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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

OLHARES


O Sol, no dia em que, por breves instantes, a Lua o escondeu, deixou-nos às 20h34m.

Legenda: fotografia tirada do sítio do costume. 

domingo, 2 de agosto de 2026

OLHARES


O fascínio de ver alguém a pescar na manhã de domingo.

Colocar o isco no anzol, lançar a linha e ficar à espera, olhando o horizonte, há-de sentir um puxão na cana, e talvez aconteça peixe.

Por vezes arriscam mais um passo e a tragédia acontece.

terça-feira, 28 de julho de 2026

OLHARES


O ar estava quente, mas uma aragem vinha do mar, de vez em quando, trazer um pouco de fresco àqueles, poucos, que ainda passeavam depois da meia noite. Lisboa meio apagada, estava já a mergulhar no seu habitual torpor provinciano. Não era a capital dos grandes desfiles nocturnos. Deitavam-se cedo nos bairros pobres, faziam serão em casa, nos bairros ricos e era dia da semana. Decidi voltar apé, ao longo do Tejo.

Pierre Kyria em A Morte Branca

Legenda: fotografia de Daniel Blaufuks

domingo, 14 de junho de 2026

OLHARES

Mário Castrim: o mais brilhante crítico de televisão deste país.

Ainda morava na Rua dos Lusíadas, quase frente à estação da Carris, trabalhava noite dentro, deixava a crítica no puxador da porta, ao lado da saquinha do pão, e era ali que o motorista do Diário de Lisboa a ia buscar, às 7 da manhã.

As suas críticas eram também verdadeiros poemas, ou histórias de encantar.

É o caso deste olhar sobre um documentário sobre antílopes.




sábado, 27 de dezembro de 2025

OLHARES

Há uns anos, assistimos  à quase loucura, de pais natal de plástico a treparem janelas e varandas.

Generalizaram-se e constituíram um belo negócio para os chineses.

Por cansaço, o que quer que seja, já quase desapareceram.

Depois apareceu uma ideia, importada de Espanha, estandartes de pano vermelho com um Menino Jesus desenhado, objectivo maior para devolver, aos católicos, o verdadeiro espírito natalício combate árduo contra o pagão e barbudo Pai Natal que tem a péssima mania, de, por outros vícios, publicitar a Coca-Cola.

A Igreja Católica despertava para uma realidade que lhe passou ao lado, como, aliás, quase tudo o que vai acontecendo no mundo novo. Desesperadamente, tentaram combater as renas, os trenós, um certo paganismo, dizem, que se apropriou do Natal. E tentaram recuperar os símbolos cristãos do espírito natalício.

Não chegaram a tempo.

Um breve passeio pelas ruas do bairro, e o bairro é grandinho, deu para encontrar um único desses católicos panos de menino exposto e que se vê no topo do texto.

Sim, o Pai Natal é de um outro campeonato!

terça-feira, 25 de novembro de 2025

OLHARES


 


Sophia Loren, numa fotografia de Agnés Varda, aparece, em parte, no anúncio do sabonete Lux.

A outra imagem mostra Elizabeth Taylor a dizer que também usa Lux.

domingo, 23 de novembro de 2025

OLHARES


Uma outra embalagem do Feno de Portugal, talvez do ano de 2010 ou anterior.

terça-feira, 18 de novembro de 2025

OLHARES


 

Chegando Novembro, são eles que dão o primeiro toque de que o Natal vem aí.

Colaboração de Aida Santos.

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

OLHARES


Até dia 31 de Janeiro está patente na Lisboa Social Mitra, ao Beato, a exposição “Francisco Sá Carneiro e a Construção da Democracia Portuguesa”, organizada pela Associação Cultural Ephemera, com curadoria e textos de José Pacheco Pereira.

 Grosso modo a Social-Democracia surgiu na classe operária no último terço do século XIX com o objectivo de chegar ao socialismo, na luta pela melhoria das suas condições de vida mas aos poucos forram-se tornando gestores dos interesses dos monopólios.

