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domingo, 28 de junho de 2026

SOLTAS

De blogue em blogue, encontro no Bicho Ruim a fotografia e a respectiva legenda:

«A capa de hoje d' O Diabo foi feita de propósito para os arquivos Ephemera. O José Pacheco Pereira deve andar aos pulos de contente.»

1.

Faturação dos hospitais privados cresce para valor recorde em 2025: 2 790 milhões de euros.

2.

Lido em Página Um

«Luís Delgado tentou travar um novo processo na Justiça por dívidas da Trust in News ao Fisco, mas apenas conseguiu adiar o inevitável. Os três gerentes da dona da Visão vão, de novo, sentar-se no banco dos réus e arriscam ser condenados a pena de prisão efectiva. Em causa, uma dívida de 1,2 milhões de euros em prestações de IVA não entregues às Finanças entre 2021 e 2023.»

3.

Actualmente a esperança de vida à nascença em Portugal é de 81,8 anos, um aumento de 1,28 anos na última década,

 4.

A Meo solicitou ao Governo o estatuto de empresa em reestruturação, um passo que facilita a rescisão de contratos com os trabalhadores, já que permite ir além das quotas legalmente previstas nas saídas por mútuo acordo com atribuição de subsídio de desemprego. O estatuto foi concedido até ao fim deste mês e a empresa conta fechar 1200 saídas por via de acordo até ao fim do ano.

5.

Julian Barnes olha para o fim da vida com a serenidade de quem se cumpriu – “Pisei todas as massas de terra firme, exceto as congeladas. Por isso, prefiro voltar a vaguear pelas vilas e cidades europeias, observar o mar a partir da segurança de uma esplanada e as montanhas nevadas de uma distância em que não sinta frio” – e, por isso, recusa a derrota: “o obituário “Morreu depois de uma prolongada e corajosa luta contra o cancro” deveria ser substituído por “Morreu depois de uma prolongada e corajosa luta que o cancro manteve com ele”.

sábado, 27 de junho de 2026

NOTÍCIAS DO CIRCO

A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social garante que o Governo voltará a tentar aprovar uma reforma laboral, apesar do chumbo da proposta no Parlamento, considerando as alterações ao Código do Trabalho “algo de inevitável”. Tão inevitável “como o nascer do sol”, afirmou Maria do Rosário Palma Ramalho, em entrevista à SIC Notícias.na quinta-feira à noite.

As declarações surgem depois de a ministra ter deixado essa intenção no último fim-de-semana, durante o 43.º Congresso do PSD, quando, dirigindo-se a Luís Montenegro, afirmou: “Se bem o conheço, lá iremos outra vez fazer esta e outras reformas por Portugal e pelos portugueses.”

Lido no Público

sexta-feira, 26 de junho de 2026

NOTÍCIAS DO CIRCO

Operadores da linha SNS24 [que prestam serviço através da Altice] perdem parte do salário quando vão à casa de banho.

Jornal de Notícias, 26 de Junho.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

SOLTAS

 

O livro do Nuno Júdice, Primeiro Poema, fecha-se com estes versos:

«o que eu queria era medir a distância a partir de um relógio

cuja corda se partiu, posso dar voltas ao ponteiro e é

sempre a mesma hora, não se assustem, o tempo não parou

nem vai parar, o que eu tenho no pulso é esse falso

relógio

de luz radioactiva que se pode ver do fundo da

carruagem,

se alguém estiver muito interessado em saber que

horas

são e, na verdade, ninguém precisa disso para nada,

como se o tempo tivesse mesmo parado e está na altura de recomeçar do zero, onde tudo recomeça»

1.

A ministra da Saúde reconheceu que o INEM enfrenta falta de recursos humanos, após a morte de um homem de 63 anos que esperou mais de uma hora por assistência médica em Palmela. Ana Paula Martins garantiu, contudo, que o Governo tem reforçado o recrutamento.

2.

O país está a entrar numa armadilha demográfica e laboral que ameaça transformar a falta de trabalhadores num dos maiores bloqueios ao crescimento económico da próxima década. O alerta é deixado pelo relatório "Emprego em Portugal", apresentado esta terça-feira em conferência no Porto e elaborado pelo CoLABOR, que traça um retrato duro de um país envelhecido, incapaz de reter jovens qualificados e dependente da imigração para evitar uma crise estrutural no mercado de trabalho.

