escrevo-o porque é o mais difícil
de fazer sem ti, que
foste corpo
boia às minhas mãos, bordão
torto
mas para vir à terra o
mais fiel
ferro. E se eu na pela
nem soube
do mal que me avisaram
que me fazes
e já sou mestra em largar-te
quase
tanto como a gritar
lobo
até morrer de facto,
eis o tributo
ao que passámos:
rumores de noites,
copos, cafés,
suspensões de céus
e sol manchado após o
mar ou coito
e o pasmo sobretudo
libertado
do vazio – que triste,
cigarro, adeus.
Margarida
Vale de Gato em Atirar para o Torto
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