,  disse  o principezinho. És bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
 - Anda brincar comigo, propôs-lhe o principezinho. Estou tão triste...
- Não posso brincar contigo, disse a raposa. Ainda ninguém me cativou.
- Ah! perdão, disse o principezinho.
Mas, depois de ter reflectido, acrescentou:
- Que significa cativar»?
- Tu não deves ser daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro os homens. Que significa «cativar»?
- Os homens têm espingardas e caçam. É uma maçada! Também criam galinhas. É o único interesse que lhe acho. Andas à procura de galinhas
- Não, disse o principezinho. Ando à procura de amigos. Que significa «cativar»?
- É uma coisa de que toda a gente se esqueceu, disse a raposa. Significa «criar laços...»

Antoine de Saint-Exupéry em O Principezinho

Legenda: desenho de Antoine de Saint-Exupéry

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

ERA UMA FLOR TÃO ORGULHOSA...


O principezinho arrancou também, não sem uma certa melancolia, os últimos rebentos de embondeiros. Pensava nunca mais voltar. Mas todos estes trabalhos familiares lhe pareceram, nessa manhã, extremamente enternecedores. E, quando, pela última vez, regou a flor, sentiu uma grande vontade de chorar.
- Adeus, disse à flor.
Mas ela não lhe respondeu.
- Adeus, repetiu.
A flor tossiu. Mas não era por causa da constipação.
- Fui uma tola, disse-lhe por fim. Perdoa-me e procura ser feliz.
Surpreendeu-o a ausência de censuras. Permanecia ali, todo confuso, com o globo na mão. Não compreendia aquela suavidade calma.
- É certo, amo-te, disse-lhe a flor. Por minha culpa, não soubeste de nada. Isso não tem importância alguma. Mas tu foste tão tolo como eu. Procura ser feliz… Pousa essa redoma. Já não a quero.
- Mas o vento…
- Não estou tão constipada como isso… O ar fresco da noite vai fazer-me bem… Sou uma flor…
- Mas as feras…
- se tiver de suportar duas ou três lagartas, para chegar a conhecer as borboletas, não faz mal. Dizem que é tão bonito. Senão, quem me há-de visitar? Estarás longe, tu. Das feras maiores não tenho medo nenhum. Tenho as minhas garras.
E mostrava ingenuamente os quatro espinhos. Depois acrescentou:
- Não te demores mais, é irritante. Decidiste partir. Vai-te embora.
É que não queria que ele a visse chorar. Era uma flor tão orgulhosa…

Antoine de Saint-Exupéry em O Principezinho

Legenda: desenho de Antoine de Saint-Exupéry

domingo, 21 de janeiro de 2018

AQUILO NÃO É UM HOMEM!


Conheço um planeta onde existe um senhor de tez escarlate. Nunca aspirou o perfume de uma flor. Nunca contemplou uma estrela. Nunca amou ninguém. Nunca fez nada a não ser adições. E passa o dia a repetir como tu: «Sou um homem sério! Sou um homem sério!» e fica inchado de orgulho. Mas aquilo não é um homem, é um cogumelo!

Antoine de Saint-Exupéry em O Principezinho

domingo, 14 de janeiro de 2018

A DOÇURA DOS POENTES



Ah! principezinho, assim fui compreendendo a tua vida melancólica. Durante muito tempo, apenas a doçura dos poentes te serviria de distracção. Tomei conhecimento deste novo pormenor no quarto dia, de manhã, quando disseste:
- Gosto muito do pôr-do-sol. Vamos ver um pôr-do-sol…
- Mas é preciso esperar…
-Esperar o quê?
- Esperar que o sol se ponha.
A princípio ficaste muito surpreendido e depois riste-te de ti próprio. E disseste:
- Julgo sempre que estou no meu sítio!
Com efeito. Quando é meio-dia nos Estados Unidos, o sol, toda a gente o sabe, põe-se em França. Bastava ir a França num minuto para assistir ao pôr-do-sol. Infelizmente a França fica muito longe. Mas, no teu planeta pequenino, bastava-te afastar a cadeira dois ou três passos e contemplavas o crepúsculo sempre que o desejasses…
- Um dia, vi o pôr-do-sol quarenta e três vezes!
E, algum tempo depois acrescentavas:
- Sabes, quando se está muito triste, gosta-se do pôr-do-sol…
- Então no dia das quarenta e três vezes estavas assim tão triste?
Mas o principezinho não respondeu.