 Lido no Jornal de Notícias

3.

N o ano passado mais de 1200 doentes com pulseira amarela abandonaram os serviços de urgência dos hospitais devido ao tempo de espera para o atendimento.

4.

José Sócrates exige 205 mil euros de indemnização por lentidão da justiça.

5.

Os milionários não sabem cozinhar.

6.

«Como vais?

se morrer vestido – vou como quiserem

se for nu – vou como vim…

- Mas o sangue?»

Eusébio C. Martins

7.

Em Portugal, os jovens só saem de casa por volta dos 29 anos. A coabitação, por vezes, torna-se sufocante para pais e filhos e é preciso “responsabilidade, comunicação clara e limites saudáveis.

8.

A idade da reforma vai subir para os 66 anos e 11 meses em 2027, segundo confirmam os dados da esperança de vida publicados esta quinta-feira, 28 de maio, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

"A esperança de vida aos 65 anos, no período 2023-2025, foi estimada em 20,19 anos para o total da população", indica o INE, o que corresponde a um aumento de 0,17 anos (2,0 meses) relativamente ao triénio 2022-2024.

Com base nestes dados é possível calcular que em 2027 a idade legal de acesso à reforma será de 66 anos e 11 meses.

terça-feira, 2 de junho de 2026

À LUPA

Amanhã há Greve geral.

Luís Montenegro afirmou que o Governo está focado em não defraudar as expectativas das pessoas, prometeu trabalho e defendeu que Portugal é uma referência no mundo ao nível da estabilidade económica e social.


terça-feira, 19 de maio de 2026

NOTÍCIAS DO CIRCO

A ministra do Trabalho diz que o Presidente da República “deu respaldo à UGT” para não celebrar o acordo relativo à reforma da lei laboral, em sede de concertação social. Em entrevista no podcast “Política com Assinatura”, da Antena 1, Maria do Rosário Palma Ramalho garante que não responsabiliza António José Seguro, mas entende que ele “empoderou a UGT no sentido que tornou dispensável chegar a acordo”, ainda que quisesse “exatamente o contrário”, ou seja, sentar os parceiros à mesa para negociar.

No quase final de uma reforma laboral pessimamente conduzida desde o 1º minuto, e o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita, a Ministra pretende atingir o Presidente da República.

Não havia necessidade!...

sábado, 16 de maio de 2026

SOLTAS


 João Abel Manta, artista plástico, arquitecto, cartoonista morreu aos 98 anos e deixou-nos em cartazes os contornos da Liberdade.


SOLTAS DESTE SÁBADO

1.

Contratações acima dos 50 anos são raras nas grandes empresas. O mercado fecha as portas aos trabalhadores seniores e menos de 5% dos contratados têm mais de 50 anos.

2.

O CDS está em congresso. Ter-se agarrado à AD foi uma débil possibilidade de sobrevivência.

3.

Na Grã-Bretanha o rei disse ao povo que «um mundo cada vez mais perigoso e volátil ameaça o Reino Unido».

A propósito, lembra-se a frase  de Rimbaud que Patti Smith colocou, como epígrafe, em «O Ano do Macaco»

«Abate-se sobre o mundo uma loucura fatal.»

4.

Por causa da guerra Estados Unidos/Irão a crise mundial aumenta. Por aqui, a crise dos fertilizantes agrava os custos na agricultura e pressiona o preço do cabaz alimentar. Segundo a DECO aumentou 7,68% entre 14 de Janeiro e 13 de Maio.

5.

O Escrito na Pedra do Público de hoje apresenta uma frase de S. Chamfort, poeta, jornalista, humorista e moralista francês:

«A sociedade é composta por duas grandes classes: aqueles que têm mais jantares que apetite e os que têm mais apetite que jantares».

Um dos patrões da Aida dizia-lhe que só há duas vidas: uma é boa, a outra não presta.

6.

Dados da APAV, que presta apoio às vítimas, revelam que agressões de pais a filhos aumentaram 40% e a maioria das vítimas são mulheres com 65 anos ou mais anos.

7.

