O regresso com estrondo de Pedro Nuno Santos ao Parlamento, após uma
derrota eleitoral que, em tese, recomendaria uma longa travessia do deserto,
está aí para mostrar os inegáveis atributos políticos do ex-líder socialista.
Mas demonstra também a sua desadequação a um partido com as características
históricas do PS. O regresso estrondoso
de Pedro Nuno Santos
Por agora, o interesse que gerou este regresso e o tom das reações que provocou são um bom barómetro, e
demonstram que Pedro Nuno Santos estará para o PS como no passado Pedro Santana
Lopes esteve para o PSD. Um enfant terrible que não deixa ninguém
indiferente, concentra as atenções e revela gosto pelo combate político.
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quinta-feira, 23 de abril de 2026
À LUPA
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sexta-feira, 15 de março de 2019
O VOTO NÃO É ASSEXUADO
Ainda estava no lar do Príncipe Real quando, com a história daquela Manuela Ferreira Leite e do défice dos três por cento, vi a coisa mal parada. Porque eles dão-me, há anos já, um subsídio. Foi até o Tio Patinhas, o Balsemão, que, quando foi primeiro-ministro – não foi muito tempo, mas foi – deixou lá um saco azul, um buraco que não tinha cobertura legal nenhuma. A certa altura, arranjou um decreto em que instituía o chamado ‘mérito cultural’. O Alçada Baptista tinha-me encontrado na Avenida da República e, como sabia que eu estava muito à rasca, a viver mal, tinha-me perguntado: ‘Ó Pacheco, não lhe convinha uma bolsa de sete contos?’. ‘Ó Doutor António, se você me falasse num conto de réis, eu ainda acreditava, agora sete contos não acredito; mas é claro que me fazia jeito’. Depois saiu o decreto do Balsemão e solicitei a bolsa. Primeiro foram dez contos, depois vinte, foi subindo.
Até que Santana Lopes lhe atribuiu um valor mais razoável: 600 euros.
Havia uma senhora, que ainda é viva, a Maria João Rolo Duarte, mãe do Pedro (Rolo Duarte). Nunca a conheci, mas ela tinha uma página de espectáculos e televisão n’A Capital e começou a escrever uns textos: ‘Então o Luiz Pacheco não tem um subsídio capaz?’. Uma vez, encontrou o Santana Lopes, o Pedro… Bom rapaz, não lhe perdoam por ser um gajo das discotecas e por ter mulheres boas. E ele é bonitote, acho que até ganhou em Lisboa por causa disso, porque as mulheres são mais do que os homens e o voto não é assexuado. Bom, mas a Maria João encontrou-o numa recepção qualquer e disse-lhe: ‘Ó senhor doutor, então o Luiz Pacheco tem um subsídio tão baixinho?’. E tinha. Ele prometeu-lhe que me ia dar mais dinheiro. E deu. Ao fim de uns meses, recebi um aumento de 60 contos. Com retroactivos, foi uma abada bestial.
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019
NOTÍCIAS DO CIRCO
O PSD sempre foi um
equívoco.
O Partido Socialista
ocupou-lhe o espaço e no dia em que Mário Soares arrumou o marxismo numa
gaveta, nunca mais teve qualquer possibilidade.
Andou todos estes
anos alternando o poder e as manigâncias com o Partido socialista e nada mais.
Afastados do poder,
sem vislumbres de, nos próximos tempo, a ele aceder, vive momentos de angústia.
Pedro Passos Coelho
já nem sombra é, e Rui Rio que lhe ocupou o lugar tem vivido momentos
complicados e inenarráveis.
Pedro Santana Lopes
já saiu fundando um outro partido - a «Aliança».
Um tipo execrável que
dá pelo nome de André Ventura outro partido formou e chamou-lhe «Chega»
Luís Montenegro, ex-lider
parlamentar, desafiou Rio e houve a necessidade de se realizar um conselho
nacional para separar águas ou lá o que foi.
Aconteceu a 18 de Janeiro,
estendeu-se pela madrugada, houve gritaria vária, encontros e desencontros, e
Rio fortaleceu a sua posição presidencial.
Vasco Pulido Valente
que aos sábados, no Público, escreve
um diário, assistiu, melancolicamente ao evento e acabou por concluir:
«Ninguém me conseguiu dar uma boa razão para o PSD existir.»
