Mostrar mensagens com a etiqueta João Abel Manta. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta João Abel Manta. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 8 de setembro de 2026

O OUTRO LADO DAS CAPAS


 Já não assim muitos os que se lembram da alvorada de Abril, das aventuras e desventuras do nosso caminhar naquele Verão dito quente de 1975, do homem que acreditava no povo e disso vez bandeira e luta.

Chamava-se Vasco Gonçalves.

Este livro é algo de importante para os que esqueceram, para os que não sabem o que foram aqueles mágicos e muito difíceis dias.

O título do livro diz tudo: «Não Pode Haver Neutros», todos aqueles que pensaram, que pensam, que ficar no meio é o espaço ideal para poder ver os dois lados. Também não pode haver sacanas que, então, apareceram em quantidade desmesurada, quando o que se podia era algo diferente:

«Nós também precisamos de aliados nesta revolução; precisamos de pequenos empresários, médios empresários, que compreendam esta revolução, que caminhem ao nosso lado; nós precisamos também de alianças porque isto é uma tarefa muito grande. Mas, repito, a revolução só comporta duas situações: ou se está com ela ou contra ela. Não há tipos que possam dizer «eu sou neutral, não me interessa nada a política.»

Vasco Gonçalces do Discurso da Sorefame, 17 de Maio de 1975.

Naturalmente, nem tudo correu como se esperaria.


Sobre Vasco Gonçalves fica uma opinião do pintor João Abel Manta:

«Conheci o Vasco Gonçalves mal. Ele gostou muito desse cartaz “Povo MFA/MFA Povo”, e quis oferecer-lhe o original. Fui a São Bento, ele disse-me que gostava muito dos meus bonecos, nem era dos meus cartazes, era mais dos meus desenhos. Fui recebido, ofereci-lhe o original e ele ficou muito agradecido. O Vasco Gonçalves parecia-me um daqueles revolucionários dos tempos antigos, já não havia homens daqueles. Irritava-se, exaltava-se. Havia uma honestidade, digamos, estomacal, naquele homem, que não sentia nos outros. Depois, tinha aquele ar. Os outros tinham um ar dúbio. Tinha-lhe uma grande admiração, e ele aparecia nas exposições, pude falar com ele. Fiz um cartaz, em que fui odiado em Portugal por isso, coloquei-o entre o soldado e o camponês. O cartaz foi arrancado por tudo o que é sítio. O Mário Soares ficava histérico quando vis esse cartaz! Também lhe ofereci esse cartaz. Concluindo: tenho uma boa impressão do Vasco Gonçalves».

sexta-feira, 24 de julho de 2026

OLHAR AS CAPAS


 Primeiro de Maio

Eça de Queiroz

Nota Prévia: A. Campos Matos

Capa e Ilustrações: João Abel Manta

Edições O Jornal, Dezembro de 1979

E se assim é, o Primeiro de Maio, tão temido, tem de ser marcado com traço de ouro, porque nos mostra maior doçura, maior paz entre os homens – r como outrora, neste dia de renovação primaveril da terra, deveremos, em agradecimento aos deuses, pendurar à nossa porta ramos de giestas em flor.

sábado, 16 de maio de 2026

SOLTAS


 João Abel Manta, artista plástico, arquitecto, cartoonista morreu aos 98 anos e deixou-nos em cartazes os contornos da Liberdade.


SOLTAS DESTE SÁBADO

1.

Contratações acima dos 50 anos são raras nas grandes empresas. O mercado fecha as portas aos trabalhadores seniores e menos de 5% dos contratados têm mais de 50 anos.

2.

O CDS está em congresso. Ter-se agarrado à AD foi uma débil possibilidade de sobrevivência.

3.

Na Grã-Bretanha o rei disse ao povo que «um mundo cada vez mais perigoso e volátil ameaça o Reino Unido».

A propósito, lembra-se a frase  de Rimbaud que Patti Smith colocou, como epígrafe, em «O Ano do Macaco»

«Abate-se sobre o mundo uma loucura fatal.»

4.

Por causa da guerra Estados Unidos/Irão a crise mundial aumenta. Por aqui, a crise dos fertilizantes agrava os custos na agricultura e pressiona o preço do cabaz alimentar. Segundo a DECO aumentou 7,68% entre 14 de Janeiro e 13 de Maio.

5.

O Escrito na Pedra do Público de hoje apresenta uma frase de S. Chamfort, poeta, jornalista, humorista e moralista francês:

«A sociedade é composta por duas grandes classes: aqueles que têm mais jantares que apetite e os que têm mais apetite que jantares».

Um dos patrões da Aida dizia-lhe que só há duas vidas: uma é boa, a outra não presta.

6.

Dados da APAV, que presta apoio às vítimas, revelam que agressões de pais a filhos aumentaram 40% e a maioria das vítimas são mulheres com 65 anos ou mais anos.

7.