Pedro Garcias na sua crónica de hoje no Fugas/Público:

«Luís Montenegro não consegue falar sem sorrir, pelo que de certeza nem ele acredita no que diz, que o país está muito bem, que o mundo nos admira e elogia e que este Governo vai ficar na história».

segunda-feira, 20 de abril de 2026

À LUPA

 Conceição Ramos, a “criada de servir” que fundou um sindicato, morreu nesta segunda-feira, confirmaram amigos ao PÚBLICO. A octogenária estaria internada nos cuidados paliativos do Hospital de Chaves há cerca de um mês.

Cansada de ser explorada como “criada”, Conceição Ramos fundou um sindicato.

A ideia de defender os direitos das empregadas domésticas surgiu na Juventude Operária Católica, grupo que Conceição Ramos liderava, ainda antes do 25 de Abril de 1974. Mais tarde viria a fundar o Sindicato do Serviço Doméstico.

Nasceu em 1941 e, desde então, passou por várias casas, onde acumulou más experiências que não queria ver repetidas com as outras trabalhadoras domésticas. Sabia que eram "milhares a passar o mesmo", como contou ao Público em 2024. 

sábado, 11 de abril de 2026

SOLTAS


Religiosamente, sou ateu.

Já por aqui contei a história:

Um dos livros herdados da biblioteca do meu pai, é um calhamaço, mais de 700 páginas, da Editorial Inquérito: A História das Religiões de Chantepie de la Saussaye.

Tinha os meus 17 anos, passei os olhos, apanhei o que consegui entender e, passados uns tempos, não lembro quanto tempo, comecei a ler o Albert Camus.

Quanto a religiões fiquei vacinado.

Respeito a fé, as crenças, tudo, de quem entenda a isso dedicar-se.

Gostaria que respeitassem o facto de não frequentar deuses, mas não acontece facilmente.

Só Deus sabe da tranquilidade do meu ateísmo e do respeito que tenho pela fé dos outros.

O que a igreja portuguesa está a fazer com as vítimas das sevícias dos padres é um nojo!

Leia-se o artigo de Susana Peralta no Público de 10 de Abril: «Generosa com abusadores, avara com vítimas».
“Se há um mal feito por alguém, é esse alguém que é responsável. É uma questão individual” – foram as palavras de José Ornelas, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), duas semanas depois de serem conhecidas as conclusões da Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica Portuguesa (CI), coordenada por Pedro Strecht.

Ornelas errou; a Igreja, enquanto instituição, é cúmplice ativa dos crimes. Cito partes do Relatório da CI ao qual voltei nestes dias.

Em primeiro lugar, porque os crimes não são alheios ao ambiente religioso que os propicia. Quando a CI perguntava às vítimas “O que lhe dizia a pessoa abusadora para se aproximar de si?”, uma resposta comum era “Nada”. “Aparentemente redutor, este 'Nada' é bem revelador da perceção do 'direito/poder' que o adulto sente em relação à criança sobre a qual age sem que nada lhe seja devido verbalizar. (...) E é um 'nada' que assenta numa estrutura de poder e de domínio (...).” À pergunta “O que lhe dizia [o abusador] durante o abuso?”, uma resposta comum envolvia “a invocação verbal do (...) desígnio divino e a consequente necessidade de o mesmo ter de ser cumprido (...)”.

Em segundo lugar, porque os abusadores não agiram sozinhos. Uma vítima mulher (página 229) conta o abuso semanal por um padre, a partir dos 5 anos, no orfanato onde cresceu, “com a conivência das freiras”, que a levavam ao abusador quando ele a mandava chamar. Quando se queixou a uma freira, foi tratada de maluca e mentirosa e ficou três dias sem comer. Uma vítima do sexo masculino, na página 224: “Os outros padres nunca nos perguntaram porque faltávamos aos momentos de orientação espiritual — eu acho que, no fundo, sabiam, ou pelo menos desconfiavam [de] que algo estranho se passava.” Mais uma vítima, também homem (página 244), desta feita no hospital de uma ordem religiosa: “Havia um enfermeiro que se chamava Y e que ainda é vivo e que sabia de tudo. Outro auxiliar V também dizia umas coisas tipo: 'cuidado com os padres e com as festas [no sentido de carícias]'.”.


