Mostrar mensagens com a etiqueta Férias. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Férias. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 21 de novembro de 2023

VELHOS RECORTES


Um recorte do semanário de que não foi guardada a data, sabe-se pelo texto que foi um qualquer Agosto do tempo  em que o efémero semanário O Ponto foi publicado.

Um excelente e diversificado naipe de jornalistas, quase nata-da-nata, da classe. 

Todas as semanas, figura de proa da nau, eram as entrevistas do Baptista-Bastos que, em Abril de 1984, a Relógio d’Água publicou em livro.

Do prefácio do Baptista-Bastos:

«Estas entrevistas (e mais cinquenta) foram publicadas no semanário O Ponto, nascido de um singelo sonho de liberdade e acalentado por um grupo de jornalistas que de seu só possuía a honra jamais hipotecada e a ingénua convicção que as palavras (sempre se recusa, sempre de protesto, sempre exaltantes) poderiam ser integradas na grande voz colectiva e aceites pelas minorias sem voz. O Ponto foi um jornal arrebatadamente jovem, truculento, vitalizante, diferente – sobretudo porque admitiu, compreendeu e defendeu o direito à diferença»

quarta-feira, 23 de agosto de 2023

AS FÉRIAS VISTAS POR AGUSTINA


As férias, os livros para férias, vistos por Agustina Bessa-Luís no seu Caderno de Significados: 

1.

Desde os dez e os quinze anos, nós imitamos a despreocupação, mas não a vivemos nunca mais. As férias dos adultos são a consagração das suas neuroses. Sendo assim, escolhemos para as um livro que não lemos, traçamos um plano que nos fatiga, compramos coisas que não nos interessam, achamos admiráveis as paisagens que mais dispensamos. E por fim aborrecemos os outros dizendo-lhes como nos divertimos; porque a alegria não se transacciona, e toda a gente sabe isso. Está dito que eu não gosto de férias.

2.

Um livro para férias não deve ser escolhido. O que se escolhe serve à personalidade, e as férias são o pretexto para sermos impessoais, fazer o que muitos fazem, ir para onde muitos vão. Pegue num livro que não pese mais de 200 gramas e leve-o consigo. Leia três páginas, esqueça-o na gare ou no banco das termas, na praia ou no restaurante, e aí, sobretudo, aí tenha a certeza que é o bom livro para férias; se você não tiver pena de o ter perdido.

terça-feira, 22 de agosto de 2023

VOLTAR, VOLTAR...

A ideia residia nuns seis/sete dias. 

Acabaram por ser onze.

Sempre a velha ideia de que o melhor das férias é o regresso a casa.

sábado, 6 de agosto de 2022

QUANDO VOLTAR DE FÉRIAS...

«Daqui a um mês, quando voltar de férias, poderei estar a escrever sobre a Terceira Guerra Mundial. Daqui a um mês, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Japão, Europa da NATO e outros satélites poderão estar a combater, simultaneamente, a Rússia, a China e respetivos aliados. Daqui a um mês, o maior potencial destruidor do planeta Terra pode estar a ser utilizado, em frenesim, num combate descontrolado entre todas as potências militares do mundo.

É este medo que a visita de Nancy Pelosi a Taiwan me coloca.

O sinal que dá esta viagem da presidente da Câmara dos Representantes dos EUA a um território autónomo que a China reivindica como seu (e a ONU concorda) é terrível: depois das autoridades chinesas (em nome de três posições anteriores de reconhecimento da soberania chinesa sobre Taiwan, assinadas pelos líderes dos dois países) terem exigido que essa viagem não acontecesse, depois de tudo o que se passou e se passa na Ucrânia, que conclusão poderemos tirar?...

A resposta parece óbvia: é mesmo do interesse da maior potência do mundo encontrar uma desculpa para lançar a guerra generalizada no planeta, talvez convencida de que essa é a única maneira de manter a sua hegemonia.

A análise da liderança norte-americana, no seu egoísmo nacionalista (semelhante aos egoísmos imperialistas que levaram à I Guerra Mundial), pode até estar certa, mas a sua possível consequência custará milhões de vidas, uma destruição enorme, uma miséria descomunal e o fim da liberdade nas democracias - já declaradamente limitada desde que começou a guerra na Ucrânia.

Não é aceitável.»

Pedro Tadeu no Diário de Notícias

sábado, 30 de julho de 2022

A COR, AO LONGE, DO TEU TELHADO


Quase a chegar a Agosto.

Diziam os velhos: primeiro de Agosto, primeiro de Inverno.

Sou como o Manuel António Pina: detesto viajar. 

Ainda mal parti e começo logo a pensar no regresso. O Céline dizia que as grandes viagens são aquelas que se fazem através da imaginação.

