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sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

O ARREPIO DA ENCRUZILHADA


 «O que me enrugava a disposição era tão intraduzível como isto: a imagem do meu estúdio em Paris a dizer coisas indigestas: «Meu filho, meu filho, porque me abandonaste?» O estúdio vazio, com as marcas todas de espaço onde um homem vive só.

Tentei concentrar-me no meu aqui-agora, que era aquela estação terminus. Então ocorreu-me (inesperadamente) que uma estação terminus é sobretudo como um sino: pode repicar de casamento ou dobrar a finados.

Senti – concreta – a possibilidade de retomar viagem na direcção de todas as outras cidades do planeta. Seria isso o que me arrepanhava? O arrepio da encruzilhada quando um tipo se calha está perdido? Uns anos antes tinha sentidod coisa mesmo assim, em Istambul. Mas com direcção concreta, a dizer-me «vem daí»: por um triz de triz estivera para tomar o transiberiano Istambul-Pequim. Ao lá vai disto, a ver.»

Nuno Bragança em Square Tolstoi

Legenda: Estação ferroviária de Porta Nuova, Turim.

Nuno Bragança começa assim Square Tolstoi:  «O pressentimento de estar tropeçando no destino. Sabem como é?» 

quinta-feira, 4 de março de 2021

POSTAIS SEM SELO


 Amor à vida é saber ver.

Nuno Bragança em A Noite e o Riso

Legenda: fotografia de Roger Schall 

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

OS CÉLEBRES ORIGINAIS NA GAVETA


Carta de António José Saraiva, datada de Maio de 1980, para Óscar Lopes:

Mas do ponto de vista científico devo prevenir-te contra os efeitos nefastos do fanatismo. Por exemplo, na p. 1139 da 11ª edição da História da Literatura ligas os romances do Nuno de Bragança e de Dinis Machado ao 25 de Abril. Ora o livro principal do Nuno Bragança foi publicado em 1969, e o do Dinis Molero (que na minha opinião está longe de ser um grande livro) podia perfeitamente ter sido publicado antes, pois nada tem que ver com a problemática do 25 de Abril. Claro que tomas preocupações de estilo: falas de «uma carreira recente» e do «fulminante êxito de um livro ambos marcados pela problemática e pelo degelo trazidos pelo 25 de Abril.» A «carreira» é a do Nuno de Bragança, o que te permite meter no mesmo saco A Noite e o Riso (que é um grande livro) e a Directa (1977) que está longe de atingir o mesmo nível. Mas quem ler desprevenidamente julga que o 25 de Abril teve algum efeito na literatura, o que sabes perfeitamente que é falso. Já lá vão seis anos e não se viu nada, nem sequer os célebres originais «na gaveta». O que prova afinal que a literatura tem muito pouco a ver com as peripécias da política, como alíás já sabíamos. É lamentável que tenhas deixado passar para um livro científico um slogan ideológico, ou melhor partidário.


Legenda: Nuno Bragança

segunda-feira, 21 de maio de 2018

NUNO BRAGANÇA


Nuno Bragança dizia-me sempre um simpático
«Olá, rapaz!» quando o apanhava na Trindade
em confidências alcoólicas com o Fernandinho Almeida.
Era já o fim da linha e não sei mesmo
se ele chegou a andar na carreira do 24.
Nas prosas se via o desespero, tal como a impaciência
com que escutava tiradas mais literatas.
Enraivecia por dentro, mordido por outros
deuses, venenos aziagos. Encontrei-o
uma vez à chuva, e perguntei-lhe: «Então?»
Respondeu: «Deixa-me estar nesta paragem.»
Era à porta de um hotel. Hesitava.
Sei hoje que talvez bastasse outra palavra
para a sua alma poder ainda ser salva.

Eduardo Guerra Carneiro em Contra a Corrente

Legenda: fotografia de Joaquim Lobo tirada da contracapa de DoFim do Mundo

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

POSTAIS SEM SELO


Não desperdices o tempo que os deuses te deram.

