Mostrar mensagens com a etiqueta Leonard Cohen Livros. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Leonard Cohen Livros. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 18 de junho de 2020

OLHAR AS CAPAS


Leonard Cohen - Redescoberta da Vida e Uma Alegoria a Eros

Manuel Cadafaz de Matos
Colecção Cantares de Libertação nº 3
Livros E (co)logiar A Terra, Lisboa, Dezembro de 1975

«Boa noite, camaradas, cidadãos, espiões…»

Leonard Cohen na introdução ao seu concerto na Festa do Partido Comunista Francês, Setembro de 1974.

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

OLHAR AS CAPAS


A Chama

Leonard Cohen
Prefácio:
Adam Cohen
Tradução: Inês Dias
Capa: Carlos César Vasconcelos
Relógio d’Água, Lisboa, Janeiro de 2019

EU NÃO SABIA

Sabia que era fraco
Sabia que eras forte
Não ousava ajoelhar-me
Onde não pertencia

E se quisesse tocar
A tua beleza com a mão
Vinham as bolhas e o sangue
Que eu entenderia

Rasgaste os teus joelhos
E a solidão revelou-se
Puxando este coração por nascer
De correntes que não cediam

Mas enfraquecida pelo esforço
Caíste sobre a minha alma
A alma ferida
Que a mente nega
Até a recompres

Já posso amar a tua beleza
Embora pareça de longe
Até o meu mundo neutro aceitar
Quão íntima tu és

Às vezes estou tão sozinho
Que não sei o que fazer
Trocava a minha reserva de tédio
Por uma dose de ti

Eu não sabia
Eu não sabia
Eu não sabia
Que precisavas tanto de mim

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

OLHAR AS CAPAS

Filhos da Neve
Antologia Poética

Leonard Cohen
Versões de Jorge Sousa Braga e Carlos Tê
Colecção Rei Lagarto nº 10
Assírio &Alvim, Lisboa, Junho de 1985

Pergunto-me quanta gente nesta cidade
vive  em apartamentos mobilados
Altas horas da noite quando olho os outros prédios
juro que vejo um rosto em cada janela
que me olha também
e quando volto para dentro
pergunto-me quantos se sentam às suas escrivaninhas
e escrevem isto mesmo 

segunda-feira, 3 de junho de 2013

OLHAR AS CAPAS


Belos Vencidos

Leonard Cohen
Tradução: Margarida Vale do Gato
Capa: Fernando Mateus sobre pintura de Shiele
Relógio D’Água Editores, Lisboa Novembro de 1997

Sempre quis ser amado pelo Partido Comunista e pela Santa Madre Igreja. Queria viver numa canção folk, como o Joe Hill. Queria chorar pelas pessoas inocentes que a minha bomba deixaria necessariamente estropiadas. Queria agradecer ao velho camponês que nos daria de comer na nossa fuga. Queria usar a minha manga vazia arregaçada até cima, ver as pessoas sorrir quando eu fizesse a continência com a mão errada. Queria ser contra os ricos, mesmo que alguns deles conhecessem Dante; momentos antes da derrocada um deles ficaria a saber que também eu conhecia Dante. Queria que levassem o meu busto pelas ruas de Pequim, com um poema escrito no meu ombro. Queria poder sorrir aos dogmas, e apesar de tudo deixar que estes me distorcessem a personalidade. Queria defrontar as máquinas da Broadway. Queria que a Quinta Avenida recordasse os atalhos índios que por lá passavam. Queria sair de uma cidade mineira com maus modos e convicções incutidos por um tio ateu e bêbedo, ovelha negra da família. Queria atravessar a América num comboio blindado, ser o único branco aceite pelos negros na convenção. Queria ir a cocktails de metralhadora ao ombro. Queria dizer a uma velha namorada escandalizada pelos meus métodos que as revoluções não se fazem nos buffets, que não podemos ser selectivos, e ver o seu vestido de noite prateado molhar-se no sítio da cona. Queria lutar contra o golpe de estado da polícia secreta, mas de dentro do partido. Queria que uma velha a quem morreram os filhos se lembrasse de mim nas suas orações, numa igreja de adobe, e que os filhos me garantissem que o fizera. Queria persignar-me quando ouvisse palavrões. Queria ser tolerante para com os vestígios de paganismo numa festa de aldeia, condenando a Cúria. Queria envolver-me em negócios obscuros de imobiliário, ser o agente de um bilionário sem nome e sem idade. Queria escrever bem dos Judeus. Queria ser alvejado entre os Bascos por transportar a eucaristia para o campo da batalha contra Franco. Queria pregar sobre o casamento com a indiscutível autoridade de uma virgem, espreitando os pêlos negros das pernas das noivas. Queria escrever um manifesto contra o controlo de natalidade num inglês muito claro, um panfleto que se vendesse nas salas de espera, ilustrado a duas cores com desenhos de estrelas cadentes e da eternidade. Queria proibir a dança durante uns tempos. Queria ser um padre drogado que gravasse um disco para a Folkways. Queria ser deportado por razões políticas. Acabo de descobrir que o cardeal... recebeu um avultado suborno de uma revista feminina, fui alvo de propostas desonestas por parte do meu confessor, vi os camponeses serem traídos por razões necessárias, mas os sinos tocam esta noite, outra noite no mundo de Deus, e há muitos que precisam de alimento, muitos joelhos ansiosos por se vergarem, subo os degraus gastos enrolado na velha pele de arminho.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

OLHAR AS CAPAS


59 Canções de Amor e Ódio e um Problema Sobre Portugal

Leonard Cohen

Apresentação, tradução de José Alfredo Marques
Fenda/Centelha, Coimbra 1985

Os Barcos de Guerra

De Portugal os barcos de guerra
contorcem-se no cais,
expondo seus vigamentos.
Gerações de gaivotas caem
através dos esqueletos de madeira.

Na cidade
os belos marinheiros mortos,
intacta a sua paixão,
vagueiam pelos becos
desbaratando poemas e moedas gastas.

Garbosos bastardos !
Que lhes interessa o Império
reduzido a metade de uma península,
A Rainha tendo o conselheiro régio
como sétimo e último amante ?

Os seus mapas não mudaram.
As coxas ainda são brancas e quentes.
Novas fronteiras não alteraram
a maravilhosa paisagem de seios.
Nenhum congresso relegou a boca rubra

Por isso deixai os barcos
apodrecer nos limites da terra !
As gaivotas hão-de encontrar outro sítio para morrer.
Deixai as metrópoles portuárias vestir luto
e insignificantes funcionários
que preencham os papéis necessários.
para um distrito longínquo.

Mas, vós, fazei as malas
meus inimigos marinheiros !
Ide vagueando pelos becos
desbaratando os vossos poemas e moedas gastas.
Ide batendo em todas as janelas da cidade.

Em algum lugar encontrareis o meu amor,
adormecida e esperando.

E mal posso saber há quanto
ela sonha com todos vós.

Levantai suavemente o meu casaco
dos seus ombros.