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sábado, 3 de outubro de 2026

MÚSICA PELA MANHÃ


O escriba solicita uma desculpa, pequenina que seja, por o tempo climático, dado que o Verão ainda não saiu do jardim à beira mar plantado, não lhe estar favorável seja ao que for.

Sempre gostou do Outono, da Primavera, talvez alguns dias de Inverno, mas o resto sempre o deixou com vontade de lagartar.

Deste modo foi buscar um textinho feito há longo tempo, mesmo muito longo tempo:

 
«O poeta polaco Zbigniew Herbert teve o cuidado de dizer a si próprio: «deverás ir tranquilo ao teu próprio funeral.»

Razão suficiente para que, quando a dita lhe bater à porta, deixar recado aos amigos e  familiares:

Embarquem no cacilheiro da rota da Trafaria, onde o Tejo se faz ao mar, a meio caminho, despejem as cinzas, de quem muito gostou de andar por aqui, depois almoço na Antiga Casa Marítima: filetes de tamboril, arroz de feijão, salada, não se esqueçam de pedir para a cozinheira lançar uma boa mão cheia de coentros, vinho da casa.

E não se ponham com veleidades, com mariquices, com isto, com aquilo, porque ele está a espreitar dos bastidores.

Também na morte é importante saber dar uma festa, disse aos netos a rainha-mãe, devoradora de gin-tonic, viciada em corridas de cavalos, que também adorava uma boa cachimbada.

»A história dos homens é desde sempre mistério de vida e de morte. Choramos os nossos mortos e outros chorarão a nossa morte. Assim se faz o nosso caminhar sobre a terra.»

Ficou-lhe gravada uma frase do jornalista Victor da Cunha Rego: «uma pessoa preparar-se para a morte é a grande finalidade da vida.».

Foi em Setembro do ano de 1977, na casa que, então, o pai tinha em Almoçageme, que se lembra de ter pensado, pela primeira vez, no assunto.

Tinha despachado o «Alta Fidelidade» do Nick Hornby, num só fôlego.

Há por lá uma passagem em que Hornby escreve:

«Não há propriamente muitas canções pop acerca da morte: pelo menos canções boas. Talvez seja por isso que eu gosto de muita pop e acho a música clássica um bocado tétrica. Havia aquele instrumental do Elton John, “Song for Guy”, mas não passava de umas marteladas no piano que tanto podiam ser ouvidas no aeroporto como no mosso funeral.

- Vamos lá pessoal, as cinco melhores canções pop sobre a morte.


- Genial – diz o Barry. – Uma lista de Homenagem ao pai da Laura. Fixe. “Leader of the Pack”. O tipo morre a andar de mota. E a seguir temos “Dead Man’s Curve” dos Jan e Dean, e “Terry” da Twinkle… e aquela do Bobby Goldsmoro, “ And Honey, I Miss You”…


- E que tal “Tell Laura I Love Her”? Ia ser um êxito.


Ainda bem que a Laura não está aqui para ver como nos divertimos à custa do pai dela.


- Já resolvi que música vou querer no meu. “One Step Beyond”, dos Madness. “You Can’t Always Get What You Want”.»


À noite, debaixo da parreira de uva americana, ou morangueira, sentindo o aroma, ouvindo o silêncio dos ralos e das cigarras, lembra-se de lhe ter contado o episódio e, ao mesmo tempo, perguntado, que música ele escolheria.

Uma pausa muito grande, e depois a resposta:

O Requiem de Mozart.

Passados meses, pensando que a morte é o único destino que temos assegurado, por mera brincadeira, começou a alinhar uma cassette (os CDs eram, ainda, uma miragem) de músicas e canções para serem ouvidas antes de o fogo o devorar.

Ainda nem sequer tinha chegado ao princípio dos princípios e desistiu.

Os amigos não mereciam tal castigo.

Mas algum toque teria que existir.

Foi quando concluiu que bastava uma única canção: «Bye, Bye Love», na versão de Simon and Garfunkel, «bye, bye love, bye, bye happiness.»

