Os livros não
são lidos, os filmes não são vistos, os quadros não são olhados.
Alguns nem ouvem
o que vão dizendo ao longo dos tempos, ah!, mas quando morrem, explode o
palavreado, a genialidade que alguns até nunca tiveram. Se é que isso de génios
é algo que tenha de se exaltar.
Ainda tenho para
aí o esboço de algo que quis fazer sobre os geniais-disparates que se
escreveram e disseram na hora da morte de Agustina Bessa-Luís.
Há dias foi a
morte de Ribeiro Telles que tanto falou e escreveu de como é que as coisas deviam ser feitas para
que as cidades, onde vivemos, fossem cidades felizes, e ninguém seguiu, ou
tentou seguir sequer, o que ele disse.
Agora na morte
de Eduardo Lourenço foi o que se viu e ouviu.
Ele que sempre
foi um homem amável, de uma simplicidade de enlouquecer.
Num dia
longínquo foi a Matosinhos e, como tantos e outros portugueses, pela primeira
viu o mar.
«Da minha aldeia não se via o mar», disse numa entrevista ao Diário de
Notícias.
1.
Algumas mortes também
são nossas mortes.
2.
O meu medíocre
português tem piorado com a pandemia.
Nada me sai com
tino, não pego nos livros da maneira como passei toda uma vida a pegar.
3.
A Organização Mundial
da Saúde alertou para a subida da fadiga pandémica que pode atingir até 60% dos
membros de certos grupos, traduzida por uma apatia que faz baixar a guarda e
desleixar as estratégias preventivas.
4
Nos primeiros oito meses deste ano, venderam-se mais de
13 milhões de embalagens de ansiolíticos e antidepressivos, o valor mais alto
dos últimos três anos.
5.
Li num jornal
atrasado que a Igreja Católica admite suspender a realização da tradicional
Missa do Galo, no Natal, devido à pandemia.
«Nós não brincamos com a saúde das pessoas», disseram os
eclesiásticos.
6.
Um título, também
atrasado, do jornal Público dizia: «Precisa-se
de quem saiba flaar de Covid-19. Entrada imediata»
7.
Dos 2141 presos
libertados durante a pandemia, 154 voltaram à cadeia por crime ou violação das
regras.
8.
Segundo a Associação Nacional dos Restaurantes
a crise da pandemia já terá criado 40 mil desempregados no sector da
restauração.
9.
Numa farmácia perto
de si, no centro de saúde da zona onde vive, desde Setembro que Ana Gomes não
conseguia vacinar-se contra a gripe. Uma amiga trouxe-lhe a vacina de Paris. A
Infarmed disse que isso é proibido. Ana Gomes desconhecia. Eu também. Mas o
pior foi quando a candidata a presidente da República refere haver vacinas
reservadas para certas empresas e grupos económicos.
Parece-me ter ouvido bem.
10.
Houve um tempo em que
me traziam caramelos de Badajoz.