A melancolia do regresso, diz o Pina.

Também há quem diga que os lugares mais longe são os que ficam dentro de nós. Não os conhecemos nunca.

Conta ÁlvaroMagalhães que em 1996, o jornalista Eugénio Alves, que dirigia uma revista do Inatel chamada Tempos Livres, pediu-lhe para fazer umas crónicas para, supostamente, incitarem as pessoas a viajar. As duas crónicas que ele escreveu tinham a mesma temática – o melhor nas viagens é o regresso. Numa delas dizia mesmo que não nos devíamos  afastar de casa mais do que nos permite a metade das nossas forças, que é para  termos sempre a outra metade para regressar. E sempre com a preocupação de não deixar de ver ao longe a cor no nosso telhado. Eugénio Alves acabou por o dispensar, apesar da qualidade literária das crónicas, dizendo que elas tinham o efeito contrário do desejado:: estavam a desencorajar as pessoas a viajar. 

Legenda: pintura de Jack Vettriano

quinta-feira, 3 de junho de 2021

DESCANSAR NAS FÉRIAS

Explicava um amigo meu que nunca ia de férias para parte nenhuma porque precisava de descansar nas férias, ver outras caras, outros lugares. Ficava, por isso, na cidade em Agosto. Porque a cidade em Agosto é outro lugar, outra cidade, transfigurada, lavada, habitada por outra gente, tranquila e preguiçosa. A cidade mesquinha e frenética de todos os dias do ano transfere-se para o Algarve e para o sul de Espanha com a sua ansiedade, as suas correrias, os seus vícios, as suas imundícies, as disputas dos lugares de estacionamento, as bichas, as maledicência. As águas da cidade páram então. A meio do mês estão praticamente limpas e transparentes e podem ser bebidas em longos haustos de renovada felicidade.

 

Manuel António Pina em Crónica, Saudade da Literatura

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

QUOTIDIANOS


O neto foi despedir-se dos avós, agora que ia de férias com os pais.
- Manda-nos um postal, disse a avó.
- O que é um postal, vó?...

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

FÉRIAS


Desde os dez e os quinze anos, nós imitamos a despreocupação, mas não a vivemos nunca mais. As férias dos adultos são a consagração das suas neuroses. Sendo assim, escolhemos para as um livro que não lemos, traçamos um plano que nos fatiga, compramos coisas que não nos interessam, achamos admiráveis as paisagens que mais dispensamos. E por fim aborrecemos os outros dizendo-lhes como nos divertimos; porque a alegria não se transacciona, e toda a gente sabe isso. Está dito que eu não gosto de férias.

Agustina Bessa-Luís em Caderno de Significados

Legenda: pintura de Van Gogh

sábado, 5 de maio de 2012

QUOTIDIANOS


Em alguns dos domingos dos anos 60/70 tínhamos um ritual: apanhar o vai-vem do cacilheiro, e ir a Cacilhas comer berbigões.

Ainda há cacilheiros, já não há berbigões como os daqueles tempos, agora são uns berlindes e apenas casca.

Miolo?

Zero!

Mesmo que queiramos atravessar a rio, há que contar os cêntimos.

O Damião, meu vizinho de cima, juntamente com o Expresso do dia 14 de Abril, deixou-me um suplemento especial: Férias e Viagens.

Percorro as atractivas fotografias, os inesperados e belíssimos itinerários.

Sim, planear férias.

Por sinal, o começo do editorial do Diário de Notícias de hoje, rezava assim:

Nos últimos seis meses, a vida não parou de agravar-se para um número considerável de portugueses. E as perspetivas de futuro, para muitos mais: o desemprego alastra; a cobertura, em montante e em tempo, do seguro de desemprego - vulgo, subsídio - diminui a olhos vistos; o incumprimento de pagamentos está a tornar-se epidémico; o desânimo e a falta de verbas afundam o consumo e o investimento; as sopas dos empobrecidos, o apoio aos sobreendividados e insolventes, a multiplicação dos gestos de solidariedade iluminam um dia a dia de carências e desalentos agravados. Esta realidade, à vista de todos, pesa no estado de alma dos portugueses que, em grande número, se interrogam quanto ao sentido e o fim de tudo isto.

Como dizia o Manuel da Fonseca, quando chega domingo faço tenção de todas as coisas mais belas que um homem pode fazer na vida.

Pode ser que se contem os cêntimos, pode ser que os passos deslizem para a beira-rio,
pode ser que o vai-e-vem do cacilheiro nos leve até à outra margem e fiquemos a olhar a cidade…

Pode ser… sim, pode ser…

terça-feira, 31 de agosto de 2010

LIVROS PARA FÉRIAS

Não há livros para férias. O que existe são pessoas que só lêem nas férias, mesmo assim, as que lêem.

