Mostrar mensagens com a etiqueta Adelino Tavares da Silva. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Adelino Tavares da Silva. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 8 de abril de 2025

OS CARTAZES DO ADELINO


TEMPO DE NADA

Como fruto que pende da árvore, o gancho do guindaste parece estrar a «amadurecer» ao sol. É que «pendurador de mercadorias, quando fica vazio , torna-se um peso morto, tanto no cabo de aço que o puxa, como na economa que o dispensa.

Nesta fotografia de Américo Dias, ainda por cima, aparece, ao fundo, uma composição ferroviária de mercadorias que, além de parada, mostra o interior, também, vazio de um forgão, completando a imagem perfeita de um «tempo de nada» - que é o que pode vir aí.

                                                                                         A.T. da S.

segunda-feira, 31 de março de 2025

OS CARTAZES DO ADELINO

SEM PEVIDES PARA NUNCA MAIS

Há quem diga que a cabeça do candidato presidencial da tal AD se parece, definitivamente, com uma abóbora. Julgo que não, nem há necessidade de dizer tão mal das abóboras. Mas, se é assim, é razão para afirmar que a Televisão tem lá, pelo menos, nos seus noticiários, uma boa aboboreira, poi , onde o tal candidato vá e vale, é certo nos «écrans», dizendo quase sempre, as fascistadas do costume, contra dois alvos treferenciais: a esquerda e, agora, o próprio, actual, Presidente da República. Todavia, e como tudo o que nos sobre do fascismo, abóbora, sim, mas sem pevides – não dá para se reproduzir, nem agora, nem nunca mais.

                                                                                                             A.T. da S.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

OS CARTAZES DO ADELINO


MAIS UM BALDE CAL

Alcácer do Sal. Verão de 80. É preciso pôr tudo em ordem para o tempo que há-de vir. Naturalmente, a começar naquela data de Outubro em que se ganhou a República, contra os privilégios de ter terras que eram dadas e tiradas pelo rei e os seus fidalgos.

A casita caiada é precisa para essa altura, não vá chegar o tempo de corrigir os desmandos da «nobreza» do MAP, que deu, a poucos, aquilo que, na terra, tirou a muitos. Sobre essa falta de razão, também, também – deixem estar – irá passar, pelo menos um balde de cal.

                                    A. T. da S.

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

OS CARTAZES DO ADELINO


 UM CORPO COM OS OMBROS DO TRABALHO

De que terra é este homem? De que serra veio? De que vales fez caminho para chegar a Lisboa?

Carregador de grades, que, de madrugada, vão cheias e às costas, para o mercado, e que, na quebra da tarde, vão vazias, mas ainda às suas costas, para a camioneta de carga, ele, será sempre e até à segunda geração, um corpo que abriu, com os ombros do trabalho, as portas da capital.

Como vive? Onde mora? Que transportes usa? Que ruas percorre e conhece?

Haverá alguém, neste desgoverno que temos, a pensar nele mais como «beneficiário» do que como «contribuinte»?

                                                                                                                            A. T. da S.

quarta-feira, 22 de novembro de 2023

OS CARTAZES DO ADELINO


 A primeira vez que apanhei a escrita do Adelino Tavares da Silva foi no Cinéfilo, excelente revista, dirigida por Fernando Lopes que se publicou entre 4 de Janeiro de 1973 e 22 de Julho de 1974 e tento um boneco tirado do volume encadernado de todos os Cinéfilos que consta da Biblioteca da Casa.

Depois encontrei-o no primeiro livro que a & ETC publica, Coisas, com um texto em 18 pontos a que chamou Crucificolagem e aqui repruduzo os dois últimos pontos do texto:

Mais tarde dou com os Cartazes que publicou em O Diário.

Numa  limpeza de caixas e caixinhas encontro um envelope, com alguns desses cartazes  de O Diário que teve vida de 10 de Janeiro de 1976 até 1990, o jornal que o José Saramago, quando ficou desempregado do Diário de Notícias, chegou a admitir que fosse convidado pelo Partido para nele colaborar, que não veio a acontecer e que o obrigou a procurar outros horizontes de vida que foram desembocar nesse grande livro que dá pelo nome de Levantados do Chão e depois a toda uma obra que culminará no Nobel da Literatura.

Sobre o Adelino tentei encontrar algo mais que o vulgar nascer e morrer mas a única referência com interesse é uma história do Adelino contada pelo Mário Mesquita publicada no Público de 1 de Setembro de 2012:

«…a reportagem de Adelino Tavares da Silva da recepção no Palácio de Queluz à Rainha Isabel II, que se resumia a uma foto-legenda. A imagem era do quarto onde o casal real iria pernoitar. As palavras muito sucintas: "Aspecto dos aposentos reais no Palácio de Queluz, onde Sua Majestade Isabel II vai encontrar-se hoje à noite com o Príncipe de Edimburgo, seu marido, após quase um ano de separação". Com efeito, o Príncipe Filipe reencontrava a rainha após longos meses de viagem pela Comunidade Britânica. A censura, no dia seguinte, chamou "à pedra" o Diário Ilustrado.»

Resta-me copiar o que o Vitor Silva Tavares desenhou na & ETC quando o Adelino por lá surgiu a colaborar:

Gosto destes Cartazes  de O Diário guardados em envelope amarelecido pelo tempo e vou copiá-los por aqui.

