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quinta-feira, 19 de março de 2026

OLHAR AS CAPAS


 Fromont Junior e Risler Senior

Alphonse Daudet

Tradução Pedro dos Reys

Bibliotheca Economica nº 1

Companhia Editora de Publicações Illustradas, Lisboa 1981

- Madame Chèbe!

- Senhor noivo…

-Estou contente…

Era seguramente a vigésima vez n’esse dia que o bom do nosso Risler fazia aquella declaração, e sempre com o mesmo ar enternecido e pacifico, com a mesma voz lenta, surda, profunda, uma d’essas vozes que a comoção ameaça estrangular na garganta e que não sobe de diapasão com medo de se diluir subitamente em lagrimas.

Fromont Junior e Risler Senior

Alphonse Daudet

Tradução Pedro dos Reys

Companhia Editora de Publicações Illustradas, Lisboa 1981

- Madame Chèbe!

- Senhor noivo…

-Estou contente…

Era seguramente a vigésima vez n’esse dia que o bom do nosso Risler fazia aquella declaração, e sempre com o mesmo ar enternecido e pacifico, com a mesma voz lenta, surda, profunda, uma d’essas vozes que a comoção ameaça estrangular na garganta e que não sobe de diapasão com medo de se diluir subitamente em lagrimas.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

OLHAR AS CAPAS


Cartas do Meu Moínho

Alphonse Daudet

Tradução: Hernâni Barbosa

Colrcção Lusitânia nº 64

Livraria Chardron, Porto s/d

É de lá que vos escrevo, com a porta escancarada ao bom sol.

Um lindo pinheiral, todo banhado de fulgor, desdobra-se diante de mim até ao sopé da encosta. Na linha do horizonte recortam-se as cristas finas dos Alpilles…

Nem o mais leve rumor… Apenas, de longe em longe, o som dum pífaro, o piar de um maçarico real por entre as alfazemas, um guizalhar de mulas que passam na estrada… Toda essa bela paisagem provençal só vive pela luz.

E como quereis agora que eu tenha saudades da vossa Paris, ruidosa e negra? Estou tão bem no meu moinho! É na verdade aquele cantinho que eu procurava – um cantinho perfumado e quente , a mil léguas dos jornais, das velhas séges, do nevoeiro… E quantas belas coisas à minha volta!

domingo, 3 de dezembro de 2017

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O Natal do Clandestino é o primeiro livrinho que a Estúdios Cor começou a publicar, em cada Natal, com uma história de um autor e a capa e ilustrações a cargo de um pintor. A iniciativa prolongou-se até ao Natal de 1973.
A José Rodrigues Miguéis e Bernardo Marques seguiram-se:

O Sortilégio do Natal de Domingos e Monteiro e Manuel Lapa,
Noite Esquecida de Alves Redol e Luís Filipe de Abreu,
O Mundo Desabitado de José Gomes Ferreira e Júlio Pomar,
A Noite que Fora de Natal de Jorge de Sena e Paulo Guilherme,
O Viúvo de David Mourão-Ferreira e António Pimentel,
As Três Missas Rezadas de Alphonse Daudet e e Manuel Lapa,
A Samarra de Urbano Tavares Rodrigues e Cipriano Dourado,
Os Três Reis do Oriente de Sophia Mello Breyner Andresen e Manuel Lapa,
Já não há Salomão de Isabel da Nóbrega e Sá Nogueira,
Ao Menos um Hipopótamo de Natália Nunes e Lima de Freitas,
Ode (quase) Marítima de Augusto Abelaira e Maria Keil,
Tempo de Solidão de Manuel da Fonseca e Maria da Luz Lino,
História de Seu Tomé Meu Pai e Minha Mãe Maria de Odylo Costa Filho e Carlos Amado,
A Nostalgia do Senhor Lima de Manuel Ferreira e Cipriano Dourado,
Os Crânioclastas de João Palma-Ferreira e Catherine Labey,
O Embargo de José Saramago e Fernando de Azevedo.

Mais tarde, José Rodrigues Miguéis incluiria o Natal do Clandestino no livro de contos Gente de Terceira Classe com o título de O Viajante Clandestino.
Acima, reproduz-se uma das ilustrações de Bernardo Marques.
Destes livrinhos da Estúdios Cor, apenas possuo este Natal do Clandestino, o Mundo Desabitado de José Gomes Ferreira e O Embargo de José Saramago.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

OLHAR AS CAPAS


Tartarin de Tarascon

Alphonse Daudet
Tradução de Pandemónio
Colecção Horas de Leitura nº 16
Guimarães Editores, Lisboa s/d


- Mas então!? - há-de o leitor dizer-me. - Se a caça é tão rara em Tarascon, que diacho fazem os caçadores tarasconeses todos os domingos?
O que fazem?
Oh! Meu Deus! Vão para pleno campo, aí a umas duas ou três léguas de Tarascon. Reúnem-se em grupos de cinco ou seis, estendem-se tranquilamente à sombra do muro de um poço, de uma parede velha, de uma oliveira, sacam das bolsas um bom naco de vaca assada, cebolas cruas, um paio, algumas anchovas, e começam um almoço interminável, regado por um daqueles vinhinhos do Ródano, que fazem rir e fazem cantar.
Depois do que, já bem refeitos, levantam-se, assobiam aos cães, carregam as espingardas e põem-se a caçar. Quer dizer, cada um daqueles senhores pega no próprio boné lança-o ao ar com toda a força, e atira em voo, com 5, 6 ou 2 - conforme as convenções.
Aquele que mais chumbo mete no boné é proclamado rei da caça e volta à noite em triunfo para Tarascon, com o boné crivado de buracos, pendurado no cano da espingarda, no meio do ladrar dos cães e das fanfarras.
Escusado será dizer-lhes que se faz na cidade um grande comércio de bonés de caça. Há até chapelarias que vendem bonés furados e rotos já de antemão para uso dos menos destros; mas para estes, só há um freguês: é o farmacêutico Bézuquet. É uma desonra!