Nuno Bragança em Directa

Legenda: relógio no «British-Bar»

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

POSTAIS SEM SELO


Começou a encher o cachimbo com aquele vagar metódico que era já parte do prazer duma cachimbada.

Nuno Bragança em Do Fim do Mundo

terça-feira, 1 de setembro de 2015

QUOTIDIANOS


A chegada de Setembro.
Em Setembro voltamos a ser gente,
Para mansamente enfrentar os dias.
Conhecer Setembro pelo cheiro.
Vestir o primeiro casaco de lã e descobrir trocos inesperados nos bolsos.
Largado o cachimbo em finais de Maio a ele volto quando chega Setembro.
Tal como Nuno Bragança em Do Fim do Mundo:
Começou a encher o cachimbo com aquele vagar metódico que era já parte do prazer duma cachimbada.

Legenda: não foi possível identificar o autor/origem da fotografia,

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

POSTAIS SEM SELO


Porque o vim a conhecer mais perto, mais de dentro, apwecebi-me do entre-nós e saquei daí tranquilidades. Amor à vida é saber ver.

Nuno Bragança em A Noite e o Riso

Legenda: não foi possível identificar o autor/origem da fotografia.

domingo, 5 de julho de 2015

QUOTIDIANOS


«Ó Anibal, pá, eu acho que os Lusitanos do Viriato deviam ser tão salteadores como a malta do Afonso Henriques e depois a dos Afonsos de Albuqurque. Quando os Africanos se livrarem da nossa pilhagem deles, vamos acabar por saltear a nós mesmos.»
«Isso já começou há muito tempo», disse eu.
«Mas vai acabar pior do que imaginas», disse o Ramiro. «vai acabar com cada português a levar-se à certa a si próprio.»
«Então vai acabar com toda agente doida.»
«Ainda não tinhas dado por isso?» resmungou o Ramiro, apagando novamente a luz.

Nuno Bragança em Square Tolstoi

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

POSTAIS SEM SELO


Mas senti sempre a falta do contacto com as camadas populares. Eu nunca fui membro do PCP, mas nesses tempos só o PCP tinha lutadores nessas camadas. Lutadores anónimos e formidáveis, que só porque eram trabalhadores pobres não tinham a defesa de que dispuseram muitos intelectuais presos; os nomes destes apareciam na imprensa estrangeira e Salazar não gostava da publicidade internacional acerca do que a Pide fazia. Mas esses trabalhadores torturados, sem que a tortura e o medo detivessem a luta deles…

Nuno Bragança em Conversas de Mário Ventura, Publicações Dom Quixote, Lisboa, Novembro de 1986

Legenda: serigrafia de Rogério Ribeiro para Até Amanhã Camaradas de Manuel Tiago

NÃO ERA DESTE MUNDO


Nuno Bragança faria hoje 86 anos se não tivesse partido por um 7 de Fevereiro de 1985.

Tinha então 55 anos.

Escreveu Helena Vaz da Silva:

O Nuno Bragança mudou-se: passou a viver noutro lado, menos à nossa vista, mas perto à mesma.

E linhas à frente:

Ele não se distraiu um só minuto. Que eu saiba, nunca descansou.

Há criaturas que não são deste mundo, mas o mundo ficaria mais pequeno se elas não passassem por cá.

O Nuno Bragança não era deste mundo.

Escreveu pouco mas é uma referência da literatura do século XX.

Tenho um especial carinho por Directa.

Talvez porque tenha sido o primeiro livro que li de Nuno Bragança e posso que lhe meti olhos pelo começo de uma noite com findar pela madrugada.

Algo que já hoje não consigo fazer.

Certamente por incapacidade ou querendo ser simpático comigo mesmo, por os livros não me agarrarem.

Directa.

