Mostrar mensagens com a etiqueta Emily Dickinson. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Emily Dickinson. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

POSTAIS SEM SELO

Flores e livros, as consolações da tristeza.

Emily Dickinson

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

SOLTAS


 Jorge de Sena.

Um dos mais extraordinários intelectuais portugueses.

Teve que se exilar, onde passou uma autêntica vida de cão.

A leitura de alguns diários de escritores seus contemporâneos, os seus próprios diários, a correspondência com José Augusto França e Sophia, mostram um Jorge de Sena de uma verticalidade e honestidade intelectual tão pouco existente entre os seus pares. 

Também um homem amargo.
Numa carta a José Augusto França: "eu sempre detestei o convívio de chacha to relax from work. O meu trabalho não é trabalho, é vida - não preciso to relax dele, a não ser falando das tantas coisas que me interessam."
José Gomes Ferreira, num dos seus "Dias Comuns" refere a indignação de Sena com um crítico, manda-lhe o recorte, que fora injusto para com Irene Lisboa. E comenta: "Só me espanta o seguinte: como é que o Jorge de Sena, no meio dos seus versos, das suas lições, dos seus estudos literários, dos seus contos, dos seus romances, das suas leituras, da sua correspondêcia, etc.,etc.,etc., - ainda arranja tempo para esta vigilância infatigável das pequeninas injustiças? (As injustiças, para as sentirmos nos outros, temos de senti-las primeiro em nós, no sangue do nosso espirito insultado!) Sim. Admiro sinceramente Jorge de Sena - até porque impõe como virtudes o que nos outros soaria a defeitos. E de súbito compreendo o motivo dessa autoridade. E de súbito compreendo o motivo dessa autoridadea: o afinco ao trabalho. Jorge de Sena precisa desse trabalho constante como eu preciso de preguiça. (Preguiça para coisa nenhuma)."

É uma pena que este "país de sacanas" teime em não conhecer a sua obra e o seu exemplo. 

1.

«Neste abençoado país, todos os políticos têm imenso talento. A oposição confessa sempre que os ministros, que ela cobre de injúrias, têm, à parte os disparates que fazem, um talento de primeira ordem! Por outro lado, a maioria admite que a oposição, a quem ela constantemente recrimina pelos disparates que fez, está cheia de robustíssimos talentos! De resto, todo o mundo concorda que o país é uma choldra. E resulta, portanto, este facto supracómico: um país governado com imenso talento que é de todos na Europa, segundo o consenso unânime, o mais estupidamente governado! Eu proponho isto, a ver: que, como os talentos sempre falham, se experimentem uma vez os imbecis!»
Eça de Queirós  em Os Maias.

2.

A lista de 37 detidos pela Polícia Judiciária no âmbito da operação que desmantelou as chefias do Grupo 1143 tem, pelo menos, três nomes de militantes do Chega que já foram candidatos pelo partido de André Ventura em eleições. Também um sargento da força aérea, um polícia do comando de Setúbal ,um profissional de saúde, três militantes ou ex-militantes e candidatos do Chega, dois candidatos pelo partido de extrema-direita Ergue-te e PNR, Participantes em mesas de voto em diversas eleições. Um condenado por furto, um jogador de rugby com processos disciplinares por agressões, um membro dos Super Dragões condenado num processo por causa de um plano de intimidação que culminou em agressões  e estão indiciados por crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência.

3.

No fim de 2025 mais de 1,5 milhões de pessoas não tinham médico de família.

4.

«No autocarro, uma mulher conta a outra que perdeu o marido há pouco tempo. Silêncio. A segunda, para a encorajar, diz: «Mas a vida continua.» A primeira comenta: «A vida continua, mas continua muito mal.»

Rui Manuel Amaral em Bicho Ruim

5.

«Não há destinos adivinhados para as personagens que vivem em solidão. O seu futuro é incerto e a tragédia está sempre à espreita.»

6.

«…é a velha história, demora-se muito tempo a ver bem um filme.»

7.

Disse Ruy Belo: uma casa é a coisa mais séria da vida, e João Miguel Fernandes Jorge: a casa é onde temos o coração, ou como refere Emily Dickinson, a poesia é possibilidade, “uma casa mais justa que a prosa”.