Esperança para o futuro: a de aprender a morte serena, a que contemplava a luz no musgo daquela parede da casa de Almoçageme, a parede junto ao celeiro, onde o Marcolino guardava as maçãs reinetas, as batatas, as cebolas, as enxadas, o aroma das uvas americanas, ou morangueiras, o silêncio dos ralos e das cigarras.

Nunca aprendemos tudo sobre despedidas e o grande problema é que o tal dia, dura uma eternidade.

Entrada para uma solicitação do poeta José Gomes Ferreira:

«Enterrem também comigo na cova,
Graças a um novo invento de gravação magnética nas pedras
Música de Bach e de Mozart
É o único ar
Que os mortos podem enigmaticamente respirar»


Outras versões de Bye, Bye, Love:




domingo, 27 de setembro de 2026

MÚSICA PELA MANHÃ

E continuamos com a minha selecção de canções de domingo.

Estre disco da Elsa Quarta foi comprado e, 23 de Julho de 1966

Por mera curiosidade copio um pormenor da contra capa.


Colaboração de Aida Santos.





sábado, 26 de setembro de 2026

MÚSICA PELA MANHÃ


O rapaz extraordinário chamado Jorge Palma deixou-nos.

Não há muitos, quase nenhuns, como ele.

Marcou um tempo, o nosso tempo.

Já não vai andar por aí mas ficam os concertos, os poemas, as músicas e é isso que não podemos esquecer!





domingo, 20 de setembro de 2026

MÚSICA PELA MANHÃ


 Domingo, e eu às voltas com as canções para a manhã de hoje.

Capa de um velho disco comprado na Grande Feira do Disco na Rua do Forno do Tijolo no dia 10 de Setembro de 1966. Olha como o tempo passa!...

Quando os Festivais de Canções eram uma outra coisa…

E o resto são outras velhinhas canções.




sábado, 19 de setembro de 2026

MÚSICA PELA MANHÃ


Segundo Luís Pinheiro de Almeida, na sua Biografia do Ié-Ié, Daniel Bacelar foi pioneiro do rock português, o primeiro a gravar um disco de rock, indefectível fã de Richy Nelson, consideravam-no o «Ricky Nelson português», nasceu a 26 de Maio de 1943 e faleceu a 29 de Setembro de 2017, com 74 anos.

Colaborou com vários conjuntos portugueses de então, e no dia 1 de Agosto de 2009, Rita Redshoes convidou Daniel Bacelar para partilhara consigo o palco do Festival dos Oceanos que se realizou nos jardins da Torre de Belém, em Lisboa. Foi um verdadeiro espectáculo de rock, estávamos lá, mas nos últimos tempos o Daniel apenas cantava para amigos mas escusava-se sempre a interpretar Marcianita, bem como os seus temas em português que são pioneiros do rock nacional.

Após a sua morte, João Rato editou, para os amigos do Ié-Ié, um disco com 18 versões de Marcianita, obviamente com a versão do Daniel Bacelar.

Daniel Bacelar deixou-nos há 9 anos.

Lembramo-lo agora.




domingo, 13 de setembro de 2026

MÚSICA PELA MANHÃ


 Há vozes quase únicas. António dos Santos é uma dessas vozes.

Vamos, hoje, recordá-lo.

Colaboração de Aida Santos.





domingo, 6 de setembro de 2026

MÚSICA PELA MANHÃ


 O disco escolhido para a Música Pela Manhã deste domingo recaíu sobre Herbert Pagani, concerto no Bobino


LADO 1

Le Show Biznesse –Leçond de Peinture – Le Train de L’Espoir – Gracias A La Vida /(Merci L’Existence) – Serenade – La Cuisine, Le Menage Et L’Amour

LADO 2

Monologue de la Solitude – Berger d’Artiste – Messieurs Les Presidents – L’Étoile D’Or – L’Amitie – Le Reseau

Sammy considera-o um disco fascinante.

Eu também.