Designação noctívaga de dia-ligado-a-dia sem dormir nocturno.

Quarente e oito horas, sem dormir, na vida de um homem.

As ruas, as casas, os cais, as fronteiras, os cigarros Porto.


A mulher doente, a ternura do homem para com a mulher.

… desde que o seu braço esquerdo, ao acordar, encontrara o vazio do espaço na cama ao lado dele.

Um homem dentro da vida com a esperança, o desespero de mudar as coisas, um tempo situado no findar dos anos 60, a luta, a angústia de um país a aguardar por um Abril que não se sabia quando chegaria, se chegaria.

O Henrique olhou o seu relógio «Cauny Prima».
Dobra o mapa, mete-o na algibeira exterior esquerda. Depois desdobra totalmente a folha de papel, e lê:
«Era uma vez um surdo completamente surdo, um paralítico completamente paralítico e um calvo completamente calvo. Viviam juntos e de tanto se aborrecerem decidiram partir. A fim de alcançarem o ponto mais distante do mundo puseram-se a caminho a pé, ou seja: o paralítico ia deitado numa maca, porque era tão completamente paralítico que nem sequer se podia sentar, e o calvo e o surdo transportavam a maca. O surdo ia à frente.
A certa altura da viagem foi preciso atravessar uma floresta. Quanto mais os três homens penetravam nela mais o mato era denso e a folhagem cerrada: Por causa disso e do anoitecer, escurecia.
Iam a meio de uma clareira quando o surdo disse: "Poisa a maca." E deixou de andar, o que obrigou o calvo a parar também. O calvo e o surdo puseram a maca no chão.
E o surdo disse assim: "Esta floresta está cheia de assassinos e malandros. Há já um bom bocado que oiço a restolhada deles." O calvo respondeu: "Estou em crer nisso, porque sinto que os cabelos se me estão a pôr em pé." Então o calvo e o surdo desataram a correr, seguindo o trilho que tinham aberto no mato.
O paralítico ficou sozinho na clareira. E ele pensou: "Não gosto de estar nesta floresta. Parece-me que vou mas é fugir daqui."

quinta-feira, 24 de abril de 2014

O QU'É QUE VAI NO PIOLHO?


Os Verdes Anos, filme de Paulo Rocha, com argumento de Nuno Bragança e música de Carlos Paredes, poema de Pedro Tamen

De Os Verdes Anos, diz Jorge Silva Melo em Século Passado, memórias suas, que viu o filme no São Luiz, tinha quinze anos e nenhum outro filme  tenha rasgado mais o céu possível do que este pequeno filme juvenil, inseguro tímido e lírico de Paulo Rocha, filme feito aos vinte e cinco anos ( o Paulo nasceu em Dezembro de 1936, o filme traz a data de 1963).
Com que então, era possível? Filmar os locais que eu conhecia, filmar desencontros de amor pelo entardecer do campo grande, filmar as barracas que se construíam em cima da Avenida do Aeroporto, até perdermos a vista noutras Chelas e, agora, o parque do Rock in Rio? Filmar Floresta do Ginjal, aquela escada íngreme forrada a conchas? Filmar pessoas, como a criada eu andava pela casa dos meus pais chorando com os folhetins da rádio e aos domingos de namoro? E ver nisto, inscrever na paisagem que todos os dias eu via (a esquina do Vává…) a violência daquele final, a morte da rapariga, o rapaz que desafia a cidade?
Ele havia Salazares, a Pide era mesmo ao lado do São Luiz, a censura não estava longe, mas aquele foi um dia rasgado, puro e limpo, o dia sob a ditadura em que vi os Verdes Anos.
«É o filme que melhor dá a ver Lisboa e Portugal como espaços de frustração, espaços claustrofóbicos, sem saída, onde tudo se frustra e tudo agoniza numa morte branda», diz João Bénard da Costa, e ninguém sabe mais do que ele.
E o Paredes continua a tocar. Até ao sabugo, como o Paulo Rocha.