Em terceiro lugar, porque o encobrimento organizado dos abusos propicia o crime, e a solução de rodar os abusadores por paróquias só serve para lhes oferecer mais vítimas numa bandeja.»

Foram pelo menos 4815 as crianças abusadas no seio da Igreja em Portugal, segundo o estudo retrospectivo sobre os abusos sexuais cometidos no seio da Igreja em Portugal desde 1950 até à actualidade. Segundo o coordenador da comissão, Pedro Strecht, esse é o número "absolutamente mínimo", a que foi possível chegar após terem sido validados 512 testemunhos.

Soube-se agora que Igreja Católica vai pagar mais de 1,6 milhões de euros às vítimas de abuso sexual
Foram considerados elegíveis 78 pedidos e 57 já têm os montantes de compensação definidos. Há nove casos a aguardar a definição do montante. Compensações variam entre os nove mil e os 45 mil euros.

Sem perdão!

1.

O objectivo de Rosário Palma Ramalho, ministra do Trabalho, é claro: esmagar os trabalhadores e acabar com os sindicatos. Só há uma resposta para toda esta sanha.

2.

Corridas ao armamento implicam pesados aumentos da despesa, de défices e subidas da dívida pública. Para compensar, FMI vê cortes de 25% nos apoios sociais, de 26% na Saúde e 14% na Educação. 

terça-feira, 17 de março de 2026

À LUPA

A reforma laboral que a Ministra do Trabalho engendrou para o patronato, voltou a ter mais uma reunião.

“Foi um dia bom”, declarou Armindo Monteiro, líder da Confederação Empresarial de Portugal, aos jornalistas.

A Lupa detecta que, quando os patrões estão felizes!..., se fica a saber, se dúvidas existissem, do modo como a reforma laboral ficará…

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

À LUPA

A Greve Geral de Dezembro, não foi suficiente para quebrar a teimosia da ministra do trabalho e de Luís Montenegro, para arrepiarem caminho e desistirem da proposta de lei que o governo quer impor aos trabalhadores.

Rosário Palma Ramalho diz que a proposta de lei será submetida ao Parlamento "no momento oportuno" e garante que o Governo irá negociar "com todos os partidos que queiram, efetivamente, negociar".

A ministra do Trabalho disse ainda que não se pode "comprometer" com um prazo para levar as alterações à lei laboral ao parlamento, sublinhando que tudo dependerá da "dinâmica" da Concertação Social.

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

NOTÍCIAS DO CIRCO

 Afinal a Greve Geral serviu para alguma coisa.

Na reunião de hoje, a UGT saiu optimista do encontro e garante que Rosário Ramalho mostrou “total disponibilidade para a negociação”.

Passadas duas horas, a ministra do trabalho garantiu que o governo está disponível para “aproximar as posições” e que espera receber propostas “mais concretas” dos parceiros sociais antes da reunião da Comissão Permanente de Concertação Social, marcada para 14 de Janeiro.


O líder da UGT saiu optimista da reunião, que considerou “muito produtiva” e “trouxe para a mesa novamente a confiança que é preciso” para continuarem a negociar o pacote laboral do Governo.

«Estou optimista face aquilo que ouvi da parte do Governo: total disponibilidade para a negociação. Temos, neste momento, a garantia de total disponibilidade para o Governo ouvir as posições».

No dia 7 de Janeiro de 2026, o primeiro ministro recebe a CGTP.

Seria bom que Luís Montenegro, mais as suas aves amestradas-propagandisticas, pensassem que um governo deve existir para pensar nas pessoas e nunca contra as pessoas. 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

NOTÍCIAS DO CIRCO

Ministra do Trabalho recusa “voltar à estaca zero” no pacote laboral.

Rosário Palma Ramalho, ministra do trabalho, desafia a UGT a reagir às alterações que o Governo já aceitou fazer no anteprojecto. E diz que a aproximação tem de ser dos dois lados.

Rosário Palma Ramalho recusa que o governo volte à estaca zero e desafia a UGT a reagir às alterações que o Governo já aceitou fazer no anteprojecto. A aproximação tem de ser dos dois lados.

Também ameaça:

«O Governo, obviamente, não está disponível para voltar à estaca zero porque apresentou este anteprojecto, legitimado pelo programa eleitoral, pelo programa de Governo e até pelo acordo tripartido que celebrou no ano passado na Concertação Social, incluindo com a UGT, previa que nós fôssemos rever a legislação laboral».