Pedro Garcias na sua crónica de hoje no Fugas/Público:

«Luís Montenegro não consegue falar sem sorrir, pelo que de certeza nem ele acredita no que diz, que o país está muito bem, que o mundo nos admira e elogia e que este Governo vai ficar na história».

JoÃO ABEL MANTA (1928-2026)


Morreu João Abel Manta. 

terça-feira, 13 de maio de 2025

À LUPA


A lupa detém-se hoje na censura que a ditadura nos impôs e chega a um trabalho de Maia do Amaral realizado para a Universidade de Coimbra e anda à volta de um livro de José Cardoso Pires - O Dinossauro Excelentíssimo, um livro escrito à rédea solta, uma sátira política que ridicularizava Salazar, recheado de ingredientes que, necessariamente acabaria por colocar o livro «Fora do Mercado» e em que os desenhos de João Abel Manta ocupam sinal de relevo.

O livro começa assim: 

«De facto, não há muito tempo existiu no Reino do Mexilhão um imperador que na ânsia de purificar as palavras acabou por ficar entrevado com a paralisia da mentira.» e a história «censória» que envolve o livro é esta:

«Um dos casos mais extraordinários deu-se com o Dinossauro Excelentíssimo de J. Cardoso Pires. O livro acabara de sair e o deputado da «ala liberal» Miller Guerra afirmou na Assembleia Nacional que não havia liberdade em Portugal. Para o contrariar, o deputado Casal-Ribeiro (ultraconservador) perguntou-lhe, precipitadamente: «V. Exa. falou no falso conceito de liberdade. E eu pergunto o seguinte: V. Exa. quer mais liberdade do que aquela que nós vivemos neste momento, quando se permite, por exemplo, a saída de um livro ignóbil chamado Dinossauro Excelentíssimo?» (Diário da Sessões, n.º 201, 29 nov. 1972, p. 3960–3961). Apontado estupidamente como um exemplo da liberdade, a Censura ficou sem capacidade de atuar, em relação ao livro e ao seu autor. E foi um verdadeiro sucesso com seis edições entre 1972/73.»

domingo, 28 de abril de 2024

OS DIAS SEGUINTES A ABRIL 25


 

 28 de Abril de 1974

 Os portugueses viviam o seu primeiro domingo em Liberdade.

 Na 1ª página do “Diário de Lisboa” reproduzia-se um “poster” de João Abel Manta.

«Esta é a reprodução de um “poster” que apresentamos nas páginas centrais da nossa edição de hoje. O “poster” alusivo ao actual momento político português, é da autoria de João Abel Manta, artista que, por motivos demais conhecidos, há tempo não publicava qualquer trabalho no nosso jornal.»

Na redacção do Diário de Notícias, as janelas ainda não tinham sido escancaradas. Na 1ª página podia ler-se:

 “Serenidade e expectativa nos territórios do Ultramar”

 Na 7ª página um telegrama da “France Press”, proveniente de Montreal, revelava que Agostinho Neto, em nome do MPLA, não aceitava a proposta do General Spínola com vista à formação de uma Federação. O MPLA classificava a proposta como fascista, nazi e salazarista e reafirmava que a luta sempre foi por uma libertação completa e, apenas, neste princípio se dispunha a encetar negociações com Portugal.

 Na página 3, “A Capital” avançava que tudo levava a crer que o 1º de Maio iria ser decretado, pelas Forças Armadas, Feriado Nacional. O pedido fora formulado por Francisco Pereira de Moura, na reunião que, na véspera, a CDE mantivera com o General Spínola.

Na pág. 14 era publicada esta fotografia.

 A legenda dizia que “um elemento anónimo do 1º Comité de Acção Popular, baptiza a ponte sobre o Tejo.”

 O corpo da notícia esclarecia que o “Comité de Acção Popular” nascera espontaneamente, e propunha-se realizar uma série de acções com vista à eliminação de símbolos do regime derrubado a 25 de Abril.

A alteração do nome de Ponte Salazar para Ponte 25 de Abril era o primeiro desses actos.

A propósito deste acontecimento, um oficial, não identificado, da Junta de Salvação Nacional, declarou: “estamos aqui, não para desrespeitar os mortos mas pare defender os vivos.”

 Na Junta de Salvação Nacional, também as janelas estavam por escancarar!


Esta é a capa do nº1 do ano I de A Época.

Barradas de Oliveira é demitido de director do jornal Época, que ontem não saiu para as bancas. 

Depois de populares terem, anteontem, tentado destruir as instalações do jornal, que era um sustentáculo da ditadura, o Conselho de Redacção nomeou José Manuel Pintasilgo, chefe de redacção de ex-Época, como director do jornal, que passa, a partir de hoje, a publicar-se com o nome de A Época.

Começam a esboçar-se os primeiros sinais de camaleonismo.

Atente-se no final da sua declaração de princípios:


Uma notícia quase perdida no volume noticioso dos dias:

«Os desertores do Exército apelam para uma amnistia que lhes permita regressar a Portugal.»