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sábado, 29 de setembro de 2018
ETECETERA
Os portugueses
apostam 14 milhões de euros por dia.
Os primeiros seis
meses deste ano mostram que nunca se apostou tanto em Portugal.
Totobola,
Euromilhões, Totoloto estão a perder terreno nas escolhas.
As Raspadinhas e
Placard são os jogos mais escolhidos.
Um dos prémios mais
altos que alguma vez ficaram por reclamar foi um prémio de Joker, de sete
milhões. A Santa Casa chegou a publicar anúncios, mas o vencedor nunca
apareceu.
Os prémios não reclamados
revertem a favor do Fundo Rainha Dona Leonor de reabilitação das Misericórdias.
PGR
A direita em Portugal
tomou como dores muito suas a permanência de Joana Marques Vidal na Procuradoria-Geral
da República.
A histeria foi muita
e as razões soavam pífias.
No princípio do ano a
Ministra da Justiça adiantou um passo ao dizer que o governo entendia que o
mandato de PGR deveria ser de apenas um mandato.
Por proposta do Governo
e promulgação pelo Presidente da República, a escolha para Procurados Geral da
República recaiu em Lucília Gago.
Choveram provocações
e insultos, chegaram a falar de perseguição e saneamento.
Até Cavaco Silva
deixou o recato do lar, o estilo múmia, para nos vir dizer:
«Sou levado a pensar que esta decisão política de não recondução de
Joana Marques Vidal é talvez a mais estranha tomada no mandato do governo que
geralmente é reconhecido como geringonça.»
Marcelo Rebelo de
Sousa não deixou cair a observação de Cavaco:
«Todos sabemos que quem nomeia as procuradoras-gerais da República são
os Presidentes, não são os governos. Portanto, a nomeação da procuradora-geral
da República foi minha e de mais ninguém.»
Os jornalistas
insistiram e voltaram a lembrar o que disse Cavaco Silva.
Ainda Marcelo:
«O que me está a dizer é que o
presidente Cavaco Silva, no fundo, disse que era a mais estranha decisão do meu
mandato. Perante isso, tenho sempre o mesmo comportamento: entendo
que, desde que exerço estas funções, não devo comentar nem ex-Presidentes, nem
amanhã quando o deixar de o ser, futuros presidentes, por uma questão de
cortesia e de sentido de Estado, e não me vou afastar dessa orientação.»
TAP
O título pertence à
1ª página do Público de 23 de
Setembro.
Em determinado tempo,
os nossos governantes «concluíram» que em Portugal não havia ninguém que
percebesse de aviões e foram buscar ao Brasil a excelência de um tal Fernando
Pinto.
Esteve no cargo de
presidente da TAP vários anos com ordenados e mordomias de excepção.
Tanto quanto agora
foi tornado público, o homem permitiu que fossem gastos 500 milhões de euros
num estranho negócio com a Vem-Varig Engenharia e Manutenção e, tanto quanto se
diz pelos corredores, foi fazendo caminho para que a TAP fosse vendida ao seu
amigo Efromovich.
Ficamos a aguardar as
cenas dos próximos capítulos.
ASSIM COMO A GUERRA
DO SOLNADO
Vasco Lourenço desde
o início afirmou que o roubo das armas em Tancos, ocorrido em Julho do ano
passado, era uma história muito mal contada.
Chegou a falar-se que
a pátria estava em perigo, que a NATO nos iria retirar confiança política e
militar.
Soube-se agora, que
as armas, depois de roubadas, ficaram numa propriedade da avó do principal
autor do roubo. Tentou vendê-las mas não apareceram compradores. Entalado que começou
a estar, congeminou, com «colaboração» de «gnrs» e outras tropas, a manobra de
diversão em que, por artes mágicas, as armas apareceram numa quinta na
Chamusca.
Ninguém sai bem desta
história rocambolesca: militares, polícias e assim como assim, o próprio
governo.
Já há detidos e
segue-se agora o tempo da Justiça.
Lento, muito lento,
como sabemos que esse tempo é.
Muita água continuará
a passar por debaixo das pontes.
ASSIM VAI O PSD
Marques Mendes, o
catequista dominical da SIC, aconselhou Rui Rio:
«Tem, de ser mais humilde, menos convencido, menos arrogante.»
