O Sol, no dia
em que, por breves instantes, a Lua o escondeu, deixou-nos às 20h34m.
Legenda: fotografia tirada do sítio do costume.
O Sol, no dia
em que, por breves instantes, a Lua o escondeu, deixou-nos às 20h34m.
Legenda: fotografia tirada do sítio do costume.
Colocar o
isco no anzol, lançar a linha e ficar à espera, olhando o horizonte, há-de
sentir um puxão na cana, e talvez aconteça peixe.
Por vezes
arriscam mais um passo e a tragédia acontece.
Pierre Kyria
em A Morte Branca
Legenda: fotografia de Daniel Blaufuks
Mário Castrim: o mais brilhante crítico de televisão deste país.
Ainda morava na Rua dos Lusíadas, quase frente à estação da Carris, trabalhava noite dentro, deixava a crítica no puxador da porta, ao lado da saquinha do pão, e era ali que o motorista do Diário de Lisboa a ia buscar, às 7 da manhã.
As
suas críticas eram também verdadeiros poemas, ou histórias de encantar.
É o
caso deste olhar sobre um documentário sobre antílopes.
Há
uns anos, assistimos à quase loucura, de pais natal de plástico a
treparem janelas e varandas.
Generalizaram-se
e constituíram um belo negócio para os chineses.
Por
cansaço, o que quer que seja, já quase desapareceram.
Depois
apareceu uma ideia, importada de Espanha, estandartes de pano vermelho com um
Menino Jesus desenhado, objectivo maior para devolver, aos católicos, o
verdadeiro espírito natalício combate árduo contra o pagão e barbudo Pai Natal
que tem a péssima mania, de, por outros vícios, publicitar a Coca-Cola.
A
Igreja Católica despertava para uma realidade que lhe passou ao lado, como,
aliás, quase tudo o que vai acontecendo no mundo novo. Desesperadamente,
tentaram combater as renas, os trenós, um certo paganismo, dizem, que se
apropriou do Natal. E tentaram recuperar os símbolos cristãos do espírito
natalício.
Não
chegaram a tempo.
Um
breve passeio pelas ruas do bairro, e o bairro é grandinho, deu para encontrar um único desses
católicos panos de menino exposto e que se vê no topo do texto.
Sim, o Pai Natal é de um outro campeonato!
Chegando
Novembro, são eles que dão o primeiro toque de que o Natal vem aí.
Colaboração de Aida Santos.
Até
dia 31 de Janeiro está patente na Lisboa Social Mitra, ao Beato, a
exposição “Francisco Sá Carneiro e a Construção da Democracia Portuguesa”,
organizada pela Associação Cultural Ephemera, com curadoria e textos de José
Pacheco Pereira.
Grosso
modo a Social-Democracia surgiu na classe operária no último terço do século
XIX com o objectivo de chegar ao socialismo, na luta pela melhoria das suas
condições de vida mas aos poucos forram-se tornando gestores dos interesses dos
monopólios.
José
Pacheco Pereira é de opinião que o PSD de Montenegro, o PSD dos últimos largos
anos, não tem nada a ver com o partido criado por Sá Carneiro, Francisco
Balsemão e Magalhães Mota, que nunca o consideraram um partido de direita,
antes um parido de centro esquerda.
Através
da Exposição pode ver-se o caminho de Sá Carneiro antes do 25 de
Abril e durante o PREC, como diversos documentos do espólio pessoal de Sá
Carneiro guardado pela sua secretária pessoal, Conceição Monteiro.
Como
conta José Pacheco Pereira:
«Em
2009, fui contactado por Conceição Monteiro que me perguntou “se eu queria uns
papéis de Sá Carneiro”. Disse logo que sim, convencido que era uma pasta ou
duas. Quando fui pela primeira vez a casa onde se encontrava o Espólio
verifiquei que era o seu arquivo pessoal contendo documentos fundamentais sobre
a história da democracia portuguesa, do PSD, e dos governos da AD, centrados na
figura de Francisco Sá Carneiro, desde a década de 70, ainda em ditadura, até à
sua morte em 1980.»
O
cartaz que acima se vê, está numa das paredes da Exposição e mostra o que os
seus fundadores entendiam do então PPD:
O
PPD NÃO É UM PARIDO MARXISTA
O
PPD NÃO È UM PARTIDO REVOLUCIONÁRIO
O
PPD É UM PARTIDO DE CENTRO ESQUERDA
O que nos coloca muito longe do que é o agora o PSD comandado por Luís Montenegro e seus rapazes, com um Pedro Passos Coelho, na sombra de uma esquina, a aguardar o tempo exacto de entrar em cena.
Apontara
no caderninho que o pôr-do-sol ocorreria às 18,36 horas, o último deste Verão
que agora se despede.
Mas
atrasou-se, e quando deu por isso, já o rapaz ia em outras paragens.
Apenas
apanhou os brilhos que deixou, o relógio marcava 18,41 horas.
A
falta que o vizinho do 4º andar lhe faz!...
Ele
não teria falhado…
Todos
os anos, pelos Santos Populares, compro um manjerico.
Uns
não passam de Junho, outros vão mais além.
Ester
comprei-o no Pingo Doce.