Destaque na 1ª página de O Século para a prisão de Silva Pais, o tenebrosos ex-director da PIDE-DGS.

quinta-feira, 14 de março de 2024

VIAGENS POR ABRIL


       Este não é o dia seguinte do dia que foi ontem.

                                               João Bénard da Costa

Será um desfilar de histórias, de opiniões, de livros, de discos, poemas, canções, fotografias, figuras e figurões, que irão aparecendo sem obedecer a qualquer especificação do dia, mês, ano em que aconteceram.

25 de abril.

50 anos.

A imagem que acima se reproduz, é o Presente das Forças Armadas, Natal de 1974, num desenho de João Abel Manta.

Uma coisa é, cada um de nós, já não saber o que dizer sobre o 25 de Abril. Outra coisa é saber que ainda está tudo por dizer.

Também saber que está quase tudo por fazer.

Concluir suavemente que não há momentos perfeitos.

A resposta de Arminda a JC na memorável data que podemos encontrar em Almeida Faria no seu livro Lusitânia:

«De resto passei o dia inteiro agarrada à telefonia, depois à televisão, indo à estação das camionetas esperar pelos jornais da capital, tentando telefonar a Samuel que não parou em casa, deixei recado, irei ter com ele amanhã, não aparece uma revolução assim do pé para a mão, se calhar nunca mais terei outra ocasião de ver um regime esticar o pernil, se é que não se trata dum engano, fada morgana. Agora, cansada de excitação, lembrei-me da lenda do José Maria dos Santos, ouvindo que um navio de cereais naufragava no estuário do Tejo, arrematando-o em leilão apesar de estar podre com a água do mar, encharcado de água (água provavelmente doce no estuário) e alimentando várias varas de porcos até ficar milionário. Será parábola da esperteza saloia nacional? Beija-te a tua irmã esperando que venhas entretanto e não seja necessário escrever-te outra carta.»

Por fim: as eleições de domingo não nos querem mostrar que o 25 de Abril está a ser esquecido?

 Uma data a que falta futuro?

sábado, 15 de abril de 2023

sexta-feira, 10 de junho de 2022

10 DE JUNHO DE 1974


 No dia 10 de Junho de 1974, um grupo de quarenta e oito artistas plásticos do Movimento Democráticos dos Artistas Plásticos pintou, no Mercado da Primavera em Belém, um enorme mural.

Entre muitos outros pintores, participaram na pintura colectiva Júlio Pomar, João Abel Manta, Nikias Skapinakis, Menez, Vespeira, Costa Pinheiro, MargaridaTengarrinha Dias Coelho, Sá Nogueira, João Abel Manta, Palolo, Ângelo de Sousa, Nuno San-Payo, Lima de Carvalho, João Vieira, Jorge Martins, Querubim Lapa, Alice Jorge, Fernando Azevedo, Rogério Ribeiro, José Escada, Vítor Palla, António Domingues, Jorge Vieira, Carlos Calvet.

Vergílio Ferreira no seu Diário:

«Dois amigos pintores (o Baptista e o Querubim) deixaram-me dar umas pinceladas. Lembrei-me de Napoleão, em Austerlitz, aos soldados: tu podes dizer «eu estive lá». De modo que também lá estive.»

Este mural viria a desaparecer, num incêndio, em 1981, e nunca se conseguiu apurar as causas.

O mural fazia parte de uma série de actividades de solidariedade para com o Movimento das Forças Armadas.

Durante o dia, o Mercado da Primavera registou, através da cultura e das artes, outros eventos de saudação à Liberdade que o Movimento das Forças Armadas nos trouxera.

O grupo de teatro A Comuna concebeu um espectáculo, vulgo cegada, em que figuras  notórias da ditadura eram caricaturadas.

O espectáculo estava a ser transmitido, em directo, pela Televisão, mas a emissão foi subitamente interrompida quando o actor, que fazia de Cardeal Cerejeira, proferia estas palavras:

«Senhor Presidente da República. Senhor Presidente do Conselho. Filhas, artistas e filhos meus muito queridos em vosso Senhor Jesus Cristo. Pedem a o patriarca Cerejeira que diga algumas palavras nesta festa de artistas. Que palavras pode dizer o patriarca de Lisboa senão fazer cantar como um apóstolo anima mea gaudiae pinctome, canatatis, representatis, pictos, pictos, picta.
Que palavras pode dizer o cardeal de Lisboa senão o fazer exultar de alegria a arte. O grito do Natal ressoa em nós quando a arte se transforma em parte e se parte para a Arte que é o particípio do Espírito Santo.

Esta é a festa dos artistas em que pelo que fazeis dais glória aos nossos governantes que mais não fazem que executar a vontade de Deus e a vontade do povo, salvo seja…»

Passados poucos minutos, a locutora Alice Cruz, leu o seguinte comunicado:

O programa que transmitíamos em directo do Mercado da Primavera foi interrompido por ordens superiores, estranhas aos trabalhadores da televisão que manifestam o seu repúdio por tal medida, pelo que oportunamente tomarão a atitude conveniente.