Entretanto Santana
Lopes continua por aí à espera que o Tribunal Constitucional dê luz verde à sua
Aliança.
A FECHAR
A FECHAR
Os portugueses são os europeus que mais pagam pela energia eléctrica.
Investigue-se!
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sábado, 22 de setembro de 2018
ETECETERA
Tantas vezes reclamei
de mim para mim por que raio nenhuma editora se abalançava a publicar os livros
de Maria Judite de Carvalho.
Apenas tenho três
livros, encontrados por acaso já não lembro bem onde, talvez na Feira da Ladra,
ou naquelas feiras de ocasião, que havia em outros tempos com fundos de
catálogo de editoras.
Mas a Minotauro, em
hora feliz, decidiu-se a publicar a Obra Completa de Maria Judite de Carvalho.
Uma mulher
excepcional, com obra emblemática que não foi apenas a mulher do escritor Urbano
Tavares Rodrigues, embora a sua discrição a tenha feito viver sempre um pouco à
sombra do marido.
São muitos os que
pensam que a obra da escritora é superior à de Urbano e a consideram mais
talentosa que o marido, a escritora da solidão e do silêncio.
A coleção, que será
composta por 6 volumes, irá abranger toda a obra de Maria Judite de Carvalho.
escritora exímia do século passado, que ficou conhecida principalmente pelas
suas coletâneas de contos de cunho existencialista. Foi a escritora da solidão
e do silêncio das palavras poupadas.
Apelidada por
Agustina Bessa-Luís como «flor discreta da nossa literatura», Maria Judite de
Carvalho, também jornalista, dedicou trinta anos da sua vida à carreira
literária, durante a qual publicou 13 livros, privilegiando as novelas, as
crónicas e os contos, e escreveu sobre a solidão, histórias sombrias da vida
quotidiana que observava.
Em boa hora, a
editora entendeu que as capas dos livros seriam pinturas suas e isso revela
outras facetas da escritora: o desenho e a pintura.
No 6º volume dos seus
Dias Comuns, José Gomes Ferreira tem duas entradas referentes a Maria Judite de
Carvalho:
1 de Novembro de 1968
Ontem, encontro inesperado com Judite de Carvalho na sala de espera do
mei dentista, onde durante alguns minutos conversámos com aquela intimidade de
termos de passar o tempo da sala de espera de um dentista.
Admiro-a muito como escritora e parece-me uma mulher autêntica. Isto é:
que não estraga a liberdade com escravidões fáceis. Prefere as difíceis,
11 de Novembro de 1968
Novo encontro com Judite de Carvalho no dentista.
- Não traz o cabelo penteado da mesma maneira!... –
observou o dentista.
- Pois não. Como não gosto da minha cara e não posso
mudá-la, mudo de penteado.
Procurei uma frase amável para lhe dizer, mas não a
encontrei – malogro que ela infelizmente percebeu.
E no entanto bastaria dizer-lhe que, por mais que
mudasse de rosto, nunca arranjaria outro mais inteligente.
PAPA FRANCISCO
O escândalo que
envolve as mais altas figuras da Igreja Católica não para de crescer.
O Papa convocou uma
reunião com os presidentes das conferências episcopais (organismos que
congregam os bispos em cada país) de todo o mundo para debater «a proteção de
menores».
Está marcada para 21
e 14 de Fevereiro do próximo ano ,as deveria ser já amanhã!
O clero retrógrado,
que nunca deixou a Igreja viver os dias dos novos séculos, tenta por todos os
meios fazer a vida negra ao Papa.
Na visita que fez à
Irlanda, no passado Agosto, afirmou que se considerava envergonhado com o peso
do escândalo dos abusos sexuais que abala a Igreja,
Leo Varadkar,
presidente do país, pediu-lhe para passar das «palavras à acção.»
Sim , não basta pedir
desculpa.
Conseguirá Francisco
prosseguir a luta?
SUÉCIA
Aos poucos as pessoas
vão-se apercebendo que a ascensão da extrema-direita nos Estados Unidos, na
Europa, pelo resto do mundo, é uma realidade que vai galgando o dia-a-dia.
Há poucos dias foram
as eleições na Suécia que colocaram a extrema-direita em patamares nunca
alcançados.
Os monstros vão
crescendo.
Aproximam-se as
eleições presidenciais no Brasil.
