quarta-feira, 9 de setembro de 2026

VER SE DESTA ACABO TEU PRAZER

escrevo-o porque é o mais difícil

de fazer sem ti, que foste corpo

boia às minhas mãos, bordão torto

mas para vir à terra o mais fiel

 

ferro. E se eu na pela nem soube

do mal que me avisaram que me fazes

e já sou mestra em largar-te quase

tanto como a gritar lobo

 

até morrer de facto, eis o tributo

ao que passámos: rumores de noites,

copos, cafés, suspensões de céus

 

e sol manchado após o mar ou coito

e o pasmo sobretudo libertado

do vazio – que triste, cigarro, adeus.

 

Margarida Vale de Gato em Atirar para o Torto

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