A ordem de interrupção fora ordenado pelo Major Mariz Fernandes, representante da Junta de Salvação Nacional na RTP .

 No dia seguinte, Raul Rego, ministro da Comunicação Social, emprestou a sua concordância com o acto censório, e acrescentou:

Temos que ter em consideração os sentimentos de parte da população portuguesa.

Passados dias, o Conselho Permanente do Episcopado divulga um comunicado afirmando a sua mais viva indignação por esse espectáculo que foi sentida pela generalidade da população católica de Portugal.

Fontes:

Recortes de acervo pessoal, Diário de Uma Revolução, Mil Dias Editora, Lisboa, Janeiro de 1978, Portugal Depois de Abril de Avelino Rodrigues, Cesário Borga, Mário Cardoso, Edição dos Autores, Lisboa, Maio de 1976, Portugal Hoje, edição da Secretaria de Estado da Informação e Turismo, A Funda, Artur Portela Filho, Editora Arcádia, Lisboa.

Legenda:

a)      Pormenor do mural colectivo tirado de Entre as Brumas da Memória

b)      Fotografia da feitura do mural, tirada de O Século de 12 de Junho de 1974

c)      Fotografia da representação da cegada de A Comuna tirada do Expresso de 15 de Junho de 1974.

segunda-feira, 3 de maio de 2021

FARIA HOJE 100 ANOS


«Conheci o Vasco Gonçalves mal. Ele gostou muito desse cartaz “Povo MFA, MFA Povo”, e quis oferecer-lhe o original. Fui a São Bento, ele disse-me que gostava muito dos meus bonecos, nem era dos meus cartazes, era mais dos meus desenhos. Fui recebido, ofereci-lhe o original e ele ficou muito agradecido. O Vasco Gonçalves parecia-me um daqueles revolucionários dos tempos antigos, já não havia homens daqueles. Irritava-se, exaltava-se. Havia uma honestidade, digamos, estomacal, naquele homem, que não sentia nos outros. Depois tinha aquele ar. Os outros tinham um olhar dúbio. Tinha-lhe uma grande admiração, e ele aparecia nas exposições, pude falar com ele. Fiz um cartaz, em que fui odiado em Portugal por isso: coloquei-o entre o soldado e o camponês. O cartaz foi arrancado por tudo o que era sítio. O Mário Soares ficava histérico, quando via esse cartaz! Também lhe ofereci esse cartaz. Concluindo: tenho uma boa impressão do Vasco Gonçalves.»

João Abel Manta entrevista ao Público, s/d.

quarta-feira, 28 de abril de 2021

ALGUNS DIAS ANTES DE MAIO


28 de Abril de 1974

Barradas de Oliveira é demitido de director do jornal Época, que ontem não saiu para as bancas.

Depois de populares terem, anteontem, tentado destruir as instalações do jornal, que era um sustentáculo da ditadura, o Conselho de Redacção nomeou José Manuel Pintasilgo, chefe de redacção de ex-Época, como director do jornal, que passa, a partir de hoje, a publicar-se com o nome de A Época.

Esta é a capa do nº1 do ano I de A Época.

Começam a surgir os primeiros sinais de camaleonismo.

Atente-se no final da sua declaração de princípios:


1.

É  manchete em todos os jornais, a chegada a Lisboa de Mário Soares, bem como a recepção entusiástica que milhares de pessoas prestaram à sua chegada à estação de Santa Apolónia, no regresso do exílio em Paris.

Pela primeira vez os jornais dão conta da pretensão de o 1º de Maio ser decretado feriado nacional. O pedido foi formulado pelo «leader» da C.D.E., Prof. Francisco Pereira de Moura, durante a reunião de ontem com a Junta de Salvação Nacional

O Diário Popular noticia que, num avião militar, partem amanhã, com destino ao Funchal a esposa e a filha do ex-presidente da república Américo Tomás.

Desde o dia 25, mais de um milhão de exemplares do Diário Popular têm sido disputados aos ardinas. Ontem, o jornal colocou três tiragens nas bancas.

2.

Fotografia publicada na página 14 de A Capital que mostra o baptismo do novo nome da Ponte sobre o Tejo.

A acção foi levada a cabo por um movimento, espontaneamente formado, denominado 1º Comité de Acção Popular.

3.

Destaque na 1ª página de O Século para a prisão de Silva Pais, ex-director da PIDE-DGS.

4.


Mário Castrim dedica a sua crítica de televisão às imagens da libertação dos presos políticos em Caxias.

Este é o começo da crónica:


sexta-feira, 16 de abril de 2021

TERNURA MACIA DE FANTASMAS...


14 de Janeiro de 1965

Imprevisto: o Fred Kradolfer telefonou!

Voz de indecisão como se lhe custasse levantar uma pedra de peso antigo.

- Olá, querido! Como vai isso?