Continuamos distraídos,
muitos distraídos…
SANTANA ANDA POR AÍ
Saiu do PSD e já
formou novo partido.
Chamou-lhe Aliança.
Vitor Dias no Tempo das Cerejas:
Encosto à «popularidade» de
Marcelo ?
«O senhor
Presidente
da República pode e deve
usar toda a popularidade
que conseguiu para mudar
a sociedade portuguesa,
para fazer reformas que
há muito são necessárias
- reformas do sistema
eleitoral, da justiça,
da produtividade, mas
também das questões
das pessoas»
da República pode e deve
usar toda a popularidade
que conseguiu para mudar
a sociedade portuguesa,
para fazer reformas que
há muito são necessárias
- reformas do sistema
eleitoral, da justiça,
da produtividade, mas
também das questões
das pessoas»
- Santana
Lopes
A FOME NO MUNDO
Mais de 820 milhões
de pessoas no mundo passam fome, a maior parte em África e na América do Sul,
um número que, segundo um relatório das Nações Unidas, aumentou pelo terceiro
ano consecutivo.
MAIOR QUE O NOBEL!
Começar com livros,
com livros fechar.
António Lobo Antunes
vai passar a integrar a colecção francesa Bibliothèque de la Pléaide. Será o
segundo português a fazer parte dado que Fernando Pessoa foi incluído em 2001.
A colecção, criada em
1931, publica as obras dos autores em edições cuidadas em papel bíblia e capa
dura.
«Sonhei com este prémio desde a adolescência até agora. É o maior
reconhecimento que se pode ter enquanto escritor, muito maior do que o Nobel.»
sábado, 4 de agosto de 2018
ETECETERA
A passagem de Pedro
Santana Lopes sempre deu origem a episódios circenses.
Saio. Não saio.
Mas, preto no branco,
já disse que agora é de vez.
Amanhã, em carta,
dirá das razões.
A caminho, está a
firme intenção de formar um novo partido político.
Marcelo Rebelo de
Sousa, de férias nas zonas atingidas pelos incêndios no passado ano, disse às
televisões que não se quer imiscuir na vida dos partidos, mas deixa recado de que
a oposição não se deve fragmentar.
Entretanto a oposição
interna a Rui Rio conhece outros contornos.
Para além do sempre
eterno Luís Montenegro, perfila-se agora Pedro Duarte , já foi líder da
Juventude Democrata, também director da campanha presidencial de Marcelo Rebelo
de Sousa.
Diz que O PSD tem de
mudar de líder e estratégia «tão cedo
quanto possível», e declara-se preparado para assumir a liderança
partidária.
O país, nestes
primeiros dias de Agosto está sob uma vaga de calor infernal.
Lisboa registou hoje
temperaturas de 40 e 42 graus A
temperatura mais alta este sábado em Portugal registou-se em Alvega, no
distrito de Santarém, que chegou aos 46,8 graus.
Entretanto, ao findar da tarde, a Protecção Civil deu
conta de três fogos no distrito de Santarém e no local estão 172 homens, 45 viaturas e três aviões.
Pior é a situação do
incêndio que, desde sextra-feira, lavra na Serra de Monchique.
Por precaução
continua a ser feita a retirada de alguma população para locais mais seguros.
O vento forte e as
constantes mudanças de direcção dificultam imenso o trabalho dos 719
operacionais, apoiados por 139 viaturas e sete meios aéreos que estão no
terreno.
O DELFIM PINHO
Manuel Pinho, o ex-ministro
de José Sócrates foi há dias à Comissão de Economia e. para além de alarvidades
e piadas de mau gosto, recusou-se a falar da sua relação com o Grupo Espírito
Santo ou de como recebia, em simultâneo, dinheiro de Ricardo de Salgado e do
estado.
Luís Marques, no
Expresso de 21 de Julho, escreve sobre os «Delfins de Ricardo Salgado»:
A FECHAR
Num curto espaço de
tempo, perdemos duas das mais importantes personalidades da nossa
intelectualidade: António Arnaut (21 de Maio) e João Semedo (17 de Julho).
Dois políticos como
já não vamos tendo, dois defensores do Serviço Nacional de Saúde que tantos
querem ver despedaçado.
Dois homens de
excepção, dois homens que, nos tristes tempos que vão correndo, nos fazem muita
falta. Muita mesmo.