Antoine de Saint-Exupéry em O Principezinho

Legenda: desenho de Antoine de Saint-Exupéry

sábado, 6 de janeiro de 2018

AMIGO


É triste esquecer um amigo. Nem toda a gente tem um amigo.

Antoine Saint-Exupéy em O Principezinho

Legenda: imagem Time

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

NUNCA PERGUNTAM O ESSENCIAL


As pessoas crescidas gostam de números. Quando lhes falais de um novo amigo nunca perguntam o essencial. Nunca vos dizem: «Como é a fala dele? Quais os seus jogos predilectos? Colecciona borboletas?» Perguntam: «Que idade tem? Quantos irmãos são? Quanto pesa? Quanto é que o pai ganha?» E só julgam que o conhecem depois disto. Se disserdes às pessoas crescidas: «Vi uma bela casa de tijolos vermelhos, com gerânios nas janelas e pombas no telhado… » elas não conseguem imaginar uma casa. É preciso dizer-lhes: «Vi uma casa de quinhentos contos». Então exclamam: «Ai que bonita!»

Antoine de Saint-Exupéry em O Principezinho


Legenda: Desenho de Antoine de Saint-Exupéry

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

NÃO SE PODE IR MUITO LONGE...


- Donde vens, meu rapazinho? Onde é a tua terra? Para onde queres levar a minha ovelha?
Após um silêncio meditativo, respondeu-me:
- O que vale é que a caixa que me deste, pode servir-lhe de casa durante a noite.
- Com certeza. E se te portares bem, dou-te também uma corda para a amarares durante o dia. E uma estaca.
O principezinho mostrou-se chocado com a proposta:
- Amarrá-la? Que ideia!
- Mas, se tua não a amarrares, pode fugir e perder-se…
O meu amigo desatou a rir outra vez.
- Mas aonde queres que ela vá?
- A qualquer parte. Sempre em frente.
Então o principezinho observou com gravidade:
- Não faz mal, é tão pequenino o sítio onde eu moro…
E, talvez com certa melancolia acrescentou:
- Sempre em frente, não se pode ir muito longe…

Antoine de Saint-Exupéry em O Principezinho

Legenda: desenho de Antoine de Saint~Exupéry

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

AI QUE BONITA!


As pessoas crescidas gostam de números. Quando lhes falais de um novo amigo nunca perguntam o essencial. Nunca vos dizem: «Como é a fala dele? Quais os seus jogos predilectos? Colecciona borboletas?» Perguntam: «Que idade tem? Quantos irmãos são? Quanto pesa? Quanto é que o pai ganha»» E só julgam que o conhecem depois disto. Se disserdes às pessoas crescidas: «Vi uma bela casa de tijolos vermelhos, com gerânios nas janelas e pombas no telhado…» elas não conseguem imaginar uma casa. É preciso dizer-lhes: «Vi uma casa de quinhentos contos.» Então exclamam: «Ai que bonita!»

Antoine de Saint-Exupéry em O Principezinho

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

E APRENDI A PILOTAR AVIÕES

As pessoas crescidas aconselharam-me a pôr de parte os desenhos de gibóias abertas ou fechadas. Que me interessasse antes pela Geografia, pela História, pela Aritmética e pela Gramática. Foi assim que abandonei, aos seis anos, uma magnífica carreira de pintor. O insucesso dos meus desenhos tinha-me desanimado. As pessoas crescidas nunca compreendem nada sózinhas e é fatigante, para as crianças, estar sempre  a dar explicações.
Foi por isso, obrigado a escolher outra profissão e aprendi a pilotar aviões. Voei um pouco por todo o mundo. E a Geografia, é certo, serviu-me de muito. Tornei-me capaz de distinguir, à primeira vista, a China do Arizona. É muito útil quando se anda perdido de noite.
Tive, assim, pela vida fora, imensos contactos com imensas pessoas importantes. Convivi com pessoas crescidas. Vi-as de muito perto. Nada disso modificou a minha opinião para melhor.
Quando encontrava uma que me parecia um tanto lúcida, fazia com ela a experiência do meu desenho número 1, que sempre conservei. Queria saber se era verdadeiramente compreensiva. Respondia-me invariàvelmente: «É um chapéu». Então não lhe falava mais, nem de jiboias, nem de florestas virgens, nem de estrelas. Punha-me à altura dela. Falava-lhes de brídege, de golfe, de política e de gravatas. E a pessoa crescida ficava toda contente por conhecer um homem tão sensato.

Antoine de Saint-Exupéry em O Principezinho

Legenda: pintura de Antoine Saint-Exupéry