- Olha José… O João Abel Manta vai realizar uma exposição dos anos trinta… Emprestas-me o retrato que te fiz?

Pois sim, Fred… Pois sim, Fred…

Ternura macia de fantasmas…

Vozes sem corpo…

Fios de telefone…

José Gomes Ferreira em Dias Comuns Vol. I



«Diante do Meu Retrato  pintado pelo Fred Ktadolfer», poema inédito manuscrito de José Gomes Ferreira, 9/5/981

Legenda: Retrato e poema retirados do Catálogo da Exposição Comemorativa do Centenário do Nascimento de José Gomes Ferreira

domingo, 7 de junho de 2020

ANTOLOGIA DO CAIS


Para assinalar os 10 anos do CAIS DO OLHAR, os fins-de-semana estão guardados para lembrar alguns textos que por aqui foram sendo publicados.

OS IDOS DE JUNHO DE 1974

No dia 10 de Junho de 1974, um grupo de quarenta e oito artistas plásticos do Movimento Democráticos dos Artistas Plásticos pintou, no Mercado da Primavera em Belém, um enorme mural.
Entre muitos outros pintores, participaram na pintura colectiva Júlio Pomar, João Abel Manta, Nikias Skapinakis, Menez, Vespeira, Costa Pinheiro, MargaridaTengarrinha Dias Coelho, Sá Nogueira, João Abel Manta, Palolo, Ângelo de Sousa, Nuno San-Payo, Lima de Carvalho, João Vieira, Jorge Martins, Querubim Lapa, Alice Jorge, Fernando Azevedo, Rogério Ribeiro, José Escada, Vítor Palla, António Domingues, Jorge Vieira, Carlos Calvet.

Vergílio Ferreira no seu Diário:

Dois amigos pintores (o Baptista e o Querubim) deixaram-me dar umas pinceladas. Lembrei-me de Napoleão, em Austerlitz, aos soldados: tu podes dizer «eu estive lá». De modo que também lá estive.»


Este mural viria a desaparecer, num incêndio, em 1981, e nunca se conseguiu apurar as causas.

O mural fazia parte de uma série de actividades de solidariedade para com o Movimento das Forças Armadas.

Durante o dia, o Mercado da Primavera registou, através da cultura e das artes, outros eventos de saudação à Liberdade que o Movimento das Forças Armadas nos trouxera.

O grupo de teatro A Comuna concebeu um espectáculo, vulgo cegada, em que figuras  notórias da ditadura eram caricaturadas.

O espectáculo estava a ser transmitido, em directo, pela Televisão, mas a emissão foi subitamente interrompida quando o actor, que fazia de Cardeal Cerejeira, proferia estas palavras:

Senhor Presidente da República. Senhor Presidente do Conselho. Filhas, artistas e filhos meus muito queridos em vosso Senhor Jesus Cristo. Pedem a o patriarca Cerejeira que diga algumas palavras nesta festa de artistas. Que palavras pode dizer o patriarca de Lisboa senão fazer cantar como um apóstolo anima mea gaudiae pinctome, canatatis, representatis, pictos, pictos, picta.
Que palavras pode dizer o cardeal de Lisboa senão o fazer exultar de alegria a arte. O grito do Natal ressoa em nós quando a arte se transforma em parte e se parte para a Arte que é o particípio do Espírito Santo.

Esta é a festa dos artistas em que pelo que fazeis dais glória aos nossos governantes que mais não fazem que executar a vontade de Deus e a vontade do povo, salvo seja…

Passados poucos minutos, a locutora Alice Cruz, leu o seguinte comunicado:

O programa que transmitíamos em directo do Mercado da Primavera foi interrompido por ordens superiores, estranhas aos trabalhadores da televisão que manifestam o seu repúdio por tal medida, pelo que oportunamente tomarão a atitude conveniente.


A ordem de interrupção fora ordenado pelo Major Mariz Fernandes, representante da Junta de Salvação Nacional na RTP .

 No dia seguinte, Raul Rego, ministro da Comunicação Social, emprestou a sua concordância com o acto censório, e acrescentou:

Temos que ter em consideração os sentimentos de parte da população portuguesa.

Passados dias, o Conselho Permanente do Episcopado divulga um comunicado afirmando a sua mais viva indignação por esse espectáculo que foi sentida pela generalidade da população católica de Portugal.

Legenda:
a)      Pormenor do mural colectivo tirado de Entre as Brumas da Memória
b)      Fotografia da feitura do mural, tirada de O Século de 12 de Junho de 1974
c)      Fotografia da representação da cegada de A Comuna tirada do Expresso de 15 de Junho de 1974.