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quarta-feira, 18 de outubro de 2017
ETECETERA
Estas são as primeiras
páginas, de hoje, do Diário de Notícias e do Público.
O Presidente Marcelo
abraçado a um velhinho. Os dois choram.
Mera coincidência,
mas o sentido de ir ao encontro do que o público gosta de ver, lagrimazinha ao
canto do olho, está patente.
Marcelo, como
dizia Léo Ferre de si próprio, é um artista de variedades.
Sabe-a toda: anos e anos de exposição mediática dando catequese como comentador político.
Os jornais, as
televisões, as rádios, fazem o resto.
O dia trouxe
ainda a demissão, a seu pedido, da Ministra da Administração Interna.
António Costa
não tinha outro remédio senão aceitar. O Conselho de Ministros do próximo
sábado não poderia contar com uma ministra debilitada.
Dado o curto
espaço de tempo, o Primeiro-Ministro recorreu ao seu núcleo duro para arranjar
um substituto: Eduardo Cabrita, actual ministro adjunto, substituirá Constança
Urbano de Sousa.
Uma escolha que
aos olhos de muita gente se mostra pouco entusiasmante.
Mas o tempo urge
e, por agora, não há espaço para percorrer outros caminhos.
Os partidos que
apoiam o Governo são unânimes em afirmar que a mudança de rosto na pasta da
Administração Interna, não resolve os problemas de fundo que há muito existem na prevenção e ataque aos
incêndios florestais.
O CDS apresentou
uma moção de censura ao governo que será discutida na próxima terça-feira. Moção
de censura que será apresentada pelo CDS na quinta-feira visa «António Costa não
está à altura para o exercício das funções que desempenha», afirmou Assunção
Cristas, a raínha do eucalipto.
Paulo Portas, em
Agosto de 2010, disse que « fazer politiquice com os incêndios é imoral e
isto é tão verdade para a oposição, mas também para o governo.»
Ao PSD, não lhe
restou outra saída, senão declarar que votará favoravelmente a moção do CDS.
Pedro Passos
Coelho, nos corredores da Assembleia,c disse aos jornalistas que António Costa
deveria pedir a demissão de primeiro-ministro e que o governo não merece uma
segunda oportunidade.
Vão ser muito
duros os próximos tempos do Governo do Partido Socialista.
O Presidente da
República, uma comunicação social hostil, uma oposição a sonhar com eleições
antecipadas, não lhe vai dar um minuto de descanso.
Chegou o tempo
do grande exame.
PSD
Afastado do
partido desde 2014, ano em que foi expulso, António Capucho considera que se o
PSD regressar «à sua matriz social-democrata» está pronto voltar a ser
militante.
O ex-ministro
dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, será o presidente da Comissão de Honra
de Santana Lopes, cuja candidatura à liderança do PSD será oficialmente
apresentada no próximo domingo.
Rui Rio, um
homem que quando houve falar em cultura fica à beira de um ataque de nervos, em
entrevista à TVI, acusou Santana Lopes de abandonar cargos a meio («Não foi
candidato em Lisboa porque dizia estar apaixonado pelo trabalho na Santa Casa,
criando até um problema ao partido, afinal quatro meses depois vai deixar a
Santa casa porque diz estar apaixonado pela liderança do PSD. Eu fico sempre
até ao fim») adiantando ainda que Santana está manifestamente à sua
direita.
David Justino,
presidente do Conselho Nacional de Educação, que foi ministro da educação de
Durão Barroso vai coordenar o documento estratégico com que o Rui Rio se
apresentará às eleições directas para a presidência do PSD.
A função promete.
sexta-feira, 13 de outubro de 2017
ETECETERA
Até 14 de Dezembro, estará patente na Biblioteca Nacional,
uma Exposição comemorativa do Centenário do Nascimento de Óscar Lopes que
nasceu a 2 de Outubro de 1917, o ano da Revolução Russa:
«O sentido desta
mostra documental evocativa do centenário do nascimento do Professor Óscar
Lopes é o de homenagear o homem que, pelo seu pensamento dialético e
hermenêutico, buscou sempre o “sentido que a vida faz”. Essa procura leva-o na
sua investigação e nas suas obras a entrecruzar saberes diversos – da física à
filosofia, da biologia à antropologia, da astrofísica à história, à música ou à
literatura e linguística, estas as áreas preferenciais do seu trabalho.