José Pacheco Pereira é de opinião que o PSD de Montenegro, o PSD dos últimos largos anos, não tem nada a ver com o partido criado por Sá Carneiro, Francisco Balsemão e Magalhães Mota, que nunca o consideraram um partido de direita, antes um parido de centro esquerda.

Através da Exposição pode ver-se o caminho de Sá Carneiro  antes do 25 de Abril e durante o PREC, como diversos documentos do espólio pessoal de Sá Carneiro guardado pela sua secretária pessoal, Conceição Monteiro.

Como conta José Pacheco Pereira:

«Em 2009, fui contactado por Conceição Monteiro que me perguntou “se eu queria uns papéis de Sá Carneiro”. Disse logo que sim, convencido que era uma pasta ou duas. Quando fui pela primeira vez a casa onde se encontrava o Espólio verifiquei que era o seu arquivo pessoal contendo documentos fundamentais sobre a história da democracia portuguesa, do PSD, e dos governos da AD, centrados na figura de Francisco Sá Carneiro, desde a década de 70, ainda em ditadura, até à sua morte em 1980.»

O cartaz que acima se vê, está numa das paredes da Exposição e mostra o que os seus fundadores entendiam do então PPD:

O PPD NÃO É UM PARIDO MARXISTA

O PPD NÃO È UM PARTIDO REVOLUCIONÁRIO

O PPD É UM PARTIDO DE CENTRO ESQUERDA 

O que nos coloca muito longe do que é o agora o PSD comandado por Luís Montenegro e seus rapazes, com um Pedro Passos Coelho, na sombra de uma esquina, a aguardar o tempo exacto de entrar em cena.

domingo, 21 de setembro de 2025

OLHARES

Apontara no caderninho que o pôr-do-sol ocorreria às 18,36 horas, o último deste Verão que agora se despede.

Mas atrasou-se, e quando deu por isso, já o rapaz ia em outras paragens.

Apenas apanhou os brilhos que deixou, o relógio marcava 18,41 horas.

A falta que o vizinho do 4º andar lhe faz!...

Ele não teria falhado…


terça-feira, 9 de setembro de 2025

OLHARES


 Fotografia de Aida Santos.

sábado, 6 de setembro de 2025

OLHARES


Todos os anos, pelos Santos Populares, compro um manjerico.

Uns não passam de Junho, outros vão mais além.

Ester comprei-o no Pingo Doce.

Chegados aqui, ainda é manjerico.


Colaboração de Aida Santos 

domingo, 16 de março de 2025

REOLHARES


Curiosamente, ao pegar em No Antigamente na Vida de José Luandino Vieira, verifiquei que foi comprado, por oitenta escudos (ao câmbio dos dias de hoje 40 cêntimos), na Papelaria, Discoteca, Livraria «Sinfonia» sita, ainda nos dias que correm na Avenida de Roma nº 44-A.

Lembrei-me que no dia 16 de Abril de 2016 aqui se publicou, em Olhares, um texto sobre a «Sinfonia»,e que poderia entrar em Reolhares, a secção que, a propósito dos 15 anos deste blogue, reúne velhos textos:

«Qualquer loja de electrodomésticos, fosse na Baixa, fosse nos Bairros Populares, vendia discos.

Lembro-me de ter comprado o single do Volare, cantado pelo Domenico Modugno, numa dessas lojas. 

Concretamente na Rua Passos Manuel, logo-no-início-lado-esquerdo, de quem caminha para o Jardim Constantino.

Há muito que deixou de existir.

Faltava larguíssimo tempo para as cassettes, Cds e similares, fazerem a sua aparição.

Esta é a Discoteca, Papelaria, Livraria Sinfonia.

Sita na Avenida de Roma nº 44-A

Uma razoável quantidade dos meus vinis, comprei-os aqui.

Também alguns livros fora do mercado, talvez por a Pide pensar – eles pensavam?! – que daquela lojeca não vinha mal ao mundo.

Ainda está de portas abertas.

Não sei por quanto mais tempo, mas é agradável constatar que ainda não fechou.

Aos livros e aos discos, juntaram CDs, DVDs e uma parafernália de objectos a atirar para loja-de-chineses.

Sempre que por ali passo, entro e não deixo nunca de comprar o que quer que seja.

