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terça-feira, 17 de março de 2026

VELHOS RECORTES


D. António Ribeiro 15º Cardeal Patriarca de Lisboa.

Recorte do Diário de Lisboa, 22 de Outubro de 1981.

quarta-feira, 1 de março de 2023

O FECHAR SOS TAIPAIS


E voltamos à questão do aborto.

No Público de 26 de Fevereiro, a jornalista Ana Sá Lopes escreve um artigo de opinião: «ISTO DO ABORTO É UMA ESPÈCIE DE ILEGALIZAÇÃO NO SNS, NÃO É?:

«É proibido, mas faz-se.” A frase de Marcelo Rebelo de Sousa, opositor à legalização do aborto nos idos 98, e depois convertido à realidade jurídica no segundo referendo, deu um dos mais geniais sketches do grupo Gato Fedorento. Foi um “bit” tão marcante que alguns comentadores políticos acharam que o humor tinha tido, desta vez, genuína influência na vitória do “sim” no segundo referendo.

 Sou desse tempo, do “é proibido, mas pode-se fazer”. Era preciso primeiro arranjar um contacto; havia “senhoras” — habitualmente enfermeiras, mas também algumas médicas e não vou falar das possibilidades mais repugnantes — que aceitavam pagamentos a prestações. Havia clínicas de luxo em Benfica, Lisboa; havia marquises pobres em Benfica, Lisboa. Em todas as cidades algumas tabuletas revelavam casas onde vivia ou “exercia” uma “parteira diplomada”.

 A reportagem de Fernanda Câncio no Diário de Notícias da semana passada deu um retrato chocante — e confesso que para mim totalmente desconhecido — da realidade do que é conseguir fazer um aborto legal e gratuito no Serviço Nacional de Saúde. Na verdade, a forma como as mulheres são tratadas demonstra que o que se está a passar agora é uma ilegalização, não por força de políticos republicanos dos Estados Unidos que são contra o aborto, mas por incapacidade do sistema e por “estar-se nas tintas”. O resultado é o mesmo: se não se consegue abortar legalmente, não vale a pena achar que somos assim tão diferentes dos estados americanos que ilegalizaram a interrupção voluntária da gravidez. Aqui, não é proibido, mas não se faz.»

 

À PARTE

1.

O ministro da Saúde , Manuel Pizarro, declarou que irá resolver o problema em “meia dúzia de semanas”.

O senhor ministro é um homem optimista. Para bem do problema que seja apenas isso!

2.

Lá muito para trás, em 22 de Outubro de 1981, D. António Ribeiro, Cardeal-Patriarca de Lisboa, disse aos jornalistas:

 «Quem liberalizar o aborto terá de se haver com a igreja!»

E o bispo de Viseu, em 1 de Junho de 1988 aquando do referendo sobre a lei do Aborto, disse:

«Quem votar "sim" deve sair da Igreja!» 

3.

Também lembrar Natália Correia e a resposta poética a um deputado do CDS:

 


4.

 Alguns recortes dos anos 80:


5.

O poema «Crescei e multiplicai-vos», que encima o texto é da autoria do poeta e pintor espanhol Carlos San Roman e foi traduzido por Urbano Tavares Rodrigues.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

NOTÍCIAS DO CIRCO


D. Manuel Clemente, patriarca de Lisboa, declara que o acesso aos sacramentos por parte dos católicos recasados só deve ocorrer em circunstâncias excecionais, e após um longo caminho de discernimento. Na avaliação de cada situação, que caberá em primeiro lugar ao seu confessor, estes crentes que se divorciaram de um primeiro casamento, devem ser aconselhados em primeiro lugar a uma vida em continência na nova situação, ou seja abstendo-se de relações sexuais.

 O teólogo Anselmo Borges não poupa críticas ao patriarca:

«Não faz sentido estar a admitir que estão casados, por um lado, e pedir-lhes que não tenham vida sexual, por outro».

Em que século vive a igreja?

No século passado, mais concretamente a 3 de Abril de 1982, aquando do debate, na Assembleia da República, sobre a legalização do aborto, o deputado do CDS, João Morgado, disse que o acto sexual é para ter filhos.

Natália Correia em resposta a João Morgado, chutou-lhe uma pérola poética que ficou para a História:

Já que o coito — diz Morgado —
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou — parca ração! —
uma vez. E se a função
faz o órgão — diz o ditado —
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

UM PEQUENO PASSO


O Papa Francisco autorizou todos os sacerdotes a manterem definitivamente a capacidade de absolverem as mulheres que fizeram um aborto, disposição que devia vigorar apenas durante o ano jubilar da misericórdia, que terminou no domingo.

Para que nenhum obstáculo se interponha entre o pedido de reconciliação e o perdão de Deus, concedo a todos os padres, a partir de agora, a faculdade de absolver o pecado do aborto. 

sábado, 25 de abril de 2015

NOTÍCIAS DO CIRCO



A notícia tem dois ou três dias mas quis deixá-la no dia de hoje.
Entretanto, face às legítimas reacções, o aborto foi já colocado na gaveta.
Apenas colocado, note-se.
Não quer dizer que, mais dia menos, não volte a aparecer.
Porque são imensas as saudades que uma clique de gente tem desse tempo negro que nos assolou durante meio século.
Em cada dia que passa mais se instala a ideia de que já não sou daqui nem de parte alguma.
Porque esta cáfila de aldrabões e corruptos que nos rodeiam, inventam, diariamente, um Portugal que não é o meu nem, salvo eles próprios, de nenhum português.

Por Setembro, convém perceber, de uma vez por todas, que não poderemos continuar a eleger toda esta escroqueria que nos conduz à miséria e à fome. 

segunda-feira, 9 de julho de 2012

A LETRA ESCARLATE


A crónica de Manuel António Pina, hoje, no Jornal de Notícias:

 Quis o acaso objectivo que o debate na AR de uma petição da chamada Federação Portuguesa pela Vida tenha sido marcado para dias antes da data de nascimento de Calvino. E a Fé Reformada que anima hoje a desamparada social-democracia que sobrevive no nome do PSD não se fez rogada à predestinada coincidência.

Por insondável determinação divina (se não do próprio Calvino), foi a deputada Conceição Ruão a eleita para ser a voz da Verdade Moral no Parlamento: às mulheres levadas a abortar deve ser imposta a "obrigatoriedade da assinatura da ecografia da idade do feto" (pressupõe-se que depois de obrigadas também a olhar longamente a ecografia repetindo "minha culpa, minha tão grande culpa", enquanto no sistema áudio do hospital se escutam hinos religiosos e "slogans" da tal Federação pela Vida). Tudo indica que Deus terá assim querido castigar as mulheres que abortam com a pior das humilhações: receber lições de moral do PSD.

Seguir-se-á a letra "A" de "Aborto" bordada a vermelho no peito, para os mesmos elevados fins morais do "A" de "Adúltera" do romance de Hawthorne.

Obviamente, a auto-estigmatização das mulheres defendida pelo PSD aplica-se às que recorrem ao SNS e a médicos e enfermeiros pagos a 4 euros à hora (na sua grande maioria, segundo as estatísticas, trabalhadoras fabris, camponesas ou desempregadas) e não às que recorrem a médicos privados e clínicas de luxo.

Legenda : pintura de Gustave Caillebotte.