8.

Um mundo sem música, sem livros e sem memória.

Seria o maior pesadelo que me poderia acontecer.

domingo, 13 de julho de 2025

MÚSICA PELA MANHÃ


Sempre aqueles versos dum poema de Ruy Belo: «uma casa é a coisa mais séria da vida»

Ou João Miguel Fernandes Jorge: «a casa é onde temos o coração».

Ou Emily Dickinson, «uma casa mais justa que a prosa».

Também um qualquer vagabundo:

«A rua é a casa de todos».

Por que não Vinicius de Moraes e Toquinho?

«Era uma casa muito engraçada
Não tinha tecto, não tinha nada

Ninguém podia entrar nela, não
Porque na casa não tinha chão

Ninguém podia dormir na rede
Porque na casa não tinha parede

Ninguém podia fazer pipi
Porque penico não tinha ali

Mas era feita com muito esmero
Na rua dos Bobos, número zero»

 

Legenda: ilustração de André Bolino

segunda-feira, 5 de agosto de 2024

FOSSE FIEL O DIABO

Fôsse fiel o Diabo,

Que belo amigo seria –

Porque tem capacidades –

Ai se emendar-se El’ podia –

A Perfídia é a virtude

Que se a largasse o mifino –

O Diabo – assim corrigido

Fielmente era divino.

Emily Dickinson em 80 Poemas

sexta-feira, 31 de maio de 2024

AS NOVAS SÓ QUE EU SEI

As novas só que eu sei,

Os Boletins do Dia

Da Imortalidade.

 

As Vistas só que eu vejo –

Quer amanhã, quer hoje –

Acaso Eternidade –

 

O Único que encontro

E Deus – Única rua

A Existência – e mais

 

Se outras Novas houver –

Ou mais notáveis Vistas

Eu Te direi.

 

Emily Dickinson em 80 Poemas

segunda-feira, 13 de novembro de 2023

NEM SEMPRE...

Nem sempre os pensamentos têm Palavras

Que vêm de uma só vez

Com gole esótérico

Do Vinho consagrado,

Que enquanto bebes natural te sabe

Tão abundante e livre,

Que não lhe aprendes a essência digna

Nem sua raridade.

Emily Dickinson

terça-feira, 31 de janeiro de 2023

POSTAIS SEM SELO


 Partir é tudo o que do céu sabemos, e do inferno basta aqui.

Emily Dickinson

Legenda: fotografia do Arquivo Imagem Global

DUAS VEZES ME FINDEI ANTES DO FIM

Duas vezes me findei antes do fim –

Mas ainda estou pra ver

Se lá na Imortalidade

Isto torna a acontecer

 

Por forma tão medonha e deseperada

Como as duas que sofri.

Partir é tudo o que do céu sabemos,

E do inferno basta aqui.

Emily Dickinson em 80 Poemas

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

POSTAS SEM SELO

Talvez estarei mais só sem a minha solidão.

Emily Dickinson

domingo, 20 de fevereiro de 2022

POSTAIS SEM SELO


 O momento mais sensato para deter o mar é quando o mar já partiu.

Emily Dickinson

sábado, 9 de outubro de 2021

AO MUNDO ESCREVO ESTA CARTA

Ao Mundo escrevo esta carta,

A quem nunca me escreveu –

As simples Novas que a Natura conta –

Com suave Majestade.

 

A Mensagem é confiada

A Mãos que não posso ver –

Só por amor da Natureza – irmãos –

Julgai-me com suavidade.

Emily Dickinson em 80 Poemas de Emily Dickinson 

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

POSTAIS SEM SELO

Há quem seja fútil de propósito e profundo por mero acaso.

Emily Dickinson   

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

CONVERSANDO

A paixão pelos livros.

Carlos María Domínguez, escritor argentino, tem um pequeno livro de 77 páginas a que deu o título A Casa de Papel.

Lê-se assim num repente, enquanto o diabo esfrega um olho, como dizia a minha avó.

Os livros mudam o destino das pessoas.

Na Primavera de 1998, Bluma Lennon comprou numa livraria do Soho um velho exemplar dos Poemas, de Emily Dickinson, e, ao chegar ao segundo poema, na primeira esquina, foi atropelada por um automóvel.