Os cartazes estão datados mas, lamentavelmente, não lhe coloquei datas

Costumes, gentes, um país outro que ainda encontramos por aí, cartazes datados mas muito bem escritos. Pede-se desculpa pela má qualidade das reproduções. Da imagem mais não posso fazer, do texto farei transcrição.

E é este o 1º Cartaz do Adelino que se publica:

 ÀS VEZES SÓ MUITO TARDE SE ACORDA

«Eis o que muita gente pensa. Eis o que muitos fazem, julgando que «não tocar nas coisas é melhorá-las». Deitam-se a dormir e, depois, quando acordam, estão hirtos, gastos, entorpecidos, anquilosados.

Mais tarde, só muito mais tarde, às vezes, é que percebem o logro. Resistir é estar de pé e atento. Vencer é não se deixar ficar à espera do que, apenas, vem dentro do sonho, porque é mesmo pesadelo.

É útil criar boas legendas, mas o importante, claro, é fazer delas uma bandeira, que se leva ao alto e não de rastos. É assim em tudo.»

                                                                                             A.T. da S.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

OLHAR AS CAPAS


Coisas

Adelino Tavares da Silva – António Manaças – Baptista-Bastos – Carlos Porto – José Martins – Nelson de Matos – Paulo da Costa Domingos – Pedro Oom – Virgílio Martinho – Vitor Silva Tavares
Capa: João Vieira
&etc, Lisboa, Março de 1974

Num pequeno país atrasado e pobre o Primeiro-Ministro preocupava-se muito com a ignorância do seu povo.
 A percentagem de iletrados era tal que não se descortinava maneira de arrancar do estado de subdesenvolvimento para a fase industrial a que o país necessitava chegar.
O Primeiro-Ministro reuniu os melhores pedagogos do país que elaboraram um pequeno livro de bolso, a que chamaram a “Cartilha Paternal”, onde se resumia em frases simples toda a Ciência existente.
A “Cartilha Paternal” foi distribuída gratuitamente a todo o Povo, o qual lhe deu a serventia que estava habituado a dar a tudo o que fosse papel, liso ou impresso.

Moral: a instrução não custa um tostão…


(Pedro Oom)

quinta-feira, 26 de abril de 2012

VIAGEM EM REDOR DE UMA REVISTA


Esta foi a escolha, para o dia 26 de Abril de 1974, que Eduardo Guerra Carneiro fez para os leitores do Cinéfilo.

Em destaque, a sessão da meia-noite, do cinema Londres, com o filme Lilith de Robert Rossen.

Não sei se houve sessão, no Londres, ou em qualquer outro cinema: uma revolução estava na rua!

Por mera curiosidade direi que, se não fosse o 25 de Abril, eu seria um dos espectadores do filme de Robert Rossen, pois nunca o tinha visto.

Como, a abrir a prosa, o Eduardo escreve:

É muito natural que o nome de Robert Rossen nada evoque à grande maioria do público de cinema.

E mais escreveu:

É precisamente Lilith (que, em português, recebeu o título um pouco fatalista e bastante moralista de Lilith e o Seu Destino) que hoje lhe recomendamos, na certeza de que lhe chamamos a atenção para um dos filmes mais importantes que, na década de 60, se produziu em Hollywood.






O dia 26 era o último dia das escolhas do Cinéfilo, e convém dizer que havia, sempre, uma outra escolha. A do DIA NÃO!

Como o nome indica, servia para avisar o leitor de que não valeria a pena mexer um pé, para ir ver, ouvir, ou ler, o que o Eduardo entendia como puro  (des)aconselhamento.

O NÃO desta semana, recaía no filme de Sydney Pollack, O Nosso Amor de Ontem, com Robert Redford e Barbra Streisand.

Destaque ainda para uma rubrica regular do Cinéfilo.

Dava pelo nome de O Colocador de Cartazes e era assinada por Adelino Tavares da Silva, um dos grandes jornalistas portugueses, homem de um humor fino e, ao mesmo tempo, desconcertante.

No cartaz deste número, a propósito do Jaime de António Reis, Adelino Tavares da Silva, contava a história de um maluco num dia em que a Volta a Portugal em Bicicleta, passou por Serpa.






Uma coisa é o Jaime do António Reis; outra é uma história de malucos.

Não queria terminar a viagem, pelo número 29 do Cinéfilo, da semana de 20 a 26 de Abril de 1974, sem referir um pormenor.

Só no número 31 do Cinéfilo, semana de 4 a 10 de Maio de 1974, se ficou a saber da razão de o número anterior, semana de 27 de Abril a 3 de maio, não ter uma única referência à data histórica:

Razões de fabrico da revista fizeram que o último número do Cinéfilo saído dois diaa de pois do Movimento do 25 de Abril estivesse já pronto na véspera, o que fez com que em nada reflectisse as consequências profundas que, a todos os níveis e, neste caso, na a informação, alteraram de um dia para o outro o funcionamento e a fisionomia dos jornais, revistas, emissões de rádio e televisão e os espectáculos em geral. Os artigos publicados nesse número, por exemplo, haviam sido todos objecto de censura e, coisa obsoleta, dois dias depois desta ter sido suprimida, o Cinéfilo saía pois com artigos censurados.

Por fim, dizer que, uma vez por outra, voltarei a pegar no Cinéfilo, destacar um número, e viajar por ele.