"Pagani A Bobino" é o registo ao vivo de um espectáculo realizado em Paris e que Herbert Pagani repetiu em diversas cidades, Lisboa incluída, em Abril de 1980

Vítima de uma leucemia galopante, Herbert Pagani morreu a 16 de Agosto de 1988. Tinha 44 anos.


«Pelos pequenos regatos, cobertos de espuma branca, pelos pequenos peixes, que nascem já cosidos, pelas florestas que os nossos jornais cortam em tiras, pelo passarinho, que em vão procura o seu ninho e pelos nossos telefones, sempre com três na Lina, nós dois e depois um chui com os seus auscultadores, e a nossa vida vivida que é posta de castigo dentro das tripas de aço dos vossos ordenadores e por essas cruzes gamadas, surgidas dos anos 30 que se vêem sobre os anúncios nos quiosques e nas estações, e por tudo o que faz um certo grupo que tenta fazer pender à direita as jovens gerações, por esses putos que lançam granadas, pelos que financiaram os seus campos de treino antes de os terem visto a fazer footing nos estádios, dizemos-vos:
Bravo, senhores presidentes».


sábado, 5 de setembro de 2026

MÚSICA PELA MANHÃ



Dolly Parton morreu no dia 28 de Agosto após uma breve batalha contra um cancro. Tinha 80 anos.

David Pontes, no editorial do Público, deixou bem vincado:

 «O mundo era melhor com Dolly Parton».


“Gigante” foi como o Libération titulou a figura de Dolly Parton, sobre uma fotografia que ocupava toda a primeira página deste diário conotado com a esquerda, dois dias depois do óbito. Evidentemente, o jornal inclinava-se perante o enorme talento da cantora e compositora country, mas há muito mais para além da música que justifica as homenagens de gente que, tradicionalmente, não pertenceria à sua tribo de fãs.

Aquela que ganhou a alcunha de “Santa Dolly” praticava de forma radical qualidades que são hoje muito raras, e fazia-o de uma forma que, no ambiente que vivemos hoje, é quase revolucionária. Num espectáculo de Dolly, como em todas as suas posições públicas, eram tão bem-vindos os sulistas “deploráveis” (na infeliz expressão de Hillary Clinton) como as “drag queens” e, quando ela partiu, ambos os lados do espectro sentiram a perda.

Não era só inclusão que Dolly professava. Numa altura em que todos se sentem impelidos a pertencer a algum clube ideológico e a cavar trincheiras, ela seguia o mais rigoroso apartidarismo. No seu primeiro mandato, por duas vezes Trump tentou homenageá-la com a Medalha da Liberdade, e uma vez, por causa da covid, e outra, por o marido estar doente, ela não pôde aceitar. Quando, de seguida, Biden tentou fazer o mesmo, também não aceitou, porque pressentiu que, “se agora aceitasse, estaria a fazer política”.

Mas não fazer política não significa não ter princípios e a cantora tinha-os bem vincados e nunca se importou de ser usada como bandeira de alguns deles: dos direitos das mulheres, das pessoas LGBT+ e de outras comunidades marginalizadas, da educação e da leitura, nomeadamente através do seu notável programa Imagination Library, que distribuiu mais de 300 milhões de livros a crianças. A filantropia, vinda de quem nasceu de uma família muito pobre, estendeu-se a muitas áreas e uma das mais surpreendentes é talvez a da ciência. Propagandista da vacinação, temos de lhe agradecer o seu contributo para ter surgido tão rápido uma vacina para a covid-19, já que doou um milhão de dólares, em 2020, utilizados nos primeiros passos de investigação da Moderna.

Há ainda uma outra característica notável de Dolly Parton. As suas origens, o seu aspecto físico, a sua forma de vestir, a acentuada pronúncia que nunca abandonou despertavam a sobranceria classista e quase insultuosa de muitos entrevistadores. Sem nunca deixar de afirmar o que era e aquilo em que acreditava, a todos ela conseguia responder com candura, com empatia e com simpatia. Tudo qualidades de que o mundo anda tão falho.»