“Nem crítico, nem
ensaísta, nem mesmo essencialmente professor, linguista ou político”, a
dificuldade do próprio em auto definir-se. Era tudo isto.»
Depoimentos de Agustina
Bessa-Luís, Álvaro Cunhal, Baptista-Bastos, Eduardo Lourenço, Egito Gonçalves,
Eugénio de Andrade, Ilse Losa, José Cardoso Pires, Manuel António Pina, Manuel
Alberto Valente, Marta Cristina Araújo, Urbano Tavares Rodrigues, Vasco Graça
Moura, entre outros.
Reproduzimos o depoimento de Agustina Bessa Luís
Devo a Óscar Lopes os primeiros conhecimentos sobra a
crítica. A companhia que o crítico pode significar para o fugitivo da área
familiar, em geral a que nos ensina primeiro a duvidar de tudo, foi para mim
Óscar Lopes. Antes de A Sibila tomar lugar nas letras
portuguesas, já ele se interessava pelos Contos Impopulares, melancólico
salto sobre um abismo de lirismo desempregado. O crítico, como intérprete duma
linguagaem, é o médium que o espírito convoca. É compreensível que o jovem autor
comece por não gostar dos críticos e acabe por vê-los como sendo os médiuns
próprios para desvendar a ideia.
Não sou muito adepta das homenagens que se prestam ao tempo vivido por um homem de talento. Todos os seus dias são dignos de louvor e os seus sacríficios estão mais presentes na juventude do que na idade avançada. Esta é o tempo em que devemos deixar dormir, mais do que pensar, as pessoas inteligentes. Se dormir é o cúmulo do génio, como disse um filósofo que eu muito prezo, então não despertemos com palavras barulhentas os que deixam uma obra para a posteridade.
Eu penso que o Óscar Lopes não pertence ao número daqueles que é preciso elogiar, como se faz às crianças para que elas nos obedeçam. Obedecer não é próprio dos homens. Porque devemos elogiá-los?
Por mim, eu digo que me aborreço quando me parecem consolar de alguma coisa com as honras que me prestam. Prefiro um café quente a um bom elogio. Mas nem todos são assim.
Fomos amigos em campos diversos mas não extremados. Óscar Lopes e eu. Convivemos ma mesma admiração pelos livros e na paixão das ideias. Eu, que sou avara de palavras faladas, porque o ciúme das escritas me arrasta para longe delas, no entanto, fora da minha vocação, vejo o talento de alguém e digo-lhe que é preciso ter coragem para ter talento. Aqui e em qualquer lugar. O talento briga com tudo, arranja inimigos em toda a parte porque tem que expandir a sua diferença onde quer que esteja. É por isso que as homenagens lhe cheiram a esturro. O gozo estético do talento é uma luta de morte com a própria celebridade. Ela parece sempre uma forma de fechar as contas e de partir noutra direcção, que não é a do talento, bem entendido.
As nossas contas ficam em aberto. Mais erradas do que certas. A vida é assim. Nós somos assim. Óscar Lopes e eu e muitos que têm a vocação como virtude curativa.
Não sou muito adepta das homenagens que se prestam ao tempo vivido por um homem de talento. Todos os seus dias são dignos de louvor e os seus sacríficios estão mais presentes na juventude do que na idade avançada. Esta é o tempo em que devemos deixar dormir, mais do que pensar, as pessoas inteligentes. Se dormir é o cúmulo do génio, como disse um filósofo que eu muito prezo, então não despertemos com palavras barulhentas os que deixam uma obra para a posteridade.
Eu penso que o Óscar Lopes não pertence ao número daqueles que é preciso elogiar, como se faz às crianças para que elas nos obedeçam. Obedecer não é próprio dos homens. Porque devemos elogiá-los?
Por mim, eu digo que me aborreço quando me parecem consolar de alguma coisa com as honras que me prestam. Prefiro um café quente a um bom elogio. Mas nem todos são assim.