Uma pequena ajuda para manter a Sinfonia de portas abertas.

Andamos sempre com pedaços avulsos de melancolia nos bolsos.»

domingo, 9 de março de 2025

OLHARES

Há Bar e Bar, há ir e voltar, desfazendo um slogan publicitário inventado  pelo O ‘ Neill que dizia que Há mar e mar, há ir e voltar.

quarta-feira, 5 de março de 2025

OLHARES


Cais do Sodré.

Conta Dinis Machado, em Reduto Quase Final que era a ali, junto ao relógio, que a malta miúda, vinda de diversas ruas do Bairro Alto, se encontrava para, nos domingos, todos juntos, irem para a praia.
“A propósito: quem é que tem a bola? Estive a ver as marés, temos terreno duro no domingo, na praia, da parte da manhã. Podemos estar a dar uns toques umas seis horas seguidas, mas é preciso apanhar o barco aí pelas oito horas. E com isto fecho a secção de informações. Quem é que tem a bola? Quem é que a levou para casa no domingo”.

Tinham nomes os barcos: “Zagaia”, “Flecha”, “Norte Expresso”. Travessia Cais do Sodré-Trafaria-Cova do Vapor. Aqui uma ponte de madeira desde o desembarque até à praia.
Mas os barcos no Cais do Sodré funcionavam apenas no Verão. Durante todo o ano, eram os barcos da empresa Damásio Vasques & Santos, Lda que faziam a travessia Belém-Trafaria. Também tinham nomes esses barcos: o “Alcântara”, o “Trafaria Praia”, o “Sempre Fixe”, outros que agora já não lembra.

A propósito quem é que tem a bola? 

domingo, 2 de março de 2025

OLHARES


 «Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os Estados Sociais, os Estados Corporativos e o estado a que isto chegou. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem não quiser sair, fica aqui!».

Salgueiro Maia, palavras ditas aos militares, na noite de 24 de Abril de 1974, que, desde a parada da Escola Prática de Artilharia, iam, com destino a Lisboa, para derrubar a ditadura.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

OLHARES


Nada se passa por detrás das janelas desde que deixámos de estar por detrás delas.

Palavras encontradas em Diz-lhe Que Estás Ocupado de Alexandre O’Neill

Legenda: Não foi possível encontrar o autor/origem da imagem

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

OLHARES

 


«A novidade e a sofisticação que o novo cinema trazia, e de que os relatos aparecidos na imprensa da época dão conta, associou-se porém aos seus promotores ingleses. No dia da sua inauguração em 23 de Fevereiro de 1950, tocou-se o Hino de S. Jorge, em homenagem ao patrono que dera o nome ao patrono que dera o nome ao edifício, ouviu-se A Portuguesa mas foi o God Save the King que assinalou o ponto alto da cerimónia, contribuindo para reforçar aquela convicção. O programa continuava, de resto, com um filme de actualidades inglesas, ao qual se seguiram desenhos animados e um concerto de órgão dado por Geral Shaw, um música da BBC que viera propositadamente para o evento e que por cá permaneceu algum tempo. Entretanto mostrava-se o filme Os Sapatos Vermelhos (1948), realizado pela dupla Michael Power e Emeric Pressburguer, que se baseava num conto de Hans Christian Andersen, tendo por tema o ballet, conferia um valor acrescentado ao ambiente da sala.»

Margarida Acciaiuoli em Os Cinemas de Lisboa

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

OLHARES

«…penso que a melhor fotografia de guerra que alguma vez se tirou e mostra apenas um soldado a beber de um canil. A banalização do horror horroriza-me.

Alexandre O’ Neill em Diz-lhe Que Estás Ocupado 

Legenda: fotografia de Eugene Smith

sábado, 15 de fevereiro de 2025

OLHARES


 Postal trazido da Colombia pelo meu neto Afonso da e que mostra um indígena aruaco, um povo ancestral da Sierra Nevada de Santa Marta.

O caminho da montanha, tal como o da vida, não se reconhece com as pernas, mas com o coração.

Ati Quigua (líder Aruaca)

Colaboração de Aida Santos