Quando deixei de poder vestir o meu velho casaco de lã, lembrei-me da canção de Dolly Parton:

 

ADEUS POR UM CASACO

 

«É tempo de dizer, agora que o Verão chegou e está um calor de ananases, que o meu velho casaco de lã, fez o seu último Inverno.

Pela Primavera agora finda, ainda o vesti porque o sol andou por ela dentro com uns farrapos meio parvos e à noite apetecia uma lãzinha.

Comprei-o na primeira Festa do Avante realizada, em 1990, na Quinta da Atalaia, no pavilhão de Vila do Conde e sempre me cheirou a mar.

Quando senti que andava a dar as últimas, tentei, por diversas vezes, encontrar um outro semelhante, mas nunca consegui.

Olhava-os mas sentia logo que não correspondiam à imagem e cheiro do meu velho casaco.

Nos últimos invernos, a Clementina, minha sogra, foi-o gatando com uns pedaços de lã e linha, disfarçava, mas não vai dar mais.

A minha neta Maria, já no passado ano, dissera: o avô anda tão mal vestido.

Tentei explicar-lhe que me sentia maravilhosamente bem dentro daquele casaco mas ela mandou-me um tá bem abelha!

O próximo Inverno já não me encontrará com ele vestido.

Não sou de lágrima fácil, mas senti necessidade de lhe deixar, como profundo agradecimento, um adeus e acrescentar-lhe esta velha canção da Dolly Parton.

Também a esperança que um dia encontre um substituto à altura do seu conforto.

Pelo andar da carruagem, débil esperança…

Ou por outra: resta-me a desesperança de não mais entrar num casaco assim.»


 

domingo, 23 de agosto de 2026

MÚSICA PELA MANHÃ


Agosto a terminar, o Outono a bater à porta, e por Agosto, vou buscar um lindíssimo poema de José Carlos Ary dos Santos, cantado por Simone de Oliveira num Festival da Eurovisão, que melhor sorte não teve por ao tempo a ditadura de Salazar imperar e as democracias europeias vincavam, não votando em Portugal, esse pormenor.   

O que mais me entusiasma na canção é quando se canta que por Agosto «quem faz um filho fá-lo por gosto».

A canção chegou a ter Madalena Iglésias como indicada para intérprete, mas só aceitaria

se retirassem «Quem faz um filho fá-lo por gosto»

Claro que Ary dos Santos mandou-a dar uma volta ao bilhar grande!

Colaboração de Aida Santos.

sábado, 22 de agosto de 2026

MÚSICA PELA MANHÃ

Jane Birkin morreu em Paris no dia 16 de Julho de 2023.

Em 1965 o compositor John Barry, seu primeiro marido, convenceu Birkin a despir-se numa cena do filme Blow-Up de Michelangelo Antonioni. A imprensa inglesa ficou de olhos em bico. Divorcia-se de Barry, zarpa para Paris e envolve-se com Serge Gainsbourg, não tardando muito que apareça a cantar «Je t’aime… moi non plus. A canção de Serge escrevera-a para Brigitte Bardot, tiveram um leve caso amoroso, que a gravou. Mas Brigitte era casada com o milionário Gunter Sachs que terminantemente proibiu a divulgação.

Jane Birkin cai como sopa no mel e grava, com assinalável êxito o dueto.

O Vaticano condenou a canção, em Portugal esteve proibidíssima.

A canção não faz parte dos gostos da casa, mas se pedirem que emita uma opinião, dirá que gosta mais da versão de Jane Birkin.


domingo, 16 de agosto de 2026

MÚSICA PELA MANHÃ



Hoje, retiro da prateleira da Biblioteca/Discoteca da Casa um velho disco do Charles Dumont, quando se ouviam canções francesas…

Colaboração de Aida Santos




sábado, 15 de agosto de 2026

MÚSICA PELA MANHÃ


Ainda por Agosto fazemos uma outra visita aos Clássicos do Meu Pai que, diga-se não constavam apenas de Música Clássica, também algumas canções ligeiras de que muito gostava, como é o caso de Release me e a versão de que mais gostava era do velho Dino.

