Tanta gente para, ao longo do país, olharem a lua
tapar o sol.
A Maria
Judite de Carvalho, num dos seus livros, diz: «Todos estamos sozinhos,
Mariana; Sozinhos e muita gente à nossa volta. Tanta gente, Mariana! E ninguém
vai fazer nada por nós. Ninguém pode. Ninguém queria, se pudesse. Nem uma
esperança.».
As
televisões, com a mediocridade, a banalidade habituais, com que abordam tudo o
que tocam, ocuparam todo o tempo, do antes e do depois, do eclipse do sol.
A cmtv colocou
em «alerta»: «o eclipse está a fascinar os portugueses».
Algures, um
português diz ao repórter: «a graça disto, deixa um gajo maravilhado!»
O
primeiro-ministro, ainda antes do eclipse, afirmou, em Cascais, aos
jornalistas:
«O governo trabalha todos os dias,
24 horas por dia, sete dias por semana", deixando ainda um pedido, uma reflexão à
comunicação social sobre as suas prioridades.
E, ternamente, voltei a ouvir falar de Rio de Onor, uma aldeia com 43 habitantes, que recebeu centenas de visitantes, pois era aí que o eclipse se mostraria a 100%.