Fomos amigos em campos diversos mas não extremados. Óscar Lopes e eu. Convivemos ma mesma admiração pelos livros e na paixão das ideias. Eu, que sou avara de palavras faladas, porque o ciúme das escritas me arrasta para longe delas, no entanto, fora da minha vocação, vejo o talento de alguém e digo-lhe que é preciso ter coragem para ter talento. Aqui e em qualquer lugar. O talento briga com tudo, arranja inimigos em toda a parte porque tem que expandir a sua diferença onde quer que esteja. É por isso que as homenagens lhe cheiram a esturro. O gozo estético do talento é uma luta de morte com a própria celebridade. Ela parece sempre uma forma de fechar as contas e de partir noutra direcção, que não é a do talento, bem entendido.
As nossas contas ficam em aberto. Mais erradas do que certas. A vida é assim. Nós somos assim. Óscar Lopes e eu e muitos que têm a vocação como virtude curativa.
PSD
Hoje, começamos assim:
Manuela Ferreira Leite apoia Rui Rio para a liderança do
PSD: «tem mais credibilidade do que
Santana Lopes.»
Miguel Relvas, em entrevista à SIC, declarou que vai votar
em Pedro Santana Lopes porque o Partido necessita de «um líder que seja capaz de agregar.»
O miasma-ventura-de-Loures quer impedir que Rui Rio ganhe e «prejudique a
identidade do partido».
INCÊNDIOS
O relatório da Comissão Técnica Independente, que
analisou os incêndios do passado mês de junho, foi entregue na Assembleia da República.
Constança Urbano de Sousa, ministra da Administração
Interna disse, hoje, no Parlamento que não vai pedir a demissão.
Dia 21 haverá um Conselho de Ministros Extraordinário, mas
António Costa já disse:
«Pela parte do
Governo, por respeito pela Assembleia da República, por respeito pelos
profissionais que elaboraram este relatório, mas, sobretudo, por respeito pelas
vítimas e seus familiares, o que nos compete é fazer uma reflexão serena sobre
a informação disponível e as recomendações apresentadas. As responsabilidades
são aquelas que resultam do relatório e assumi-las-emos totalmente.»
Palavras finais do editorial, de hoje, do Diário de Notícias:
«O relatório o que
diz é que falhou quase tudo, até a ajuda dos deuses que provocaram ali
condições climáticas únicas. E diz que um senhor da Proteção Civil mandou suspender
a fita do tempo. Esse terá os dias contados. E o relatório também diz que face
às previsões meteorológicas não foram colocados no terreno os meios possíveis e
necessários».
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quarta-feira, 11 de outubro de 2017
ETECETERA
Carles Puigdemont voltou a declarar o direito da Catalunha à independência sob a forma de república e aprestou-se a dizer que esperaria que o governo de Rajoy entrasse em diálogo para o encontrar de uma solução para a delicada situação, aquilo que se poderá designar como uma intervenção moderada e conciliadora e que causou incómodo nos apoiantes da independência catalã.
Mas Rajoy não é de modo algum a pessoa certa para este
ipo de diálogo e se chegar a um
entendimento daí ter dado cinco dias ao presidente regional catalão, para
clarificar se declarou ou não a independência da Catalunha, tendo declarado que
este é um passo para ativar o mecanismo para aplicar o artigo 155 da
Constituição, que suprime a autonomia de uma comunidade.
O artigo 155 da Constituição espanhola, nunca usado,
prevê a suspensão de uma autonomia e dá ao Governo central poderes para adotar
as medidas necessárias para repor a legalidade.
PSD
Pedro Santana Lopes sempre avançou para a corrida à
liderança do PSD.
O propósito foi, ontem, anunciado num espaço de
comentário que Santana mantém com António Vitorino na SIC notícias, mas sem
adiantar grandes pormenores como slogan, sede, programa, apoios ou o que quer
que seja.
Rui Rio já disse que «o PSD não é, nem nunca será, um
partido de direita. É sim um partido “do centro”, desde o centro-direita ao
centro-esquerda.»
O slogan de Rio:
É hora de agir.
O propósito:
«Para Portugal, hoje é o principio do fim desta coligação
parlamentar que nos governa.»
Confirmando o desapreço que sempre manifestou pela
comunicação, não admitiu perguntas.
António Costa diz que já trabalhou quer com Rui Rio e Pedro Santana
Lopes e disse – agora - que não esperem por qualquer Bloco Central.
OPERAÇÃO MARQUÊS
Ao fim de quatro de investigação, a acusação da Operação
Marquês inclui um pedido de indemnização civil a favor do Estado de 58 milhões
de euros a pagar por José Sócrates, Ricardo Salgado, Carlos Santos Silva,
Armando Vara, Henrique Granadeiro e Zeinal Bava, entre outros arguidos.