Fontes: Recortes de acervo pessoal, Diário de Uma Revolução, Mil Dias Editora, Lisboa, Janeiro de 1978, Portugal Depois de Abril de Avelino Rodrigues, Cesário Borga, Mário Cardoso, Edição dos Autores, Lisboa, Maio de 1976, Portugal Hoje, edição da Secretaria de Estado da Informação e Turismo, A Funda, Artur Portela Filho, Editora Arcádia, Lisboa

Texto publicado no dia 16 de Junho de 2014.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

A NECESSIDADE DE CUMPRIR


A obsessão do dever, o escrúpulo de cumprir o combinado, a tendência para estar sempre a horas (pontualidade = minutos antes de) sempre foi muito forte em mim. Possível conclusão: a educação con­ta mais do que se julga e a actividade clandestina, que é também uma escola, conta ainda mais. E quem pensar que o digo para gabar-me, não es­queça, para não errar, que tal tipo de comporta­mento nunca foi coisa de que artistas costumem orgulhar-se, nem muito propícia, na verdade, à criação. Para certos temperamentos, como o meu: a arte nada tem com qualquer espécie de negócio e tudo com o ócio. De que nasce.
 Vêm-me à cabeça casos em que espontaneamen­te esta necessidade de cumprir foi posta à prova. Em 1963, tendo aceitado colaborar num número de O Tempo e o Modo, dedicado por sinal ao tema de se «A arte deverá ter por fim a verdade práti­ca», cai-me em cima da cabeça a necessidade de fa­zer uma operação de urgência. «O Carneiro de Moura tira-lhe isso num instante!» – mandou-me dizer o prof. Pulido Valente, que, com a amizade que sempre lhe devi, diagnosticara rapidamente o mal, já no leito de que não mais se levantou. «Isso» era um simpático quisto sebáceo, do tama­nho duma laranja, o sacripanta, bem agarrado à parede exterior do rim, que outros me queriam ar­rancar, não o quisto mas o rim... Em exames pré­vios e inúteis já me tinham provocado uma exce­lentíssima infecção que ia acabando ali comigo. Dei, pois, entrada no Hospital de Santa Maria em estado lastimável, sem tempo nem cabeça para es­crever fosse o que fosse, adeus depoimento. Mas, na véspera da operação, à noite, quando a minha mulher, inquieta, se despedia, até ao dia seguinte (horas boas!, inútil é contá-las a quem as não co­nhece de vivê-las!), digo-lhe eu, a fazer de homem que não treme: «Amanhã de manhã, quando esti­ver na sala de operações, vem ver na gaveta aqui na banca. Se este bloco tiver alguma coisa escrita, passa-a à máquina, por favor, e fá-la chegar ao Bénard da Costa. Vou tentar». E assim foi. Quando a enfermeira abriu a porta com os comprimidos da praxe, eu estava dentro da rotina por experiência, pedi-lhe que voltasse dentro de meia hora, poderia ser? Ela que sim, amável, parecia adivinhar, e eu, mal sentado na cama, lá consegui rabiscar em cima dos joelhos, que não sobre o joelho, um pequeno texto que era quase o prometido6. Guardei o bloco na gaveta, esperei o regresso da simpática enfer­meira, engoli os comprimidos e, todo entregue já ao meu destino, apaguei a luz satisfeito comigo. Tinha feito o possível.

Mário Dionísio em Autobiografia

Legenda: retrato de Mário Dionísio por João Abel Manta retirado do site do Centro Mário Dionísio/Casa da Achada

sábado, 12 de março de 2016

OLHAR AS CAPAS


Contos

Vários Autores
Capa: José Araújo
Seis reproduções de quadros a óleo de João Abel Manta
Colecção O Campo da Palavra
Editorial Caminho, Abril de 1985

O Dr. António de Lima Soares, o cristalógrafo, levantou-se nessa manhã de Dezembro cansado do mundo. Não é a própria vida todo um longo processo que conduz à exaustão? Só que ele ia já nos sessenta e cinco anos e ansiava mais pela morte do que pela justiça. Um velho, aliás, já se sente extenuado ao começar qualquer tarefa: ir à retrete, apanhar um autocarro, comer a sopa, olhar as montras, decorar a árvore de Natal.

Alexandre Pinheiro Torres do conto O Heterónimo do Diabo

domingo, 8 de novembro de 2015

OS IDOS DE NOVEMBRO DE 1975


 8 de Novembro de 1975

Hoje, o Diário de Lisboa publica um suplemento de 16 páginas com a transcrição, na íntegra, do Frente a Frente, moderado por Joaquim Letria.
O Suplemento do Diário de Lisboa tem um sugestivo desenho com a assinatura de João Abel Manta.
O Frente a Frente teve uma duração de 3 horas e 40 minutos e cada um dos intervenientes explicou a concepção do que devia ser o Socialismo.
Sobre o longo debate, e, na apresentação do documento, o Diário de Lisboa escreve:

O que ficou tragicamente definido neste “encontro impossível, foi a disparidade de duas linguagens: a do imediato que se projecta em realidades próximas (P.S.) e a do futuro próximo (P.C.) que assenta em realidades imediatas.