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

DIÁRIO DA GREVE GERAL


 A Greve Geral existiu.

Coloquemos de lado os números indicados pelo Governo, pelas centrais sindicais.

Mas se bem que não haja estatística, teremos que citar os trabalhadores dos privados que ouviram os patrões, os empresários, dizer-lhes: «se aderires à greve, terás problemas…»

Numa reportagem publicada pelo Público, Luca, trabalhador precário, disse: «Não tenho hipótese de fazer greve. Se pudesse fazia».

A Greve Geral cancelou 66% dos voos previstos em Lisboa, 49% no Porto e 95,4% em Faro.

Adesão muito significativa nos hospitais, nos transportes, nas escolas.

A Auto-Europa cumpriu a Greve Geral dos trabalhadores.

E agora?

O governo terá compreendido o buraco em que se enfiou, e nesse seguimento, a ministra do trabalho convocou a UGT para uma reunião, na próxima terça-feira, tendo em vista continuar as negociações sobre o anteprojecto do governo de reforma da legislação laboral.

Todo este processo correu mal para o governo porque Luís Montenegro andou afastado da discussão, deixando-a ao cuidado da ministra que é uma mera académica e não uma figura política, piorou quando o 1º ministro, o ministro da presidência, outos ministros, tiveram uma atitude arrogante, soberba aparvalhada, completamente desnecessária, desvalorizando a luta e a razão dos trabalhadores.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

DIÁRIO DA GREVE GERAL


 «A esmagadora maioria dos trabalhadores do País está a trabalhar", afirmou o ministro da Presidência em declarações aos jornalistas na manhã desta quinta-feira. Leitão Amaro afirmou ainda que "o nível de adesão do País à greve é inexpressivo, em particular no sector privado e social.»

«O país está a trabalhar e há uma parte do país que está a exercer o legítimo direito à greve. A parte que está a exercer legítimo direito à greve é a parte minoritária, a parte largamente maioritária está a trabalhar e nós estamos também a trabalhar", afirmou Luís Montenegro, numa curta declaração aos jornalistas.»

 

ALGUMA SE VEZ PODERÀ DIZER QUE, FACE A ESTAS ANÁLISES SOBRE A GREVE GREAL, ESTAMOS PERANTE UM GOVERNO CREDÍVEL, RESPONSÁEL?

 

«O fenómeno é comum a quase todos os países da OCDE e Portugal não foge à regra: nas últimas décadas a taxa de sindicalização tem vindo a ser cada vez mais baixa. Porque é que isto acontece? Mudanças no mundo e no mundo do trabalho em concreto ajudam a explicar o declínio da sindicalização. Mas os sindicatos avisam que não morreram e que, para os trabalhadores, continuam a ser o último apoio quando tudo o resto falha.»


Patrícia Carvalho no Público

«Afinal, que sentido tem exatamente a greve geral?
O propósito desta revisão da legislação laboral é desequilibrar a lei a favor dos empregadores e diminuir a natureza coletiva das relações de trabalho. Basta, aliás, recordar as palavras de alerta deixadas pela ministra do Trabalho em entrevista à RTP, quando afirmou que “a lei que está em vigor tem algum desequilíbrio em favor dos trabalhadores”. As propostas do Governo são de tal forma “avançadas” que nem nos sonhos mais ambiciosos dos empregadores e dos seus representantes se esperava um brinde destes.


Pedro Adão e Silva

«Os herdeiros do passismo regressaram ao poder e querem retomar o caminho de intimidação iniciado há 15 anos. Para eles, trabalha melhor quem tem medo, quem, por isso, obedece e se cala.

Manuel Loff

A greve geral existiu
É uma derrota, a somar a outras que o executivo tem acumulado neste dossier. Da união pouco usual das duas centrais sindicais à convocação de uma greve geral que já não acontecia há 12 anos. Da quase ausência de quem, no espaço público, defenda a bondade das mudanças à lei até ao embaraço provocado ao próprio candidato presidencial Luís Marques Mendes. O Governo começou muito mal, sem ter construído uma narrativa para as mudanças, e arrisca-se a acabar pior.
A greve geral existiu
De pouco servirá entrar na guerra de números que, como seria de esperar, estão dentro da amplitude do exagero entre aquilo que os sindicatos exibem como uma vitória e o que Governo e patrões dizem que foi uma derrota. O que é certo é que a greve geral existiu mesmo e dificilmente deixará de ser um marco negativo no percurso político deste executivo.»