Estão acusados 28 arguidos, 19 pessoas e nove empresas,
num total de 188 crimes.
NOVO BANCO
A Comissão Europeia aprovou a venda do Novo Banco ao
fundo Lone Star, a solução que impôs e que o Governo do PS adoptou.
Negócio pode implicar injecções de capital público até aos 3,9 mil milhões
de euros.
Receia-se o pior.
Todos, certamente, nos lembramos que o governo PSD/CDS garantiu
que a operação de resolução não teria custos para os contribuintes, já que
os 3,9 mil milhões de dinheiros públicos entregues através do Fundo de
Resolução seriam recuperados com a venda do Novo Banco.
Receia-se o pior.
Cá estaremos para ver… e pagar!...
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segunda-feira, 9 de outubro de 2017
ETECETERA
Há 50 anos Che Guevara foi assassinado.
«Muitos
consideram-me um aventureiro e na verdade sou-o, mas de um tipo diferente, do
tipo dos que arriscam a pele para provar o que dizem.»
Mário Sacramento no seu Diário:
«Parece que sempre conseguiram matar o Che Guevara, ao
que dizem os jornais. Embora o sinta, não adiro com o mesmo sentimento que tive
e tenho pelo Lumumba. É muito diferente lutar e morrer no seio do próprio povo
ou agir como caixeiro-viajante da aventura revolucionária, no seio de outros. A
dinastia dos Malraux nunca me foi simpática e a realidade confirma que há boas
razões para isso.»
Poema para Che Guevara escrito por Jorge de Sena:
Neste vil mundo que
nos coube em sorte
por culpa dos avós
e de nós mesmos
tão ocupados em
desculpas de salvá-lo,
há uma diferença de
revoluções.
Alguns sofrem do
estômago, escrevem versos,
Outros reúnem-se à
semana discutindo
o evangelho da
semana; outros agitam-se
na paz da
consciência que adquirem
com agitar-se em
benefícios e protestos;
outros param com as
costas na cadeia,
para que haja
protestos. Há também
revoluções, umas a
sério, que se acabam
em compromissos, e
outras a fingir,
que não acabam nem
começam. Mas são raros
os que não morrem
de úlcera ou de pancada a mais,
e contra quem
agências e computadores
se mobilizam de
sabê-los numa selva
tentando que os
campónios se revoltem.
Os campónios não se
revoltam. E eles
São caçados,
fuzilados, retratados
em forma de cadáver
semi-nu,
a quem cortam
depois cabeça, mãos,
ou dedos só (numa
ânsia de castrá-los
mesmo depois de
mortos) e o comércio
transforma-os logo
num cartaz romântico
para quarto de
jovens que ainda sonhem
com rebeldias antes
de se empregarem
no assassinar
pontual da sua humanidade
e da dos outros,
dia a dia, ao mês,
com seguro social e
descontando
para a reforma na
velhice idiota.
Ó mundo pulha e
pilha que de mortos vive!
PSD
Quando for eleito o sucessor, Passos Coelho vai renunciar
ao mandato de deputado.
Rui Rio fará o anúncio da sua candidatura quarta-feira em
Aveiro, não quis que fosse no porto ou em Lisboa.
Pedro Santana Lopes, segundo a SIC, almoçou hoje com
Marcelo Rebelo de Sousa e ainda não parou de ponderar.
Marcelo que amiúde diz não querer meter-se na vida dos
partidos, de que terá falado com Santana? Dos tempos em que este, como
primeiro-ministro, quis pô-lo a andar de comentador da TVI?
Marcelo que, sabe-se, não gosta de Rui Rio nem de
Santana, poderá, apesar de tudo, preferir Santana a Rio?
Fernanda Câncio no Diário
de Notícias, de hoje, lamenta os louvores que por aí circulam dedicados a
Pedro Passos Coelho, terminando o artigo:
«Lamento: não tenho
prazer em zurzir em quem está de saída, mas o que é demais é demais. Há porém
um inestimável serviço ao país pelo qual Passos ficará na história -- uniu a
esquerda. E isso sim, é obra.»
CATALUNHA
Amanhã, provável declaração unilateral de independência
da Catalunha.
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