O Poema Possível

Era o amor
que chegava e partia:
estarmos os dois
era um calor
que arrefecia
sem antes nem depois…
Era um segredo
sem ninguém para ouvir:
eram enganos
e era um medo,
a morte a rir
nos nossos verdes anos...

Teus olhos não eram paz,
não eram consolação.
O amor que o tempo traz
o tempo o leva na mão.

Foi o tempo que secou
a flor que ainda não era.
Como o Outono chegou
no lugar da Primavera!

No nosso sangue corria
um vento de sermos sós.
Nascia a noite e era dia,
e o dia acabava em nós…

O que em nós mal começava
não teve nome de vida:
era um beijo que se dava
numa boca já perdida.



quinta-feira, 12 de setembro de 2013

POSTAIS SEM SELO


Cada português sente que alguma coisa tem de acontecer, mas não por via dele. Não sabias? Depois destes anos todos? Vai buscar dois copos.

Nuno Bragança em Square Tolstoi, Assírio &Alvim, Lisboa Novembro de 1981

segunda-feira, 19 de março de 2012

OLHARES



Em tempos foi uma taberna, hoje é a Pastelaria 1800, com fabrico próprio e um caprichado engraxador junto à porta.

No Largo do Rato, esquina com a Rua da Escola Politécnica.

Da antiga taberna conservaram os azulejos.

No seu livro Directa, Nuno Bragança faz uma referência à antiga taberna:


“Venha o passaporte, disse. O Henrique deu-lhe um passaporte, perguntando: “E a casa?”

“Eu também me encarrego disso”, disse o homem.

“Eu arranjo transporte”, disse o Henrique. “Você pode contactar-me às dezassete horas no Rato?”



“Posso, disse o homem. “No Alambique.”

“O que é isso?”

“Na esquina com a Politécnica. Uma tasca, para variar. E é seguro, a Pide vigia sobretudo os cafés.”

terça-feira, 4 de outubro de 2011

ORGANIGRAMA


O homem deteve-se. Não lhe apetecia nada encontrar-se com a mãe e ser arrastado até à sala de Veludos verdes. A sala em que o Salazar sorria, numa foto colorida a óleo, contemplando o Cardeal Cerejeira e o Presidente Craveiro Lopes que sorriam um para o outro. O que mais agastava o homem era saber que, para se esquivar a tempo, diria: “Tenho de me ir embora para apanhar a comunhão na Estrela: Porque essa verdade seria a única capaz de levar a mãe a tomar a sua pressa a sério. Mas as tripas apertavam-se-lhe à mera ideia de dizer “vou à comunhão” a uma pessoa para quem o Deus-connosco tinha relação casual com o organigrama:

                             

Nuno Bragança em Directa, Moraes Editora, Lisboa, Setembro 1977

Legenda: Separata do Mundo de Aventuras s/d. e com a seguinte legenda: As três personalidades máximas da nobre nação lusitana.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O QU'É QUE VAI NO PIOLHO?


Se bem que a fotografia seja muito anterior a 1967, já há alguns anos que os amarelos da CARRIS não circulavam nos Restauradores, esta é a imagem que o Eden apresentava, quando, por lá, vimos o “Bonnie &Clyde”.

Aqui pelo burgo, “Bonnie Clyde”, provocou uma longa e acesa polémica, em que andaram ao barulho alguns intelectuais da praça: Eduardo Prado Coelho, como não poderia deixar de ser, Mário Dionísio, Natália Nunes, Bernardo Santareno, Nuno Bragança, José Régio, aparecido de Portalegre, cidade do Alto Alentejo, cercada
de serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros, também botou opinião e Agustina Bessa Luís desceu do seu recanto-chá-das-cinco-tripeiro  para escrever no “Diário Popular” algo que assim começava:

"Eu não pensava dedicar a este assunto uma só linha, mas acho injusto e leviano não o fazer."