David Pontes

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

DIÁRIO DA GREVE GERAL

 «A proposta do governo, nas suas traves mestras, também provoca mais precariedade (contratos a termo certo com duração inicial de um ano, em vez dos seis meses atuais, e com possibilidade de duas renovações, até um limite de três anos); vai facilitar o despedimento, desprotegendo o trabalhador contra despedimento injustificado; promove uma maior desregulação dos horários e a precarização das condições de trabalho, enfraquece a contratação colectiva, a acção sindical e o direito à greve.

É legitimo propor este caminho, acreditando que é o caminho certo para aumentar a produtividade nas empresas, fazer crescer a economia e criar novos empregos. Mas entra no domínio da aldrabice política querer convencer alguém que tudo isto não é feito com perda de direitos para os trabalhadores.»

Paulo Baldaia no Expresso


A CGTP e a UGT marcaram uma Greve Geral contra as medidas laborais propostas pelo governo.

Será a primeira em 12 anos. A última, realizada pelas duas principais centrais sindicais, a 27 de Junho de 2013, ocorreu durante a crise económica, quando Portugal enfrentou um resgate financeiro e as suas consequências.

Luís Montenegro, e acompanhantes, justificam a revisão da Lei Laboral com a necessidade de modernizar a economia e diz que os trabalhadores não têm razão para fazer greve.

Luís Montenegro, e acompanhantes, afirmam que as medidas propostas visam aumentar a flexibilidade do mercado de trabalho.

«Apresentámos alterações a mais de 100 artigos, mais de 100 alterações, e estamos agora disponíveis para uma consulta sobre essas alterações no âmbito da Concertação Social e também estaremos disponíveis para isso no Parlamento. O objetivo é que o resultado final possa confirmar o ajustamento da lei às exigências actuais da nossa economia, ao funcionamento da nossa economia, à robustez da nossa economia e ao funcionamento das nossas empresas»

Os serviços mínimos vão abranger, na próxima quinta-feira, dia de greve geral, a circulação de comboios, barcos e a Carris, em Lisboa, excluindo, todavia, o Metro. As decisões foram reveladas este sábado pelo Conselho Económico e Social.
O direito à greve encontra-se consagrado no artigo 57.º da Constituição da República Portuguesa. É um direito fundamental dos trabalhadores. O direito à greve é irrenunciável. Todos os trabalhadores podem aderir à greve geral, independentemente do sector de atividade, público ou privado, da natureza da sua entidade patronal e da natureza do seu vínculo à entidade patronal e do facto de se encontrarem sindicalizados ou não.  O aviso prévio de greve geral apresentado pela UGT e pela CGTP cobre todos os trabalhadores por conta de outrem.

Mas há sempre que contar com velhos hábitos, como as ameaças que larga fatia do patronato exercerá sobre os trabalhadores.

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

DIÁRIO DA GREVE GERAL


 Luís Montenegro, para as últimas eleições legislativas, não incluiu no programa do PSD qualquer reforma laboral.

Por motivos que só ele, ou a ministra do Trabalho, poderão clarificar, surgiu um miserável pacote reformista dos direitos de quem trabalha muito e recebe pouco.

Causou espanto e indignação.

Depois de lida e relida a proposta, tanto a CGTP e a UGT, acabaram por concluir que apenas uma Greve Geral, poderia levar o governo e os habituais acompanhantes, a repensarem o disparate em que caíram.

A Greve Geral ficou marcada para o dia 11 de Dezembro.

Entretanto, nada aconteceu, apenas acusações pífias: o governo desqualificou as motivações da greve, lançando a acusação de que as centrais sindicais estão a mando dos partidos, esquecendo (?) que o que motiva os trabalhadores é a própria reforma laboral.

Ainda reuniram com a UGT, que, entre outros, reúne trabalhadores apoiantes do PSD, mas o pacote é demasiado gravoso, para que remendos e remedinhos que apresentaram, servissem para demover a Greve Geral.