Seja como for, o perfil do P.C. P. não regista significativas correcções neste frente-a-frente, mas é o P.S. que, para o grande público, sai mais esclarecido nas entrelinhas do confronto. Será uma opinião, mais ou menos orientada – como se quiser. Mas que desapaixonadamente se deduzirá do relato que publicamos na integra.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

COMPANHEIRO VASCO


Vasco Gonçalves morreu há 10 anos.

Em toda a parte do mundo se tem chamado loucos a homens que não têm nada de loucura. Os grupos prejudicados claro que me chamavam louco. Era louco por causa das medidas que estavam a ser tomadas? Foram medidas que salvaram a economia portuguesa,

Vasco Gonçalves, entrevista à Visão 24 de Março de 1994

O Vasco Gonçalves parecia-me um daqueles revolucionários dos tempos antigos, já não havia homens daqueles. Irritava-se, exaltava-se. Havia uma honestidade, digamos, estomacal, naquele homem, que não sentia nos outros. Depois tinha aquele ar. Os outros tinham um ar dúbio. Tinha-lhe uma grande admiração, e ele aparecia nas exposições, pude falar com ele. Fiz um cartaz, em que fui odiado em Portugal por isso: coloquei-o entre o soldado e o camponês. O cartaz foi arrancado por tudo o que era sítio, O Mário Soares ficava histérico quando via esse cartaz.

João Abel Manta, entrevista ao Público, s/d

segunda-feira, 16 de junho de 2014

OS IDOS DE JUNHO DE 1974


8 a 14 de Junho

FOI DETIDO Saldanha Sanches, director do Luta Popular, órgão central do MRPP.
Dezenas de militantes desfilaram da Praça do Chile até à Praça do Areeiro, gritando slogans: Abaixo a nova Pide e Liberdade para Saldanha Sanches.

Segundo Maria José Morgado, que presenciou a prisão levada a cabo por polícias à paisana, esta prisão visou sobretudo atingir o MRPP e o “Luta Popular” e está integrada num conjunto de medidas repressivas contra os marxistas-leninistas-maoistas”. 

“É uma medida da coligação burguesa no poder contra a classe operária e a sua vanguarda
organizada.

NO DIA !0 DE JUNHO DE 1974, um grupo de quarenta e oito artistas plásticos do Movimento Democráticos dos Artistas Plásticos pintou, no Mercado da Primavera em Belém, um enorme mural. Entre muitos outros pintores , participaram na pintura colectiva Júlio Pomar, João Abel Manta, Nikias Skapinakis, Menez, Vespeira, Costa Pinheiro. MargaridaTengarrinha Dias Coelho, Sá Nogueira, João Abel Manta, Palolo, Ângelo de Sousa, Nuno San-Payo, Lima de Carvalho, João Vieira, Jorge Martins, Querubim Lapa, Alice Jorge, Fernando Azevedo, Rogério Ribeiro, José Escada, Vítor Palla, António Domingues, Jorge Vieira, Carlos Calvet.

Vergílio Ferreira no seu Diário:
Dois amigos pintores (o Baptista e o Querubim) deixaram-me dar umas pinceladas. Lembrei-me de Napoleão, em Austerlitz, aos soldados: tu podes dizer «eu estive lá». De modo que também lá estive.



Este mural viria a desaparecer, num incêndio, em 1981, e nunca se conseguiu apurar as causas.
O mural fazia parte de uma série de actividades de solidariedade para com o Movimento das Forças Armadas.

Durante o dia o Mercado da Primavera registou, através da cultura e das artes, outros eventos de saudação à Liberdade que o Movimento das Forças Armadas nos trouxe.

O grupo de teatro A Comuna concebeu um espectáculo, vulgo cegada, em que figuras  notórias da ditadura eram caricaturada.

O espectáculo estava a ser transmitido, em directo, pela Televisão, mas a emissão foi subitamente interrompida quando o actor que fazia de Cardeal Cerejeira o artista que proferia estas palavras:

Senhor Presidente da República. Senhor presidente do conselho. Filhas, artistas e filhos meus muito queridos em vosso Senhor Jesus Cristo. Pedem a o patriarca Cerejeira que diga algumas palavras nesta festa de artistas. Que palavras pode dizer o patriarca de Lisboa senão fazer cantar como um apóstolo anima mea gaudiae pinctome, canatatis, representatis, pictos, pictos, picta.
Que palavras pode dizer o cardeal de Lisboa senão o fazer exultar de alegria a arte. O grito do Natal ressoa em nós quando a arte se transforma em parte e se parte para a Arte que é o particípio do Espírito Santo.


Esta é a festa dos artistas em que pelo que fazeis dais glória aos nossos governantes que mais não fazem que executar a vontade de Deus e a vontade do povo, salvo seja…


Passados poucos minutos, a locutora Alice Cruz, leu o seguinte comunicado:

O programa que transmitíamos em directo do Mercado da Primavera foi interrompido por ordens superiores, estranhas aos trabalhadores da televisão que manifestam o seu repúdio por tal medida, pelo que oportunamente tomarão a atitude conveniente.