A chinfrineira foi de tal ordem que quase fez passar ao lado o bonito filme de Arthur Penn,, excelentes interpretações de Warren Beatty e Faye Dunaway, diga-se.

À viva força, umas almas penadas, quiseram deixar vincado, sem qualquer sucesso, que o filme instigava os jovens à violência.

“Eles são jovens, estão apaixonados e matam gente.”

O lindíssimo edifício do Cinema Eden, foi concebido pelo arquitecto Cassiano Branco,

Abriu as portas no dia 1 de Abril de 1937 e, a 31 de Dezembro de 1989, com o filme “Os Deuses Devem estar Loucos”, encerrou-as, como cinema, para sempre.

Sim, é só loucos podiam estar, para terem permitido, que uma sala como aquela,  fosse fechada, mas a especulação imobiliária, sem rei nem roque, a isso obrigou.


A Câmara Municipal de Lisboa tentou, por diversas vezes, manter o “Eden” como espaço para iniciativas de carácter cultural, mas os prometidos mecenas nunca chegaram a aparece com os cheques na mão.

Recuperado pelo Arquitecto Frederico Valsassina, é, hoje, um hotel e onde, naquele tempo, estava o “Café Aviz”, tem porta aberta uma “Loja do Cidadão”

Richard Branson, o extravagante dono da “Virgin”, no dia 28 de Novembro de 1996, abriu por ali loja, mas, passado pouco tempo, teve de dizer au revoir, enchanté de vous connaitre.

O império do mal, que dá pelo nome de FNAC, começava a secar tudo em volta e arredores.

Legenda: não foi possível identificar o autor da fotografia do antigo cinema, tão pouco a data em que foi tirada.

A outra fotografia, é o edifício do Eden como hoje o podemos ver.

quinta-feira, 10 de março de 2011

PESADELO PARTE II


É oficial: Aníbal Cavaco Silva é, desde as 16:40 de ontem, o 20º Presidente da Republica.
Um pesadelo que durará cinco anos.

Homens como Cavaco Silva irritam-me, e tudo o que eu possa escrever acerca da criatura, será escrito sob o signo dessa irritação.

Não gosto do homem, nem do estilo.

Ontem, não foi inocente a colocação aqui de estilhaços de discursos do “imolado contra-almirante”, como Nuno Bragança chamava a Américo Tomás.

Perspectivavam o discurso melancólico, vazio, redondo de nada dizer, insensível, próprio de um homem do regime, que Cavaco iria pronunciar.

Houve quem aplaudisse. 

Até o Alberto João gostou do discurso do Sr. Silva.

"Só um diagnóstico correcto e um discurso de verdade sobre a natureza e a dimensão dos problemas económicos e sociais que Portugal enfrenta permitirão uma resposta adequada", disse o homem que, há mais de uma década, iniciou, como ministro das Finanças, depois como primeiro-ministro, o regabofe a que chegámos.

Ameaçou que irá ter uma "magistratura activa" e disse aos portugueses:

"É necessário um sobressalto cívico que faça despertar os portugueses para a necessidade de uma sociedade civil forte, dinâmica e, sobretudo, mais autónoma perante os poderes públicos".

Mas o que é um “sobressalto cívico”?

Vende-se nos supermercados?

Este homem não é sério.

Esteve cinco anos em Belém, entretido em passeatas, conspirações e inaugurações, e diz que “agora é que vai ser”!

Daqui por uns dias, alguém terá que dizer ao Sr. Silva que foi eleito para Presidente da República e não para Chefe do Governo.

O oficioso, atento e venerando “Diário de Notícias” de hoje, finalizava assim o seu editorial:

“Este discurso prova mais uma vez que, boas intenções à parte, nunca se elege um presidente de todos os portugueses. Elege-se, isso sim, um homem com as suas ideias e as suas convicções.”
Estamos conversados!