Recordemos:

«Sempre gostei de Dean Martin, o velho Dino, mesmo quando fazia de canastrão nos filmes com o Jerry Lewis.

Terei comprado este “EP” por volta de 1968.

Para além de “Chapel In The Moonlight, Little Ole Wine Drinker, Me, The Green, Green Grass of Home”, tem “Release Me”.

O meu pai adorava esta canção.

 Não há vez alguma que a Aida a ouça, que de imediato não se lembre do meu pai.

Era um excelente contador de histórias e, nas sessões de audição de música, dita ligeira, aproveitava para as contar.

Umas verídicas, outras imaginadas, outras, enfim, não se sabe bem como.

Esta é uma dessas histórias:

O velho morrera.

A família reunida na biblioteca, ouviu o advogado enumerar a relação dos bens legados.

À medida que a leitura avançava a boca dos familiares ia tomando a aforma e o tamanho de um enorme “Ah!”

-  papel e canetas para os que nunca lhe escreveram;

- tesouras de poda e mangueiras de rega para os que sempre desprezaram as suas rosas e   

  orquídeas;

- fósforos, cinzeiros e caixas de charutos para os que se irritavam e ficavam agoniados

  cada vez que puxava de um dos seus esplêndidos “Cohiba”;

 - o resto, que era tudo, para a governanta que lhe servia conhaque nas noites de Inverno.»






domingo, 9 de agosto de 2026

MÚSICA PELA MANHÃ


Deram-me a possibilidade de ficar com as músicas das manhãs de domingo, e não hesitei.

Hoje, fui buscar um EP de Mário Lanza, de que gosto muito.

Colaboração de Aida Santos.






sábado, 8 de agosto de 2026

MÚSICA PELA MANHÃ


Volta e meia, daremos uma saltada aos Clássicos do Meu Pai.

Hoje, ficamos com Elgar.

«Ao longo dos tempos, o meu pai foi um atento espectador das transmissões televisivas dos “Concertos para Jovens” de Leonard Bernstein, dos “Concertos Promenade”, dos “Concertos de Ano Novo.”

Dos “Concertos Promenade” gostava particularmente da última noite, onde infalivelmente, aparecem a "Marcha de Pompa e Circunstância" de Elgar, o “Rule, Britannia”, e “Jerusalem", com toda a sala a cantar em coro. Nunca conseguiu encontrar um disco, ao vivo, de uma das últimas noites dos Proms, mas ouvia, com regularidade, a “Marcha de Pompa e Circunstância”. 

Lembro-me do dia em que  telefonou a dizer que comprara o disco na “Discoteca Melodia” e que isso merecia uma garrafinha.

Comovia-se com os “Concertos de Ano Novo”, principalmente quando o maestro se dirigia ao público, na Grande Sala do Musikverein cheia de glamour e flores, e aos milhões de espectadores espalhados pelo Mundo, gritava o seu “Prosit Neujahr”, a habitual saudação de Ano Novo.

E nos anos em que, juntamente com o meu pai, vi o concerto, lá estava ele a informar que os bilhetes para o concerto do ano seguinte esgotavam logo nos primeiros dias de Janeiro.

Curiosamente, na entrevista que, em finais de Outubro, António Lobo Antunes concedeu a Ricardo Araújo Pereira, e publicada pela “Visão”, ele diz:

“Eu vejo sempre o concerto de Ano Novo, com música do Strauss, e comovo-me ate às lágrimas.”».

domingo, 2 de agosto de 2026

MÚSICA PELA MANHÃ


Hoje, visitamos Paul Anka.

O velhíssimo EP, que ainda aqui anda pela casa, juntamente com outros sucessos de Paul, foi comprado em 1 de Fevereiro de 1960.

Colaboração de Aida Santos



sábado, 1 de agosto de 2026

MÚSICA

Houve tempos em que chegados a estes dias íamos buscar esta canção do Dino Meira.

Agora que tanto se diz mal dos trabalhadores migrantes de que necessitamos para os trabalhos duros, que ninguém quer fazer, lembramos os que emigrantes domos nos anos 50/60.