A ordem de interrupção fora ordenado pelo Major Mariz Fernandes, representante da Junta de Salvação Nacional na RTP .

 No dia seguinte, Raul Rego, ministro da Comunicação Social, emprestou a sua concordância com o acto censório, e acrescentou:

Temos que ter em consideração os sentimentos de parte da população portuguesa.
Passados dias, o Conselho Permanente do Episcopado divulga um comunicado afirmando a sua mais viva indignação por esse espectáculo que foi sentida pela generalidade da população católica de Portugal.

OS ARMADORES da pesca da sardinha afirmam que não suportam as exigências dos pescadores.

FORAM INTERROMPIDAS , em Argel, as negociações com o P.A.I.G.C.
Mário Soares:

É preciso fazer notar, neste momento, que incidentes desta ordem são perfeitamente comuns e até direi, quase naturais Há dificuldades da nossa parte, há dificuldades da parte deles.

PROSSEGUE  a greve na Timex.

O RECONHECIMENTO do direito à independência por Portugal é reclamado  pelo MPLA como condição essencial para o cessar fogo.

Sá CARNEIRO numa entrevista a um jornal do Brasil afirmou que o Governo Provisório é uma verdadeira equipa.

Legenda:
a)      Pormenor do mural colectivo tirado de Entre as Brumas daMemória
b)      Fotografia da feitura do mural, tirada de O Século de 12 de Junho de 1974
c)      Fotografia da representação da cegada de A Comuna tirada do Expresso de 15 de Junho de 1974.

Fontes: Recortes de acervo pessoal, Diário de Uma Revolução, Mil Dias Editora, Lisboa, Janeiro de 1978, Portugal Depois de Abril de Avelino Rodrigues, Cesário Borga, Mário Cardoso, Edição dos Autores, Lisboa, Maio de 1976, Portugal Hoje, edição da Secretaria de Estado da Informação e Turismo, A Funda, Artur Portela Filho, Editora Arcádia, Lisboa

segunda-feira, 28 de abril de 2014

O CAMALEONISMO


O quarto dia da nossa vida em liberdade.

Barradas de Oliveira é demitido de director do jornal Época, que ontem não saíu para as bancas.
Depois de populares terem, anteontem, tentado destruir as instalações do jornal, que era um sustentáculo da ditadura, o Conselho de Redacção nomeou José Manuel Pintasilgo chefe de redacção de ex-Época, como director do jornal que passa, a partir de hoje, a publicar-se com o nome de A Época.
Esta é a capa do nº1 do ano I de A Época.
Começam a esboçar-se os primeiros sinais de camaleonismo.
Atente-se no final da sua declaração de princípios:

  
São manchete em todos os jornais a chegada a Lisboa de Mário Soares, bem como a recepção entusiástica que milhares de pessoas prestaram à sua chegada à estação de Santa Apolónia, no regresso do exílio em Paris.
Pela primeira vez os jornais dão conta da pretensão de o próximo 1º de Maio ser decretado feriado nacional. O pedido foi formulado pelo «leader» da C.D.E., prof. Francisco Pereira de Moura, durante a reunião de ontem com a Junta de Salvação nacional

O Diário Popular noticia que, num avião militar, partem amanhã, com destino ao Funchal a esposa e a filha do ex-presidente da República Américo Tomás.
Desde o dia 25, mais de um milhão de exemplares do Diário Popular têm sido disputados aos ardinas. Ontem, o jornal colocou três tiragens nas bancas.


Fotografia publicada na página 14 de A Capital que mostra o baptismo do novo nome da Ponte sobre o Tejo.
A acção foi levada a cabo por um movimento espontaneamente formado e denominado 1º Comité de Acção Popular.


Destaque na 1ª página de O Século para a prisão de Silva Pais, ex-director da PIDE-DGS.

O Diário de Lisboa reproduz na 1º página o «poster» da autoria de João Abel Manta que é apresentado nas páginas centrais.
Primavera? é o nome que o artista lhe deu que, por motivos demais conhecidos, há tempo não publicava qualquer trabalho no nosso jornal.


Mário Castrim dedica a sua crítica de televisão às imagens da libertação dos presos políticos em Caxias.
Este é o começo da crónica:

segunda-feira, 14 de abril de 2014

OLHAR AS CAPAS


Dinossauro Excelentíssimo

José Cardoso Pires
Ilustrado por João Abel Manta
Capa de João Abel Manta
Editora Arcádia, Lisboa Maio 1972

De facto, não há muito tempo existiu no Reino do Mexilhão um imperador que na ânsia de purificar as palavras acabou por ficar entrevado com a paralisia da mentira. Ainda lá está, dizem. E não é homem nem estátua porque a ele, sim, roubaram-lhe a morte. Não faz parte deste nosso mundo nem daquele para onde costumam ir os cadáveres, embora cheire terrivelmente, Quando muito é isso, um cheiro. Um fio de peste a alastrar por todas as vilas do império.