Quando chegaste, eu já tinha a morte
dentro do meu sono; e
só por isso não
sentia a pedra do
coração nem o corpo
quase tão frio. Tu não
notaste
que os corvos negros
carpiam já sobre
o meu telhado – e ninguém
te disse que
eu estava a morrer,
porque só eu sabia
que desistir é coisa de
um momento.
Juram, porém, que
ouviste o sangue
cansar-se nas minhas
veias e as larvas
estrebucharem rente à terra;
e que então
afirmaste, sem dominar
um grito, que o
quarto te cheirava
absurdamente a flores.
Não me contaram se
chamaste por mim,
Se pela morte. Mas fui
eu que acordei.
Maria
do Rosário Pedreira em Poesia Reunida
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