Colaboração de Aida Santos



domingo, 26 de julho de 2026

MÚSICA PELA MANHÃ

 Os Abba.

Amados e odiados, marcaram um tempo.

Colaboração de Aida Santos.




sábado, 25 de julho de 2026

MÚSICA PELA MANHÃ


 

Luís Represas: a voz dos Trovante.

Um tempo e uma voz que partem.

O caminhar dos dias.

Lembrar o 1º LP, ouvido, quase religiosamente.

Lembrar, não esquecer, é o que nos resta.





domingo, 19 de julho de 2026

MÚSICA PELA MANHÃ


 Desafiaram-me para ficar com as músicas de domingo e, como muito gosto, aceitei.

Por aqui, irei fazer passar as canções, principalmente as dos anos 60, que marcaram a minha vida. Quase todas já nada dirão à maior parte dos leitores do Cais, mas talvez seja bom ficarem a saber como tudo se passou.

Esta é a capa do 1º LP que comprei, 20 de Julho de 1966.Marco histórico.
Este foi o primeiro LP que comprei. Já tinha dois ou três EPs do Adamo mas este ao vivo no Olimpia, era o máximo.
É assim que (re)começamos.

Bom domingo.





Colaboração de Aida Santos.

sábado, 18 de julho de 2026

MÚSICA PELA MANHÃ

Há dias, para o Mundial de Futebol, a Argentina jogou coma Inglaterra e, epicamente, ganhou.

AntónioRodrigues, no Público de ontem, lembra uma canção dramática de Fito Paez. Aproveitamos tudo isso, e essa será a nossa música pela manhã de hoje.

«A canção estende-se por 11 minutos e 28 segundos de uma ambiciosa tentativa de traçar um retrato das sombras traumáticas com que se fazia a Argentina depois de uma década de neocapitalismo selvagem que se tinha seguido a décadas de violência, com ditaduras e guerrilha e milhares de desaparecidos muito presentes no quotidiano.

La Casa Desaparecida, incluído por Fito Paez no seu álbum Abre, de 1999, é, como o próprio afirmou, uma “canção incómoda”. Levou-lhe 37 anos a escrever, porque tinha 37 anos quando a escreveu, mas tardou-lhe apenas uma hora a compor, porque “a tinha guardada em algum canto, em alguma gaveta”.

É um rio caudaloso de palavras que começa, precisamente, no desastre das Malvinas, com um veterano carregado de medalhas que perdeu as pernas na guerra de 1982 e que ainda hoje, tergiversado pelo alcoolismo (o “
malvino”, num tão acertado trocadilho que se perde na tradução para o português mau vinho) deixa o refrão e o mote: “Argentinos, argentinos/ que destino, meu amigo, argentinos,/ ninguém sabe responder.”

Em 2014, Paez voltaria a falar das Malvinas noutro tema,
La canción del soldado y Rosita Pazos
, para a qual gravou um vídeo vestido de militar, sozinho combatendo os seus demónios num local inóspito. Rosita está apaixonada por ele e quer “mudar o seu mundo”, mas “o que o seu amor não conhecia/ é que a guerra nos assassina/ não sinto amor, não sinto nada”.

Como escreveu no Instagram o treinador e veterano da guerra Omar De Felippe, junto à foto dos jogadores argentinos no relvado com a faixa sobre as Malvinas, “o desporto nunca muda a história, mas às vezes ajuda a curar emoções que continuam muito vivas”. Como as canções: há vídeos nas redes sociais que assinalam a vitória da Argentina com a banda sonora de Otoño del 82  dos Airbag, que também fala das Malvinas: “Ninguém me irá devolver a minha recordação perdida.”»

Legenda: Em plena euforia da seleção da Argentina, surgiu uma tarja com uma referência à ferida aberta entre os dois países, a guerra das Malvinas (ou Falklands, em inglês), que opôs as duas nações em 1982, e que terminou com o triunfo britânico. Ainda se desconhece o castigo que a FIFA irá aplicar aos argentinos.