Também se poderá dizer que é perigoso ler no meio do tráfego. É preferível o banco de um jardim.

Foi o carro que a matou ou o poema?

Seria este o poema que Bluma Lennon lia pouco antes de morrer?

Nas é ele o segundo poema dos 80 poemas de Emily Dickinson que Jorge de Sena traduziu:


Ter Medo? De Quem terei?

Não da Morte – quem é ela?

O Porteiro do meu Pai.

Igualmente me atropela.

 

Da Vida? Seria cómico

Temer coisa que me inclui

Em uma ou mais existências –

Conforme Deus estatui.

 

De ressuscitar? O Oriente

Tem medo de Madrugar

Com sua fonte subtil?

Mais me valera abdicar!


Larga os livros que eles são perigosos, dizia a avó de Carlos María Domínguez, que a páginas 59 nos diz:

«Ao longo dos anos vi livros destinados a equilibrar a perna coxa de uma mesa; conheci-os convertidos em mesa de luz, dispostos em forma de torre e com um pano por cima; muitos dicionários passaram a ferro e prensaram mais objectos do que as vezes em que foram abertos, e não poucos livros guardam, dissimulados nas estantes, cartas, dinheiro, segredos. As pessoas também mudam o destino dos livros.

Parte-se uma jarra, estraga-se uma cafeteira, ou um televisor, muito antes de um livro. Este não se desfaz a menos que o seu proprietário o queira fazer, lhe arranque as páginas, lhe pegue fogo. Durante os anos da última ditadura militar argentina, muita gente queimou os seus livros na retrete, nas banheiras, enterrou colecções nos fundos das casas. Tinham-se tornado notoriamente perigosos. Entre eles e a própria vida, as pessoas optavam, convertidas no seu próprio verdugo.

Livros que tinham sido profundamente estudados, discutidos, livros que tinham despertado paixões, compromissos irrecusáveis e afastado velhos amigos, subiam ao céu convertidos em cinzas de carvão que se dissipavam no ar.

Eu não me atrevi. Enrolava revistas e meti-as no tubo da cortina da casa de banho, escondia os livros mais temíveis no canto mais esconso dos armários, na fileira posterior da biblioteca, consciente de que uma busca de surpresa os descobriria.

Nesse tempo os livros acusaram muita gente. Destruíram muitas vidas.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

HÁ UMA SOLIDÃO


Há uma solidão do espaço
E do mar há solidão
Solidão da morte, mas
Alegres parecerão
Comparada à mais funda
E polar intimidade
De uma Alma diante de si própria –
A Finita Infinidade.

Emily Dickinson em 80 Poemas de Emily Dickinson

Legenda: não foi possível indicar o autor/origem da fotografia.

quarta-feira, 20 de março de 2019

TENHO VISTO


Tenho visto Olhos que Morrem
Volvendo em volta do Quarto –
Como à procura – de quê? –
E depois enevoarem-se –
E depois obscurecerem –
E depois – soldadas pálpebras
Sem me terem dito o que
Seria tão bom ser visto

Emily Dickinson em 80 Poemas de Emily Dickinson

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

POSTAIS SEM SELO


Quem não achou o Céu – aqui em baixo – lá em cima não o há-de encontrar – que os Anjos sempre alugam casa ao lado da que formos habitar.

Emily Dickinson em 80 Poemas de Emily Dickinson

quinta-feira, 19 de julho de 2018

OLHAR AS CAPAS


80 Poemas

Emily Dickinson
Selecção, tradução e prefácio: Jorge de Sena
Nota Preliminar: Márcia de Sena
Capa: João Botelho
Guimarães Editores, Lisboa, Outubro de 2010

Morri pela Beleza mas mal eu
Na tumba me acomodara,
Um que pela Verdade então morrera
A meu lado se deitava.

De manso perguntou por quem tombara…
. pela Beleza – disse eu.
- A mim foi a Verdade. É a mesma Coisa.
Somos irmãos – respondeu.

E quais na Noite os que se encontram falam –
De Quarto a Quarto a gente conversou –
Até que o Musgo veio aos nossos lábios –
E os nossos nomes  -  tapou.