O meu pai tinha a teoria que ler era uma tarefa de todo o ano e as férias deveriam ser aproveitadas para ler clássicos. Foi assim que leu “À Procura do Tempo Perdido” de Marcel Proust, o “Ulisses”de James Joyce, as “Confissões” de Rousseau, estes são os que me lembro.

As listas de livros para férias que os jornais e revistas publicam nos começos de cada verão são apenas um “fait-divers”.

È normal as gentes dizerem, como desculpa para mão lerem, que durante o ano não têm tempo. Apenas conseguem todo o tempo do mundo para se encharcarem, diariamente, com lixo televisivo.

Ler exige esforço, concentração, vontade, o sabermos que o gosto pela leitura necessita de trabalho, muito trabalho e não se apanha como uma gripe. O meu avô dizia, fia-te nos que gostam de ler e desconfia sempre dos que dizem que não têm tempo para ler, como também me dizia para desconfiar dos abstémios, porque eles escondem qualquer coisa de sinistro.

Sabedorias do meu avô…

Percorre-se o areal de uma praia, passamos pelas suas esplanadas e alguém a ler um livro é como encontrar agulha num palheiro. A lerem jornais ainda se encontram alguns a lerem revistas-cor-de-rosa são como enxames, mas livros…

Sabe-se que, em média, um português não lê um livro por ano.

A incultura permitiu uma ditadura de quase 50 anos, permite agora que qualquer um se arvore em político, em primeiro-ministro, em presidente da república, gente hábil que se formaram em contar histórias a camelos, gente que quando ouve falar de cultura não puxa logo da pistola, mas cospe para o lado…

O fracasso de não pensar é sempre uma consequência do não ler.

Uma professora de liceu desabafava: “intelectuais na escola são os que lêem “A Bola” porque os outros não lêem nada”

Isto foi há meia de dúzia e porventura já nem “A Bola”, hoje, lêem.


Num programa de televisão, de há muitos anos, o Raul Solnado perguntava a um miúdo se gostava de ler e o miúdo respondeu-lhe: 

"Evito"

Camilo Castelo Branco deixou escrito:

“A poderosa razão que o lavrador Roberto Rodrigues
opunha para não mandar ensinar a ler o filho, era -
que ele pai também não sabia ler, e mais arranjava
lindamente a sua vida. Esta vinha a ser a razão capi-
tal, reforçada por outras subalternas e praticamente
bastante persuasivas.
- Se o rapaz souber ler – argumentava triunfantemente
o idiota – assim que chegar a idade, às duas por três,
fazem-no jurado, regedor, camarista, juiz ordinário,
juiz de paz, juiz eleito. São favas contadas. Depois,
enquanto ele vai à audiência ou à Camara, a Cabeçais,
daqui uma légua, os criados e os jornaleiros ferram-se
a dormir a sesta de cangalhas à sombra dos carvalhos,
e o arado fica também a dormir no rego. E ademais,
isto de saber ler é meio caminho andado para asno e
vadio.
E citava exemplos, personalizando meia dúzia de bre-
jeiros que sabiam ler e eram mais asnos e vadios que
os analfabetos.”


Terão razão os que dizem que a leitura será sempre uma questão de minorias?

Terão razão os que dizem que não se vive para ler, lê-se somente para melhor viver?

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

COISAS EXTINTAS OU EM VIAS DE...


Antigamente Lisboa, em Agosto, era um deserto. Agora está como sempre.

Uma mão chega, e sobra, para contar as vezes que, em Agosto, tirei férias. Setembro quase sempre, Julho algumas vezes.

Os cinemas faziam ciclos de “reprise”, nos restaurantes não havia necessidade de prévia marcação, percorriam-se mais uns passos para encontrar um quiosque de jornais aberto, mas andar, dizem os cardiologistas, faz bem à saúde. Andava-se pela cidade como por uma pacata aldeia do país, sem tropeções nem encontrões, o sol e a claridade das manhãs lisboetas, as livrarias, sem fala-baratos, tinham um ar de recolhimento que permitiam um olhar mais demorado pelos escaparates, um mais longo passar de olhos pelas páginas dos livros.

Mas agora é como nos outros meses. As dívidas das famílias obriga-as à não possibilidade de saírem para onde quer que seja, outros repartem as férias ao longo do ano.

Os Agostos de Lisboa não têm nada a ver com os Agostos de outrora.

Quando Ramalho Ortigão viajando pelas termas e praias de Portugal escrevia a Eça de Queiroz dando conta da frescura, do silêncio dos sítios por onde passava e o Eça, com uma ponta de inveja, a dizer-lhe meu caro, nada que chegue à sombra de um quarteirão de Lisboa.

Legenda: Imagem encontrada aqui.