Chegados
aqui, ainda é manjerico.
Colaboração de Aida Santos
Lembrei-me
que no dia 16 de Abril de 2016 aqui se publicou, em Olhares, um texto
sobre a «Sinfonia»,e que poderia entrar em Reolhares, a secção
que, a propósito dos 15 anos deste blogue, reúne velhos textos:
«Qualquer loja de electrodomésticos, fosse na Baixa, fosse nos Bairros Populares, vendia discos.
Lembro-me de ter comprado o single do Volare, cantado pelo Domenico Modugno, numa dessas lojas.
Concretamente na Rua Passos Manuel, logo-no-início-lado-esquerdo, de quem caminha para o Jardim Constantino.
Há muito que deixou de existir.
Faltava larguíssimo tempo para as cassettes, Cds e similares, fazerem a sua aparição.
Esta é a Discoteca, Papelaria, Livraria Sinfonia.
Sita na Avenida de Roma nº 44-A
Uma razoável quantidade dos meus vinis, comprei-os aqui.
Também alguns livros fora do mercado, talvez por a Pide pensar – eles pensavam?! – que daquela lojeca não vinha mal ao mundo.
Ainda está de portas abertas.
Não sei por quanto mais tempo, mas é agradável constatar que ainda não fechou.
Aos livros e aos discos, juntaram CDs, DVDs e uma parafernália de objectos a atirar para loja-de-chineses.
Sempre que por ali passo, entro e não deixo nunca de comprar o que quer que seja.
Uma pequena ajuda para manter a Sinfonia de portas abertas.
Andamos sempre com pedaços avulsos de melancolia nos bolsos.»
Há Bar e Bar, há ir e voltar, desfazendo um slogan publicitário inventado pelo O ‘ Neill que dizia que Há mar e mar, há ir e voltar.
Cais do Sodré.
Conta Dinis Machado, em Reduto Quase Final que era a ali, junto ao relógio,
que a malta miúda, vinda de diversas ruas do Bairro Alto, se encontrava para, nos
domingos, todos juntos, irem para a praia.
“A propósito: quem é que tem a bola? Estive a ver as marés, temos terreno
duro no domingo, na praia, da parte da manhã. Podemos estar a dar uns toques
umas seis horas seguidas, mas é preciso apanhar o barco aí pelas oito horas. E
com isto fecho a secção de informações. Quem é que tem a bola? Quem é que a
levou para casa no domingo”.
Tinham nomes os barcos: “Zagaia”, “Flecha”, “Norte Expresso”. Travessia Cais do
Sodré-Trafaria-Cova do Vapor. Aqui uma ponte de madeira desde o desembarque até
à praia.
Mas os barcos no Cais do Sodré funcionavam apenas no Verão. Durante todo o ano,
eram os barcos da empresa Damásio Vasques & Santos, Lda que faziam a
travessia Belém-Trafaria. Também tinham nomes esses barcos: o “Alcântara”, o
“Trafaria Praia”, o “Sempre Fixe”, outros que agora já não lembra.
A propósito quem é que tem a bola?
«Meus
senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os Estados
Sociais, os Estados Corporativos e o estado a que isto chegou. Ora, nesta noite
solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser
vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem não quiser sair, fica
aqui!».
Salgueiro Maia, palavras ditas aos militares, na noite de 24 de Abril de 1974, que, desde a parada da Escola Prática de Artilharia, iam, com destino a Lisboa, para derrubar a ditadura.
Nada se passa por detrás das janelas desde que
deixámos de estar por detrás delas.
Palavras
encontradas em Diz-lhe Que Estás Ocupado de Alexandre O’Neill
Legenda: Não foi
possível encontrar o autor/origem da imagem
«A novidade e a sofisticação que o novo cinema trazia,
e de que os relatos aparecidos na imprensa da época dão conta, associou-se
porém aos seus promotores ingleses. No dia da sua inauguração em 23 de
Fevereiro de 1950, tocou-se o Hino
de S. Jorge, em homenagem ao patrono que dera o nome ao patrono que dera o
nome ao edifício, ouviu-se A Portuguesa mas foi o God Save the King que
assinalou o ponto alto da cerimónia, contribuindo para reforçar aquela
convicção. O programa continuava, de resto, com um filme de actualidades
inglesas, ao qual se seguiram desenhos animados e um concerto de órgão dado por
Geral Shaw, um música da BBC que viera propositadamente para o evento e que por
cá permaneceu algum tempo. Entretanto mostrava-se o filme Os Sapatos Vermelhos
(1948), realizado pela dupla Michael Power e Emeric Pressburguer, que se
baseava num conto de Hans Christian Andersen, tendo por tema o ballet, conferia
um valor acrescentado ao ambiente da sala.»
Margarida Acciaiuoli em Os Cinemas de Lisboa
«…penso que a melhor fotografia de guerra que alguma
vez se tirou e mostra apenas um soldado a beber de um canil. A banalização do
horror horroriza-me.
Alexandre O’ Neill em Diz-lhe Que Estás Ocupado
Legenda: fotografia de Eugene Smith
O caminho da montanha, tal como o da vida, não se reconhece com as
pernas, mas com o coração.
Ati Quigua (líder Aruaca)